sexta-feira, 24 de abril de 2015

Era Tarde




Era tarde
A praia deserta apelava ao amor
A maré vazia silenciava o destino
A areia ainda quente, queimava os pés
De quem precisava se ausentar
Partir para um rumo sem fim
As gaivotas voavam baixinho
O vento soprava em suave melodia
Era o fim de mais um dia.

Também para ela
Era o fim de mais uma etapa
Era o fim daquele longo amor proibido
De longos dias na loucura de um beijo
De sonhos e devaneios incontidos
De tantos desejos proibidos
Era o fim de uma vida vivida
Era o fim de uma onda partilhada
Era o fim de tudo

Era tarde
A praia deserta convidava ao sono
O sono profundo do fim do amor
Era tarde!

Maria Antonieta Oliveira
24-04-2015


terça-feira, 21 de abril de 2015

Porque Voltaste





Porque voltaste?
Supostamente já não existias
Nem meus sonhos te sonhavam
Nem meus ouvidos te ouviam
Nem meus olhos te olhavam

Porque voltaste?
Meu coração desgovernado
Outrora bem magoado
Já te tinha esquecido
Eras somente o passado

Porque voltaste?
Contigo tudo voltou
As fotos de outros tempos
Recordações de momentos
Tudo o que já era cinza
Nem brasa apagada já era

Porque voltaste?
Também eu te procurei
E em nenhum lugar te encontrei
Apenas queria saber se eras feliz
Hoje tudo o que sei
É que quero recuar

Recuar e perguntar
Porque voltaste?

Maria Antonieta Oliveira
21-04-2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

No Tédio Dos Meus Dias





No grânulo do tédio dos meus dias
A areia desafia meu caminho
Meus pés quebram espaços
Bolinhas de espuma rebentam
Na onda que chega e que parte

Areias movediças
Pensamentos dispersos
Olhar fixo no firmamento
Além num além distante
Onde nada mais existe

Sôfrega, inspiro o ar que me rodeia
O vento em turbilhão me assola
O mar ruge sentimentos
Batendo nas rochas perdidas
Num vasto e fervoroso sentir

Não digas que não, amor
És tu quem devora meu sangue
És tu quem vagueia à deriva
E me leva nessa avalanche
Nesse mundo perdida
Onde meus pés se afundam.

Sai de mim, desta maré
Entediada de ti, estou
Leva contigo o vento que me sopra
As areias onde me enterro
O mar que não me acoita
Deixa-me, no tédio dos meus dias.

Maria Antonieta Oliveira
20-04-2015








Parei No Sufoco

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Ondas esvoaçam no meu pensamento
Marés bravias de outro tempo
Areias movediças onde escorreguei
E, passei

Passei dias ávidos de ti
Dos teus beijos atrevidos, sem sentido
E, continuei

Continuei vivendo, sofrendo
Na escassez de dias que não chegavam
E, caminhei

Caminhei ao longo dos muros
Transpus obstáculos, esmoreci
E, parei

Parei de chorar num sufoco
Parei de esperar na solidão
E, vivi

Vivi, vivo e viverei
Na paz, no amor que desejei.

Maria Antonieta Oliveira
20-04-2015


domingo, 19 de abril de 2015

Conversa





Datas, memórias, recordações
Pessoas, actos, situações
Conversa!

O som do teu sorriso
Num olhar que não vi
Conversa!

Pais, mães, filhos e netos
Passado volvido em palavras
Conversa!

Nervosismo? Talvez! Algum!
Futuro num incerto almoço
Conversa!

Até amanhã!
Até breve!
Até sempre!

Felicidades!

Maria Antonieta Oliveira
19-04-2015

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Oito Anos





Menino de olhar meigo
Doce, terno, carinhoso
Ternura feita poema
Poema de vida pequena
Oito anos de vida vivida
No lar que Deus te deu

Olhar travesso irrequieto
Menino de doce candura
És um ser superior
És o neto que desejei
Aquele a quem tenho muito amor
Um menino feito luz

Oito anos de sorrisos e lágrimas
De tudo o que um menino sente
Oito anos de amor, muito amor

Adoro-te meu querido Rafito!
Que Deus te proteja sempre!

