O sonho é livre... é deixar voar o pensamento... é acreditar no inacreditável... é atingir o inatingível... Amar... Sofrer... Beijar... Doer...
domingo, 29 de novembro de 2015
Apaixonada
Quero sentir-me apaixonada
Sentir borbulhas no estômago
Sonhar acordada
Desejar-te em segredo
Sentir paixão em meu coração
Quero amar-te como se nunca te tivesse amado
Quero sentir-me apaixonada
Como ontem
Sentir palpitações em emoções
Estremecer só de te pensar
Sentir o meu peito apertado
Por te ter sozinho a meu lado.
Ah, como me quero apaixonar!
Sentir meu corpo a suplicar
Os laivos da tua boca
A candura do teu corpo louco
A volúpia da nossa paixão
Em cama de rosas perfumadas
Ah como me quero apaixonar!
E de novo contigo sonhar
Neste nosso amor profundo
Em que ainda sinto pulsar
E meu estômago borbulhar
Esta nossa paixão sem fim.
Ah, como me quero apaixonar!
Ah, como é bom estar apaixonada!
Maria Antonieta Oliveira
29-11-2015
sábado, 28 de novembro de 2015
Reboliço da Alma
Veste-me as vestes do amor
Entra em mim como uma chama
Enfurecida na noite escura
Que trai e mente a ingratidão
A injustiça e a guerra
A terra onde caminhamos unidos
Na maldade nefasta das gentes
A raiva incontida, gemida
Grita bem dentro, de dentro de nós
Invade-me com palavras vãs
Ocas de sentimentos precisos
Deita-te na cama comigo
E jura-me falsidades infelizes
Contrapõe opiniões e divagações
Sai correndo p’ra rua em reboliço
Alarma o povo desprevenido
E ama quem te merecer amar
Voando nas asas de condor
Ave horrenda mesquinha
Urubu, abutre do mundo perdido
De um povo insano distorcido
De medos cóleras e degredos
Ódios ásperos ressentimentos
Caminhos de pedras soltas
De árduas montanhas paridas
Pelos ventos das manhãs agrestes
Nos invernos sinuosos da vida
Parte, aparta-te de mim, corre
Foge na longitude dos tempos
Capta imagens e sentires
De outros mundos e gentes duendes
Faz ouvir a tua voz bem fundo
Mostra-me teu rosto imundo
Revela-te a mim como és
Descalça resvalo meus pés
No doce caminho da paz.
Maria Antonieta Oliveira
28-11-2015
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Pensamo-nos
Na mutação do tempo penso em ti
E tu, pensas em mim
Nesses ses que nos unem e nos separam
Vivemos separados e unidos
Em sentimentos igualados e profundos
Em sonhos por realizar
Os dias sucedem-se iguais
Acalentando esperanças de amanhã
Lembrando esperanças de ontem
Vivendo esperanças de hoje
E eu, penso em ti
E tu, pensas em mim
Pensamo-nos em sintonia
Sonhamos de noite e de dia
E o espaço insiste, insiste
A distância se alonga entre nós
Nas horas que passam sem nos termos
Nos momentos em que não vivemos.
Ah se os ses nos deixassem viver!
E eu, penso em ti
E tu, pensas em mim.
Maria Antonieta Oliveira
27-11-2015
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Confusão
Cobre o meu corpo de flores
Rega-o de beijos com mil cores
Ateia-o com o fogo da paixão
Faz de mim um jardim de felicidade
Um forno de carinho e amizade
Deposita em mim as falsas moralidades
Deixa-me viver nas águas do limbo
Oculta pelas algas salgadas na madrugada
Do amanhecer de um amanhã florido
Esquecido no dia triste
Nas cinzas brancas do meu corpo
Fétido, petrificado sem humanidade
Rios de amalgamas cheirosas
Perfume de rosas coloridas
Do jardim florido da paz e do amor
Entrega-me ao sol e ao mosto
Para purificar o meu corpo perdido
Deixa-me sentir que estou viva
Na beleza das flores com que me cobriste
Nesta imensa confusão que me assola.
