quinta-feira, 9 de julho de 2015

Ama-me





Ama-me!
Ama-me com todas as letras da palavra amor!
Ama-me com o sentir de seres feliz!

Quero sentir o teu corpo no meu
Num abraço profundo
E sentir que me amas

Quero beijar os teus lábios
Num suave carinho
E sentir que me amas

Quero sentir o afago caloroso
Das tuas mãos
E sentir que me amas

Quero ouvir a doçura
Das tuas loucas palavras
E sentir que me amas

Quero letras ofegantes
Em corpos desnudos
E sentir que me amas

E, se não me souberes amar
Com todas as letras da palavra amor
Ama-me ao teu jeito
Mas,
Ama-me
E seremos felizes!

Maria Antonieta Oliveira
09-07-2015

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Não Desistas




NÃO DESISTAS



Não desista nunca!

Não, não desista do que desejas
Não desistas de sonhar
Não desistas de viver
Não desistas de procurar
Não desistas de ser feliz
Não desistas da vida.

Não,
Não desistas nunca!

Um dia chegará
Em que encontrarás o teu sonho
O teu caminho destinado
A tua vida merecida

Tudo o que ambicionaste
Será teu
Tudo o que sonhaste
Viverás
Tudo o que procuraste
Encontrarás
E então,
Serás feliz!

Por isso mesmo

Não,
Não desistas nunca!

Maria Antonieta Oliveira
06-07-2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Amanhã




Amanhã, quero acordar na praia
Sentir-me sereia
Noiva do sol, rainha do mar
Banhar minha cauda nas ondas da lua
E voar

Amanhã, quero acordar ao luar
Vestida de estrelas brilhantes
E nuvens passantes
E sonhar

Amanhã, quero acordar a sorrir
Ter-te a meu lado
Num abraço apertado
E num beijo a florir

Amanhã, quero acordar
E ser feliz!

Maria Antonieta Oliveira
17 h 03 m

A Chama




A chama ardia
Dia e noite, noite e dia
Queimava, doía
E continuava a arder
Dia e noite, noite e dia

Primavera, verão, outono, inverno
A chama ardia
Queimava, doía
Dia e noite, noite e dia

O coração já cansado
Ardia descontrolado
Queimava, doía
E ela não sorria
Dia e noite, noite e dia
E o coração sofria

Um grito sufocado
Saiu ecoado
Não! Não!
O céu ouviu
As nuvens chocaram
As bátegas caíram fortes
A chama apagou
Deixou de queimar
Deixou de doer
Deixou de sofrer!

A chama que parecia extinta
Ateou de novo
Muitas primaveras
Muitos verões
Muitos outonos
Muitos invernos
E a chama voltou a arder
Mais calma, mais tranquila, mais serena
Não queima, não dói
E arde de dia e de noite, de noite e de dia


A brasa da chama brilha
Como o sol da vida
Na vida do amor.

Maria Antonieta Oliveira
02-07-2015
16 h 30 m

Nós





Nós!
O nosso poema saído do coração
Ao correr da pena.

Nós!
Ainda existe nós!

Ao longo do tempo
E com tantos nós entrelaçados pelo caminho
E tantos nós destroçados pelo destino
Voltámos a ser nós.

Dois! Um! Nós!

Que este nós se prolongue no tempo
Sem revés nem contratempo
Que este nós nos faça sorrir ao futuro
E acreditar que nós somos felizes.

Nós!

Maria Antonieta Oliveira
02-07-2015
16 h 03 m


segunda-feira, 29 de junho de 2015

O Sol Brilhou





A meio da manhã e sol já queimava, nos seus quase 40º C
Ela, tranquilamente entrou naquele carro
Nunca entrara naquele carro
Mas calmamente, entrou, como se sempre o tivesse feito
O rodado percorreu o caminho incerto que os levava
Aqui e ali tropeçaram nas pedras soltas desenraizadas
Finalmente chegaram à mesa que os aguardava na espera de um almoço
Ambiente acolhedor e quase familiar os alimentou

