O sonho é livre... é deixar voar o pensamento... é acreditar no inacreditável... é atingir o inatingível... Amar... Sofrer... Beijar... Doer...
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Preciso de Silêncio
Preciso de silêncio
O silêncio dos nossos beijos sussurrados
Nos orgasmos do momento em amor
Preciso de silêncio
O silêncio dos teus olhos parados nos meus
Na cama do amor deitados
Preciso de silêncio
O silêncio dos nossos dedos entrelaçados
Dedilhando as vertebras do meu corpo
Preciso de silêncio
O silêncio do teu corpo percorrendo o meu
Na volúpia de um amor consentido
Preciso de silêncio
O silêncio do nosso amor
Na vontade do sentir perpetuado
Maria Antonieta Oliveira
29-09-2014
Caem as Folhas
Caem as folhas
Na revolta dos pássaros voltando
Lá longe
Onde as margens do céu se unem
Onde a terra acaba num mundo sem fim
Juntam-se flautas cantando um hino
A natureza perversa se esconde envergonhada
Os rios soltam as amarras voando
As aves retêm o canto no cimo das nuvens
Trovejam e chispam relâmpagos
Apagados por entre espinhaços
Lagos secam no meio do nada
Onde surge um místico luar
E a chuva goteja lágrimas de felicidade
Além
O tempo perde-se do tempo
O ontem é cada vez mais ontem
O amanhã cada vez mais amanhã
E o hoje
O hoje, perde-se no tempo
Caem as folhas
Na revolta dos pássaros voltando.
Maria Antonieta Oliveira
19-09-2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Espasmos de Outono
De novo só
no beiral da vida
Onde as gotas
se despem da folhagem de outono
e a beleza se perde
nos campos verdejantes
As andorinhas perdidas
entre vendavais da vida
fluem no ar agitado do tempo
pedindo guarida ao vento
Os pingos da chuva pesada
caem no solo endurecido
e, a calçada escorrega
na curva do caminho
As pétalas soltas ao luar
esvoaçam vencidas pela dor
e angustia saudosa da partida
da roseira ferida em flor
Pesam os ramos das árvores
no colo suave da noite
adormecida, vencida
pela tormenta da tempestade
Onde as gotas
se despem da folhagem de outono
E eu,
de novo só
no beiral da vida!
Maria Antonieta Oliveira
22-09-2014
Grito Incontido
Grito!
Grito mais alto que o próprio grito!
É o grito ensurdecido
No meu corpo parido
No meu corpo saudoso
É o grito que vem de ti
Do teu amor por mim
Daquele amor que perdi
Grito!
Grito e ninguém me ouve!
Meu grito sussurrado, no meu peito magoado
É apenas sentido no coração sofrido, torturado
Louco varrido, de um amor incontido
Grito!
Grito mais alto que o próprio grito!
Maria Antonieta Oliveira
22-09-2014
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Esqueço-me De Mim
Esqueço-me de mim!
Escondo-me num baú esquecido no sótão da avó
Não quero que me encontrem
E, numa redoma de vidro opaco
Perco-me do mundo
Perco-me no espaço
Perco-me de mim
Adormeço num sono profundo
Esquecida do mundo
Esquecida de mim
Sonho!
Sonho ser borboleta esvoaçando
De pétala em pétala pousando
Sonho ser cavalo alado
Cavalgando ao longo do prado
Sonho ser amada
Numa gruta em teus braços devorada
Sonho com a liberdade
Ser livre libertando a mente
Sonho com a felicidade!
Escondida no baú do sótão da avó
Não quero que me encontrem!
Maria Antonieta Oliveira
19-09-2014
Ser Feliz
Tua pele macia suaviza meu corpo
Olho no espaço e procuro teu rosto
Além, onde o mar se perde
busco a miragem do teu olhar
No céu rebusco o som do teu silêncio
Na nuvem que passa quero ver o teu sorriso
No luar quero desnudar-te
Abraçar teu corpo em mim
E ser feliz.
E ser feliz!
Maria Antonieta Oliveira
19-09-2014
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Prece À Lua
A lua insiste em aparecer além
por detrás do olhar do poeta
persiste na curva do céu
Porque me atormentas amor?
Vejo estrelas saltitantes
cadentes mirabolantes
nos olhos da lua
Quisera eu ser tua!
Ateimas em me fazer sonhar
no ondular da nuvem passante
no brilho de um véu
Amei-te sem saber!
