domingo, 31 de maio de 2015

Desabafo





Não consigo descrever o que sinto
Um misto de tanta coisa
Tristeza sofrimento e dor
Fé esperança e amor

Sem que queiramos a vida prega-nos partidas
Quando pensamos num amanhã bem melhor
Vem um vento atroz que tudo devasta
Um furacão que tudo arrasta
E o nosso mundo desmorona-se
Tudo se esvai de um momento para o outro
O que parecia estar seguro, perde-se
A saúde, essa incógnita desprezada
Faz-nos acordar tarde demais
A seguir vêm os gritos de revolta
Os ais doridos, sofridos e sentidos

Como é possível isto acontecer?!
E logo comigo, porquê?
Perguntas sem resposta plausível
Sem que queiramos as lágrimas caem
As forças perdem-se
A mente desiste de ser forte
As palavras já gastas perdem-se
O coração fraqueja nas batidas
Os sonhos por nós sonhados
Estão totalmente parados
Tudo em nós está desnorteado

Meu Deus suplico-Vos, aliviai nossas vidas
Aliviai nossas dores, nossas lágrimas sofridas
Nossas tensões e temores
Dai-nos de novo a paz merecida.

Maria Antonieta Oliveira
31-05-2015



sábado, 30 de maio de 2015

Se




Se
O tempo tivesse parado no tempo
Se eu tivesse esperado um tempo

Se
Tu tivesses pensado um tempo
Se não fizesses passar o meu tempo

Se
Tivéssemos falado mais tempo
E me dissesses do teu tempo

Se
Eu tivesse acreditado no tempo
Em que estiveste longe no tempo

Se
Houvesse lealdade nesse tempo
E tivéssemos acreditado no tempo

Se
O ontem fosse neste tempo
O hoje seria um outro tempo

Se
A felicidade deste tempo
Fosse a felicidade no outro tempo
Não haveriam tantos ses
E hoje,
Faríamos parte do mesmo tempo.

Maria Antonieta Oliveira
30-05-2015

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Mãe





Se hoje, fosse ontem, amanhã seria diferente

Abraçava-te com mais ardor
Beijava-te com mais fulgor
Amava-te com mais amor.

Treze anos de muita saudade, mãe!

Maria Antonieta Oliveira
28-05-2015

terça-feira, 26 de maio de 2015

A Minha Sombra






Não procures a minha sombra
Nas sombras do mundo
Aí, não me encontras

Não procures a minha sombra
No fundo do mar
Eu, não sei nadar

Não procures a minha sombra
Na floresta esquecida
Aí, já me encontrei perdida

Não procures a minha sombra
Nas sombras de mim
Meu rumo é sem fim

Não procures minha sombra
Nas margens desvaladas do rio
Onde passam meus sentires

De ódio,
Raiva
Ou paixão
De dor,
Alegria
Ou revolta
De sonho,
De magia
Ou esperança
De palavras,
Poemas
Ou frases
De calma,
Fulgor
Ou amor

Não procures a minha sombra
Nas sombras nefastas
Da vida vivida

Não procures a minha sombra
Procura-me a mim!

Maria Antonieta Oliveira
26-05-2015



segunda-feira, 25 de maio de 2015

Quero Ser Eu





Deixa-me libertar
Voar nas asas do vento
Deixa-me sonhar
Deixa-me viver
O pouco que me resta
A morte aproxima-se
Quero esconder-me
Fugir
Sair

Não me prendas
Não me soltes
Deixa-me apenas ser eu

As rugas chegaram
E eu não vivi
Não escalei montanhas
Não voei nos céus do mundo
Não nadei nos mares sem fundo
E agora é tarde
Tarde demais para viver
Sonhar
Realizar

Não me prendas
Não me soltes
Deixa-me ser eu

Maria Antonieta Oliveira
25-05-2015

domingo, 24 de maio de 2015

Despes As Vestes À Lua





Despes as vestes à lua

Despes as vestes
Desnudas-te por amor e ódio
Sem pudor caminhas entre ventos e marés
Abres-te ao sol no rio da vida
Pegadas soltas na roupa perdida

Soltas risadas estridentes
Sem pudor, sem amor te entregas
Qual mulher perdida esquecida da vida
Nos ais e gritos volvidos
Soltas as amarras de outros tempos

As pétalas de orvalho caem de manso
Tua face lívida e molhada perde-se na estrada
Caminhas despida de sentimentos
Teus pés pisam tormentos
Desnuda de tudo o que é sentires
Gritas bem alto à lua

O sol brilha no amanhecer do dia
Desnuda no acordar risonho
Despertas de um longo sonho
Adormecido no sono do tempo
Num olhar ao calor do sol
Gritas os gritos do amor.