Dá-me tempo para viver!
Maria Antonieta Oliveira
26-11-2015
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Amor de Verdade
Vem, repousa em mim o teu olhar
O teu corpo no meu aconchegar
E sorri!
Vem, agasalha-te no meu coração
Dá-me o calor da tua mão
E sorri!
Vem, beijar o meu corpo desnudo
Sentir meu agrado profundo
E sorri!
Vem, esconde-te dentro de mim
Dar-me um abraço sem fim
E sorri!
Vem, despe-te de preconceito
Deitarmo-nos no mesmo leito
E sorri!
Vem, ama-me como te amo
Teu doce amor, reclamo
E sorri!
Sorrimos de felicidade
Neste terno amor de verdade!
Maria Antonieta Oliveira
25-11-2015
A Sós Comigo
Procuro a solidão dentro de mim
Esta horrível solidão que não tem fim
Penso em ti na procura de companhia
Vejo-te no olhar onde me perco
Beijo-te nessa boca de desejo
Nem contigo em mim me sinto acompanhada
Regresso ao passado na nossa ambiguidade
Esse olhar que me deseja
Essa boca doce que me beija
Esse corpo que me acarinha e abraça
Nesses braços me enrosco e aninho
E meu ser continua sozinho
Ah solidão nefasta, parte, vai-te de mim
Deixa-me sentir que não estou só
Deixa-me viver feliz sem ti, contigo
Sempre contigo em mim, nós unidos
Ah solidão, enganas-te
Vou sentir-me sempre acompanhada
Ah solidão, como te enganas
Nunca mais estarei só, contigo
Pois tu estarás sempre a sós comigo.
Maria Antonieta Oliveira
25-11-2015
terça-feira, 24 de novembro de 2015
O Teu Abraço
Preciso de um abraço
Aquele teu abraço apertado
Em que nos entregamos sem destino
Em que nos doamos com carinho
Preciso de um abraço
Que me afague e acalente
Que me anime e faça feliz
Aquele abraço que eu sempre quis
Preciso de um abraço
Em que sinta os teus braços
E o teu coração junto ao meu
Prendendo-me num beijo teu
Preciso de um abraço
Que alegre o meu sentir
Que me ilumine o olhar
E faça o milagre de sorrir
Preciso de um abraço
Apenas e só o teu abraço
Aquele doce abraço
O teu, sempre teu abraço
Maria Antonieta Oliveira
23-11-2015
sábado, 21 de novembro de 2015
Outono
O outono desce nas folhas caídas
Nas ruas vestidas de várias cores
Ocres, castanhos de passos pisadas
Verdes sem cor, canteiro sem flor
Calçada molhada, neblina que cai
O sol envergonhado desvanece
Folhas secas, murchas, esquecidas
No chão enlameado p’la chuva
Passantes, gentes oprimidas, feridas
Enregeladas de amores inconstantes
Entrelaçam os passos na vida
De tantos outonos sofridos, magoados
Salpicos de neve, flocos de gelo
Orvalhos de saudade sentida
Recalcam sentires passados
O vento norte despedaça corações
Atirando as folhas caídas como setas
Qual cupido estilhaçando emoções
Esgueiro-me no sopé da montanha
Buscando o raio de sol aquecido
Debruço o olhar à nuvem maior
Redobram os sinos no lugar
As folhas revoltas ao tempo
Do vento que teima em passar.
Maria Antonieta Oliveira
21-11-2015
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Porque Sim
Não me perguntes porquê
Dir-te-ei apenas - porque sim!
Porque gosto dos teus olhos?
Porque sim!
Porque gosto dos teus beijos?
Porque sim!
Porque gosto de sonhar?
Porque sim!
Porque gosto de te amar?
Porque sim!
Porque gosto de viver?
Porque sim!
Porque gosto de sorrir?
Porque sim!
Porque gosto do mar?
Porque sim!
Porque gosto do sol e do luar?
Porque sim!
Sim, não me perguntes porquê
Dir-te-ei apenas – porque sim!
