segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Gosto de Ti




Senti o teu afago
Há muito esquecido
Tua mão, tua boca
Teu corpo atrevido.

Naquele momento
Quase esqueci
Apenas lembrei
Que gosto de ti.


Maria Antonieta Oliveira

sábado, 15 de dezembro de 2012

Perdido Além




Vi-te partir
Contigo levaste
Todo o meu sentir.

Para lá do que avisto
Para lá deste rio
Que te levou de mim
Há um mar sem fim.

Ao cimo da vela
Na crista da onda
Teu sonho naufragou

Perdeste o controle
A bussola te enganou.

E tu,
Olhaste o céu
E em oração a Deus
Pediste, rogaste
De rastos rezaste
Implorando uma luz
Que indicasse o caminho
E te levasse ao destino.

Essa luz surgiu
A mim te conduziu!


Maria Antonieta Oliveira

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Perdida




Perdida no meio do nada
Te encontrei
Na estrada
Que contigo partilhei.


Maria Antonieta Oliveira


Ogivas





Entre ogivas
A natureza espreita

O céu
Esconde-se por detrás

E eu
Contemplo-te!


Maria Antonieta Oliveira


Loucos Apaixonados




Nem sol
Nem lua
A praia nua

O sol adormeceu
A lua se esqueceu
Tua água partiu
Para longe fugiu

Rochas e pedras
Perdidas na areia
Entre conchas e búzios

Aqui e ali
Salpicos de passos perdidos
Espreitam
Esperam
Devaneios de sentidos
Amantes enamorados
Loucos apaixonados
Que a lua amanheça.


Maria Antonieta Oliveira

A Chuva Caía



Molhaste os meus passos
Salpicaste o meu caminho
Marcaste o meu destino.

Encharquei meu corpo
Na procura do teu
Caminhei descalça na noite de breu.

Coração sofrido
Gélido sem sentido
Morto de frio.

E a chuva caía
E eu me perdia
Na vida sem vida!


Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ao Longo do Rio


Descalça ao longo do rio
Caminho para o mar que me espera
E nele me perco...


Maria Antonieta Oliveira

sábado, 8 de dezembro de 2012

Bodas de Prata


BODAS DE PRATA

25 DE DEZEMBRO DE 1994


25 anos!
De amor e felicidade
Carinho e amizade
De ternura e fantasia
De paz e alegria!

25 anos!
De intranquilidade e incerteza
De nostalgia e tristeza
De desespero e desilusão
De doença e confusão!

Mas, o mau se ultrapassou
E o bem sempre vingou.
Com fé e esperança
Nele tendo confiança.

E assim,
25 anos de amor
Eu, tu, nossa filha, nosso lar
E a presença do Senhor
Que nos está a abençoar!


Maria Antonieta Oliveira
(escrito em 1994)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Um Presenre de Natal





Para lá do tempo
recordo aquele outro acordar
em que
na velhinha chaminé
um embrulho vi brilhar.
Meus olhos se alegraram
no boneco de papelão
Era lindo perfeitinho
tratei-o com muito carinho
ele deu-me seu coração.

Era manhã de Natal
desse inverno friorento
Eu fui deusa e princesa
naquele doce momento.

Quero que todos os meninos de hoje
sintam tamanha alegria
com a nova tecnologia
como aquela que eu senti.

Quero paz amor pão
E felicidade no coração!


Maria Antonieta Oliveira

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cama Por Fazer



Hoje não fiz a cama
Deixei que o sol entrasse
e aquecesse a cama fria
vazia e ávida de nós.

Hoje, tal como ontem
nossos corpos não se amaram
nossas bocas não se beijaram
e, nem sequer nos falámos.

Hoje, e enquanto vida houver
meu coração vai bater
ao ritmo do teu
E nós, sempre nós
viveremos esta paixão
até o sol anoitecer.


Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Dia de Inverno




Num dia de inverno
em que se alongam os passos
nas sombras das nuvens
negras e tenebrosas
ameaçando a chuva do além

Nesse dia,
em que o sol se escondeu
ofuscando o brilho
deste cais onde me perco
e,
em que o mar engrossou
pelas lágrimas caídas do céu
e tudo enegreceu.

Nesse dia,
em que as flores se esconderam
sob o arbusto do jardim
e as conchas
permaneceram no areal solitário.

Nesse dia,
caminhei ao longo da praia
perdida na falésia
onde um dia renasci.


Maria Antonieta Oliveira

Quero Estar Sozinha





Quero estar sozinha,
comigo,
como se tu estivesses aqui.

Quero rir e chorar à vontade
Contar-me os segredos
Gritá-los bem alto,
Entendê-los.

Quero cantar e brincar
mesmo sabendo
que não sei cantar
e, que nunca soube brincar.

Quero meditar lembranças.
Quero renovar esperanças.
Quero sonhar acordada.
Quero sentir-me amada.

Quero bailar
ao som duma valsa
Deixar-me levar
Sentir-me criança.

Quero gritar
ao sol, à lua e ao vento
Deixar voar o meu pensamento.

Quero estar sozinha,
comigo!