Desnuda
Despes as vestes à lua!

Maria Antonieta Oliveira
24-05-2015






Abri A Janela Ao Vento






Abri a janela ao vento
Deixei-me levar
E, num repente
Vi-me num outro tempo
Éramos ainda quase crianças
Tu e eu de mãos dadas
Num vertiginoso galopar
Queríamos o mundo
Cada um para seu lado
O teu mundo tresloucado
O meu mais sossegado

Tudo nos unia e separava
Tu fugias, eu te amava
Tu aparecias, eu te queria
Meu coração preenchias
E eu esperava
Contava dias e noites
Chorava lágrimas de saudade
De raiva e de tristeza
Meu coração sofria, doía
E tu te pavoneavas
Com outras andavas
Por outros mundos do mundo

O pano caiu
O palco se apagou
O romance acabou
Tudo ruiu

Hoje,
Tantos anos depois
Desafias os meus sentires
Regressando ao passado
Recordando nossos momentos
Passeando noutros tempos
Revivendo sentimentos
E meu coração já cansado
Bate de novo apressado
Sem que eu queira
Bate à sua maneira

O pano se abriu
O palco se iluminou
O romance onde ficou!?
No tempo que não passou!

Maria Antonieta Oliveira
24-05-2015





sábado, 23 de maio de 2015

O Silêncio Que Me Persegue





Há um silêncio que me persegue
Quando penso em ti
O que nos falta dizer?
O que nos falta fazer?
Não ouço o teu respirar
Nem o som do teu olhar

Tudo à minha volta é silêncio
O vento lá fora abrandou
Os cães vadios adormeceram
Os melros e as andorinhas
Recolheram ao seu poiso
E eu, penso em ti

Neste silêncio que me persegue
Tento entender-me e não consigo
Acordo sem ter dormido
E durmo sem acordar
Os sons misturam-se em mim
Miscelâneas coloridas

Este silêncio que me persegue
Quando penso em ti!

Maria Antonieta Oliveira
22-05-2015








sexta-feira, 15 de maio de 2015

Pedras Soltas






Pedras soltas
Trilhei-as no caminho
Calquei-as a cada degrau escalado
Polidas e escorregadias
Tornando o caminho penoso
Passei-as palmo a palmo
Em cada uma escorreguei
Em cada uma me levantei
E continuei o caminho

Pedras soltas
Trilhei-as no caminho
Cansada na subida descansei
As pedras lisas pelo tempo
Deslizaram sob mim
Cansada mas não vencida
Ergui o corpo e a alma
Levantei meu olhar ao céu
E cheguei ao topo da vida

Venci!

Pedras soltas
Trilhei-as no caminho!

Maria Antonieta Oliveira
15-05-2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sou Tua




A noite adormeceu
No sol fugitivo
Eu fechei os olhos à lua
Sou tua

Adormecida nos teus braços
Sonhei
Sorrindo no sonho
Acordei
Vi-me no solar do bosque
Contigo, em ti
Amei

Perdida no tempo do sol
Perdi-me
No calor do nosso amor
Encontrei-me
E rolei pelos campos verdes
E pisei as areias das águas
E amei-te

A lua acordou
A noite fugiu
Abri os olhos ao sol
Sorri feliz
Sou tua

Maria Antonieta Oliveira
14-04-2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sempre






Quero ir numa jangada
Partir contigo em debandada
Pelo rio do meu sentir
Quero sentir uma lufada
De ar fresco na madrugada
Do amanhã que está por vir

Quero ser tua sereia
Numa noite de lua cheia
No sabor do madrugar
Quero enlear em tua teia
Enroscar-me na areia
Num doce despertar

Quero ir longe contigo
Recolher-me num abrigo
E ficar eternamente
Quero ser teu ombro amigo
No caminho onde prossigo
E amar-te para sempre.