Maria Antonieta Oliveira
20-11-2015
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Doçura de Um Voo
Meu corpo cede ao desejo de voar
E voo no pensamento e na luz do teu olhar
Rumo a um destino incerto
Ao caminho perdido, num tempo já perto
Nas pedras soltas da estrada parada
Sobrevivo na minha angustia magoada
Olvido o sentir que me marterisa
E caminho na noite esquecida
Voo no tempo e no espaço
Ao encontro daquele nosso abraço
Ambíguo desejo, ambígua liberdade
É tudo o que anseio, a minha felicidade
Ingenuamente descalça de palavras
Partilho contigo as que ainda sei dizer
Palavras, apenas e só palavras
Água da fonte vertida a sofrer
Voo, voo no ápice de um relâmpago
Voo, nas asas das andorinhas felizes
Maria Antonieta Oliveira
19-11-2015
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Loucuras
Meu corpo em delírio louco
Loucura de um desejo antecipado
Entrega-se ao ninho de amor amado
Numa doce harmonia entrelaçado
Meu corpo, desejo mantido
Em ti, em mim, em nós
Volúpia de ser indefeso, parido
Em parto de amor proibido
Meu corpo cansado doado
De insónia em insónia parado
Entrega-se ao sono do sono
Num desesperado abandono
Meu corpo louco de desejo
Abre-se num longo eterno beijo
Esse amor de doce loucura
É nosso mundo de ternura
Meu corpo ávido do teu
Embrenha-se num olhar o céu
Unimo-nos num só corpo
E amamo-nos num amor louco.
Maria Antonieta Oliveira
12-11-2015
Sonhos
As nuvens envolvem teu corpo de paz
Nua na lua desnudas-te ao sol
Que te bronzeia e aquece
Sem pudores entregas-te ao mundo
Que te olha e acalenta teus sonhos
Sonhas além do que podes
Num horizonte infindo
Onde anseias o amor profundo
A cama de lençóis de linho bordados
Te acolhe nesses sonhos dourados
Viras-te e a lua estremece
Deslumbrada com o teu corpo
O sol já brilha com a luz que emanas
As estrelas dissiparam-se envergonhadas
E as nuvens fugiram desesperadas
O sonho libertino continua
Entre lençóis de linho bordados!
Maria Antonieta Oliveira
12-11-2015
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Mentira
Já não sofro por te amar
Já não te amo
A doçura dos teus beijos
Amargam-me a boca
As tuas mãos macias
Arranham a minha pele
O teu cabelo onde perdi os meus dedos
Voou num tempo passado
E eu, esqueci caminhar a teu lado
Como minto
Eu que não sei mentir
Ainda te amo, sim
Sempre te amei de verdade
É esta a minha realidade
Os teus lábios doces me beijam
As tuas carícias me endoidecem
O teu cabelo acaricia meu corpo
Na loucura dum desejo realizado.
Tu, meu presente desejado.
Maria Antonieta Oliveira
11-11-2015
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Acaso
Nada acontece por acaso
Há acasos na vida
Que tornam a vida diferente
É como se a vida da gente
Voltasse a ser vida de novo
Mas,
Nada acontece por acaso
E o acaso da gente
Foi acontecer esse acaso
E a vida ao acaso
Nos dar tempo de vida
Para viver nosso acaso
E,
Já que nada acontece por acaso
Vamos viver este acaso
Que a vida de novo nos deu.
Maria Antonieta Oliveira
27-10-2015
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Rastejo
Rastejo, qual serpente no deserto
Farejo o dia em que me perdi
E não o vejo
Agora sou eu
Preciso de mimo, carinho e apoio
Dói-me o sentir, o viver
Quero morrer
Nesse deserto em que rastejo
Me perco e revejo e caminho sozinha
Nem sol nem lua me iluminam
A minha luz ficou contigo
Eu, fiquei embaciada, esbranquiçada
Pálida de lágrimas perdidas
Cálidas as noites serenas
Em que nem os pássaros pipilam
Meu corpo rasteja na areia fina
Do deserto em que me encontro
Nem água nem fome me atormentam
A aridez é completa
Atingi minha meta
Já nada me prende ao solo onde nasci
Quero partir daqui
Vísceras esquecidas em prol de nada
Rastejo em prece a Deus
Para que me livre de pensamentos nefastos
Onde a vida não mora
E a morte existe
Que encaminhe meus passos
Me leve em seus braços
E me tire dos enleios da vida
Onde rastejo perdida.
