sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Estado de Alma






O sol escondeu-se
e deu lugar à chuva
que cai miudinha
Deixando nos passos
rastos de sofrimento e dor
acalentados na saudade
daquele outro amor.
Rastos de dias sombrios
e frios, sem o teu agasalho.

Olho por entre os vidros embaciados
e nem a rua vislumbro
tal o véu cinza interposto entre nós.
Não sei se é noite ou dia
tudo ao redor enegreceu.
Não vejo sol nem lua
Nem passos na minha rua.

A chuva,
embaciou o meu olhar
tornando-o triste e sombrio
Meu coração deixou de amar.
E eu,
Sozinha… e com frio…


Maria Antonieta Oliveira


Ser Mulher




Ser mulher
É beijar o sol e a lua

Abraçar o mar
e nele navegar

É trilhar caminhos
aparando espinhos

É sulcar vales e montes
Galgar todas as pontes

É sofrer, rir e chorar.

É dar luz à vida
E ao amor dar guarida

É dar e receber.

É o carinho prometido
O ombro amigo

É estar sempre por perto
Ter a palavra no momento certo

É o afago, o mimo
O sussurro baixinho

É o colo sempre disposto
a consolar um desgosto

É ser mãe, filha, amiga
É ser avó, criança atrevida.

É ser velhinha enrugada
Rumo a outra morada.

Ser mulher
É ser AMOR!


Maria Antonieta Oliveira

Não te Vi





Ontem pensei que te via
Vesti o meu vestido de chita
Aquele com que me achas bonita
Calcei sapatos de salto
E pus batom,
Vermelho, como tu gostas.

Mas não,
De ti, nem assombração.

Escovei o cabelo
E pus-lhe um laço amarelo
Ah! Como ficou belo!
Mas tu não viste
E eu, fiquei triste.

Mas não
De ti, nem assombração!


Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Mar - Mulher




Entre ondas de espuma
Num vai e vem constante
Sulcas areias
Lutas contra rochas, rochedos
Sem temores, nem medos.
Levas e trazes saudades
Auguras novidades
Dás paz e alento
Caminhas ao longo do tempo.
És bravio, intimador
Doce e tranquilo
Suave e calmo
Em ti há brilho e cor

Há amor!

Abraças o vento, o sol e a lua.
És mar (lágrimas) salgado
És vida
Dás vida
Vives
E deixas que vivam em ti
Tal como a mulher
Que é filha, mãe e avó
Que vive lutando,
Sofrendo e amando
À luz do céu que a acolhe
Com força, coragem e Fé
Em Jesus Salvador.


Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A Noite




A noite estremece,
nos dias sombrios
em que tu não estás.

O dia amanhece,
na solidão do ontem
ancorado em ti.

O sol não floresce,
esgueira-se na sombra
da nuvem que passa.

A lágrima desfalece,
e cai entristecida
na viagem para o mar.


A lua adormece,
nos sonhos por viver
nos sonhos por sonhar.


Maria Antonieta Oliveira

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Porta da Sacristia




Que segredos escondem
Os quadrados talhados
Na madeira velha
Da antiga sacristia?

Quantas betas a transpuseram?
Quantas meninas a passaram
Na procura das bênçãos de Jesus
Na aprendizagem das boas maneiras
Na busca da verdade?

Quantas certezas e incertezas
Quantas verdades e mentiras
Quantas alegrias e tristezas
Tantas desilusões!

Através dessa porta antiga
Já gasta pelo tempo
Muitas histórias foram vividas
Muitas vidas construídas
E outras tantas destruídas.

A sombra da cruz de Cristo
Te protege
Te ampara
Te abençoa

Que jamais
Meninos crentes
Sofram com os homens descrentes!

Maria Antonieta Oliveira

Lutarei





Deixei de ver
Deixei de falar
Não quero mais sofrer
Não sei já amar.

Já não sei o que é saudade
Nem sequer o que é beleza
Saberei o que é amizade?!
De nada tenho a certeza.