Maria Antonieta Oliveira
13-05-2015




sábado, 9 de maio de 2015

O Meu Rio




Muitos, muitos meses depois
Fui visitar o meu Tejo
Sorri-lhe
E ele sorriu para mim
Seu brilho ofuscou o meu olhar
O sal do meu rio, escorreu pela minha face
E o cheiro,
O cheiro, não tenho palavras para o descrever
Encheu-me os pulmões e a alma
Respirei bem fundo aquele doce-salgado aroma

Passo a passo vi gaivotas, cacilheiros e navios
Vi turistas encantados e felizes
Vi petizes correndo e saltitando nas areias descobertas
Vi olhares que se cruzavam no sol espelhado
Pelas águas do meu rio que me saudava

Insisti no olhar saudoso
Revi-me no espelho das suas águas
Inspirei de novo o seu perfume doce-salgado
Acenei-lhe com a mão caída de tristeza
Um até já, um até logo, um até sempre

Até sempre meu Tejo lindo!

Maria Antonieta Oliveira
09-05-2015




quarta-feira, 6 de maio de 2015

Não Te Revejo




Não te revejo nas fotos que vejo
Nem nas palavras sibiladas que de ti ouço

Um sorriso franco e aberto
A gargalhada fácil, tua
Que me desperta os sentires
De outros tempos vividos
De outros tempos esquecidos
Mas não te revejo nas fotos que vejo

Falamos dos mesmos falares
Recordamos os mesmos momentos
Lembramos os mesmos dilemas
Partilhamos os mesmos locais
Rimos dos mesmos sorrisos
Mas não te revejo nas fotos que vejo


Naquel’outras do século passado
Aí, sim!
Revejo-te nas fotos que vejo!

Maria Antonieta Oliveira
06-05-2015





segunda-feira, 4 de maio de 2015

Aguardo-te





Porque me tremem as mãos?
Quererão escrever palavras de amor?
Porque estarei nervosa?
Desejarei ouvir tua voz?

De mãos trémulas escrevo o que sinto
O que recordo, o que pressinto
O que ouço, o que penso
O que quero, o que não quero

As mãos tremem
O coração palpita demais
A mente não pára
Ouço sem ouvir

Porque me sinto assim?
Porque penso em ti?
Porque? Porque?
Tantas e tantas dúvidas.

E o telefone não toca!

Maria Antonieta Oliveira
04-05-2015

sábado, 2 de maio de 2015

Dia da Mãe





Porque será que dizem que é dia da mãe?
Tu, sempre foste e serás a minha mãe todos os dias

Todos os dias ficavas acordada quando eu adoecia
Todos os dias me acoitavas no teu colo meigo
Todos os dias me acarinhavas e beijavas com amor
Todos os dias trabalhavas para que nada me faltasse
Todos os dias tu estavas quando eu precisava
Todos os dias em todos os dias, foste minha mãe

Porque será que dizem, que só há um dia no ano em que és minha mãe?
Tu que sempre foste e serás minha mãe todos os dias.

Eras tu que me ajudavas a adormecer
Eras tu que me davas o comer à boca quando adoecia
Eras tu que rezavas a Deus por mim
Eras tu que me acompanhavas à escola
Eras tu que fazias os meus vestidos e me punhas bonita
Eras tu, és tu que continuas na minha vida

Dizem que hoje é dia da mãe!
Mentira!
Todos os dias são dias da MÃE!

Maria Antonieta Oliveira
03-05-2015

Mãe





Era Dezembro
E em todos os dezembros
Eu te ofertava uma flor
A flor do amor que não te dava

Ano após ano
O dia oito chegava
Em mais um Dezembro
Era o dia da MÃE

Dia da Imaculada Conceição
Dia da Mãe de Jesus
Dia de todas as mães do mundo

Era Dezembro
E eu via o teu olhar sorrir
E num beijo adocicado
Me dizias obrigada

Ano após ano
Até ao ano em que partiste
No dia oito de Dezembro
Te ofertava uma flor

E tu,
Sorrindo para mim
Me beijavas com amor

Era o teu dia, minha mãe
O dia de todas as mães
O dia da Mãe de Jesus.

Maria Antonieta Oliveira
03-05-2015

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Olha-me Nos Olhos






Olha-me nos olhos
E diz que já me esqueceste.
Que esqueceste os nossos encontros secretos
Como secretos são os sonhos por sonhar
Aqueles pendurados no sono da lua

Olha-me nos olhos
E diz que não perdeste
Que perdeste tudo o que nos ligava
Como a lua e o sol se ligam no amanhecer
E as nuvens se tocam até chover.

Olha-me nos olhos
E diz que nunca me amaste
Que amaste a boca e o corpo que adulavas
Num dia de vendaval em que o arvoredo
Se perdeu na floresta perdida.