Porquê? Quando? Como? Quem? Onde?
De tudo ou quase tudo falaram nas palavras que se soltaram livres
O tempo galopava no desejo de nunca mais acabar
Caldo verde, vinho tinto, bifanas e café
Repasto de reis em dia de festa
E havia festa. Era um dia especial
Em que o sol habitava aqueles corações sombrios
Momentos jamais vividos em tantos anos passados
Momentos jamais esquecidos nos muitos anos futuros

Voltaram ao tal carro, onde ela nunca entrara
O caminho de volta foi mais curto, ou não
Aproximava-se a despedida, até logo, ou não
E o beijo por dar?
Aquele beijo que ambos desejavam há tanto tempo
Um, dois, três, e mais outro para o caminho
Se pudessem ambos ficavam ali, a conta-los um a um, sem fim
Não podiam, não deviam, mas queriam
Tantos anos depois e tudo estava igual
O tempo não mudou os sentimentos
O tempo, esse traiçoeiro atraia-os de novo, unia-os
E separava-os na força de seguirem o outro caminho
Aquele que o tempo lhes tinha reservado

Haverá um outro dia de sol escaldante
Outro carro circulante
Outro almoço reconfortante
E beijos, mais beijos
Um, dois, três, e mais outro para o caminho.

Maria Antonieta Oliveira
29-06-2015


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Mulher Coragem





Se eu fosse coragem, força e fé
Se eu brilhasse como o sol e a lua
Como a estrela cadente
E o fogo incandescente
Se eu fosse límpida como a água do mar
E a areia que se espalha na praia

Ah, se eu fosse coragem!
Não me deixaria cair assim
Ah, se eu fosse coragem!

Mulher forte e com fé
Mulher guerreira nas guerras da vida
Vencedora nas batalhas sem fim
Lutadora nos dias maus do mundo
Nos dias em que o chão lhe foge
E ele tenta não sucumbir
Nos dias de degredo sem medo
Luta pela vida e pela morte
Mulher forte e com fé.

Mas,
Eu sou coragem
Não vou cair
Não vou sucumbir
Não vou perder o caminho
Vou ter fé
Seguir em frente
Confiar no Senhor
E vencer!

Eu sou coragem!

Maria Antonieta Oliveira
22-06-2015

Vens... Ou Vais?





Ouço os teus passos lá fora
Não sei se entras ou se sais
Mas sei que és tu que passas
Sei que és tu que caminhas
Se vens ou vais, não sei

Houve tempo em que te ouvia em silêncio
Naquele silêncio mordaz em que vivias
Nesse tempo, outro tempo, não te via
Sonhava nos sonhos dos tristes
Que eras feliz sem mim, sem nós
Nem passos, nem vozes, nem nada
No escuro da vida passada
Eras um silêncio sem vida própria
Eras passos passados no tempo
Eras sonho sem sonho sem sono
Eras apenas nada

Ouço os teus passos lá fora
Não sei se entras ou se sais
Mas sei que és tu que passas
Se vens ou vais, não sei

Maria Antonieta Oliveira
21-06-2015

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Não Há Limites






Há um vazio no mundo que me rodeia
Vivo pressionada pela própria vida
Que não me deixa vivê-la como queria

Há um patamar que quero escalar
Há um rio que quero atravessar
Há uma praia de areias cálidas
Onde me sinto, me deito e descanso
Lá, para lá dos limites do existir, existo
Lá, para lá do limite do olhar, vejo
Lá, para lá do limite de caminhar, caminho
Lá, para lá do limite de tudo, sou eu

Vem estar comigo no nosso esconderijo
Entre ameias e castelos
Com Lisboa aos nossos pés
Fomos um num grande amor
Ruas calcadas de pedras velhas
Calçadas estreitinhas com degraus
Mão na mão, adolescência no coração
Caminhámos juntos outros caminhos

Há um vazio no mundo que me rodeia
Mas,
Lá, para lá dos limites de tudo, sou eu.

