domingo, 26 de julho de 2015

A Mão de Deus





No vaguear dos sonhos
Na limpidez das águas
No adormecer dos sonos
No tactear do amanhã
Nos sentidos adormecidos
Na areia batida pelas marés
Na rocha torturada pelo mar
Na árvore florida
Na flor renascida
No céu
No ar
Na lua
No sol
Em tudo o que existe
Há a mão de Deus
A mão do Criador!

Maria Antonieta Oliveira
23-07-2015

Imaginário de Uma Criança




No imaginário
Vejo o teu sorriso feliz de menina alegre a brincalhona

Nos botões do cofre da madrinha
Corria água a rodos
O seu boneco de cartão
Era o filho amado
Nas panelinhas que o Natal trouxera
Fazia sopinhas com os talos e cascas sobrados
Baratas, ratos, coelhos, perdizes, galos, patos e perus
Eram companheiros dos seus dias
Na casa habitada do século XVIII
Corredores sombrios e tristes percorria
As gaiolas adornadas pelos passarinhos animavam
Os vasos de flores coloridas nada diziam
Da janela sonhava um dia ser diferente.


Menina solitária entre adultos crescidos
Feliz?
Talvez!

Imagens imaginadas num sorriso de criança.

Defronte,
Tocavam os sinos da Sé!

Maria Antonieta Oliveira
23-07-2015
15 h 35 m



Sala de Espera






Vozes intercaladas de sofrimento
Sorrisos tristes em olhares fugazes
Soltam-se palavras, desabafos
Angustia, ânsia, dúvida
Fé, esperança, confiança

Passos apressados sem pressa
Caminham ao som da vida que os espera
Passos lentos destroçados
Na vida da vida já sem vida
Estremecem lamentos
Balbuciam tormentos
Imagens nefastas, destroçadas.

Mas a Fé,
Sempre a Fé
Desperta a força e a coragem
Para lutar, vencer e viver!

Maria Antonieta Oliveira
23-07-2015


Alentado





Corre-me nas veias o

A de amor
L de liberdade
E de elegância
N de negação
T de tranquilidade
A de amargura
D de dedicação
O de oração

Sou tua filha, meu pai.

Maria Antonieta Oliveira
23-07-2015
12 h 03 m

O Destino

>




Ontem vi-te
Na curva do caminho
Olhei-te e pensei:
Tu és o meu destino

Nas curvas e contracurvas nos perdemos
O caminho percorrido não foi nosso
Pedras, muros e montes derrubámos
Saciámos a sede em outras fontes
Colhemos frutos floridos
Amores, sentimentos coloridos.
A vida seguimos.

O destino,
Sim, o destino
Traçou-nos outro caminho
De novo te vi
De novo te olhei
E pensei:
O destino é nosso!
Nós somos o destino!

Maria Antonieta Oliveira
23-07-2015
11 h 47 m

Animal de Hábitos





O homem/mulher é um animal de hábitos!

Habituei-me!
Habituaste-me!

Ouvir a tua voz é um sedativo
Esqueço-me das dores e sofrimento
Esqueço-me de tudo o que lamento
Ouço o que me contas
Ouves o que te digo
Dialogamos em sintonia
É assim no dia a dia.

Não te desabitues de mim
Quero este hábito até o fim!

O homem/mulher é um animal de hábitos!

Maria Antonieta Oliveira
23-07-2015
11 h 35 m

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Coração Partido






Tenho o coração partido em mil pedaços
Despedaçado, destruído, feliz
Em cada pedaço tenho um amor
Cada amor um carinho, um destino
Em cada aurículo te encontro
Entre veias e artérias
Sinto meu sangue pulsar por ti
E por ti, meu amor
Aqui e ali escorrego no meu sentir
Os glúteos avermelhados
Confundem-se com os beijos doados
Além no outro ventrículo
Estás tu suspirando por mim
Em pulsações díspares penso em ti
Há pedaços do passado que amo
Do presente que continuo amando
Sangue do meu sangue
Sangue unido pelo mesmo caminho
Borbulha, goteja, lateja
Entra e sai circulando
Purificando
E,
Em cada pedaço há um amor parido
Unidos no sentir do meu coração
Amo um a um
Cada um
De seu modo e jeito
Amo-vos a todos
Com o grande amor do meu peito.