Olha-me nos olhos
E diz

Diz tudo o que quiseres e sentires
Que eu nunca acreditarei em ti!

Maria Antonieta Oliveira
01-05-2015


domingo, 26 de abril de 2015

Flor do Jardim





Dei-te uma rosa
Pediste-me um cravo
Dei-te uma tulipa
Querias uma açucena
Dei-te todas as flores do meu jardim
Uma a uma tu negaste
O que querias de mim, afinal?
Talvez um ramo de jasmim!

Vem, escolhe tu a flor
Vem, entrega-te a mim, amor
Vem!
Vem adornar os meus canteiros
Vem ser a mais linda flor do meu jardim.
Vem!
Vem!

Maria Antonieta Oliveira
26-04-2015

Fujo de Ti





Qual gazela assustada
Subo a calçada de corrida
Fujo de ti

Dos amores e desamores
Que por ti vivi
Dos podres e ilusões
Que de ti aprendi
Dos meses passados em vão
Dos sonhos caídos no chão

Tudo por ti
Tudo de ti

Falsa juventude eu tive
Falsa adolescência eu vivi
Enganos e desenganos
Traições e desilusões
Palavras e perdões
Falsa vida eu vivi

Tudo por ti
Tudo de ti

Qual gazela assustada
Subo a calçada de corrida
Fujo de ti

Maria Antonieta Oliveira
26-04-2015

No Cimo do Monte




Espera por mim no cimo do monte
Vai adiante com passo apressado
Leva flores p’ra me ofertares
Leva amores para me dares
Leva teu sorriso matreiro
Aquele que também é traiçoeiro
Leva teu olhar de menino travesso
Leva os beijos que não me deste
Os abraços por me dar
As carícias por acabar
Leva tudo o que me deves
Carinho, ternura, paz e tranquilidade
Leva amor para me dares felicidade

Lá no cimo do monte espera por mim
Que um dia chegarei perto de ti.

Maria Antonieta Oliveira
26-04-2015


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Era Tarde




Era tarde
A praia deserta apelava ao amor
A maré vazia silenciava o destino
A areia ainda quente, queimava os pés
De quem precisava se ausentar
Partir para um rumo sem fim
As gaivotas voavam baixinho
O vento soprava em suave melodia
Era o fim de mais um dia.

Também para ela
Era o fim de mais uma etapa
Era o fim daquele longo amor proibido
De longos dias na loucura de um beijo
De sonhos e devaneios incontidos
De tantos desejos proibidos
Era o fim de uma vida vivida
Era o fim de uma onda partilhada
Era o fim de tudo

Era tarde
A praia deserta convidava ao sono
O sono profundo do fim do amor
Era tarde!

Maria Antonieta Oliveira
24-04-2015


terça-feira, 21 de abril de 2015

Porque Voltaste





Porque voltaste?
Supostamente já não existias
Nem meus sonhos te sonhavam
Nem meus ouvidos te ouviam
Nem meus olhos te olhavam

Porque voltaste?
Meu coração desgovernado
Outrora bem magoado
Já te tinha esquecido
Eras somente o passado

Porque voltaste?
Contigo tudo voltou
As fotos de outros tempos
Recordações de momentos
Tudo o que já era cinza
Nem brasa apagada já era

Porque voltaste?
Também eu te procurei
E em nenhum lugar te encontrei
Apenas queria saber se eras feliz
Hoje tudo o que sei
É que quero recuar

Recuar e perguntar
Porque voltaste?

Maria Antonieta Oliveira
21-04-2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

No Tédio Dos Meus Dias





No grânulo do tédio dos meus dias
A areia desafia meu caminho
Meus pés quebram espaços
Bolinhas de espuma rebentam
Na onda que chega e que parte

Areias movediças
Pensamentos dispersos
Olhar fixo no firmamento
Além num além distante
Onde nada mais existe

Sôfrega, inspiro o ar que me rodeia
O vento em turbilhão me assola
O mar ruge sentimentos
Batendo nas rochas perdidas
Num vasto e fervoroso sentir

Não digas que não, amor
És tu quem devora meu sangue
És tu quem vagueia à deriva
E me leva nessa avalanche
Nesse mundo perdida
Onde meus pés se afundam.

Sai de mim, desta maré
Entediada de ti, estou
Leva contigo o vento que me sopra
As areias onde me enterro
O mar que não me acoita
Deixa-me, no tédio dos meus dias.