Maria Antonieta Oliveira
17-04-2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Som da Poesia




Dedilhei palavras, sílabas soltas
Voaram por entre os dedos
No céu azul de sonhos cantado

Libertei-as de amarras

Dei-lhes voz e sentimento
Dei-lhes som e movimento

Deixei-as cantar à lua
Ouvindo o murmurar do amor
Deixei-as cantar ao sol
Ouvindo a marulhar das ondas
Deixei-as cantar ao vento
Ouvindo suspiros e lamentos

Deixei-as soltas cantar
Soletraram palavras de louvor

Cantaram
E ao som de seu cante
Surgiu um poema de amor

Maria Antonieta Oliveira
15-04-2015


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Dormitas




Dormitas!
Intranquilamente dormitas!
E eu,
Olho para ti, menino grande na ânsia de te ver sorrir
Sorrir para mim
Com a satisfação de quem tem o amor a seu lado
E eu estou!
Estou sempre contigo, amor
Dou-te o que tenho sorrindo
Mesmo que o meu coração chore em silêncio

E tu, dormitas!
Nos sonhos inconstantes de quem sonha sofrendo
Dormitas!
Na Fé de quem crê que Deus é o Salvador
E te protegerá em todo o momento
Livrando-te deste rebelde sofrimento

Dormitas!
Acordas!
Sorris!
E eu,
Olho-te sorrindo com amor!

Maria Antonieta Oliveira
10-04-2015

Há Treze Anos




Era sábado
O sol brilhava num calor primaveril
Uma orquídea lembrava o teu aniversário
Num lugar inóspito que seria a tua ultima casa

Sorriste!
Sorriste feliz ao veres-te rodeada de amor
Talvez tenha sido o teu último sorriso feliz
Mas era o teu aniversário, mais um, o último

Hoje,
Recordo com saudade esse dia já longínquo
Esse sorriso feliz, esse olhar, esse jeito de ser
Ah, se eu pudesse voltar atrás!

Saudades de ti, minha mãe!

Maria Antonieta Oliveira
13-04-2015
(Faria hoje 90 anos)



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Fome de Nós





Tenho fome
Fome de ti e de mim
Do tempo em que passeávamos de mão na mão
Pelos campos de pinheiros e eucaliptos
Pelas terras de areia pinhas e folhas caídas

Tenho fome
Fome de ti e de mim
Do tempo em que passeávamos lado a lado
À beira rio ou mar de águas cristalinas
Naquela praia que sempre nos acolheu

Tenho fome
Fome de ti e de mim
Do tempo em que passeávamos os dois
Nos caminhos que Deus nos deu
Para juntos partilharmos a vida

Tenho fome
Fome de ti e de mim
De nós nos tempos idos vividos
Com saúde, com vida, sem lamentos
De nós, nós noutros tempos.

Maria Antonieta Oliveira
08-04-2015

terça-feira, 10 de março de 2015

Ele Não Merece




Não perguntei porquê.
Não me revoltei contra ninguém.

Chorei e gritei de amargura
Ele não merece!
Ele não merece!
E as lágrimas cruzavam a tristeza
E o coração chorava.
E eu esbracejava e de novo gritava
Não!
Não!
Oh minha Mãe do Céu, ajudai-o!
Ele não merece!

Queria calar a dor sentida
Queria fugir àquele momento da vida
Queria ter outros poderes
Queria…
Queria…
E as lágrimas soltavam-se caindo
E eu gritava cada vez mais alto.
Oh minha Santa Mãe do Céu!
Gritei!
Chorei!

Falei comigo e com Deus
Com os anjos protectores
Com a nossa Santa Mãe
Desabafei com todos
Escutaram-me e serenaram o meu sentir
Enxugaram as minhas lágrimas
Deram-me Fé e esperança
E eu confiei!
E eu espero!
Um amanhã como o ontem já passado.

Não perguntei porquê!
Não me revoltei contra ninguém!
Mas sofri e sofro
Porque,
Ele não merece!


Maria Antonieta Oliveira
10-03-2015



sábado, 7 de março de 2015

A Vida Continua







A vida muda num ápice
Cada degrau
É cada vez mais difícil de subir
Por outro lado
Cada degrau subido
É uma vitória alcançada

Cada dia
É mais um dia vivido
Cada sorriso
É mais um momento feliz
Cada passo mais largo
É mais um passo em frente rumo à vitória

E a vida continua
Na paz, no amor, na felicidade
Na alegria de cada etapa ultrapassada

A vida continua
Contigo meu amor!