Maria Antonieta Oliveira
22-07-2015



sexta-feira, 17 de julho de 2015

Palavras Mortas






Morrem-me as palavras
Na garganta seca
Palavras ocas, sem sentido
Vazias de sentimentos
De baixo valor

Bastam-se a si próprias
Sem medos ou receios
Abusadas, com devaneios
Ousadas nos sentires
Maldosas e atrevidas

Seca-me a garganta
Com palavras por dizer
Palavras sem nexo
Complexadas por si mesmas
Sem sentido, receosas

Palavras mortas, amorfas
Secas ou sequiosas
Rudes, frias, odiosas
Calculistas, desdenhosas
Palavras sem jeito de dizer

Morrem-me as palavras
Na garganta seca
Onde não existem mais palavras.

Maria Antonieta Oliveira
17-07-2015
5 h 15 m






Despojo-me





Dispo-me!

Despojo-me de tudo o que tenho
Do amor ao luar sonhado
Da lua na praia amante
Da sereia saída das águas frias do rio
Dos caminhos de flores mimosas
Dos passeios de mãos dadas
Dos beijos salgados doces que não dei
Das ruelas e vielas do fado
Das viagens navegadas em seco
Das imagens perpetuadas no tempo
Das vivências não vividas
Dos amores esquecidos de mim
De quem amei e não me amou

Despojo-me de tudo
O que tenho e nunca tive
O que queria e perdi
O que ganhei e não guardei
O que sonhei e não consegui.

Despojo-me de tudo
Mas não me despojo de ti!


Maria Antonieta Oliveira
17-07-2015
4 h 44 m

Espaço





Espaço!
Preciso de espaço!
Do meu espaço!

Preciso do meu espaço
Espaçado
Alargado
Sem trancas
Nem tabus
Sem portas
Nem janelas
Sem muros
Nem vedações

Preciso do meu espaço
Para andar
E para falar
Para ouvir
E para sentir
Para sonhar
E para caminhar
Para amar
E para perdoar

Preciso de espaço
Preciso do meu espaço
Para viver em liberdade
E ser feliz!

Maria Antonieta Oliveira
17-07-2015
4 h 25 m

Vamos Vencer





O coração sangra
De sofrimento e dor
Lágrimas salgadas
Correm pelas faces rígidas
As mãos encrespadas suplicam
O corpo quase gélido falece
A mente enlouquece
Os gritos contidos pedem
Suplicam e choram
O pensamento voa para o inimaginável
Tormento sobre tormento
O túnel é escuro e longo
As pedras são muitas
As veredas estreitas
Os pés já cansados continuam caminhando.


Olho para o lado
E o sofrimento ainda é maior
Um corpo sofrido pela incúria
Um corpo rendido à doença

Não posso!
Não quero!
Meu Deus ajuda-me mais uma vez
Ajuda aquele que me acompanha
O amor de uma vida vivida a dois
É uma súplica, meu Deus.
Ajuda-o por favor!
Dai-me forças, meu Deus
Para continuar nesta luta
De cabeça erguida e vencer

Juntos, venceremos, meu amor.
Deus nunca nos abandonou, e jamais o fará!

Maria Antonieta Oliveira
17-07-2015
2 h 15 m







quinta-feira, 16 de julho de 2015

Mãos Vazias





De mãos cheias de nada
Vieste até mim
Olhei-te
E,
Gostei de ti mesmo assim

Trazias o coração cheio de amor
E mo deste por inteiro
Trazias a boca cheia de beijos
Para me ofertares
Trazias os olhos sorrindo
De carinhos para me olhares
Trazias no corpo doçura
Para no meu desfrutares
Trazias na mente felicidade
Para comigo partilhares.


De mãos cheias de nada
Trouxeste a riqueza de ser feliz!

Maria Antonieta Oliveira
16-07-2015



Afogo-me






Afogo-me nas lágrimas que um dia derramei
Acutilam-me o corpo sofrido
Nos sentires de um tempo já esquecido

Afogo-me nas águas do rio passante
Nele entro e me entrego
Na angústia de uma viva viver

Afogo-me na mágoa de um dia
Na tristeza que me assola
Por não ser o que sonho e quero

Afogo-me nas palavras que não digo
Nos sentires que não partilho
Por não ter liberdade para ser

Afogo-me na existência do mundo
Desse mundo onde navego
Nas águas enevoadas em que existo

Afogo-me em ti e em mim
Em nós de nós da vida
Afogo-me nas lágrimas derramadas
Na ânsia de ser feliz.