Lua além perdida
esquecida na vida dos amantes
de olhar penetrante.
Sonhei viver num castelo!
Parte lua
deixa-me esquecer-te
lua mentirosa
Pétala de rosa!
E a lua partida
no céu se ofendeu
o luar esmoreceu.
O amor feneceu!
Maria Antonieta Oliveira
18-09-2014
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Chove Lá Fora
Chove lá fora
Sinto as lágrimas salgadas
corridas no meu rosto
sentidas no meu coração
Chove lá fora
Ouço o som da tua voz
sussurrando ao meu ouvido
que me amas e adoras
Chove lá fora
Sorrio ao saborear minha dor
no desânimo de te ver partir
De novo, vais partir
Chove lá fora
Também meu coração chora
por ti, pela tua ausência de mim
pelo teu amor que perdi
Chove lá fora
E eu,
choro por ti.
Maria Antonieta Oliveira
16-09-2014
sábado, 13 de setembro de 2014
Palavras Paridas
Cortaram-me as palavras
no momento em que me despi de ti
Saí de um corpo nefasto
farto de sofrer
de sentir e de viver
Sem palavras, continuei caminhando
Despida de sentires e viveres
mas, continuei
Continuei parindo outras palavras
Onde mágicas luas se encontram
num céu desconhecido
Onde estrelas jogam rumores
E vivem flores de cristal
Onde as nuvens de algodão
dão as mãos às fadas benfazejas
E as gotas de orvalho se cruzam
nas esquinas perdidas da vida
nas calçadas esquecidas dos trilhos
Cortaram-me as palavras
Mas eu,
Pari palavras de amor!
Maria Antonieta Oliveira
12-09-2014
Férias Com Os Meus Avós
Ir de férias com os meus avós
É coisa que muito gosto
E se tudo vos contar
Vão-se rir, aposto.
Acordo de madrugada
Estão eles a ressonar
Dou eu a alvorada
Toca já a acordar
Vira-se um
O outro também
E sorrindo para mim:
- Bom dia, meu bem
A avó que é beijoqueira
Dá-me logo mil beijinhos
O avô meu amigo também
Dá-me muitos abracinhos
Por cima de ambos me deito
Eles fazem-me festinhas
E assim vão acordando
Abrindo as pestaninhas
Já depois de levantados
E o xixizinho feito
Os banhinhos são tomados
Tudo feito a preceito
O avô põe a mesa
E o pequeno-almoço prepara
Eu ando de bicicleta
E a avó em tudo repara
Depois de beberem o café
Vamos de comboio p’ra praia
A avó na brincadeira
Mais parece uma catraia
- A água está fria, avó
Não quero praia, quero piscina
Está quita não me salpiques….
E faço a minha cara traquina
Mas com a brincadeira
Da minha avó Tieta
Dou comigo já molhado
E o frio era só treta
Nado, corro e mergulho
Salpico os meus avós
Parecemos todos miúdos
Sem distância entre nós
Regresso à casa andante
E agora toca a comer
Que eu quero ir à piscina
E a digestão tenho que fazer
De minuto a minuto
Eu pergunto à minha avó
Quanto tempo ainda falta
Quero ir já, tenham dó
Sempre alegre e brincalhona
Ela me vai respondendo
Até que chega a hora
E lá vou eu saltando e correndo
Coitado do meu avô
Que vai comigo sempre
Já cansado do trabalho
E quem sabe, até doente.
Sou miúdo, não penso nisso
Quero é ir mergulhar
Mas lá vem o nadador
De novo, comigo ralhar
Faço piruetas, cambalhotas
Dou braçadas, sei boiar
Pareço filho de peixe
Só na água gosto de estar
Começo a ficar com frio
E o avô diz: – vamos embora
Faço cara de zangado
Mas saio logo fora
A seguir vem o bem bom
Com o avô vou tomar banho
Rimo-nos muito os dois
Parecemos do mesmo tamanho
O avô é divertido
De paródia lhe chamo eu
Brincamos os dois na água
É um grande amigo meu
Mais umas voltinhas
Lá vou eu de bicicleta
O avô trata do jantar
E a avó estica a perneta
Pois é, a avó coitada
Nunca mais anda bem
Sempre, sempre a coxear
Com a grande dor que tem
Vontade tem ela de andar
E por isso se revolta
Às vezes depois do jantar
Ainda vamos dar uma volta
Regressamos ao hotel
De novo vamos dormir
Muitas estrelas no céu
Outro dia a sorrir.