Maria Antonieta Oliveira

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Velhice





Eu, que até pensava…
Ah, se eu pensava!
Que a velhice nunca chegava!

Mas, chegou
e com ela tudo mudou.

Verdade!

Já não tenho agilidade,
mas tenho a tua amizade,
e a tua, e outras mais.

Já não tenho tais fantasias,
mas escrevo mais poesias,
E te encontrei, e a ti também.

Já me canso ao caminhar,
mas continuo a passear
contigo, sempre contigo.

Já me dói aqui e ali,
este osso e mais aquele,
mas ainda não perdi
o meu jeito de ser
de amar e sofrer,
de sorrir e chorar,
de gostar de poesia,
de agradecer a cada dia,
de amor e liberdade,
e ansiar a felicidade.

E eu, que até pensava
que a velhice nunca chegava!


Maria Antonieta Oliveira

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sinto-te



Sinto o teu corpo desnudo
em mim
Tento encontrar a malícia,
o desejo lânguido do prazer
de te ter
de te possuir
Sendo amada
beijada e acariciada
Pelas tuas mãos hábeis e,
ávidas de nós.

Sinto!
Sonho!
O amor!


Maria Antonieta Oliveira


Voa-me o Pensamento





Voa-me o pensamento
Na imagem perdida de ti.

Sulco montanhas
Cavo espaços
Perco-me nos teus braços.

Caminho nas nuvens
Em busca da paz esquecida
No vento que sopra baixinho.


Reclino o olhar
No adormecer do sol
Que se esvai no infinito.

Deleito meu corpo
No areal imenso
Do mundo em que habito.

Deixo-me levar
No tempo que passa impune
À vida que quero e espero.

Voa-me o pensamento!


Maria Antonieta Oliveira

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Apenas Eu





Pedi às nuvens, que me levassem
Disseram: Não!
Nossas lágrimas cairão
E à terra voltarás.

Roguei ao sol, que me desse guarida
Disse-me: Não!
Não suportarás o calor
Preferirás essa vida.

Supliquei às estrelas, que me dessem luz
Disseram-me: Não!
Todo o teu ser
Por si só já reluz.

Olhei bem o céu
E, olhei para mim
O que quero eu?
Não estou bem assim?

Porque teimo em ir
Se meu lugar é aqui
Não vou mais partir
Ficarei por aqui.

Esperarei a hora
Que me está destinada
Então, ir-me-ei embora
Desta vida destroçada.

Nem sol
Nem nuvens
Nem estrelas
Apenas eu,
Sozinha além!


Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ti Joanico





Já não és o Joanico
do carrinho de mão
ou da carroça do macho

Nem aquele
que o mano Manel seguia
e com ele trabalhava

Muito menos
o de calção de banho
chinelo no pé
e toalha ao ombro
que os sobrinhos acompanhava

Não!
Já não és o Joanico!

Teu ser desmoronou
Teu cabelo branqueou
Teu olhar entristeceu
Teus dentes partiram de vez

E um dia,
Acordarás num adormecer eterno
Deixarás para sempre este caminho
que te traiu em pequenino
e fez de ti, sempre menino.

Mas,
Já não és o Joanico!
Não!


Maria Antonieta Oliveira





segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Voar No Tempo





Ah
Como eu queria!

Esvaziar os cofres do meu sentir
Libertar os pensamentos nefastos
Deixar de caminhar de rastos…

Como eu queria!

Queria
Soltar gemidos e ais
Gritar alto meus tormentos
Deixá-los partir no vento
Soltar todas as amarras
Aguçar as minhas garras
E voar… voar no tempo.

Ah!
Como eu queria!


Maria Antonieta Oliveira

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Cantata




Gargarejo o alfabeto
retido no palato do sentir.

Solta-se o Verbo!

Jorram as silabas
desconexadas e sem sentido.

Saem golfejos de palavras
ritmadas,
ao som de uma cantata.

O Verbo é matéria!

As palavras, são poesia!


Maria Antonieta Oliveira


Morte





Tenho um trapo enrolado
no cabide do tempo…

Esqueleto carcomido
olhando o chão que já não pisa
Braços descaídos
nas unhas pontiagudas
Pés descalços
nos passos já gastos
Coluna erguida direita
nas vertebras já quebradas.

Caminhas
Te inclinas
Para a cova aberta para ti

Entre flores viçosas,
mortas como tu.
No sol
Na chuva
No vento
Ficarás!

Como um trapo enrolado
no cabide do tempo!


Maria Antonieta Oliveira

sábado, 27 de outubro de 2012

Solta Amarras





Solta amarras
E garras
Nas margens dos rios
Transbordantes de vazios

Solta o teu grito de raiva
Deixa para trás tua mágoa
E tenta encontrar teu rumo.

Grita bem alto
À lua ao vento
Ao uivar dos cães
Liberta teu pensamento
De tantas desilusões.

Grita!
Grita bem alto!

Solta amarras!


Maria Antonieta Oliveira


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Não Te Encontro



Estou só!
Continuo só!
Por mais que procure,
não consigo te encontrar.

Ninguém me ouve
E eu, a todos sei ouvir.

