quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Depresssão




Não me peças para sorrir
Porque hoje o dia esmoreceu

E eu,
Caminho na vida a vaguear
Sem rumo ou destino
Não sei o que quero
Ou o que sinto
Nem sei o que pressinto

Sei
Que caminho sem prazer de viver

Sorrio quando te vejo
Quando estás comigo e te beijo
Sorrio ao olhar de uma criança
Ao acordar com o som da tua voz
- bom dia avó
- bom dia avó
Repete-se no eco da menina
Sorrio!

Choro, imploro, quero
Quero que não voltes
Quero que me deixes
Para sempre!
Para sempre!

Quero ser feliz
Com tudo o que me rodeia
Quero ser eu de novo
Aquela que ri e é feliz.
Quero voltar a mim.
Quero sim!
Quero!

Odeio-me
Por ser como sou!
Queria amar-me de novo
Quero voltar a sorrir
Quero e vou conseguir!
Vou conseguir!

Preciso de sol, areia e mar
Preciso de meu corpo repousar
Minha mente libertar
Meu grito soltar

E de novo
Regressar a mim.

Maria Antonieta Oliveira
27-08-2014










segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Carlita




Sorria o sol numa bela manhã de Agosto
Verão quente, esse de um ano além

Era sábado, um dia maravilhoso
Noite sofrida mal dormida

Amanheceu nos sentires de outra vida
Na alegria dorida de parir

Um choro sentido
Um olhar indefinido

Uma lágrima caia no rosto feliz
De uma jovem mãe
Agradecida a Deus pela graça recebida
Uma menina gerada em si
No amor e pelo amor abençoada.


Maria Antonieta Oliveira
18-08-2014



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Viciada Em Ti





Tantos homens me amaram
Tantos!
Tantos homens me desejaram
Tantos!
Tantos homens quiseram sonhar em meu corpo
Tantos!
Tantos homens saborearam meus beijos
Tantos!


Eu,
Escolhi teu ser
Teu corpo
Teus beijos
Dei-te meus sonhos e desejos
Dei-te meu ser demente
Meu corpo, minha mente
Minha alma carente

E tu, o que fizeste de mim?!
Uma outra mulher viciada no amor
Viciada em ti!

Maria Antonieta Oliveira
11-08-2014


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Quero Adormecer




Quero adormecer e não consigo

Tudo se solta
Tudo grita
Tudo é revolta
Tudo é saudade
Tudo é solidão
Tudo é desânimo
Tudo é desconsolo

Quero adormecer e não consigo

Falta-me o carinho
Falta-me a ternura
Falta-me a meiguice
Falta-me as palavras que não dizes
Falta-me as festas que não fazes
Falta-me sentir amada
Falta-me sentir mulher

Quero adormecer e não consigo

A nascente, o sol já espreita
Do outro lado, a lua se esconde
Os sonhos ficaram perdidos
Na noite adormecida ao luar

E eu,
Quero adormecer e não consigo.


Maria Antonieta Oliveira
04-08-2013

Palavras Tristes




As palavras brilham quais estrelas no firmamento
Os enamorados soltam-se
As conversas fluem

- O que sou para ti neste momento?
- O que sempre foste!
- Se nada sou, nada fui!

No emaranhado do arvoredo
As letras escondem-se
Os sorrisos calam-se

As palavras esquecem sentimentos
A lua enaltece a vida
Na noite adormecida em ti.


Maria Antonieta Oliveira
04-08-2014





quarta-feira, 23 de julho de 2014

O Tejo




O Tejo caminha a teus pés
No silêncio da bruma que passa
Espuma-se além entre rochedos
Medos

As gaivotas esvoaçam o céu azul
Os negros corvos inertes
Olham ao longe a outra margem
Miragem

Degraus que sobem e descem em águas
Lágrimas salgadas, cacilheiros, pessoas
Gentes, mundos, passantes
Amantes

Aqui e além
Debicam, saltitam, mergulham
Salpicos salgados molhados
Arrasados

No silêncio da bruma que passa
O Tejo caminha a teus pés.