Maria Antonieta Oliveira
07-09-2014
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Depresssão
Não me peças para sorrir
Porque hoje o dia esmoreceu
E eu,
Caminho na vida a vaguear
Sem rumo ou destino
Não sei o que quero
Ou o que sinto
Nem sei o que pressinto
Sei
Que caminho sem prazer de viver
Sorrio quando te vejo
Quando estás comigo e te beijo
Sorrio ao olhar de uma criança
Ao acordar com o som da tua voz
- bom dia avó
- bom dia avó
Repete-se no eco da menina
Sorrio!
Choro, imploro, quero
Quero que não voltes
Quero que me deixes
Para sempre!
Para sempre!
Quero ser feliz
Com tudo o que me rodeia
Quero ser eu de novo
Aquela que ri e é feliz.
Quero voltar a mim.
Quero sim!
Quero!
Odeio-me
Por ser como sou!
Queria amar-me de novo
Quero voltar a sorrir
Quero e vou conseguir!
Vou conseguir!
Preciso de sol, areia e mar
Preciso de meu corpo repousar
Minha mente libertar
Meu grito soltar
E de novo
Regressar a mim.
Maria Antonieta Oliveira
27-08-2014
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Carlita
Sorria o sol numa bela manhã de Agosto
Verão quente, esse de um ano além
Era sábado, um dia maravilhoso
Noite sofrida mal dormida
Amanheceu nos sentires de outra vida
Na alegria dorida de parir
Um choro sentido
Um olhar indefinido
Uma lágrima caia no rosto feliz
De uma jovem mãe
Agradecida a Deus pela graça recebida
Uma menina gerada em si
No amor e pelo amor abençoada.
Maria Antonieta Oliveira
18-08-2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Viciada Em Ti
Tantos homens me amaram
Tantos!
Tantos homens me desejaram
Tantos!
Tantos homens quiseram sonhar em meu corpo
Tantos!
Tantos homens saborearam meus beijos
Tantos!
Eu,
Escolhi teu ser
Teu corpo
Teus beijos
Dei-te meus sonhos e desejos
Dei-te meu ser demente
Meu corpo, minha mente
Minha alma carente
E tu, o que fizeste de mim?!
Uma outra mulher viciada no amor
Viciada em ti!
Maria Antonieta Oliveira
11-08-2014
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Quero Adormecer
Quero adormecer e não consigo
Tudo se solta
Tudo grita
Tudo é revolta
Tudo é saudade
Tudo é solidão
Tudo é desânimo
Tudo é desconsolo
Quero adormecer e não consigo
Falta-me o carinho
Falta-me a ternura
Falta-me a meiguice
Falta-me as palavras que não dizes
Falta-me as festas que não fazes
Falta-me sentir amada
Falta-me sentir mulher
Quero adormecer e não consigo
A nascente, o sol já espreita
Do outro lado, a lua se esconde
Os sonhos ficaram perdidos
Na noite adormecida ao luar
E eu,
Quero adormecer e não consigo.
Maria Antonieta Oliveira
04-08-2013
Palavras Tristes
As palavras brilham quais estrelas no firmamento
Os enamorados soltam-se
As conversas fluem
- O que sou para ti neste momento?
- O que sempre foste!
- Se nada sou, nada fui!
No emaranhado do arvoredo
As letras escondem-se
Os sorrisos calam-se
As palavras esquecem sentimentos
A lua enaltece a vida
Na noite adormecida em ti.
Maria Antonieta Oliveira
04-08-2014
quarta-feira, 23 de julho de 2014
O Tejo
O Tejo caminha a teus pés
No silêncio da bruma que passa
Espuma-se além entre rochedos
Medos
As gaivotas esvoaçam o céu azul
Os negros corvos inertes
Olham ao longe a outra margem
Miragem
Degraus que sobem e descem em águas
Lágrimas salgadas, cacilheiros, pessoas
Gentes, mundos, passantes
Amantes
Aqui e além
Debicam, saltitam, mergulham
Salpicos salgados molhados
Arrasados
No silêncio da bruma que passa
O Tejo caminha a teus pés.