Maria Antonieta Oliveira
16-07-2015


quarta-feira, 15 de julho de 2015

Não Me Peças Mais Tempo





Não me peças mais tempo
O tempo esgotou-se
No tempo que passou

O tempo urge no tempo de nós

Não me faças de novo sofrer
Isso foi antes, enquanto adolescente
Agora mulher sabedora
Vivida com a vida que passou
Jamais me enlouqueces
Me trais ou me endoideces

Quero viver meus últimos tempos
Em paz, com amor e sem saudade
Não quero viver ansiosa por teu viver
Ansiosa por teu dizer falando
Ansiosa pelo amanhã que não surgirá
Saudosa do ontem que já foi
E, do hoje que não é

Amanhã,
Amanhã não sei se o tempo me dá tempo
Amanhã não sei se um dia chegará
Amanhã poderá ser tarde demais
Amanhã o tempo poderá ter chegado ao fim
Vive neste tempo o tempo que ainda tens
Quero viver também o tempo que me falta

Não,
Não me peças mais tempo
Porque,
O tempo urge no tempo de nós.

Maria Antonieta Oliveira
15-07-2015

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Ama-me





Ama-me!
Ama-me com todas as letras da palavra amor!
Ama-me com o sentir de seres feliz!

Quero sentir o teu corpo no meu
Num abraço profundo
E sentir que me amas

Quero beijar os teus lábios
Num suave carinho
E sentir que me amas

Quero sentir o afago caloroso
Das tuas mãos
E sentir que me amas

Quero ouvir a doçura
Das tuas loucas palavras
E sentir que me amas

Quero letras ofegantes
Em corpos desnudos
E sentir que me amas

E, se não me souberes amar
Com todas as letras da palavra amor
Ama-me ao teu jeito
Mas,
Ama-me
E seremos felizes!

Maria Antonieta Oliveira
09-07-2015

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Não Desistas




NÃO DESISTAS



Não desista nunca!

Não, não desista do que desejas
Não desistas de sonhar
Não desistas de viver
Não desistas de procurar
Não desistas de ser feliz
Não desistas da vida.

Não,
Não desistas nunca!

Um dia chegará
Em que encontrarás o teu sonho
O teu caminho destinado
A tua vida merecida

Tudo o que ambicionaste
Será teu
Tudo o que sonhaste
Viverás
Tudo o que procuraste
Encontrarás
E então,
Serás feliz!

Por isso mesmo

Não,
Não desistas nunca!

Maria Antonieta Oliveira
06-07-2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Amanhã




Amanhã, quero acordar na praia
Sentir-me sereia
Noiva do sol, rainha do mar
Banhar minha cauda nas ondas da lua
E voar

Amanhã, quero acordar ao luar
Vestida de estrelas brilhantes
E nuvens passantes
E sonhar

Amanhã, quero acordar a sorrir
Ter-te a meu lado
Num abraço apertado
E num beijo a florir

Amanhã, quero acordar
E ser feliz!

Maria Antonieta Oliveira
17 h 03 m

A Chama




A chama ardia
Dia e noite, noite e dia
Queimava, doía
E continuava a arder
Dia e noite, noite e dia

Primavera, verão, outono, inverno
A chama ardia
Queimava, doía
Dia e noite, noite e dia

O coração já cansado
Ardia descontrolado
Queimava, doía
E ela não sorria
Dia e noite, noite e dia
E o coração sofria

Um grito sufocado
Saiu ecoado
Não! Não!
O céu ouviu
As nuvens chocaram
As bátegas caíram fortes
A chama apagou
Deixou de queimar
Deixou de doer
Deixou de sofrer!

A chama que parecia extinta
Ateou de novo
Muitas primaveras
Muitos verões
Muitos outonos
Muitos invernos
E a chama voltou a arder
Mais calma, mais tranquila, mais serena
Não queima, não dói
E arde de dia e de noite, de noite e de dia


A brasa da chama brilha
Como o sol da vida
Na vida do amor.

Maria Antonieta Oliveira
02-07-2015
16 h 30 m

Nós





Nós!
O nosso poema saído do coração
Ao correr da pena.

Nós!
Ainda existe nós!

Ao longo do tempo
E com tantos nós entrelaçados pelo caminho
E tantos nós destroçados pelo destino
Voltámos a ser nós.

Dois! Um! Nós!

Que este nós se prolongue no tempo
Sem revés nem contratempo
Que este nós nos faça sorrir ao futuro
E acreditar que nós somos felizes.

Nós!