Quem sou eu, afinal?
O que quero eu saber?
Sou alguém especial?
Eu só quero viver!

Quero sentir a liberdade
De ser aquilo que sou
Saber o que é felicidade
Receber tal como dou.

Criar o meu espaço
Libertar-me de ti
Daquele embaraço
Que sempre senti.

Arranjei um caminho
Numa estrada perdida
Esqueci teu carinho
Mas, senti-me traída.

O que ei-de fazer?
Como vou continuar?
Quero outro viver
Vou ter que lutar.

Lutarei sim
Enquanto puder
Lutarei por mim
Para o que der e vier.


Maria Antonieta Oliveira

Já Não Corre Água da Fonte




Já não corre água da fonte
Nem o cântaro
Mata a sede
Do homem que vem do monte.

Teu poial
É a marca
Do tempo que passa
Tuas pedras moídas
Denunciam
O sofrimento das gentes de outrora
Onde a água
Que é vida
À cabeça era trazida
No cansaço
Do trabalho árduo
Na procura do pão
Para a boca dos filhos
No trilhar
Do sofrimento
De pobre ter nascido.

Já não corre água na fonte!


Maria Antonieta Oliveira

Já Fui Culpada




Estou cansada
De ser considerada
Sempre culpada.

Se…. A culpa é tua!

Já fui má
sim, já fui
Já fui embirrante
sim, já fui
Já fui teimosa
sim, já fui
Já fui mandona
sim já fui
Já fui refilona
sim, já fui
Confesso que já fui tudo isso,
e quem sabe até mais.

Mas já não sou!

Sou dócil, meiga, carente
Já não grito
nem berro como antes.
Sou afável e delicada.
Sou simpática e amável.

Encontrem-me por favor
Descubram o outro lado de mim
Deixem-me viver como sou
Não me sufoquem com o passado
Vejam o meu outro lado.

Assim não dá!
Quero morrer já!


Maria Antonieta Oliveira

Ano Novo





Além
O sino tocou
O nascer do menino
Tocou
O morrer do velhinho
Tocou
À bênção do Senhor
Tocou
À chegada do Salvador.

Dlim dlão
Toca o sino de novo
Dlim dlão
Vem aí um ano novo
Dlim dlão.

Que dê pão
A quem tem fome
Que se unam e abracem
Os povos em guerra
Que haja bom senso
Nos homens da terra.

Que a luz ilumine
Os corações carentes
E haja paz e amor
Entre as gentes.


Maria Antonieta Oliveira


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Gosto de Ti




Senti o teu afago
Há muito esquecido
Tua mão, tua boca
Teu corpo atrevido.

Naquele momento
Quase esqueci
Apenas lembrei
Que gosto de ti.


Maria Antonieta Oliveira

sábado, 15 de dezembro de 2012

Perdido Além




Vi-te partir
Contigo levaste
Todo o meu sentir.

Para lá do que avisto
Para lá deste rio
Que te levou de mim
Há um mar sem fim.

Ao cimo da vela
Na crista da onda
Teu sonho naufragou

Perdeste o controle
A bussola te enganou.

E tu,
Olhaste o céu
E em oração a Deus
Pediste, rogaste
De rastos rezaste
Implorando uma luz
Que indicasse o caminho
E te levasse ao destino.

Essa luz surgiu
A mim te conduziu!


Maria Antonieta Oliveira

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Perdida




Perdida no meio do nada
Te encontrei
Na estrada
Que contigo partilhei.


Maria Antonieta Oliveira


Ogivas





Entre ogivas
A natureza espreita

O céu
Esconde-se por detrás

E eu
Contemplo-te!


Maria Antonieta Oliveira


Loucos Apaixonados




Nem sol
Nem lua
A praia nua

O sol adormeceu
A lua se esqueceu
Tua água partiu
Para longe fugiu

Rochas e pedras
Perdidas na areia
Entre conchas e búzios

Aqui e ali
Salpicos de passos perdidos
Espreitam
Esperam
Devaneios de sentidos
Amantes enamorados
Loucos apaixonados
Que a lua amanheça.