Maria Antonieta Oliveira
23-07-2014
A Outra
Hoje não sou eu,
Sou a outra que habita em mim
Não sinto a tristeza do passado
Nem a alegria do presente
Não tenho saudades tuas
Nem me lembro que existes
Esqueci os meus tormentos
Nem lembro os meus lamentos
Esqueci os dias de felicidade
Nem sequer sei minha idade
Sou a outra
A que não tem coração
A que vive sem ilusão
A que ama sem amar
A outra!
A outra que habita em mim!
Maria Antonieta Oliveira
23-07-2014
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Recordação De Uma Trade
Recordo com saudade aquela tarde
Tu e eu, o mar e a magia
De mãos dadas, saboreávamos o dia
O mar, ondulava na areia crispada
O sol queimava, o amor pairava
Nosso olhar encontrava-se
Nas palavras por dizer
Nossa boca sussurrava
Os beijos sufocados no desejo
As mãos trémulas de prazer
Permaneciam unidas
No entrelaço do sangue a ferver
Nossos corpos esgotados no tempo
Rejubilam de volúpia e felicidade
A tarde passa no desvanecer do sol
Os beijos não dados e as palavras por dizer
Ficam na memória por esquecer
Tu e eu, afastamos-nos
Num abraço apertado
O amor foi partilhado
Hoje,
Recordo com saudade aquela tarde.
Maria Antonieta Oliveira
15-07-2014
No Silêncio Das Pedras
No silêncio das pedras caladas
Ouço os teus passos
O som da tua bengala
Caminhas para mim
Teus braços abertos
Teu sorriso de menino
Teu carinho incompreendido
Corro ao teu encontro
Abraço teu corpo sem vida
Beijo tua face trigueira
E sorrio.
Sorrio feliz poe te ter comigo
Olho os teus olhos verdes
Olhamo-nos de frente
E compreendemo-nos
Perco-me no silêncio das pedras caladas
Quero ouvir de novo os teus passos
O som da tua bengala
Beijar tua face trigueira
Olhar teus olhos verdes
E nada encontro.
Fico!
Fico sozinha
No silêncio das pedras caladas.
Maria Antonieta Oliveira
14-07-2014
No Silêncio Que Me Persegue
Este silêncio que me persegue e atormenta
Entre risadas felizes
gargalhadas e saltos
mergulhados de prazer
Brincadeiras de petizes
Sonoros trinados
Príncipes encantados
Num calmo entardecer.
E eu,
Continuo sozinha
Neste silêncio que me persegue e atormenta.
Maria Antonieta Oliveira
14-07-2014
No Silêncio do Sol
Acordo no silêncio do sol
Esse silêncio que me acompanha
Que faz parte dos meus dias
Que me atormenta o ser.
Esse silêncio traiçoeiro
Que entristece meu coração
Que exalta à solidão
Que me atormenta o ser.
Acordo e adormeço
Na noite do dia perdido
Vivo a vida sem viver
No espaço do tempo que tenho.
E,
Acordo no silêncio do sol.
Maria Antonieta Oliveira
14-07-2014
No Silêncio da Sombra
No silêncio da sombra adormecida
Teu corpo perece inerte
Teus olhos tristes perscrutam o medo
Teu ser procura o ser que o complete
Tua alma vegeta perdida
da vida, na vida que passa
Teu coração partido inala o sangue
que entre veias circula.
Teu corpo inerte perece
No silêncio da sombra adormecida.
Maria Antonieta Oliveira
14-07-2014
domingo, 13 de julho de 2014
Manhã dos Ventos
Espuma-se a lânguida manhã dos ventos
Refugia-se aqui além no espaço
Escondida entre as brumas das marés
Elevam-se sons estridentes frenéticos
Rugem as árvores despidas
As folhas caídas retidas pelo chão
Esvai-se o sol no céu lunar
A noite adentra-se no amanhecer
A vida perene no entardecer
E ontem? E hoje? E amanhã?
O tempo urge no tempo de viver!
Maria Antonieta Oliveira
13-07-2014
Cristais
Chispam cristais do céu do teu olhar
Sonhas!
Sonhas com o ser que criaste
E não amaste
Sonhas com o homem amor
Criador da tua paixão
Animador de teu coração
Sonhas!
Sonhas com a vida exigida
Pelo ser que és
Sonhas com a saudade parida
Na vida perdida
Sonhas!
Sonhas com o amanhã imaginado
No caminho já traçado
Sonhas com o amor eterno
De um quente frio de inverno.
Sonhas!