Maria Antonieta Oliveira
02-07-2015
16 h 03 m


segunda-feira, 29 de junho de 2015

O Sol Brilhou





A meio da manhã e sol já queimava, nos seus quase 40º C
Ela, tranquilamente entrou naquele carro
Nunca entrara naquele carro
Mas calmamente, entrou, como se sempre o tivesse feito
O rodado percorreu o caminho incerto que os levava
Aqui e ali tropeçaram nas pedras soltas desenraizadas
Finalmente chegaram à mesa que os aguardava na espera de um almoço
Ambiente acolhedor e quase familiar os alimentou

Porquê? Quando? Como? Quem? Onde?
De tudo ou quase tudo falaram nas palavras que se soltaram livres
O tempo galopava no desejo de nunca mais acabar
Caldo verde, vinho tinto, bifanas e café
Repasto de reis em dia de festa
E havia festa. Era um dia especial
Em que o sol habitava aqueles corações sombrios
Momentos jamais vividos em tantos anos passados
Momentos jamais esquecidos nos muitos anos futuros

Voltaram ao tal carro, onde ela nunca entrara
O caminho de volta foi mais curto, ou não
Aproximava-se a despedida, até logo, ou não
E o beijo por dar?
Aquele beijo que ambos desejavam há tanto tempo
Um, dois, três, e mais outro para o caminho
Se pudessem ambos ficavam ali, a conta-los um a um, sem fim
Não podiam, não deviam, mas queriam
Tantos anos depois e tudo estava igual
O tempo não mudou os sentimentos
O tempo, esse traiçoeiro atraia-os de novo, unia-os
E separava-os na força de seguirem o outro caminho
Aquele que o tempo lhes tinha reservado

Haverá um outro dia de sol escaldante
Outro carro circulante
Outro almoço reconfortante
E beijos, mais beijos
Um, dois, três, e mais outro para o caminho.

Maria Antonieta Oliveira
29-06-2015


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Mulher Coragem





Se eu fosse coragem, força e fé
Se eu brilhasse como o sol e a lua
Como a estrela cadente
E o fogo incandescente
Se eu fosse límpida como a água do mar
E a areia que se espalha na praia

Ah, se eu fosse coragem!
Não me deixaria cair assim
Ah, se eu fosse coragem!

Mulher forte e com fé
Mulher guerreira nas guerras da vida
Vencedora nas batalhas sem fim
Lutadora nos dias maus do mundo
Nos dias em que o chão lhe foge
E ele tenta não sucumbir
Nos dias de degredo sem medo
Luta pela vida e pela morte
Mulher forte e com fé.

Mas,
Eu sou coragem
Não vou cair
Não vou sucumbir
Não vou perder o caminho
Vou ter fé
Seguir em frente
Confiar no Senhor
E vencer!

Eu sou coragem!

Maria Antonieta Oliveira
22-06-2015

Vens... Ou Vais?





Ouço os teus passos lá fora
Não sei se entras ou se sais
Mas sei que és tu que passas
Sei que és tu que caminhas
Se vens ou vais, não sei

Houve tempo em que te ouvia em silêncio
Naquele silêncio mordaz em que vivias
Nesse tempo, outro tempo, não te via
Sonhava nos sonhos dos tristes
Que eras feliz sem mim, sem nós
Nem passos, nem vozes, nem nada
No escuro da vida passada
Eras um silêncio sem vida própria
Eras passos passados no tempo
Eras sonho sem sonho sem sono
Eras apenas nada

Ouço os teus passos lá fora
Não sei se entras ou se sais
Mas sei que és tu que passas
Se vens ou vais, não sei

Maria Antonieta Oliveira
21-06-2015

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Não Há Limites






Há um vazio no mundo que me rodeia
Vivo pressionada pela própria vida
Que não me deixa vivê-la como queria

Há um patamar que quero escalar
Há um rio que quero atravessar
Há uma praia de areias cálidas
Onde me sinto, me deito e descanso
Lá, para lá dos limites do existir, existo
Lá, para lá do limite do olhar, vejo
Lá, para lá do limite de caminhar, caminho
Lá, para lá do limite de tudo, sou eu

Vem estar comigo no nosso esconderijo
Entre ameias e castelos
Com Lisboa aos nossos pés
Fomos um num grande amor
Ruas calcadas de pedras velhas
Calçadas estreitinhas com degraus
Mão na mão, adolescência no coração
Caminhámos juntos outros caminhos

Há um vazio no mundo que me rodeia
Mas,
Lá, para lá dos limites de tudo, sou eu.

Maria Antonieta Oliveira
19-06-2015


terça-feira, 16 de junho de 2015

Ombro Amigo





Preciso de um ombro amigo
Para chorar minha dor
Não quero que chores comigo
Só quero que ouças o meu chorar
Que compreendas o meu sofrer
E me saibas aconselhar

Quero chorar
E as lágrimas teimam em não cair
Sinto-me a sufocar
Quero gritar
E a voz não sai da minha garganta
Sinto-me a sufocar
Quero abraçar
Um abraço sentido e amigo
Mas os braços fogem-me sem me apertar
Sinto-me a sufocar
Quero sorrir
Mas o sorriso partiu de mim
Fugiu para parte incerta deixando só
Sinto-me a sufocar

Dá-me a mão e vem comigo
Ouve o meu coração chorando
Vê os meus olhos sofrendo
Dá-me o teu ombro amigo
E escuta meus ais
Deixa-me gritar, rir e chorar
Esbanjar meu sofrimento
No sorriso de um momento
Ser feliz na tua felicidade
Viver a nossa dura realidade
De mão na mão
E um eterno sorriso no coração.
É este o nosso destino
Caminhar no mesmo caminho.