Maria Antonieta Oliveira

A Chuva Caía



Molhaste os meus passos
Salpicaste o meu caminho
Marcaste o meu destino.

Encharquei meu corpo
Na procura do teu
Caminhei descalça na noite de breu.

Coração sofrido
Gélido sem sentido
Morto de frio.

E a chuva caía
E eu me perdia
Na vida sem vida!


Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

sábado, 8 de dezembro de 2012

Bodas de Prata


BODAS DE PRATA

25 DE DEZEMBRO DE 1994


25 anos!
De amor e felicidade
Carinho e amizade
De ternura e fantasia
De paz e alegria!

25 anos!
De intranquilidade e incerteza
De nostalgia e tristeza
De desespero e desilusão
De doença e confusão!

Mas, o mau se ultrapassou
E o bem sempre vingou.
Com fé e esperança
Nele tendo confiança.

E assim,
25 anos de amor
Eu, tu, nossa filha, nosso lar
E a presença do Senhor
Que nos está a abençoar!


Maria Antonieta Oliveira
(escrito em 1994)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Um Presenre de Natal





Para lá do tempo
recordo aquele outro acordar
em que
na velhinha chaminé
um embrulho vi brilhar.
Meus olhos se alegraram
no boneco de papelão
Era lindo perfeitinho
tratei-o com muito carinho
ele deu-me seu coração.

Era manhã de Natal
desse inverno friorento
Eu fui deusa e princesa
naquele doce momento.

Quero que todos os meninos de hoje
sintam tamanha alegria
com a nova tecnologia
como aquela que eu senti.

Quero paz amor pão
E felicidade no coração!


Maria Antonieta Oliveira

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cama Por Fazer



Hoje não fiz a cama
Deixei que o sol entrasse
e aquecesse a cama fria
vazia e ávida de nós.

Hoje, tal como ontem
nossos corpos não se amaram
nossas bocas não se beijaram
e, nem sequer nos falámos.

Hoje, e enquanto vida houver
meu coração vai bater
ao ritmo do teu
E nós, sempre nós
viveremos esta paixão
até o sol anoitecer.


Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Dia de Inverno




Num dia de inverno
em que se alongam os passos
nas sombras das nuvens
negras e tenebrosas
ameaçando a chuva do além

Nesse dia,
em que o sol se escondeu
ofuscando o brilho
deste cais onde me perco
e,
em que o mar engrossou
pelas lágrimas caídas do céu
e tudo enegreceu.

Nesse dia,
em que as flores se esconderam
sob o arbusto do jardim
e as conchas
permaneceram no areal solitário.

Nesse dia,
caminhei ao longo da praia
perdida na falésia
onde um dia renasci.


Maria Antonieta Oliveira

Quero Estar Sozinha





Quero estar sozinha,
comigo,
como se tu estivesses aqui.

Quero rir e chorar à vontade
Contar-me os segredos
Gritá-los bem alto,
Entendê-los.

Quero cantar e brincar
mesmo sabendo
que não sei cantar
e, que nunca soube brincar.

Quero meditar lembranças.
Quero renovar esperanças.
Quero sonhar acordada.
Quero sentir-me amada.

Quero bailar
ao som duma valsa
Deixar-me levar
Sentir-me criança.

Quero gritar
ao sol, à lua e ao vento
Deixar voar o meu pensamento.

Quero estar sozinha,
comigo!


Maria Antonieta Oliveira

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Velhice





Eu, que até pensava…
Ah, se eu pensava!
Que a velhice nunca chegava!

Mas, chegou
e com ela tudo mudou.

Verdade!

Já não tenho agilidade,
mas tenho a tua amizade,
e a tua, e outras mais.

Já não tenho tais fantasias,
mas escrevo mais poesias,
E te encontrei, e a ti também.

Já me canso ao caminhar,
mas continuo a passear
contigo, sempre contigo.