E nesse sonhar
Chispam cristais do céu do teu olhar!
Maria Antonieta Oliveira
13-07-2014
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Bailado
Ouço Chopin!
Numa valsa de Schubert
Entrelaço o olhar num passo de dança
Ao som de Mozart
Rodopio nos teus braços, amor
Elevas-me ao céu
Repouso deitada no chão
Ao meu redor
Saltitam anjinhos do Lago dos Cisnes
Ao longe
Os sinos tocam uma Avé Maria
Recolhes meu corpo num abraço profundo
Qual Isadora Duncan
Em bicos de pés regresso ao mundo.
Olhos nos olhos na pista de dança
Entrelaçamos olhares
Fluindo ao som de um tango.
Um bolero de Ravel ecoa!
Maria Antonieta Oliveira
20-06-2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Vem Ao Meu Encontro
Sigo o caminho que me ensinaste
Aquele onde me encontraste perdida
Sem carinho nem afago
Sem rumo ou destino
Esquecida da vida
Permaneci junto ao mar
Na rocha escalada a pulso
Degradada pelo bater das ondas
Onde me sentia junto ao céu
No horizonte passava o navio
Que te levou de mim para sempre
No mar ficaram tuas cinzas
Também elas perdidas
No marulhar das águas
As flores que te deixei
Continuam à tona beijando as gaivotas
Eu, continuo olhando o infinito
Na espera de te ver chegar
Sonho!
Sonho com a tua imagem
Surgindo das águas
Qual sereia encantada
Ou ninfa naufragada
Sonho!
Vem ao meu encontro, amor!
Maria Antonieta Oliveira
19-06-2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
Bebé
Era Junho
O calor esquentava, no tórrido Alentejo
O pai na venda, depois de um dia de trabalho
A mãe cansada, ansiava o momento
De repente, os gemidos molhados
O pai chamado à pressa
A mãe sofria, gritava, suava
A aparadeira sempre pronta, ajudava
Uma cabecinha surgia
O resto do corpo saia
A menina chorava
A mãe exausta, estafada
Sorria de felicidade
O pai se alegrava
A menina parida
Nascia para a vida.
Maria Antonieta Oliveira
17-06-2014
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Penso-te Ò Rio
Chilreiam os pássaros ao meu redor
As folhas das árvores balouçam suavemente
O sol caminha ao longe
Os carros passam
As pessoas caminham
A cadela adormecida acalorada
olha-me com meiguice no olhar
No jardim, além
avós e netos, brincam unidos
Lá longe,
penso-te ò rio que banhas
as margens do meu ser
Caminho ondulado
onde me perco, me encontro
me sinto e me revejo
Areia escaldante
Que me queima e abrasa
Que me consola e afaga
Que me beija e sacia
o corpo carente de ti.
Penso-te, no azul céu prateado
caminhando lado a lado
na corrente que nos leva e traz
no aconchego da vida por viver.
Penso-te ò rio, lá longe!
Maria Antonieta Oliveira
12-06-2014
segunda-feira, 2 de junho de 2014
O Tempo Não Para
Os ponteiros do relógio rodopiam velozes
As horas apressadas caminham
O tempo não para
Felicitações, abraços e beijos
Alguém nasceu
O tempo não para
Bebidas, noitadas, paródias
A juventude passou
O tempo não para
Pétalas, arroz esvoaçando
Caminhos que se unem no altar
O tempo não para
Filhos, creches, escolas
Trabalho mais trabalho corridas
O tempo não para
Netos risonhos felizes
Avós já sem pressa, mas,
O tempo não para
Tocam os sinos a rebate
Alguém morreu
O tempo não para.
A vida foge na pressa de viver!
E, o tempo não para!
Maria Antonieta Oliveira
02-06-2014
Sons Coloridos
O sol brilha no laço do teu cabelo
O pipilar ecoa no espaço
Teu manto esvoaça
O azul do céu caminha no tempo
A água límpida esverdeada
Corre da bica abandonada
O carro vermelho passa veloz
Chiam, guincham os travões
Acendem-se os lampiões
O verde da floresta frondosa
As rãs coaxam no lago
As ortigas crescem no mato
Miam, ladram, cacarejam
Rosas, lilases, amarelos
Trinam os sinos mais belos
Confundem-se os sons humanos
Com as cores da natureza
Tudo em sintonia e beleza.
Maria Antonieta Oliveira
02-06-2014
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