Maria Antonieta Oliveira
07-03-2015

quinta-feira, 5 de março de 2015

Crueldade






Quem és tu, malvada, traidora?
Qual é o teu o teu nome?
Odeio-te sem ódio nem rancor

Lágrimas de sangue sofrimento e dor
Crueldade tua, atraíres quem não merece
Qualquer incauto distraído cai na tua esparrela
Acoita-te, alimenta-te, dá-te vida
E tu, qual árvore no jardim
Vais-te ramificando… crescendo…
Subindo e descendo
Qual rio rastejando pelos montes e riachos
Rumo ao mar sem fundo, sem mundo
Outro mundo!

Parte!
Parte para bem longe do meu ser
Do meu sofrer
Do meu viver
Do meu amar

Parte!
Afasta-te da minha felicidade
Não quero viver esta tua realidade!

Maria Antonieta Oliveira
05-03-2015


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Sorrisos Disfarçados





Sorrisos disfarçados
De lágrimas perdidas nos corações sofridos

Sorrisos disfarçados
Na angústia dos dias que passam sem pressa
Na pressa de querer soluções, resoluções
Na pressa de te querer de novo um guerreiro
Sem garras, sem pressas, sem desvios

Sorrisos disfarçados
Entre tantos disfarces da vida

Vida que não superamos
Vida que não é nossa
Nunca foi nossa
Nunca será nossa
Vida que nos trai
Quando menos esperamos

Sorrisos disfarçados
De lágrimas perdidas nos corações sofridos!


Maria Antonieta Oliveira
22-02-2015



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Contradições




Este sol que me aperta o coração
É aquele que me liberta a mente
Este rio que em tormenta busca o mar
É aquele que corre tranquilo junto à foz
Esta areia revolta, remexida
É aquela serena que meus pés pisam.

Esta revolta incontida em mim
É a paz que preciso para viver
É a revolta de quem se sente impotente
É a revolta da luta sem sucesso
É a revolta de querer ser, sem ser gente.

E a paz
É a paz que te quero dar
É a paz que te quero transmitir
É a paz dos meus pés desnudos
caminhando na areia serena
na margem do rio tranquilo
rumo ao mar!


Maria Antonieta Oliveira
25-01-2015



Nossa Senhora



Confio em ti!

Esse teu olhar sereno
Serena a minha alma

Confio em ti!

Confio na paz que emanas
No teu carinho materno
No teu coração de Santa.

Confio!

Olho esse Teu rosto abençoado
E rogo-te perdão
Egoisticamente, rogo-te muito mais
Saúde, paz, pão
Amor, alegria, felicidade
Rogo-te minha Santa Mãe
Que toda a humanidade
Seja una na Paz do Senhor!

Confio!

Maria Antonieta Oliveira
25-01-2015






















terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O Sol Sorrirá





Amanhã, vamos renascer.

O sol vai sorrir
mesmo que teimosamente
as nuvens queiram chorar.
A lua cheia brilhará no céu nocturno
As estrelas formaram vias lácteas
onde Caminharemos lado a lado,
mão na mão
em busca da felicidade.

Unidos como sempre estivemos
Com o ontem esquecido
E, o amanhã por vir.

Amanhã, vamos renascer!

Maria Antonieta Oliveira
22-01-2015





O Nosso Café




Ouço-te
No sabor deste café

Dizes-me o que não dizes
Apenas pensas

Leio o teu olhar fixo no meu
Sinto o teu sentir
Sofro o teu sofrimento
E nada digo
Apenas penso.

Quero encontrar-te em mim
Quero encontrar-me me ti
E sem nada dizermos
Apaziguarmos nossas mágoas
Darmos as mãos em amizade
E saborearmos o calor deste café.

Maria Antonieta Oliveira
22-01-2015












A Tua Almofada




Naquela almofada
Onde a andorinha se deitava
E a papoila pousava,
Reina agora a alegria
Da primavera a chegar.
É o cheirinho da alfazema
Entrando pela janela daquele quarto
É o cheiro da rosa a florir
Do cravo e do jasmim
É o cheiro da erva miúda
Da grama, da rama, da hortelã do jardim.

E,
Naquela almofada
Voltou a andorinha
E a papoila pousou

Naquela almofada
Tua cabecinha voltou
E a alegria reinou.


Maria Antonieta Oliveira
22-01-2015

Quero Ver o Mar





Quero ir ver o mar
Preciso do seu marulhar
Da espuma espraiando-se na areia
Do batuque ondulado no rochedo
Doa pés descalços na areia molhada
Das conchas esquecidas pela onda que foi.