Já me dói aqui e ali,
este osso e mais aquele,
mas ainda não perdi
o meu jeito de ser
de amar e sofrer,
de sorrir e chorar,
de gostar de poesia,
de agradecer a cada dia,
de amor e liberdade,
e ansiar a felicidade.

E eu, que até pensava
que a velhice nunca chegava!


Maria Antonieta Oliveira

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sinto-te



Sinto o teu corpo desnudo
em mim
Tento encontrar a malícia,
o desejo lânguido do prazer
de te ter
de te possuir
Sendo amada
beijada e acariciada
Pelas tuas mãos hábeis e,
ávidas de nós.

Sinto!
Sonho!
O amor!


Maria Antonieta Oliveira


Voa-me o Pensamento





Voa-me o pensamento
Na imagem perdida de ti.

Sulco montanhas
Cavo espaços
Perco-me nos teus braços.

Caminho nas nuvens
Em busca da paz esquecida
No vento que sopra baixinho.


Reclino o olhar
No adormecer do sol
Que se esvai no infinito.

Deleito meu corpo
No areal imenso
Do mundo em que habito.

Deixo-me levar
No tempo que passa impune
À vida que quero e espero.

Voa-me o pensamento!


Maria Antonieta Oliveira

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Apenas Eu





Pedi às nuvens, que me levassem
Disseram: Não!
Nossas lágrimas cairão
E à terra voltarás.

Roguei ao sol, que me desse guarida
Disse-me: Não!
Não suportarás o calor
Preferirás essa vida.

Supliquei às estrelas, que me dessem luz
Disseram-me: Não!
Todo o teu ser
Por si só já reluz.

Olhei bem o céu
E, olhei para mim
O que quero eu?
Não estou bem assim?

Porque teimo em ir
Se meu lugar é aqui
Não vou mais partir
Ficarei por aqui.

Esperarei a hora
Que me está destinada
Então, ir-me-ei embora
Desta vida destroçada.

Nem sol
Nem nuvens
Nem estrelas
Apenas eu,
Sozinha além!


Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ti Joanico





Já não és o Joanico
do carrinho de mão
ou da carroça do macho

Nem aquele
que o mano Manel seguia
e com ele trabalhava

Muito menos
o de calção de banho
chinelo no pé
e toalha ao ombro
que os sobrinhos acompanhava

Não!
Já não és o Joanico!

Teu ser desmoronou
Teu cabelo branqueou
Teu olhar entristeceu
Teus dentes partiram de vez

E um dia,
Acordarás num adormecer eterno
Deixarás para sempre este caminho
que te traiu em pequenino
e fez de ti, sempre menino.

Mas,
Já não és o Joanico!
Não!


Maria Antonieta Oliveira





segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Voar No Tempo





Ah
Como eu queria!

Esvaziar os cofres do meu sentir
Libertar os pensamentos nefastos
Deixar de caminhar de rastos…

Como eu queria!

Queria
Soltar gemidos e ais
Gritar alto meus tormentos
Deixá-los partir no vento
Soltar todas as amarras
Aguçar as minhas garras
E voar… voar no tempo.

Ah!
Como eu queria!


Maria Antonieta Oliveira

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Cantata




Gargarejo o alfabeto
retido no palato do sentir.

Solta-se o Verbo!

Jorram as silabas
desconexadas e sem sentido.

Saem golfejos de palavras
ritmadas,
ao som de uma cantata.

O Verbo é matéria!

As palavras, são poesia!


Maria Antonieta Oliveira


Morte





Tenho um trapo enrolado
no cabide do tempo…

Esqueleto carcomido
olhando o chão que já não pisa
Braços descaídos
nas unhas pontiagudas
Pés descalços
nos passos já gastos
Coluna erguida direita
nas vertebras já quebradas.

Caminhas
Te inclinas
Para a cova aberta para ti

Entre flores viçosas,
mortas como tu.
No sol
Na chuva
No vento
Ficarás!

Como um trapo enrolado
no cabide do tempo!


Maria Antonieta Oliveira