Maria Antonieta Oliveira
19-06-2015


terça-feira, 16 de junho de 2015

Ombro Amigo





Preciso de um ombro amigo
Para chorar minha dor
Não quero que chores comigo
Só quero que ouças o meu chorar
Que compreendas o meu sofrer
E me saibas aconselhar

Quero chorar
E as lágrimas teimam em não cair
Sinto-me a sufocar
Quero gritar
E a voz não sai da minha garganta
Sinto-me a sufocar
Quero abraçar
Um abraço sentido e amigo
Mas os braços fogem-me sem me apertar
Sinto-me a sufocar
Quero sorrir
Mas o sorriso partiu de mim
Fugiu para parte incerta deixando só
Sinto-me a sufocar

Dá-me a mão e vem comigo
Ouve o meu coração chorando
Vê os meus olhos sofrendo
Dá-me o teu ombro amigo
E escuta meus ais
Deixa-me gritar, rir e chorar
Esbanjar meu sofrimento
No sorriso de um momento
Ser feliz na tua felicidade
Viver a nossa dura realidade
De mão na mão
E um eterno sorriso no coração.
É este o nosso destino
Caminhar no mesmo caminho.

Maria Antonieta Oliveira
16-06-2015





sexta-feira, 12 de junho de 2015

Noite de Sto. António






Em noites de Santo António
Fomos ver os arraiais
As marchas, os manjericos
Os folguedos, as sardinhadas
Alcachofras bem queimadas
Fogueiras bem saltadas
Risos e gargalhadas

Lembras-te, prima?

Dancei com o teu marido
Tinhas em teu ventre escondido
O fruto do vosso amor
O meu, com pé de chumbo
Ficou contigo a um canto
Vendo-nos rodopiar
No bailarico do bairro

Lembras-te prima?

E agora que é feito de nós?
Tu, já partiste deixando-nos sós
Teu marido no hospital, doente
O meu, lutando pelo amanhã diferente
E nesta luta incessante
Estou eu, triste e saudosa
Do ontem que já fugiu

Foi ontem, prima
Lembras-te?

Maria Antonieta Oliveira
12-06-2015



quinta-feira, 11 de junho de 2015

Morte




A tristeza invade-me
O coração apertado
Chora lágrimas de sangue
Os olhos secos
Da nostalgia dos dias em claro
E das noites sonhadas sem sono
Vertem segredos nunca revelados

Os sons não se calam
Entranham-se nos ouvires e sentires
De vidas passadas
Ruídos estridentes
Destroem-me o coração já partido

O sol e a lua rodopiam
Misturam-se, encontram-se
E os dias e as noites sucedem-se
E os meses e os anos
Num ápice anoitecem

A longa noite dos tempos fenece
O sangue já não chora
O coração parou
E a tristeza acabou!

Maria Antonieta Oliveira
11-06-2015

domingo, 7 de junho de 2015

O Tempo Urge





O dia foge-me
No silêncio dos teus passos
A noite sufoca-me
No silêncio dos pássaros

E o tempo passa
E o caminho percorrido já é longo
E as lembranças e memórias já são muitas
E as saudades de quem já partiu, são tantas que doem

E o tempo urge
No silêncio que falta percorrer

O dia foge-me
A noite sufoca-me
E eu,
Quero viver!

Maria Antonieta Oliveira
07-06-2015

Sonhos





Corre o leito tranquilo
Onde me deito e sonho
Cardumes adoçam meu corpo
Me acompanham na viagem
Adornada de algas me sinto princesa
Princesa das águas onde caminho
Sereia dos mares onde navego, e me perco
Tranquilamente, emerjo do fundo esponjoso
Onde escorrego e caiu
À tona, procuro o sol que me aqueça
Me dê alento de volta à vida
E me sento

Na amalgama de rochas trilhadas p’lo mar
Me sinto de novo perdida
Sem amor e sem vida
Decido acordar
E nesse braço de mar
Onde repousei a sonhar
Me encontro na vida que quero
No espelho límpido das águas
Vejo o teu rosto e o meu
Na imagem reflectida do sonho das ninfas
Um beijo salgado perpetua o momento
Eu e tu no braço do mar

Sorrio por entre os raios do sol doirados
Acordo de sonhos bem fadados.

Maria Antonieta Oliveira
07-06-2015

Aquece-me A Voz




Aquece-me a voz
Afaga-me os dias
Clarifica meus sonhos
E deixa-me fluir

Fluir nos dias e no tempo
Nas manhãs da aurora
No azul do céu amanhecido
Nas ondas e marés do mar salgado
Nos caminhos da paz e do amor
Nos campos de giestas em flor
Nos sons do pipilar das aves
Deixa-me fluir num acordar feliz

Hoje
Amanhã
Aquece-me a voz
Afaga-me os dias
E, os sonhos
E, o tempo
Serão nossos!