Maria Antonieta Oliveira
23-07-2014






A Outra





Hoje não sou eu,
Sou a outra que habita em mim

Não sinto a tristeza do passado
Nem a alegria do presente
Não tenho saudades tuas
Nem me lembro que existes

Esqueci os meus tormentos
Nem lembro os meus lamentos
Esqueci os dias de felicidade
Nem sequer sei minha idade

Sou a outra
A que não tem coração
A que vive sem ilusão
A que ama sem amar
A outra!

A outra que habita em mim!


Maria Antonieta Oliveira
23-07-2014




quarta-feira, 16 de julho de 2014

Recordação De Uma Trade




Recordo com saudade aquela tarde

Tu e eu, o mar e a magia

De mãos dadas, saboreávamos o dia
O mar, ondulava na areia crispada
O sol queimava, o amor pairava
Nosso olhar encontrava-se
Nas palavras por dizer
Nossa boca sussurrava
Os beijos sufocados no desejo
As mãos trémulas de prazer
Permaneciam unidas
No entrelaço do sangue a ferver
Nossos corpos esgotados no tempo
Rejubilam de volúpia e felicidade

A tarde passa no desvanecer do sol
Os beijos não dados e as palavras por dizer
Ficam na memória por esquecer

Tu e eu, afastamos-nos
Num abraço apertado
O amor foi partilhado

Hoje,
Recordo com saudade aquela tarde.


Maria Antonieta Oliveira
15-07-2014


No Silêncio Das Pedras





No silêncio das pedras caladas
Ouço os teus passos
O som da tua bengala
Caminhas para mim
Teus braços abertos
Teu sorriso de menino
Teu carinho incompreendido

Corro ao teu encontro
Abraço teu corpo sem vida
Beijo tua face trigueira
E sorrio.
Sorrio feliz poe te ter comigo
Olho os teus olhos verdes
Olhamo-nos de frente
E compreendemo-nos

Perco-me no silêncio das pedras caladas

Quero ouvir de novo os teus passos
O som da tua bengala
Beijar tua face trigueira
Olhar teus olhos verdes
E nada encontro.

Fico!
Fico sozinha
No silêncio das pedras caladas.


Maria Antonieta Oliveira
14-07-2014


No Silêncio Que Me Persegue




Este silêncio que me persegue e atormenta

Entre risadas felizes
gargalhadas e saltos
mergulhados de prazer
Brincadeiras de petizes
Sonoros trinados
Príncipes encantados
Num calmo entardecer.

E eu,
Continuo sozinha
Neste silêncio que me persegue e atormenta.

Maria Antonieta Oliveira
14-07-2014


No Silêncio do Sol




Acordo no silêncio do sol

Esse silêncio que me acompanha
Que faz parte dos meus dias
Que me atormenta o ser.

Esse silêncio traiçoeiro
Que entristece meu coração
Que exalta à solidão
Que me atormenta o ser.

Acordo e adormeço
Na noite do dia perdido
Vivo a vida sem viver
No espaço do tempo que tenho.

E,
Acordo no silêncio do sol.


Maria Antonieta Oliveira
14-07-2014

No Silêncio da Sombra





No silêncio da sombra adormecida
Teu corpo perece inerte

Teus olhos tristes perscrutam o medo
Teu ser procura o ser que o complete
Tua alma vegeta perdida
da vida, na vida que passa
Teu coração partido inala o sangue
que entre veias circula.

Teu corpo inerte perece
No silêncio da sombra adormecida.

Maria Antonieta Oliveira
14-07-2014

domingo, 13 de julho de 2014

Manhã dos Ventos





Espuma-se a lânguida manhã dos ventos
Refugia-se aqui além no espaço
Escondida entre as brumas das marés

Elevam-se sons estridentes frenéticos
Rugem as árvores despidas
As folhas caídas retidas pelo chão

Esvai-se o sol no céu lunar
A noite adentra-se no amanhecer
A vida perene no entardecer

E ontem? E hoje? E amanhã?
O tempo urge no tempo de viver!


