O sonho é livre... é deixar voar o pensamento... é acreditar no inacreditável... é atingir o inatingível... Amar... Sofrer... Beijar... Doer...
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
A Chuva Caía
Molhaste os meus passos
Salpicaste o meu caminho
Marcaste o meu destino.
Encharquei meu corpo
Na procura do teu
Caminhei descalça na noite de breu.
Coração sofrido
Gélido sem sentido
Morto de frio.
E a chuva caía
E eu me perdia
Na vida sem vida!
Maria Antonieta Oliveira
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Ao Longo do Rio
Descalça ao longo do rio
Caminho para o mar que me espera
E nele me perco...
Maria Antonieta Oliveira
sábado, 8 de dezembro de 2012
Bodas de Prata
BODAS DE PRATA
25 DE DEZEMBRO DE 1994
25 anos!
De amor e felicidade
Carinho e amizade
De ternura e fantasia
De paz e alegria!
25 anos!
De intranquilidade e incerteza
De nostalgia e tristeza
De desespero e desilusão
De doença e confusão!
Mas, o mau se ultrapassou
E o bem sempre vingou.
Com fé e esperança
Nele tendo confiança.
E assim,
25 anos de amor
Eu, tu, nossa filha, nosso lar
E a presença do Senhor
Que nos está a abençoar!
Maria Antonieta Oliveira
(escrito em 1994)
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Um Presenre de Natal
Para lá do tempo
recordo aquele outro acordar
em que
na velhinha chaminé
um embrulho vi brilhar.
Meus olhos se alegraram
no boneco de papelão
Era lindo perfeitinho
tratei-o com muito carinho
ele deu-me seu coração.
Era manhã de Natal
desse inverno friorento
Eu fui deusa e princesa
naquele doce momento.
Quero que todos os meninos de hoje
sintam tamanha alegria
com a nova tecnologia
como aquela que eu senti.
Quero paz amor pão
E felicidade no coração!
Maria Antonieta Oliveira
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Cama Por Fazer
Hoje não fiz a cama
Deixei que o sol entrasse
e aquecesse a cama fria
vazia e ávida de nós.
Hoje, tal como ontem
nossos corpos não se amaram
nossas bocas não se beijaram
e, nem sequer nos falámos.
Hoje, e enquanto vida houver
meu coração vai bater
ao ritmo do teu
E nós, sempre nós
viveremos esta paixão
até o sol anoitecer.
Maria Antonieta Oliveira
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Dia de Inverno
Num dia de inverno
em que se alongam os passos
nas sombras das nuvens
negras e tenebrosas
ameaçando a chuva do além
Nesse dia,
em que o sol se escondeu
ofuscando o brilho
deste cais onde me perco
e,
em que o mar engrossou
pelas lágrimas caídas do céu
e tudo enegreceu.
Nesse dia,
em que as flores se esconderam
sob o arbusto do jardim
e as conchas
permaneceram no areal solitário.
Nesse dia,
caminhei ao longo da praia
perdida na falésia
onde um dia renasci.
Maria Antonieta Oliveira
Quero Estar Sozinha
Quero estar sozinha,
comigo,
como se tu estivesses aqui.
Quero rir e chorar à vontade
Contar-me os segredos
Gritá-los bem alto,
Entendê-los.
Quero cantar e brincar
mesmo sabendo
que não sei cantar
e, que nunca soube brincar.
Quero meditar lembranças.
Quero renovar esperanças.
Quero sonhar acordada.
Quero sentir-me amada.
Quero bailar
ao som duma valsa
Deixar-me levar
Sentir-me criança.
Quero gritar
ao sol, à lua e ao vento
Deixar voar o meu pensamento.
Quero estar sozinha,
comigo!
Maria Antonieta Oliveira
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Velhice
Eu, que até pensava…
Ah, se eu pensava!
Que a velhice nunca chegava!
Mas, chegou
e com ela tudo mudou.
Verdade!
Já não tenho agilidade,
mas tenho a tua amizade,
e a tua, e outras mais.
Já não tenho tais fantasias,
mas escrevo mais poesias,
E te encontrei, e a ti também.
Já me canso ao caminhar,
mas continuo a passear
contigo, sempre contigo.
Já me dói aqui e ali,
este osso e mais aquele,
mas ainda não perdi
o meu jeito de ser
de amar e sofrer,
de sorrir e chorar,
de gostar de poesia,
de agradecer a cada dia,
de amor e liberdade,
e ansiar a felicidade.
E eu, que até pensava
que a velhice nunca chegava!