Quero ir ver o mar
Ver o reluzir do sol na escuridão do luar
As sombras das gaivotas esvoaçantes na dança da vida
Do vai e vem
Do som que parte
Do sorriso que se afasta
Do mundo que se perde

Quero ir ver o mar
Quero-me libertar!

Maria Antonieta Oliveira
22-01-2015



Fora de Rotina




Numa rotina rotineira
Dilacerante e brusca
Onde tudo muda
E o mundo se desmorona
Me sinto perdida sem rumo.

O tecto desabou
O chão ruiu
Meu ser nublou
Meu coração parou
E eu,
Me sinto perdida sem rumo.

De um momento
Num momento apenas
E a vida se perde no caminho
Nesse caminho faço a minha prece
Suplico soluções, resoluções
Ajoelho perdões e pecados
Nesse momento a Fé é redobrada
Minha prece é ouvida
E o meu rumo é de novo encontrado

Vou voltar à minha rotina rotineira
Sem dor
Com muito mais amor
Com muito mais Fé e esperança!


Maria Antonieta Oliveira
22-01-2015

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Ajudai




Incompetência!
Incoerência!
Revolta!

Saúde acima de tudo!
Paz!

Nada sabem afinal.
Incompetência!
Revolta!

O tempo passa rápido na dor de quem sofre.
Será que o tempo ainda tem tempo?!

Meu Deus, dai tempo, muito tempo.
Dai competência e coerência para quem sabe, saber.
Dai de volta a saúde perdida algures no caminho da vida
Dai de novo um sorriso, um olhar de felicidade.

Meu Deus, ajudai o grande amor da minha vida!

Obrigada, meu Deus!

Maria Antonieta Oliveira
09-01-2015





sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Primeiro Dia de 2015





Um beijo, um olhar, um sorriso
Passas de uva nas mãos
Desejos trocados
nos beijos, nos olhares, nos sorrisos

Viagem

Corridas, olhares
Beijos, abraços, sorrisos
Avó vem ver
Avó vem ver
Aqui no meu quarto
No meuuuuuuuuu

Sorrisos rasgados, felizes

Almoço recheado, bem regado
Doces apetitosos, saborosos
Conversa animada
Família bem comportada
Finaliza com um café

Eu vou ver um filme
Eu não, vou jogar com a avó
Todos se arrumam
O tempo passa

Beijos, abraços, sorrisos
Miminhos felizes

Maria Antonieta Oliveira
01-01-2015







quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Um Novo Caminho





Quero começar um novo caminho
Rasgar trapos velhos
Partir copos de cristal
Destruir sonhos quebrados
Esventrar corações destroçados
Trilhar caminhos rasgados

Quero começar um novo caminho
Criar raízes noutros mundos
Folhear livros esquecidos
Ler romances proibidos
Aprender com a lua e o sol
Com o mar e areia, desenlear minha teia

Quero começar um novo caminho
Quero paz, saúde a carinho
Quero amor e tranquilidade
Quero palavras sábias
Quero saber dar e receber
Quero caminhar e viver.

Quero começar um novo caminho
Num mundo de paz e amor!
Quero continuar a ter Fé e esperança
Em Deus nosso Senhor!

Maria Antonieta Oliveira
31-12-2014




domingo, 28 de dezembro de 2014

Choro

CHORO


No meu coração chovem lágrimas de dor
Lá fora, chovem as nuvens no céu levadas

Choro!
Nem sei porque choro, mas choro
O meu coração partido, dorido, sofrido
Pela dor e sofrimento que me rodeia
As dores do amor, do corpo e da alma
As dores do tempo que se esvai
As dores daqueles que partem e não voltam mais
As dores de querer, de ter, de viver e sentir
As dores que meus olhos choram.

Choro!
Sem querer, quase não penso em Ti
Penso, sim penso!
Mas é tão vago o meu pensamento
Rogo-Te sem rezar
Peço-Te sem antes Te agradecer
Quero, quase exijo, e nada Te dou em troca

Creio!
Creio em Ti Senhor!
Creio!
Creio em ti minha Santa Mãe!
Creio!
Nada abala a minha Fé!

Amanhã, não chorarei!
Amanhã meu coração estará radioso
E lá fora, as nuvens passaram deixando no ar um aroma feliz.

Amanhã não quero sentir deslizar no meu rosto
Lágrimas do sofrimento sentido

Não quero!
Não quero!
Mas choro!

