quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Utopia das Palavras





Na utopia das palavras que invento
Saem amores esquecidos
Tempos vividos
Momentos perdidos
Corações sofridos

Rios que correm para o mar
Pés descalços na areia
Conchas perdidas na praia
Búzios que contam segredos
Navios que partem ao longe

Castelos inventados
Sonhos partilhados
Amores consumados
Amores perdidos
Caminhos percorridos

Flores, cantos e aves
Montes, montanhas e vales
Do sol, da lua, do vento
Da alegria e do sofrimento

Na utopia das palavras que invento
Escrevo poesia!


Maria Antonieta Oliveira


Ouvi Tua Voz Clamando






No marulhar das ondas
ouvi tua voz clamando
No remoinho da areia
levada pelo vento
vi teu corpo chorando

Jazias perdida
na rocha sofrida
Lutavas contra a maré
de ontem
que amanhã surgirá
Clamavas amor
Sofrias de pavor
O sal caia
dos teus olhos marejados.


Teu corpo esquecido
na crista da onda
levado e trazido
na rocha batido
jorrava flores
Flores dos teus amores
que tal como tu
Clamavam!
Gritavam!
Choravam!
No remanso da praia
agradecendo seus favores.

No marulhar das ondas
ouvi tua voz clamando.


Maria Antonieta Oliveira

Olhos Negros




Olhas-me insistentemente
nesses olhos grandes
felizes e sorridentes
Tento distrair-me
mas insistes, persiste
e eu, sinto-te

Alguém me chama
acordo do sono da lua
e vejo-te de novo
Nesse olhar perturbador
que me provoca
que me toca

Desejo teus lábios carnudos
perfeitos e quentes
Mas tu,
não passas do meu imaginário
fantasiando o homem do sonho.


Maria Antonieta Oliveira

O Teu Perfume






A fragância do teu perfume
envolve-me os sentidos
Passeio na tua pele macia
fresca e quente
Suavizo teu ser
na candura do amanhecer
Embriago-me no teu odor
E amo-te, até enlouquecer.


Maria Antonieta Oliveira

O Olho da Nuvem







Além, a nuvem negra vai passando
Fixo-a atentamente
e nela vejo o sol radioso
como o brilho do teu olhar quando me amavas

O negro cada vez é mais negro
tento ver de novo o sol luminoso
mas partiu
tal como os teus olhos se apartaram de mim

A nuvem negra, ainda mais negra
verte lágrimas de dor
sentidas, sofridas, recalcadas
Cada gota, rola na minha face
caindo em sintonia no chão
juntas, rolam na escuridão da calçada

E eu,
tento consolar meu coração.

A nuvem negra passou
Meu sofrer terminou
Com a luz do sol
que no céu brilhou
e, nele
vi de novo o brilho do teu olhar
quando me amas.


Maria Antonieta Oliveira


O Meu Alentejo






Olho os campos verdejantes
ao redor da vila
Onde aqui e ali
se erguem casarios
Onde aqui e ali
o gado pasteja
e a erva os presenteia

Ao fundo um monte
onde se ergue a ermida
aquela que outrora
a muitos deu guarida

Mais além, um campo semeado
Papoilas, e girassóis, lá do outro lado
Campos floridos
Vinhas e olivais
Centeio e trigo

O sol e a chuva
em combinação perfeita
os protege e alimenta.

E assim,
os campos do meu Alentejo
são com um bálsamo ao visitante
e um orgulho do seu povo.


Maria Antonieta Oliveira

Num Trago do Mar








Olhei-te pela janela embaciada
Na calçada lua
caminhavas sem destino
A areia trazida na onda do mar
sulcava teus passos
engolia-te, perdias-te.

Quase não te vejo
a janela cada vez mais baça
turvava-me a mente
E de repente,
a lua tragou-te
o mar levou-te
perdi-te para sempre!


Maria Antonieta Oliveira

Noite Nefasta









Acordei,
de uma noite de insónia
mal dormida
O sol já tinha trocado com a lua
O cansaço do peso da alma
era prenúncio de suicídio

Meu Deus, que ruido!