Maria Antonieta Oliveira
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Sinto-te
Sinto o teu corpo desnudo
em mim
Tento encontrar a malícia,
o desejo lânguido do prazer
de te ter
de te possuir
Sendo amada
beijada e acariciada
Pelas tuas mãos hábeis e,
ávidas de nós.
Sinto!
Sonho!
O amor!
Maria Antonieta Oliveira
Voa-me o Pensamento
Voa-me o pensamento
Na imagem perdida de ti.
Sulco montanhas
Cavo espaços
Perco-me nos teus braços.
Caminho nas nuvens
Em busca da paz esquecida
No vento que sopra baixinho.
Reclino o olhar
No adormecer do sol
Que se esvai no infinito.
Deleito meu corpo
No areal imenso
Do mundo em que habito.
Deixo-me levar
No tempo que passa impune
À vida que quero e espero.
Voa-me o pensamento!
Maria Antonieta Oliveira
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Apenas Eu
Pedi às nuvens, que me levassem
Disseram: Não!
Nossas lágrimas cairão
E à terra voltarás.
Roguei ao sol, que me desse guarida
Disse-me: Não!
Não suportarás o calor
Preferirás essa vida.
Supliquei às estrelas, que me dessem luz
Disseram-me: Não!
Todo o teu ser
Por si só já reluz.
Olhei bem o céu
E, olhei para mim
O que quero eu?
Não estou bem assim?
Porque teimo em ir
Se meu lugar é aqui
Não vou mais partir
Ficarei por aqui.
Esperarei a hora
Que me está destinada
Então, ir-me-ei embora
Desta vida destroçada.
Nem sol
Nem nuvens
Nem estrelas
Apenas eu,
Sozinha além!
Maria Antonieta Oliveira
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Ti Joanico
Já não és o Joanico
do carrinho de mão
ou da carroça do macho
Nem aquele
que o mano Manel seguia
e com ele trabalhava
Muito menos
o de calção de banho
chinelo no pé
e toalha ao ombro
que os sobrinhos acompanhava
Não!
Já não és o Joanico!
Teu ser desmoronou
Teu cabelo branqueou
Teu olhar entristeceu
Teus dentes partiram de vez
E um dia,
Acordarás num adormecer eterno
Deixarás para sempre este caminho
que te traiu em pequenino
e fez de ti, sempre menino.
Mas,
Já não és o Joanico!
Não!
Maria Antonieta Oliveira
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Voar No Tempo
Ah
Como eu queria!
Esvaziar os cofres do meu sentir
Libertar os pensamentos nefastos
Deixar de caminhar de rastos…
Como eu queria!
Queria
Soltar gemidos e ais
Gritar alto meus tormentos
Deixá-los partir no vento
Soltar todas as amarras
Aguçar as minhas garras
E voar… voar no tempo.
Ah!
Como eu queria!
Maria Antonieta Oliveira
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Cantata
Gargarejo o alfabeto
retido no palato do sentir.
Solta-se o Verbo!
Jorram as silabas
desconexadas e sem sentido.
Saem golfejos de palavras
ritmadas,
ao som de uma cantata.
O Verbo é matéria!
As palavras, são poesia!
Maria Antonieta Oliveira
Morte
Tenho um trapo enrolado
no cabide do tempo…
Esqueleto carcomido
olhando o chão que já não pisa
Braços descaídos
nas unhas pontiagudas
Pés descalços
nos passos já gastos
Coluna erguida direita
nas vertebras já quebradas.
Caminhas
Te inclinas
Para a cova aberta para ti
Entre flores viçosas,
mortas como tu.
No sol
Na chuva
No vento
Ficarás!
Como um trapo enrolado
no cabide do tempo!
Maria Antonieta Oliveira
sábado, 27 de outubro de 2012
Solta Amarras
Solta amarras
E garras
Nas margens dos rios
Transbordantes de vazios
Solta o teu grito de raiva
Deixa para trás tua mágoa
E tenta encontrar teu rumo.
Grita bem alto
À lua ao vento
Ao uivar dos cães
Liberta teu pensamento
De tantas desilusões.
Grita!
Grita bem alto!
Solta amarras!
Maria Antonieta Oliveira
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Não Te Encontro
Estou só!
Continuo só!
Por mais que procure,
não consigo te encontrar.
Ninguém me ouve
E eu, a todos sei ouvir.
Não passo de um ser passante
num caminho errante
Não passo de um verbo por conjugar
De um poema por rimar.