Maria Antonieta Oliveira
13-07-2014

Cristais




Chispam cristais do céu do teu olhar

Sonhas!

Sonhas com o ser que criaste
E não amaste
Sonhas com o homem amor
Criador da tua paixão
Animador de teu coração

Sonhas!

Sonhas com a vida exigida
Pelo ser que és
Sonhas com a saudade parida
Na vida perdida

Sonhas!

Sonhas com o amanhã imaginado
No caminho já traçado
Sonhas com o amor eterno
De um quente frio de inverno.


Sonhas!

E nesse sonhar
Chispam cristais do céu do teu olhar!


Maria Antonieta Oliveira
13-07-2014

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Bailado







Ouço Chopin!

Numa valsa de Schubert
Entrelaço o olhar num passo de dança

Ao som de Mozart
Rodopio nos teus braços, amor
Elevas-me ao céu
Repouso deitada no chão
Ao meu redor
Saltitam anjinhos do Lago dos Cisnes

Ao longe
Os sinos tocam uma Avé Maria

Recolhes meu corpo num abraço profundo
Qual Isadora Duncan
Em bicos de pés regresso ao mundo.

Olhos nos olhos na pista de dança
Entrelaçamos olhares
Fluindo ao som de um tango.

Um bolero de Ravel ecoa!

Maria Antonieta Oliveira
20-06-2014

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Vem Ao Meu Encontro





Sigo o caminho que me ensinaste
Aquele onde me encontraste perdida
Sem carinho nem afago
Sem rumo ou destino

Esquecida da vida
Permaneci junto ao mar
Na rocha escalada a pulso
Degradada pelo bater das ondas
Onde me sentia junto ao céu

No horizonte passava o navio
Que te levou de mim para sempre
No mar ficaram tuas cinzas
Também elas perdidas
No marulhar das águas
As flores que te deixei
Continuam à tona beijando as gaivotas

Eu, continuo olhando o infinito
Na espera de te ver chegar

Sonho!
Sonho com a tua imagem
Surgindo das águas
Qual sereia encantada
Ou ninfa naufragada
Sonho!

Vem ao meu encontro, amor!

Maria Antonieta Oliveira
19-06-2014

terça-feira, 17 de junho de 2014

Bebé




Era Junho
O calor esquentava, no tórrido Alentejo
O pai na venda, depois de um dia de trabalho
A mãe cansada, ansiava o momento

De repente, os gemidos molhados
O pai chamado à pressa
A mãe sofria, gritava, suava
A aparadeira sempre pronta, ajudava
Uma cabecinha surgia
O resto do corpo saia
A menina chorava
A mãe exausta, estafada
Sorria de felicidade
O pai se alegrava

A menina parida
Nascia para a vida.

Maria Antonieta Oliveira
17-06-2014

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Penso-te Ò Rio



Chilreiam os pássaros ao meu redor
As folhas das árvores balouçam suavemente
O sol caminha ao longe
Os carros passam
As pessoas caminham
A cadela adormecida acalorada
olha-me com meiguice no olhar
No jardim, além
avós e netos, brincam unidos

Lá longe,
penso-te ò rio que banhas
as margens do meu ser
Caminho ondulado
onde me perco, me encontro
me sinto e me revejo

Areia escaldante
Que me queima e abrasa
Que me consola e afaga
Que me beija e sacia
o corpo carente de ti.

Penso-te, no azul céu prateado
caminhando lado a lado
na corrente que nos leva e traz
no aconchego da vida por viver.

Penso-te ò rio, lá longe!

Maria Antonieta Oliveira
12-06-2014

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O Tempo Não Para





Os ponteiros do relógio rodopiam velozes
As horas apressadas caminham
O tempo não para

Felicitações, abraços e beijos
Alguém nasceu
O tempo não para

Bebidas, noitadas, paródias
A juventude passou
O tempo não para

Pétalas, arroz esvoaçando
Caminhos que se unem no altar
O tempo não para

Filhos, creches, escolas
Trabalho mais trabalho corridas
O tempo não para

Netos risonhos felizes
Avós já sem pressa, mas,
O tempo não para

Tocam os sinos a rebate
Alguém morreu
O tempo não para.