Maria Antonieta Oliveira
07-05-2015

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Reencontro




Olhares trocados
Na profundidade de um tempo
Sentimentos partilhados
Nas palavras por dizer

Um toque
E o corpo estremece
Um olhar
E o coração acelera
E um beijo

Nesse beijo
Se exprime o que o olhar já disse
O que o coração ainda sente

Num momento
Se recorda um passado
Num momento
Se vive!

Maria Antonieta Oliveira
05-06-2015

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Miúda





Sempre me sinto só
Mesmo quando as nuvens acompanham os caminhos do sol
E a lua segue o rumo das estrelas
Sinto-me só porque me habituei a estar só

Sempre estive só
Sonhei só
Vivi num estar só
Brinquei só
Caminhei só
Amei só
Continuo só
Hoje, ontem e amanhã só

Numa esfera onde circulam gentes
Num passeio longo de namorados
No meu lar replecto de família
Nos caminhos que já percorri
Onde amigos se cruzaram
E amores me amaram
Sempre me senti só

A vida mudou e tenho momentos em que estou acompanhada
Quero e sinto-me acompanhada
Mas estou só
Alguém que devia acompanhar-me não o faz
Alguém a quem acompanho sempre que me quer
Deixa-me só
Não sei porque o fazes, miúda
Lembra-te que os fortes também caem
E os fracos que fingem não o ser
São os que caem primeiro
E eu, sou fraca fortalecida pelo amor
Ao amor me entrego e a ele me dou
Mas preciso também do teu amor
Preciso de não me sentir só
Preciso de me sentir mulher, mãe e avó
Preciso da tua companhia, miúda!

Maria Antonieta Oliveira
03-06-2015


terça-feira, 2 de junho de 2015

A Vida E A Morte De Mãos Dadas



Olho à minha volta e sinto revolta
Pais e filhos, filhos e pais
Cada um com sua dor e sofrimento
Lenços à volta da cabeça
Ocultando a maldade feita
Bonés, chapéus, tudo tapa a vergonha
Vergonha de quê, meu Deus!?
Se foste Vós que os puseste à prova
Um coxeia, outro segue empurrado
Pelo amigo, pelo pai, pela mãe ou pelo filho

Tantos e tantos com a mesma dor
Uns aqui, outros ali e outros, ainda nem sabem onde
Todos sofrem o mesmo sofrer
Todos temem o mesmo temor
E a pergunta repete-se no meu sentir
Porquê? Porquê meu Deus?!
Só Vós, sabeis a resposta
Só Vós, meu Senhor!

Livrai estes seres de tanto sofrimento e dor
E a minha revolta incontida
Deixará em paz minha vida!

Maria Antonieta Oliveira
02-06-2015

domingo, 31 de maio de 2015

Desabafo





Não consigo descrever o que sinto
Um misto de tanta coisa
Tristeza sofrimento e dor
Fé esperança e amor

Sem que queiramos a vida prega-nos partidas
Quando pensamos num amanhã bem melhor
Vem um vento atroz que tudo devasta
Um furacão que tudo arrasta
E o nosso mundo desmorona-se
Tudo se esvai de um momento para o outro
O que parecia estar seguro, perde-se
A saúde, essa incógnita desprezada
Faz-nos acordar tarde demais
A seguir vêm os gritos de revolta
Os ais doridos, sofridos e sentidos

Como é possível isto acontecer?!
E logo comigo, porquê?
Perguntas sem resposta plausível
Sem que queiramos as lágrimas caem
As forças perdem-se
A mente desiste de ser forte
As palavras já gastas perdem-se
O coração fraqueja nas batidas
Os sonhos por nós sonhados
Estão totalmente parados
Tudo em nós está desnorteado

Meu Deus suplico-Vos, aliviai nossas vidas
Aliviai nossas dores, nossas lágrimas sofridas
Nossas tensões e temores
Dai-nos de novo a paz merecida.