Ninguém me ouve
Ninguém sabe de mim
Ou de mim quer saber
Falo, e tudo fica por dizer.
Preciso sentir-me gente
Confiante de mim mesma
Sou um ser carente, eu sei.
Quero encontrar esse alguém
A quem confie a minha vida
Encontrar a minha guarida
E possa desabafar
Falar só de mim, só de mim
Falar… falar… falar…
Libertar meus sentimentos
Todos os meus pensamentos
Sem medo de ser traída
Ou até incompreendida
Sem medo de ser acusada
Por tudo aquilo que errei
Errei tanto, tanto, eu sei.
Mas, não te encontro!
Não!
Maria Antonieta Oliveira
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Tudo e Nada
És o meu amanhecer
O meu acordar
A flor colorida
Que dá brilho à minha vida.
És a estrada
Que encaminha os meus passos
És o mar
Que em sonhos me leva
És monte
És vale
És areia do deserto
E, água fresca por perto
És o vento
Que me sopra ao ouvido:
“vem, meu amor querido”
És a linha do horizonte
A água que brota da fonte
És a nuvem que chora
Quando o meu coração padece.
És a estrela que ilumina
As minhas noites sombrias
És o som
A voz
O olhar
És do passarinho o pipilar
És a chama da minha agonia
És o calor do meu corpo frio
És o sol da minha alvorada
És tudo
e,
És nada.
Maria Antonieta Oliveira
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Simplificar
(Imagem google)
Sabes amor,
estive pensando:
- que seria mais prático
até mais fiel
e, jamais esqueceríamos,
se logo ao acordar
ao dizermos “bom dia”
disséssemos também
”até amanhã”
que outro dia será.
O que achas, amor?
Maria Antonieta Oliveira
Mãos Hábeis
ESTOFADOR
Com mãos de veludo
Ásperas e grosseiras
Tateias o tecido que vais trabalhar
Calos de mão que urge
Em dedos deformados
Moldar o gosto de ti
De mim, de outro alguém
Fazer magia
Com a própria fantasia
E sair bonito
Riscar os quadrados das flores
Na paleta pintada
Onde te sentas
E deitas
E adormeces
Acordas e nada vês
Para além do arco iris diferente
Onde descansas sorridente
Não vês
Que mãos de veludo
Ásperas e grosseiras
Fizeram à sua maneira
Do céu, do mar e da terra
Uma perfeita união
Com os calos e o veludo dessa mão.
Maria Antonieta Oliveira
Aquela Nesga
Por aquela nesga
Vidrei meu olhar
Mirei… mirei…
Sem te encontrar.
Não sei onde andas
O que fazes agora
Só sei que o meu peito
Se amofina e chora.
São lágrimas rubras
Caindo pingando…
Nem de mim te lembras
E eu, te amando.
E por aquela nesga
Cansei de procurar.
Maria Antonieta Oliveira
A Difícil Arte De Te Amar
Desassossegada, reclino-me no sofá
Quero escrever-te
e não sei que dizer
Pensei telefonar
mas, que te iria dizer?!
E se fosse ao teu encontro?!
Que bom seria!
Não sei que faça
para estar contigo
para te ter comigo
e sermos um só.
Vou fazer-te um poema.
( será que vale a pena )?
Nele te digo
O quanto te amo
O quanto te quero
e por ti reclamo.
Mas,
irias lê-lo?
Não, amor
Já não sei inventar
Ensina-me por favor
Como te ei-de amar.
Maria Antonieta Oliveira
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Liberta-te
Não partas, amor
fica comigo
nesta vida que partilhamos
neste fracasso desmedido
incompreendido.
Deixa que as tuas lágrimas
sejam também as minhas.
Choraremos juntos
num só lamento
Deixa fluir o tempo
E liberta-te.
Liberta-te, amor!
Maria Antonieta Oliveira
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Tempo Esgotado
O meu tempo esgotou!
O meu ser cansou!
Minha esperança acabou!
Lutei para realizar os meus sonhos
Lutei para ser quem sou
Lutei para ser melhor mulher
Ou apenas, saber ser mulher.
Os sonhos, continuam a ser sonhos.
E eu, continuo a ser quem sou.
O que fiz afinal nesta vida?!
Porque lutei, se errei?
Porque sonhei, se acordei?
Porque continuo a viver,
se quero morrer?
O meu tempo esgotou!
O meu ser cansou!
Minha esperança acabou!
Maria Antonieta Oliveira
domingo, 7 de outubro de 2012
Sangram Roseiras
Sangram pétalas vermelhas
Das roseiras do meu jardim
São dores sofridas da alma
São lágrimas derramadas por mim.