Maria Antonieta Oliveira
23-10-2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
À Espera da Hora
Do alto da montanha
Descem fios de prata
Tais os teus cabelos grisalhos
Lá longe, as luzes brilhantes
Entrelaçam-se com as estrelas
Na lareira crepitam as pinhas
Do pinheiro inventado para a festa
A avó, sentada na cadeira baixa
Aquece a saia preta, comprida
A madrinha no banco ao piano
Toca suaves melodias
Alusivas à data festiva
O pai e a mãe sentados no sofá
Dão as mãos esperando a hora
O sino da igreja badalava
Uma, duas, três…. Onze, doze
Todos se alegraram
Era noite de Natal!
Maria Antonieta Oliveira
14-10-2015
domingo, 11 de outubro de 2015
Pedras
Pedras
Calhaus dispersos no espaço
Tempo incerto trilhado
Pedras
Muros intransponíveis
Castigos vividos
Pedras
Horas passadas no segundo
Ao minuto do amor
Pedras
Partilhadas sofridas
Pisadas na calçada
Pedras
Aguardam momentos
De sol e luz
Maria Antonieta Oliveira
11-10-2015
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Amo o Amor
Amo demais o amor
Para poder viver sem ti
Como foi que me esqueci?!
Amo palavras já ditas
Amo um certo rubor
Amo sentir o calor
Amo amar-te de novo
Amo viver o passado
Amo ter-te a meu lado
Num suposto sonho de amor
Tu existes e vives e sentes
Os beijos que me ensinaste
São teus, são meus, são nossos
Não os dei a mais ninguém
Quero senti-los de novo
Os apertados e magoados dedos
Jamais esqueceram os teus
E já sentiram, sentiram de novo
Esse teu doce acarinhar
Essa tua forma diferente de amar
Esse teu gosto meigo de olhar
Os lábios, os jeitos, as mãos
Os olhos pestanudos de outrora
Aquele olhar que me atrai
Aqueles beijos que desejo
Aquelas mãos que eu quero
Tudo poderia ser meu presente
E como num sonho desperto
Acordo e adormeço e esperto
E olho ao redor de mim
E sei, sei que te amo como amei
Sei que me amas também
E que o ontem é hoje e amanhã será!
Maria Antonieta Oliveira
01-10-2015
00 h 18 m
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Tropeçaste e Caiste
No poial da minha porta
Passaste ainda há pouco
Tropeçaste na rua torta
Caíste que nem um louco
Gostei de te ver passar
Até te dei um piropo
Tropeçaste ao me olhar
Caíste que nem um louco
Gostas de mim, eu bem sei
Gritaste, até ficar rouco
Tropeçaste quando te amei
Caíste que nem um louco
Ainda te amo de verdade
Meu sempre, eterno garoto
Tropeçaste de felicidade
Caíste que nem um louco
Ajudei-te a levantar
Pareceu-me estares mouco
Tropeçaste ao acordar
Caíste que nem um louco
E num abraço profundo
Jurámos eterno amor
Tropeçámos noutro mundo
Caímos com tal fervor.
Maria Antonieta Oliveira
26-09-2015
Calmaria Alentejana
Na calmaria alentejana
Acariciei tua face rosada
Beijei os teus lábios doces
Com o beijo que me ensinaste
Olhei o teu meigo olhar
E senti saudades.
Na calmaria alentejana
Abracei o teu corpo desnudo
Como nunca o fizera antes
Senti tuas mãos deslizarem no meu
Fui feliz sem o ser
E senti saudades.