Algo me dizia
Pára!
A vida é bela
continua o teu caminhar
dia a dia
que amanhã
acordarás dormindo.


Maria Antonieta Oliveira

Noite de Insónia







Acabaram de bater no sino da igreja
cinco horas da manhã
O galo, também já deu a alvorada
E eu, continuo acordada

A mente agoniza cansada
Os pensamentos atropelam-se
neste cansaço resignado
com o passar do tempo.

Levanto-me,
Tento equilibrar o corpo trémulo
Agasalho-me e vou para a sala
Recosto-me no cadeirão de verga, almofadado
para pensar ordenadamente
As pálpebras pesam do sono perdido
Fecho os olhos
numa última tentativa de adormecer
mas não, nada acontece.
nada muda esta teimosia
de não querer dormir esta noite

O galo cantou de novo
O sino voltou a repenicar
Para quê? Se já estou acordada.

Salto do cadeirão
abro o frigorífico
e vou comer arroz-doce.


Maria Antonieta Oliveira



Glosa






Glosei teu nome
escrevi amor
Glosei tua boca
escrevi sabor
Glosei teu corpo
escrevi mulher
Glosei teu ser
escrevi felicidade

Glosei-te
Glosaste-me
Amámo-nos!


Maria Antonieta Oliveira

De Novo Só





Estou só,
na brancura alva dos lençóis de linho.
Sonho contigo
Sinto-te presente e ausente de mim
Porque não estás aqui!?

Queria abraçar-te e beijar-te
acariciar tua face bela,
macia, suave, rosada

Queria sentir o teu amor
nesses olhos castanhos
azuis, ou verdes, tanto faz

Queria ser capaz
de sair deste sonho que me alenta
e acalenta os dias que passam

Queria viver num castelo dourado
e ter-te sempre a meu lado
Mas tu, não existes, partiste
naquela caravela
que o mar afundou.

E eu, fiquei esquecida
na praia perdida
que a onda levou.


Maria Antonieta Oliveira


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Cabelos Grisalhos









Passo a minha mão
nos teus cabelos cor de prata
deslizo suavemente entre eles
Sinto-te estremecer a cada toque
viras-te para mim
e num beijo profundo
amamo-nos, num amor sem fim.


Maria Antonieta Oliveira

Amor Na Areia





No mar, me afogo em ti
No azul sombra do teu olhar
O sol unge-nos de amor
A areia enrola nossos corpos
Num afago da onda
Que molha, que galga
E salpica o coração

Humedecidos
Pela transpiração do momento
Corpos colados enlaçados
Tu e eu
No areal sonhamos.


Maria Antonieta Oliveira




Aguardo O Teu Recado





O meu pensamento partiu
no voo da gaivota junto ao mar
no bico levou
tudo o que era teu

Sentada na areia
aguardo o seu regresso

Quem sabe o mar me traga
a tua mensagem
no bico da gaivota
no tentáculo de um polvo
ou na guelra de um pargo.


Maria Antonieta Oliveira

A Vida Se Esvai







A noite,
estupidamente
acontece todos os dias.

E os dias,
surgem sempre, após as noites.
num caminhar compulsivo.

Semanas, após semanas,
meses, após meses
anos, após anos
e eu, perco-me na vida.

Fogem-me as horas e os minutos
para continuar contigo
e te amar
amar mais e ainda mais
dar-te os beijos que já não gostas
o carinho que já não queres
os abraços que afastas
e os mimos que renegas.

Neste desencontro de sentimentos
a vida esvai-se
e eu, agarro-a
Agarro-a, com quantas forças tenho
E vivo!

Vivo cada minuto, cada hora
com o brilho do meu olhar
que cativa, que atrai, que seduz
Olhar que já não chora
que sorri, que ama, que confia.

Vivo a vida, dia após dia!


Maria Antonieta Oliveira

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Folhas Secas







Piso as folhas molhadas
pela chuva intensa caída do céu
Salpico-me a cada passo que dou.
Água cristalina densa e gelada
perdida, espalhada na calçada.