A vida foge na pressa de viver!
E, o tempo não para!


Maria Antonieta Oliveira
02-06-2014





Sons Coloridos





O sol brilha no laço do teu cabelo
O pipilar ecoa no espaço
Teu manto esvoaça

O azul do céu caminha no tempo
A água límpida esverdeada
Corre da bica abandonada

O carro vermelho passa veloz
Chiam, guincham os travões
Acendem-se os lampiões

O verde da floresta frondosa
As rãs coaxam no lago
As ortigas crescem no mato

Miam, ladram, cacarejam
Rosas, lilases, amarelos
Trinam os sinos mais belos

Confundem-se os sons humanos
Com as cores da natureza
Tudo em sintonia e beleza.


Maria Antonieta Oliveira
02-06-2014




sábado, 31 de maio de 2014

Tanto Tempo




Corre-me teu sangue nas veias
Sinto-o fervilhar em mim
Sofro como sofreste
Sinto como sentiste
E assim, dou valor ao teu viver.

Não tenho a tua garra,
A tua força em vencer
Mas amo como tu amaste
A família que tenho
E vem de ti também.
Sangue do teu sangue
Amor do teu amor

A seriedade e hombridade
Ficou-nos por testamento
O amor e a saudade
A tristeza e o lamento.

Queria-te aqui, agora, Mãe!

Maria Antonieta Oliveira
31-05-2014

terça-feira, 20 de maio de 2014

Três Gerações






Já o galo cantou
E o cuco se calou

O jumento caminha lento
nos sulcos de terra seca
ao lado, o menino traquina
que acompanha seu pai.

Na pequena carroça
o avô já cansado, sentado
caminha no passo lento do jumento,
a seu lado o cajado já velho e gasto
percorre os sulcos da terra seca
nos ressaltos das ferraduras
dos rodados já usados da carroça

O miúdo tagarela
ao som dos pássaros que os acompanham
O pai caminha pensando
no hoje que será amanhã
O avô masca o cigarro de ontem
E o jumento caminha lento.

Já o galo se calou
E o cuco cuculou.

Maria Antonieta Oliveira
20-05-2014

Amanhã Será O Dia





Amanhã já é tarde
para acordares cedo

Hoje é o dia certo
para na certeza de seres
esqueceres o ontem tardio
engalanado mas bravio
que te fez sofrer.

Acorda, renasce
procura na vida a harmonia
a felicidade e o amor
a paz e a alegria
o carinho e a compreensão
a Fé em teu coração.

E então.
Amanhã será o dia
para acordares em sintonia.

Maria Antonieta Oliveira
20-05-2014

É Tarde







É tarde,
A noite cerrou o sol na linha do horizonte

Lá fora,
As gentes recolhem pedaços de vida
Calam bocas fechadas ao ser
Janelas trancadas no tempo
Quais gaiolas balouçando ao vento
As luzes apagam-se por magia
A chama da vela que arde
Soprada na lareira onde se queima o tojo
Assombra as paredes vazias da casa nua.
As portas encerraram a vida

O crepitar da lenha ecoa no espaço
A lamparina de azeite se apagou
O corpo inerte do retrato na parede do fundo, se finou.

A lua criou o seu espaço
No espaço roubado ao sol.

É tarde,
A noite cerrou o sol na linha do horizonte.

Maria Antonieta Oliveira
20-05-2014

Chovem Lirios Do Céu





Chovem lírios do céu
As pétalas das rosas vermelhas
Soltam-se na cama perfumada
A teus pés, as açucenas nascem
Coloridos verdejantes salpicados

Ténues gritantes alastram
Cravos de mil flores
Espinhos da vida que passa
Rios ribeiras amores
Fontes penedos riachos
Água cristalina que brota
Entre pedras caladas no tempo
Lagos nenúfares e patos
Lagoas rochedos e mato.