Maria Antonieta Oliveira
31-05-2015



sábado, 30 de maio de 2015

Se




Se
O tempo tivesse parado no tempo
Se eu tivesse esperado um tempo

Se
Tu tivesses pensado um tempo
Se não fizesses passar o meu tempo

Se
Tivéssemos falado mais tempo
E me dissesses do teu tempo

Se
Eu tivesse acreditado no tempo
Em que estiveste longe no tempo

Se
Houvesse lealdade nesse tempo
E tivéssemos acreditado no tempo

Se
O ontem fosse neste tempo
O hoje seria um outro tempo

Se
A felicidade deste tempo
Fosse a felicidade no outro tempo
Não haveriam tantos ses
E hoje,
Faríamos parte do mesmo tempo.

Maria Antonieta Oliveira
30-05-2015

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Mãe





Se hoje, fosse ontem, amanhã seria diferente

Abraçava-te com mais ardor
Beijava-te com mais fulgor
Amava-te com mais amor.

Treze anos de muita saudade, mãe!

Maria Antonieta Oliveira
28-05-2015

terça-feira, 26 de maio de 2015

A Minha Sombra






Não procures a minha sombra
Nas sombras do mundo
Aí, não me encontras

Não procures a minha sombra
No fundo do mar
Eu, não sei nadar

Não procures a minha sombra
Na floresta esquecida
Aí, já me encontrei perdida

Não procures a minha sombra
Nas sombras de mim
Meu rumo é sem fim

Não procures minha sombra
Nas margens desvaladas do rio
Onde passam meus sentires

De ódio,
Raiva
Ou paixão
De dor,
Alegria
Ou revolta
De sonho,
De magia
Ou esperança
De palavras,
Poemas
Ou frases
De calma,
Fulgor
Ou amor

Não procures a minha sombra
Nas sombras nefastas
Da vida vivida

Não procures a minha sombra
Procura-me a mim!

Maria Antonieta Oliveira
26-05-2015



segunda-feira, 25 de maio de 2015

Quero Ser Eu





Deixa-me libertar
Voar nas asas do vento
Deixa-me sonhar
Deixa-me viver
O pouco que me resta
A morte aproxima-se
Quero esconder-me
Fugir
Sair

Não me prendas
Não me soltes
Deixa-me apenas ser eu

As rugas chegaram
E eu não vivi
Não escalei montanhas
Não voei nos céus do mundo
Não nadei nos mares sem fundo
E agora é tarde
Tarde demais para viver
Sonhar
Realizar

Não me prendas
Não me soltes
Deixa-me ser eu

Maria Antonieta Oliveira
25-05-2015

domingo, 24 de maio de 2015

Despes As Vestes À Lua





Despes as vestes à lua

Despes as vestes
Desnudas-te por amor e ódio
Sem pudor caminhas entre ventos e marés
Abres-te ao sol no rio da vida
Pegadas soltas na roupa perdida

Soltas risadas estridentes
Sem pudor, sem amor te entregas
Qual mulher perdida esquecida da vida
Nos ais e gritos volvidos
Soltas as amarras de outros tempos

As pétalas de orvalho caem de manso
Tua face lívida e molhada perde-se na estrada
Caminhas despida de sentimentos
Teus pés pisam tormentos
Desnuda de tudo o que é sentires
Gritas bem alto à lua

O sol brilha no amanhecer do dia
Desnuda no acordar risonho
Despertas de um longo sonho
Adormecido no sono do tempo
Num olhar ao calor do sol
Gritas os gritos do amor.

Desnuda
Despes as vestes à lua!

Maria Antonieta Oliveira
24-05-2015






Abri A Janela Ao Vento






Abri a janela ao vento
Deixei-me levar
E, num repente
Vi-me num outro tempo
Éramos ainda quase crianças
Tu e eu de mãos dadas
Num vertiginoso galopar
Queríamos o mundo
Cada um para seu lado
O teu mundo tresloucado
O meu mais sossegado

Tudo nos unia e separava
Tu fugias, eu te amava
Tu aparecias, eu te queria
Meu coração preenchias
E eu esperava
Contava dias e noites
Chorava lágrimas de saudade
De raiva e de tristeza
Meu coração sofria, doía
E tu te pavoneavas
Com outras andavas
Por outros mundos do mundo

O pano caiu
O palco se apagou
O romance acabou
Tudo ruiu

Hoje,
Tantos anos depois
Desafias os meus sentires
Regressando ao passado
Recordando nossos momentos
Passeando noutros tempos
Revivendo sentimentos
E meu coração já cansado
Bate de novo apressado
Sem que eu queira
Bate à sua maneira

O pano se abriu
O palco se iluminou
O romance onde ficou!?
No tempo que não passou!