No negrume do alcatrão
espelham-se verdes de vários tons
acastanhados, esverdeados, amarelados
Folhas mortas pelo tempo
caídas, cortadas pelo vento.

Caminho na vida
como a folha seca
esquecida, por entre
as pisadas de quem passa.

Num misto de beleza
entre a folha caída e a vida
Sou flor no meu jardim
Rainha do meu lar
Gota reluzente
no verde do meu olhar.

A paisagem é linda!
O frio é agreste!


Maria Antonieta Oliveira


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Sol Espreitava



Voltei à praia
Algo tinha ficado para trás.

Como de costume
caminhei descalça ao longo do rio
na procura
do que ali, além
tinha ficado perdido

Na suavidade da areia molhada
meus pés caminhavam
caminhavam
pelo areal imenso
Sem tempo
Sem medo
nas pisadas por outros deixadas…

O sol espreitava
e eu, caminhava

Sem me dar conta
caminhei ao teu encontro
e tu, permanecias intacta
tal como outrora
No tempo em que aí me perdi
de amores por alguém
No tempo em que aí vivi
o nosso romance de amor

A cabana já velha e vazia
cheirava a mofo
As aranhas eram agora as suas habitantes
As teias cruzavam-se embaraçando o caminho

Não entrei!
Tive medo!

Já nada me dizia aquela cabana escondida
entre o rochedo
daquela praia com vida

Voltei para trás correndo
Queria sair dali
Fugir
Esquecer
Voltar a viver
Ser feliz como outrora!

O sol espreitava
e eu,
de novo caminhava.


Maria Antonieta Oliveira
10-12-2013




Mataste-me





Derramei as minhas lágrimas
nos olhos teus

Criei um rio imaginário
onde nadei nos teus braços

Uma a uma
as gotas salgadas
caiam na tua face rosada

Dos teus lábios fiz um túnel
onde traguei o teu sabor
a amor

Sorvi a saliva
doce e quente
do amargo da tua boca.

Pensei ser, mas não fui
a tua velha bengala
amparando teu corpo
morto.

Morri, antes!
Mataste-me!


Maria Antonieta Oliveira

Foi Ontem





Corre-me nas veias
O sangue exaltado
Pelo calor do teu corpo

Corre-ma na face
Pétalas de cristal
Dos olhos sofridos

Corre-me no corpo
Gotículas de suor
Transpirado no amor

Daquele dia longínquo
Em que fui tua
E foste meu.


Maria Antonieta Oliveira

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Uma Noite de Natal




Vi estrelinhas a brilhar
na clareira do jardim
ouvi sinos a tocar
ouvi chamarem por mim.

O céu negro
de uma noite triste de inverno,
de onde caiam
farripas de algodão,
era o tecto de abrigo
de muitas bocam sem pão.

Noutro local,
o sol resplandecia
os jardins floriam
e as casas recheadas
de peru e rabanadas.

O sono dormido
numa cama de penas
ansiava o dia
pelos presentes da família
da paz e alegria
de mais um outro Natal.

Respondi ao chamamento
levantei-me e num repente
peguei em tudo que vi
bolo-rei, filhoses, frutos secos
pãezinhos com fiambre
até o peru
que esperava ser trinchado
num almoço avantajado,
no momento foi levado.

E tudo transportei
muito bem acondicionado
num cestinho acolchoado
com pétalas de amizade.

Corri ruas e ruelas
em todo o lado fui dando
um pouco do que levava
Também por lá fui deixando
os cobertores quentinhos
que às costas transportava.

Aqueci os corações
Vi sorrisos aos milhões
E quão feliz me senti!

De repente
as doze badaladas ouvi
corri, corri, corri
e mesmo no ultimo instante
entrei em casa ofegante
mas com um sorriso na alma
meu dever tinha cumprido
a todos tinha aquecido
e ninguém ficara esquecido
nessa noite de Natal!