Maria Antonieta Oliveira
16-06-2015





sexta-feira, 12 de junho de 2015

Noite de Sto. António






Em noites de Santo António
Fomos ver os arraiais
As marchas, os manjericos
Os folguedos, as sardinhadas
Alcachofras bem queimadas
Fogueiras bem saltadas
Risos e gargalhadas

Lembras-te, prima?

Dancei com o teu marido
Tinhas em teu ventre escondido
O fruto do vosso amor
O meu, com pé de chumbo
Ficou contigo a um canto
Vendo-nos rodopiar
No bailarico do bairro

Lembras-te prima?

E agora que é feito de nós?
Tu, já partiste deixando-nos sós
Teu marido no hospital, doente
O meu, lutando pelo amanhã diferente
E nesta luta incessante
Estou eu, triste e saudosa
Do ontem que já fugiu

Foi ontem, prima
Lembras-te?

Maria Antonieta Oliveira
12-06-2015



quinta-feira, 11 de junho de 2015

Morte




A tristeza invade-me
O coração apertado
Chora lágrimas de sangue
Os olhos secos
Da nostalgia dos dias em claro
E das noites sonhadas sem sono
Vertem segredos nunca revelados

Os sons não se calam
Entranham-se nos ouvires e sentires
De vidas passadas
Ruídos estridentes
Destroem-me o coração já partido

O sol e a lua rodopiam
Misturam-se, encontram-se
E os dias e as noites sucedem-se
E os meses e os anos
Num ápice anoitecem

A longa noite dos tempos fenece
O sangue já não chora
O coração parou
E a tristeza acabou!

Maria Antonieta Oliveira
11-06-2015

domingo, 7 de junho de 2015

O Tempo Urge





O dia foge-me
No silêncio dos teus passos
A noite sufoca-me
No silêncio dos pássaros

E o tempo passa
E o caminho percorrido já é longo
E as lembranças e memórias já são muitas
E as saudades de quem já partiu, são tantas que doem

E o tempo urge
No silêncio que falta percorrer

O dia foge-me
A noite sufoca-me
E eu,
Quero viver!

Maria Antonieta Oliveira
07-06-2015

Sonhos





Corre o leito tranquilo
Onde me deito e sonho
Cardumes adoçam meu corpo
Me acompanham na viagem
Adornada de algas me sinto princesa
Princesa das águas onde caminho
Sereia dos mares onde navego, e me perco
Tranquilamente, emerjo do fundo esponjoso
Onde escorrego e caiu
À tona, procuro o sol que me aqueça
Me dê alento de volta à vida
E me sento

Na amalgama de rochas trilhadas p’lo mar
Me sinto de novo perdida
Sem amor e sem vida
Decido acordar
E nesse braço de mar
Onde repousei a sonhar
Me encontro na vida que quero
No espelho límpido das águas
Vejo o teu rosto e o meu
Na imagem reflectida do sonho das ninfas
Um beijo salgado perpetua o momento
Eu e tu no braço do mar

Sorrio por entre os raios do sol doirados
Acordo de sonhos bem fadados.

Maria Antonieta Oliveira
07-06-2015

Aquece-me A Voz




Aquece-me a voz
Afaga-me os dias
Clarifica meus sonhos
E deixa-me fluir

Fluir nos dias e no tempo
Nas manhãs da aurora
No azul do céu amanhecido
Nas ondas e marés do mar salgado
Nos caminhos da paz e do amor
Nos campos de giestas em flor
Nos sons do pipilar das aves
Deixa-me fluir num acordar feliz

Hoje
Amanhã
Aquece-me a voz
Afaga-me os dias
E, os sonhos
E, o tempo
Serão nossos!

Maria Antonieta Oliveira
07-05-2015

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Reencontro




Olhares trocados
Na profundidade de um tempo
Sentimentos partilhados
Nas palavras por dizer

Um toque
E o corpo estremece
Um olhar
E o coração acelera
E um beijo

Nesse beijo
Se exprime o que o olhar já disse
O que o coração ainda sente

Num momento
Se recorda um passado
Num momento
Se vive!

Maria Antonieta Oliveira
05-06-2015