Maria Antonieta Oliveira
20-04-2015








Parei No Sufoco

<



Ondas esvoaçam no meu pensamento
Marés bravias de outro tempo
Areias movediças onde escorreguei
E, passei

Passei dias ávidos de ti
Dos teus beijos atrevidos, sem sentido
E, continuei

Continuei vivendo, sofrendo
Na escassez de dias que não chegavam
E, caminhei

Caminhei ao longo dos muros
Transpus obstáculos, esmoreci
E, parei

Parei de chorar num sufoco
Parei de esperar na solidão
E, vivi

Vivi, vivo e viverei
Na paz, no amor que desejei.

Maria Antonieta Oliveira
20-04-2015


domingo, 19 de abril de 2015

Conversa





Datas, memórias, recordações
Pessoas, actos, situações
Conversa!

O som do teu sorriso
Num olhar que não vi
Conversa!

Pais, mães, filhos e netos
Passado volvido em palavras
Conversa!

Nervosismo? Talvez! Algum!
Futuro num incerto almoço
Conversa!

Até amanhã!
Até breve!
Até sempre!

Felicidades!

Maria Antonieta Oliveira
19-04-2015

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Oito Anos





Menino de olhar meigo
Doce, terno, carinhoso
Ternura feita poema
Poema de vida pequena
Oito anos de vida vivida
No lar que Deus te deu

Olhar travesso irrequieto
Menino de doce candura
És um ser superior
És o neto que desejei
Aquele a quem tenho muito amor
Um menino feito luz

Oito anos de sorrisos e lágrimas
De tudo o que um menino sente
Oito anos de amor, muito amor

Adoro-te meu querido Rafito!
Que Deus te proteja sempre!

Maria Antonieta Oliveira
17-04-2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Som da Poesia




Dedilhei palavras, sílabas soltas
Voaram por entre os dedos
No céu azul de sonhos cantado

Libertei-as de amarras

Dei-lhes voz e sentimento
Dei-lhes som e movimento

Deixei-as cantar à lua
Ouvindo o murmurar do amor
Deixei-as cantar ao sol
Ouvindo a marulhar das ondas
Deixei-as cantar ao vento
Ouvindo suspiros e lamentos

Deixei-as soltas cantar
Soletraram palavras de louvor

Cantaram
E ao som de seu cante
Surgiu um poema de amor

Maria Antonieta Oliveira
15-04-2015


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Dormitas




Dormitas!
Intranquilamente dormitas!
E eu,
Olho para ti, menino grande na ânsia de te ver sorrir
Sorrir para mim
Com a satisfação de quem tem o amor a seu lado
E eu estou!
Estou sempre contigo, amor
Dou-te o que tenho sorrindo
Mesmo que o meu coração chore em silêncio

E tu, dormitas!
Nos sonhos inconstantes de quem sonha sofrendo
Dormitas!
Na Fé de quem crê que Deus é o Salvador
E te protegerá em todo o momento
Livrando-te deste rebelde sofrimento

Dormitas!
Acordas!
Sorris!
E eu,
Olho-te sorrindo com amor!

Maria Antonieta Oliveira
10-04-2015

Há Treze Anos




Era sábado
O sol brilhava num calor primaveril
Uma orquídea lembrava o teu aniversário
Num lugar inóspito que seria a tua ultima casa

Sorriste!
Sorriste feliz ao veres-te rodeada de amor
Talvez tenha sido o teu último sorriso feliz
Mas era o teu aniversário, mais um, o último

Hoje,
Recordo com saudade esse dia já longínquo
Esse sorriso feliz, esse olhar, esse jeito de ser
Ah, se eu pudesse voltar atrás!

Saudades de ti, minha mãe!

Maria Antonieta Oliveira
13-04-2015
(Faria hoje 90 anos)



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Fome de Nós





Tenho fome
Fome de ti e de mim
Do tempo em que passeávamos de mão na mão
Pelos campos de pinheiros e eucaliptos
Pelas terras de areia pinhas e folhas caídas

Tenho fome
Fome de ti e de mim
Do tempo em que passeávamos lado a lado
À beira rio ou mar de águas cristalinas
Naquela praia que sempre nos acolheu

Tenho fome
Fome de ti e de mim
Do tempo em que passeávamos os dois
Nos caminhos que Deus nos deu
Para juntos partilharmos a vida

Tenho fome
Fome de ti e de mim
De nós nos tempos idos vividos
Com saúde, com vida, sem lamentos
De nós, nós noutros tempos.

Maria Antonieta Oliveira
08-04-2015