Maria Antonieta Oliveira

sábado, 9 de novembro de 2013

Minha Alma Partiu






O olhar veste-se de negro
A roupa,
esfarrapei-a toda
para que precisava dela
se já nada eu era?!

Meu corpo dorido
sofrido e sujo
pairava por aí.
De esquina em esquina
de porta em porta
entrando e saindo
na casa errada.

Minha alma partiu
no silêncio da noite
Caminhou nos céus
procurando a paz.

Calma e tranquila
entre as nuvens brancas
foi-se encontrando
com familiares e amigos
com os anjos protectores
com Jesus e com Deus.


Maria Antonieta Oliveira



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Abraço-te






Queria dar-te um abraço
com muito amor e carinho
sincero, verdadeiro
um abraço apertadinho.

Nesse abraço sentirias
o quão importante me és.
O valor do meu amor
O que por ti eu faria
se tu me deixasses.

Mas não o faço!
Tenho medo da tua reacção
por vezes até de um beijo
me afastas com a mão.

Como seria bom
sentir teu corpo no meu
num abraço profundo
Aquele, que também não dei
a quem já partiu deste mundo.

Mas eu não quero partir
sem te dar esse abraço
Sinto que o desejas também.

Vamos quebrar o gelo
As barreiras que nos oprimem
e nos impedem desse abraço.

Vamos ser aquilo que somos
desde o dia em que te gerei
Mãe e filha ternurentas
manifestando os sentimentos
dando o amor e o carinho
que nos liga desde sempre.

Abraço-te!

Maria Antonieta Oliveira

Hoje Estou Triste

Sabes?!
Hoje sinto-me triste
cansada, desiludida
Sinto-me presa, oprimida
Sinto-me qual adolescente
perdida na vida, carente
Sem rumo ou destino
na encruzilhada do caminho.

O sol partiu de mim
há muito
As trevas acompanham-me
O céu enegreceu
pelo sofrimento meu
Até as estrelas
fugiram do meu olhar
com medo de as machucar.

Ao meu redor
nada nem ninguém me assiste
Estou só!
Completamente só e desolada
Todos partiram, ficando
Presentes, ausentes…

E eu,
neste deserto sem fim
esperando
que alguém se lembre de mim.

Sabes?!
Hoje estou triste!


Maria Antonieta Oliveira

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Teu Funeral




Passei ontem à tua porta
vi a roseira florida
que plantámos um dia.
As rosas alaranjadas
tal como o sol que nos aquecia,
estavam tristes abandonadas
tal como nós, amarguradas.

Da janela,
pendia a gaiola do canário
aquele que nos acordava
com o seu chilrear
quando ainda abraçados
no carinho aninhados
com desejos de amar.

Cá fora,
o teu carro jazia
coberto de folhas secas
e rodeado de ervas daninhas
Metia dó!
Quantas histórias ele contaria
se pudesse falar um dia.

Olhei ao redor
e uma lágrima caiu, sentida
A vida ali vivida
estava morta, perdida
Sem rumo
finada, acabada.

Os sinos tocam!
Vai sair o funeral!

Maria Antonieta Oliveira

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Banho de Espuma






Envolta em espuma
procuro o teu corpo sedoso
que me atraiu um dia.

Na banheira
calma e tranquila
penso em ti.

Quero de novo sentir
os teus lábios doces
descendo e subindo
os poros do meu corpo sedento.

Quero sentir
tuas mãos e carícias
teu corpo sequioso
entrelaçado no meu.

Quero-te só para mim
num encantamento sem fim.


Maria Antonieta Oliveira

A Nossa Primeira Vez








Escorre-me pelos dedos
O suor do teu corpo
Pareces louco!

Qual miúdo adolescente
carente

Os teus olhos brilham, piscam
como um farol no meio do mar
avisando os navegantes.

E eu,
a te olhar.

Afinal eras um desconhecido
que eu encontrei perdido
quando perdida andava.
Nem sequer te amava!

Beijo, cada gotícula do teu corpo
peludo, sensual atrevido.

Chamas-me MULHER!

E tu,
és o HOMEM que eu desejava!