Maria Antonieta Oliveira
28-12-2014






quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Vida Fugaz





Ontem, eras um jovem petiz
Enamorado

Enamorado pelo amor que sentias
Pela vida que querias
Por tudo o que fazias
Sem pensares que o tempo passa
A vida esvoaça
A dor afugenta a felicidade
A saúde, a alegria

E, num momento
Tudo parece um tormento
A vida é sofrimento
O tempo é fugaz
Voa dilacerando os ventos
Corações destroçados
Caminhos aniquilados
E tudo se perde.

Vive o hoje que é hoje
Vive o presente que é presente
Vive a felicidade do momento!

Maria Antonieta Oliveira
24-12-2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

Inocência de Menino





Pezinhos descalços
caminham pela casa adormecida
Um sorriso matreiro
ilumina a carinha risonha do menino
Caminha devagar na pressa de encontrar
o pai Natal distraído, de sacola às costas.
Inocência de menino feliz.

O homem das barbas brancas
trará o carro vermelho do Nody
e a gasolineira amarela
Vai trazer também aquele Lego
que estava na montra e o menino pediu
O homem de vermelho sabe os desejos
E vai realizá-los.

Os pezinhos caminham já frios
na esperança do sonho imaginado
Mas o homem da sacola já partiu
ou será que ainda não chegou?!
A árvore de Natal continua sozinha
até as luzes estão apagadas
O menino triste chora
Os passinhos de regresso ao quarto
são lentos.
Inocência de menino infeliz.

Maria Antonieta Oliveira
15-10-2014






Mesa de Natal




A toalha vermelha, bordada com folhas de azevinho
cai sobriamente na mesa da sala
Os pratos debruados a dourado
estão postos a rigor, defronte das cadeiras forradas a cetim
Os talheres harmonizam-se nos devidos lugares
Também os copos se alinham um a um
Tudo está pronto

Na mesa de apoio, os olhares rejubilam
As azevias, o arroz doce, as filhoses, a trouxa-de-ovos
O bolo-rei também não pode faltar
E os bombons e os bonecos de chocolate lá estão.
Muitos doces e gelatinas, para adoçar as bocas.

Ao lado, a mesa dos vinhos
Os tintos e os brancos do Alentejo
O champanhe e os licores
Os sumos naturais, para a criançada
Até o jarro de água está presente
Nada falta, tudo a rigor.

A travessa com o peru é posta no centro da mesa
Outra, tem o arroz dourado no forno
E mais uma com batata assada, em cubos
A taça de vidro, está colorida com uma salada de legumes
O pão partido em fatias, num cesto de linho bordado.

Cada um se senta no lugar do costume
já o sabem de cor, é sempre o mesmo
Todos os natais são iguais,
a família se reúne em cada ano
é mais um dia de Natal.

Maria Antonieta Oliveira
15-10-2014






O Calor da Amizade






Há olhares que se cruzam
Nos dizeres do sentimento
Há abraços que se dão
Nos sentires da amizade
Há palavras sem dizeres
Na magia de um sorriso

Há momentos
Tão só momentos
Em que os corações se abrem
Dizem do sofrimento
Soltam o triste lamento
De palavras magoadas
Sofridas dilatadas
Nas artérias percorridas
Do sangue, da lágrima
Da vida louca vivida

Nos olhares
Nos abraços
No calor da amizade
Encontro rumo para continuar

Vós, amizades
Sois a minha força
A força que me dá fé
Esperança e vontade
Vós sois
O carinho da amizade.

Maria Antonieta Oliveira
21-12-2014

Um Santo e feliz Natal

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Amizade





Amizade não se procura, encontra-se

Caminhando na areia escondida
Entre passadas no tempo
Surgem miragens na vida
Imagens de gentes
Caminhando ao nosso lado
Lado a lado
Passo a passo
O mesmo caminho

O tempo percorre apressado
Levando o nosso tempo
O tempo da vida correndo
E nós correndo no tempo
O tempo… esvai-se

Embora a caminhada se perca da gente
E a gente se perca no caminho percorrido
O caminho nos cruza na esquina da vida
Um sorriso, um olá, um bom dia
E, voltamos a caminhar no mesmo trilho
Lado a lado
Passo a passo
O mesmo destino

Porque,
A amizade não se procura, encontra-se!


Maria Antonieta Oliveira
07-11-2014