Perfume suave aroma
Gladíolos erguem-se ao céu
Hortências azuis lilás
Papoilas cortejando alegria
Entre girassóis galantes
Orquídeas abrindo flor
Malvas jarros jasmim
Perfuma suave aroma
Brotando em pérolas
Por entre as pedras do jardim.

Magia do arco-íris florido
Alimenta o ser distraído
E numa noite de breu
Chovem lirios do céu!

Maria Antonieta Oliveira
20-05-2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Parto de Mim




Estou impaciente
Demente
Carente

Estou só
Nostálgica
Apática

Triste
Sem vida
Sem saída

Nervosa
Medrosa
Ansiosa

Choro
Imploro
Sem nexo

Quero
Desespero
Angustio

Lentamente
Caminho
Para o fim

Parto
De mim


Maria Antonieta Oliveira
14-05-2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

Mariazinha





Para lá do além onde me reencontro
Procuro a menina ingénua e pura
Trigueira de olhos grandes esverdeados
Teimosa, tímida, nervosa
Metida consigo, medrosa
Solitária na companhia de entes
Gentes grandes, adultas, crescidas
Gentes de outras paragens, vividas
Marcadas, sofridas, nostálgicas, perdidas

No meio do nada infantil
Entre afectos recebidos sentidos
Perdida na trama da solidão
Acompanhada na vida da ilusão
Refugiada em si mesma
Na vergonha da pouca fartura

E não a encontro!?
Sim, encontro!!

Um ser sofredor
Castigado pelo passado constrangido
Num viver pelo pensar de outros
Num desabrochar furtivo
Envergonhado e cativo
Numa solidão acompanhada
Numa avidez desesperada
De ser
De existir
De pensar e viver por si só
Na vontade do seu próprio EU.


Maria Antonieta Oliveira
13-05-2014





domingo, 4 de maio de 2014

Lançamento 1ª Antologia Amantes da Poesia 3 de Maio de 2014

Saudades Mãe







Tenho saudades
De ver teus olhos sorrir
Da mão que me acarinhava o dormir

Tenho saudades
Dos teus beijos carinhosos
Dos teus olhos radiosos

Tenho saudades
Das palavras que não dissemos
Dos carinhos que não demos
Tenho saudades

Tenho saudades

De novo te olhar
De te poder beijar
De dizer que te amo
De te sentir num abraço
E dele,
Fazer a eternidade que te levou de mim.

Tenho saudades, mãe!

Maria Antonieta Oliveira
04-05-2014




sexta-feira, 2 de maio de 2014

"Sinto-te a Fugir Por Entre os Dedos do Silêncio"


“ sinto-te a fugir, por entre os dedos do silêncio”


Esta é uma frase minha, que dou comigo a aplica-la nas mais diversas situações.

Hoje, mais uma vez dou comigo a pensar que – sinto-te a fugir por entre os dedos do silêncio. Foges-me tu, mais tu, e mais, tu. Tantas que fogem sem que me aperceba do porquê.

Penso!
Há pessoas que veem os outros nos seus próprios espelhos, e erram. Nem todos somos iguais. Nem sempre reagimos de igual modo, em momentos diferentes, ou iguais. Os espelhos só nos mostram o que neles queremos ver.

É pena!
Menti-te, desculpei-me. Isso não significa que ao ver-te no meu espelho, também estejas a mentir-me ou a desculpares-te.

Errei!
Errei nos caminhos que trilhei, porque ei-de encontrar o teu reflexo no meu espelho, se tu segues o caminho perfeito.

Ilusão!
Cada um de nós tem o seu próprio espelho que reflecte a nossa vivência, os nossos erros, as nossas qualidades, o dia-a-dia que escolhemos.
Nenhum espelho reflecte a vida de outro, só o seu próprio espelho a pode reflectir.
Nem o teu, reflecte sempre a tua, pois muitas vezes até o espelho se embacia.

Reflexão!

Porque me fogem por entre os dedos do silêncio?

Maria Antonieta Oliveira
02-05-2014