Maria Antonieta Oliveira

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Menino Jesus



Ontem,
pus o sapatinho na chaminé.

A noite foi longa
o dia custou a amanhecer
e eu, queria acordar
dessa noite em que não dormi.

Ainda era madrugada
e eu, pé ante pé
no silêncio
dos meus pezitos de lã
de miúda pequena
fui à cozinha.

Oh meu Deus!
Que surpresa!
O Menino Jesus
tinha-me trazido,
tudo o que eu lhe tinha pedido.

Saltei de contente
e com o barulho
acordei toda a gente.

Hoje o Menino Jesus
foi esquecido
Em seu lugar
um velho de barbas brancas
e de sacola às costas
é o sonho das crianças.

Para mim,
hoje tal como ontem
é o Menino Jesus
que me presenteia e diz:
Faz muitos anos que nasci
por isso hoje há festejos
porque é dia de Natal!

Maria Antonieta Oliveira

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Aurita

AURITA
MARIA AURORA DA SILVA MENINO



Vi-te ontem
no caminho que nos uniu
e nos separou.

Éramos meninas
de mocassins
e soquetes nos pés.
Lembras-te?

Confidentes e amigas
sem invejas nem intrigas
Sonhávamos!
Não eram sonhos de meninas,
não!
Sonhos de adolescentes
de namoricos e paixonetas.
Mas éramos inteligentes
alunas de boas notas e maneiras
em francês éramos as maiores
e,
em nenhuma outra, fomos as piores.

E os nossos almoços trocados,
Lembras-te?
Como tu gostavas dos pastéis de bacalhau
que a minha mãe fazia!
Tudo era uma alegria!

E o olhar atraente
dos olhos verdes esmeralda
que tanto te fascinava.
Lembras-te?

Éramos amigas de verdade
Havia em nós cumplicidade!

O tempo passou
e ingrato, nos afastou.

Nós crescemos
somos mulheres, mãe e avós.
Nossos sonhos
uns ficaram pelo caminho
outros, realizámo-los com carinho.

Este reencontro
é um sonho meu realizado.
olho-te, abraço-te, beijo-te
tenho-te aqui a meu lado.

Quero que o amanhã
não seja como o ontem
que nos uniu e nos afastou
no caminho da vida percorrida.

Quero que a nossa amizade perdure
para além do hoje, do amanhã, do sempre!

Maria Antonieta Bastos Alentado

Maria Antonieta Oliveira
10 de Outubro de 2013








sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Os Sons do Silêncio




Que saudades eu tenho
do silêncio das ruas.
do chiar do eléctrico
do sonoro tilintar
Da calma e tranquilidade
de passear na cidade
E o silêncio
do autocarro que parou
Da porta que se abriu
Da menina que sorriu

E o silêncio
da fava- rica que passa
da boa castanha assada
e do toc-toc da chinela da varina
com os restos na canastra.

Que silêncio!
Que saudades!

Do dlim-dlam do sino da igreja
Do gri-gri dos grilos, nas noites de verão
E do pipilar das aves

O silêncio das vidas em segredo
nem as ruas os sabiam
O silêncio da bota grossa da tropa
dos magalas que passavam
E do apito do policia sinaleiro.

Que saudades
destes sons que eu ouvia
no silêncio que existia.

Que saudades!


Maria Antonieta Oliveira



terça-feira, 1 de outubro de 2013

Navego




Nesse mar navego
que me leva…

Meu corpo desliza nas ondas
Meu ser perdido na terra
O coração, esse,
perdi-o ontem,
quando ao monte subi.
Perdi-o, perdi-me, esqueci.

Ouvi teu corpo gemendo
Vi teus braços erguidos ao Céu
suplicando baixinho a Deus.
Tentei erguer-te
e lavar tua alma negra
Tentei dar-te carinho
e limpar o teu caminho
Tentei tudo o que podia
Tu,
nada quiseste ou fizeste
E eu,
que nada sou, nada sabia
Orei por ti.

Meu corpo deslizando nas ondas
Desse mar que me leva
Navego…


Maria Antonieta Oliveira