Maria Antonieta Oliveira
24-05-2015





sábado, 23 de maio de 2015

O Silêncio Que Me Persegue





Há um silêncio que me persegue
Quando penso em ti
O que nos falta dizer?
O que nos falta fazer?
Não ouço o teu respirar
Nem o som do teu olhar

Tudo à minha volta é silêncio
O vento lá fora abrandou
Os cães vadios adormeceram
Os melros e as andorinhas
Recolheram ao seu poiso
E eu, penso em ti

Neste silêncio que me persegue
Tento entender-me e não consigo
Acordo sem ter dormido
E durmo sem acordar
Os sons misturam-se em mim
Miscelâneas coloridas

Este silêncio que me persegue
Quando penso em ti!

Maria Antonieta Oliveira
22-05-2015








sexta-feira, 15 de maio de 2015

Pedras Soltas






Pedras soltas
Trilhei-as no caminho
Calquei-as a cada degrau escalado
Polidas e escorregadias
Tornando o caminho penoso
Passei-as palmo a palmo
Em cada uma escorreguei
Em cada uma me levantei
E continuei o caminho

Pedras soltas
Trilhei-as no caminho
Cansada na subida descansei
As pedras lisas pelo tempo
Deslizaram sob mim
Cansada mas não vencida
Ergui o corpo e a alma
Levantei meu olhar ao céu
E cheguei ao topo da vida

Venci!

Pedras soltas
Trilhei-as no caminho!

Maria Antonieta Oliveira
15-05-2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sou Tua




A noite adormeceu
No sol fugitivo
Eu fechei os olhos à lua
Sou tua

Adormecida nos teus braços
Sonhei
Sorrindo no sonho
Acordei
Vi-me no solar do bosque
Contigo, em ti
Amei

Perdida no tempo do sol
Perdi-me
No calor do nosso amor
Encontrei-me
E rolei pelos campos verdes
E pisei as areias das águas
E amei-te

A lua acordou
A noite fugiu
Abri os olhos ao sol
Sorri feliz
Sou tua

Maria Antonieta Oliveira
14-04-2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sempre






Quero ir numa jangada
Partir contigo em debandada
Pelo rio do meu sentir
Quero sentir uma lufada
De ar fresco na madrugada
Do amanhã que está por vir

Quero ser tua sereia
Numa noite de lua cheia
No sabor do madrugar
Quero enlear em tua teia
Enroscar-me na areia
Num doce despertar

Quero ir longe contigo
Recolher-me num abrigo
E ficar eternamente
Quero ser teu ombro amigo
No caminho onde prossigo
E amar-te para sempre.

Maria Antonieta Oliveira
13-05-2015




sábado, 9 de maio de 2015

O Meu Rio




Muitos, muitos meses depois
Fui visitar o meu Tejo
Sorri-lhe
E ele sorriu para mim
Seu brilho ofuscou o meu olhar
O sal do meu rio, escorreu pela minha face
E o cheiro,
O cheiro, não tenho palavras para o descrever
Encheu-me os pulmões e a alma
Respirei bem fundo aquele doce-salgado aroma

Passo a passo vi gaivotas, cacilheiros e navios
Vi turistas encantados e felizes
Vi petizes correndo e saltitando nas areias descobertas
Vi olhares que se cruzavam no sol espelhado
Pelas águas do meu rio que me saudava

Insisti no olhar saudoso
Revi-me no espelho das suas águas
Inspirei de novo o seu perfume doce-salgado
Acenei-lhe com a mão caída de tristeza
Um até já, um até logo, um até sempre

Até sempre meu Tejo lindo!

Maria Antonieta Oliveira
09-05-2015