Não passo de um ser passante
num caminho errante
Não passo de um verbo por conjugar
De um poema por rimar.

Ninguém me ouve
Ninguém sabe de mim
Ou de mim quer saber
Falo, e tudo fica por dizer.

Preciso sentir-me gente
Confiante de mim mesma
Sou um ser carente, eu sei.

Quero encontrar esse alguém
A quem confie a minha vida
Encontrar a minha guarida
E possa desabafar
Falar só de mim, só de mim
Falar… falar… falar…

Libertar meus sentimentos
Todos os meus pensamentos
Sem medo de ser traída
Ou até incompreendida
Sem medo de ser acusada
Por tudo aquilo que errei
Errei tanto, tanto, eu sei.

Mas, não te encontro!
Não!


Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Tudo e Nada




És o meu amanhecer
O meu acordar
A flor colorida
Que dá brilho à minha vida.

És a estrada
Que encaminha os meus passos
És o mar
Que em sonhos me leva

És monte
És vale

És areia do deserto
E, água fresca por perto
És o vento
Que me sopra ao ouvido:
“vem, meu amor querido”

És a linha do horizonte
A água que brota da fonte
És a nuvem que chora
Quando o meu coração padece.
És a estrela que ilumina
As minhas noites sombrias

És o som
A voz
O olhar

És do passarinho o pipilar
És a chama da minha agonia
És o calor do meu corpo frio
És o sol da minha alvorada

És tudo
e,
És nada.

Maria Antonieta Oliveira

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Simplificar


(Imagem google)




Sabes amor,
estive pensando:
- que seria mais prático
até mais fiel
e, jamais esqueceríamos,
se logo ao acordar
ao dizermos “bom dia”
disséssemos também
”até amanhã”
que outro dia será.

O que achas, amor?


Maria Antonieta Oliveira

Mãos Hábeis



ESTOFADOR



Com mãos de veludo
Ásperas e grosseiras
Tateias o tecido que vais trabalhar
Calos de mão que urge
Em dedos deformados
Moldar o gosto de ti
De mim, de outro alguém
Fazer magia
Com a própria fantasia
E sair bonito
Riscar os quadrados das flores
Na paleta pintada
Onde te sentas
E deitas
E adormeces
Acordas e nada vês
Para além do arco iris diferente
Onde descansas sorridente
Não vês
Que mãos de veludo
Ásperas e grosseiras
Fizeram à sua maneira
Do céu, do mar e da terra
Uma perfeita união
Com os calos e o veludo dessa mão.


Maria Antonieta Oliveira

Aquela Nesga





Por aquela nesga
Vidrei meu olhar
Mirei… mirei…
Sem te encontrar.

Não sei onde andas
O que fazes agora
Só sei que o meu peito
Se amofina e chora.

São lágrimas rubras
Caindo pingando…
Nem de mim te lembras
E eu, te amando.

E por aquela nesga
Cansei de procurar.


Maria Antonieta Oliveira




A Difícil Arte De Te Amar





Desassossegada, reclino-me no sofá

Quero escrever-te
e não sei que dizer
Pensei telefonar
mas, que te iria dizer?!

E se fosse ao teu encontro?!
Que bom seria!

Não sei que faça
para estar contigo
para te ter comigo
e sermos um só.

Vou fazer-te um poema.
( será que vale a pena )?
Nele te digo
O quanto te amo
O quanto te quero
e por ti reclamo.

Mas,
irias lê-lo?

Não, amor
Já não sei inventar
Ensina-me por favor
Como te ei-de amar.


Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Liberta-te





Não partas, amor
fica comigo
nesta vida que partilhamos
neste fracasso desmedido
incompreendido.
Deixa que as tuas lágrimas
sejam também as minhas.
Choraremos juntos
num só lamento
Deixa fluir o tempo
E liberta-te.

Liberta-te, amor!


Maria Antonieta Oliveira

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Tempo Esgotado





O meu tempo esgotou!
O meu ser cansou!
Minha esperança acabou!

Lutei para realizar os meus sonhos
Lutei para ser quem sou
Lutei para ser melhor mulher
Ou apenas, saber ser mulher.
Os sonhos, continuam a ser sonhos.
E eu, continuo a ser quem sou.

O que fiz afinal nesta vida?!

Porque lutei, se errei?
Porque sonhei, se acordei?
Porque continuo a viver,
se quero morrer?

O meu tempo esgotou!
O meu ser cansou!
Minha esperança acabou!


Maria Antonieta Oliveira

domingo, 7 de outubro de 2012

Sangram Roseiras







Sangram pétalas vermelhas
Das roseiras do meu jardim
São dores sofridas da alma
São lágrimas derramadas por mim.
Sentidas, profundas
Soltando os gritos contidos
Soltando amarras ao vento
No desatino dum pobre sentimento.

Rolam pela calçada
Formando um rio colorido
São lágrimas tristes, cansadas
Perdidas no caminho percorrido.

Soltam-se pétalas vermelhas
Gemendo, gritando lamentos
Sangram os espinhos cravados
Na vida, da vida, os tormentos.

Sangram
As roseiras do meu jardim.


Maria Antonieta Oliveira