Sentidas, profundas
Soltando os gritos contidos
Soltando amarras ao vento
No desatino dum pobre sentimento.
Rolam pela calçada
Formando um rio colorido
São lágrimas tristes, cansadas
Perdidas no caminho percorrido.
Soltam-se pétalas vermelhas
Gemendo, gritando lamentos
Sangram os espinhos cravados
Na vida, da vida, os tormentos.
Sangram
As roseiras do meu jardim.
Maria Antonieta Oliveira
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Não Matas, Não!
Porque me matas amor,
Com esse olhar de leão esfaimado?!
Com esse corpo peludo e macio
Qual leãozinho acabado de nascer?!
Porque me matas amor,
Quando percorres meu corpo
Com a doçura dos teus lábios ferventes?!
Quando sinto teu afago terno
Eterno, exausto e feliz?!
Porque me matas amor,
Quando me dizes amar
E uma outra estás a abraçar?!
Quando tudo parece certo
E tens a tal outra por perto?!
Porque me matas amor,
Se não pedi para entrar
Na vida que estás a levar?!
Queres dar-me felicidade
Mas é outra a realidade.
Porque me matas amor,
Se não sabes dizer não
A essa outra relação?!
Não amor,
Não matas, não!
Sou diferente, realmente.
Sei controlar sentimentos.
Reviver outros momentos.
E parar os sofrimentos.
Não amor,
Não matas, não!
Maria Antonieta Oliveira
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Palavras Ousadas
Escorrem-me pelos dedos
as palavras que não ouso escrever.
Quero retê-las
Mantê-las apenas
No pensamento e no sentir.
Não quero abusar
Da decência da minha mente
Dos segredos do meu baú
Das trancas que aferrolham o meu viver
Não quero soltar amarras
e libertar as palavras
Não quero escrever
p’lo suor dos meus dedos
todos os meus segredos
Os degredos da minha vida
A palavra proibida.
Num relance,
Cortei tudo o que estava ao meu alcance
E não ousei
Escrever mais palavras.
Maria Antonieta Oliveira
Saí Por Aí
Saí!
Saí para não partir e te deixar só.
Fui por aí
Por esse caminho desconhecido
Onde um dia te encontrei perdido.
Percorri léguas a palmo
Na calma do meu compasso
Deixei-me levar na bruma
Na sombra do meu cansaço.
Saí por aí!
Na lonjura da tua ausência
Me encontrei naquele monte além
Onde posso tocar o sol
E beijar a lua
Onde as estrelas me dão nova luz ao coração
E eu,
Na minha demência
Canto um hino ao rouxinol
E uma balada só tua
Na loucura da paixão.
Mas eu,
Saí por aí
Para não partir e te deixar só!
Maria Antonieta Oliveira
Hoje, Não Vou Chorar
Hoje, não vou chorar!
Vou deixar que os meus olhos brilhem
Que neles transpareça a alegria
A felicidade de viver mais este dia.
Quero deixá-los livres
A contemplar a natureza
A ver a gente que passa
As crianças a saltitar
As poças de água no chão
onde os pombos se banham
e os gaiatos se salpicam
A ver os jogos de cartas
entre os idosos no jardim
A ver o céu a florir
em cada nuvem que passa
E a andorinha que esvoaça
E o sol escondido
Lá no canto do sol posto
Trazendo a noite e o escuro
Voltando a mim o desgosto.
Mas não!
Hoje, não vou chorar!
Maria Antonieta Oliveira
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Vou Partir
Vou partir!
Caminharei ao longo do mar
Pé ante pé…
Onda após onda…
À noite,
darei a mão à lua
para que me alumie o caminho
e não perca o meu rumo.
Pela manhã,
deixarei que os raios solares
aqueçam meu coração já frio
de tanto sofrer
Tentarei olhar o sol de frente
E quero num repente
nele me encontrar.
Quero sentir o calor do seu afago
para aquecer meu corpo carente
frio e gelado
como o glaciar que se aproxima.
Quero voltar a ser forte
A ser gente com mente decente
para vencer o degelo.
Quero ter o meu eu de volta
Deixar de sentir tanta revolta
Quero sentir amor e calor
dentro de mim
Quero que esse sol penetre
no meu corpo
Que a lua ilumine meu caminho
E as estrelas brilhem nos meus olhos.
Quero caminhar ao longo do mar
E voltar!
Maria Antonieta Oliveira
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