Na calmaria alentejana
Passeei na velha calçada
Calcorreei cubos já gastos
De mão na mão, tal como ontem
De sorriso no olhar
E senti saudades.
Na calmaria alentejana
Penso em ti!
Maria Antonieta Oliveira
26-09-2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Memórias
Memórias!
São memórias que sinto no som da tua voz
São memórias que guardo no fundo do meu coração
São memórias que me trazem as palavras que ouço
São memórias que se reproduzem nos meus olhos fechados
São memórias de um passado, vivido com sentimento
Memórias!
Os ecos de ontem, surgem no presente
E eu sinto com a mesma intensidade de antes
Aguardo em palpitações o teu som
O som do teu sorriso travesso, aberto, sincero
Como as memórias nos fazem felizes
Memórias!
Sinto-me adolescente irrequieta
Na ânsia de um olhar, de um beijo, de um olá
Da simples mas profunda palavra amor
Entre outras balbuciadas, disfarçadas
Omitidas na sensatez de quem é adulto
Memórias!
Do que vivi!
Do que senti!
De ontem!
Maria Antonieta Oliveira
24-09-2015
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Teias Libertadoras
Nos verdes me perco
Na esperança renascida me deleito
Nos azuis celestiais oro a Deus
Na fé me detenho e creio
Assim renovo meus dias
Sem sofrimento nem dor
Do parque verdejante faço meu leito
Na relva húmida me deito e sonho
A lua me acolhe na noite fria
A nuvem que passa me aquece e abraça
Adormeço no calor do teu peito
Amando o brilho estrelar
Aos poucos a noite fenece e o dia amanhece
Num azul céu de céu azul
Na limpidez do teu olhar vejo felicidade
O sol perscuta entre a folhagem
E nos encontra nessa miragem
Envoltos na luz da paz e do amor, em liberdade
Voos intermináveis em caminhos desertos
Na busca incessante do caminho do mundo
Onde encontrarei o outro lado de mim
Perdido algures na floresta agreste.
Nas teias me enleio mas prossigo
Só tu me libertarás e darás outro fim
Envoltos na luz da paz e do amor
Em liberdade, com o sol a brilhar
Num céu azul libertador
Nos encontramos entre a folhagem
Deste sonho tão desejado
Sem teias ou ameias que nos separem.
Maria Antonieta Oliveira
17-09-2015
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Cansei de Viver
Já posso partir desta vida
Já nada me prende aqui
Já fiz o que tinha a fazer
Já me doei a quem me quis
Já ajudei quem de mim precisou
Já nada me resta
Cansei de viver
Cansei de gritar
Cansei de sorrir sem vontade
Cansei de fingir ser feliz
Cansei de lutar
Cansei de vencer
Meu Deus, por favor
Ouve também esta minha prece
E leva-me para junto de vós.
Fui forte quando foi preciso
Fui guerreira e ganhei a guerra
Fui mãe várias vezes
Fui mulher, amante
Fui irmã, companheira, amiga
Fui caminhante nesta vida errante
Quero partir daqui
Quero voar bem alto
Quero viver sem sobressalto
Quero sonhos de mar
Quero acordar sorrindo
Quero adormecer ao luar
Meu Deus, por favor
Ouve também esta minha prece
E leva-me para junto de vós.
Maria Antonieta Oliveira
14-09-2015
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Olá
Em momentos de tristes sentires
Eis que surge um olá, foi para ouvir a tua voz
E nesse momento o coração sorri
Palpita mais apressado, acelerado
Que bom ouvir a tua voz do outro lado
Basta uma palavra, uma só palavra
Para tornar um momento diferente
Com suavidade e ternura
Fazer sorrir com candura
O olhar marejado e triste, da gente
Olá, foi só para ouvir a tua voz
Repete de novo comigo:
Olá, foi só para ouvir a tua voz
Olá, estou feliz por ouvir a tua voz
Diz meu coração pulando de alegria
Momentos que mudam momentos
Palavras que fazem milagres
Sentires sentidos profundamente
Como se não houvesse hoje
E o ontem, fosse presente.
Maria Antonieta Oliveira
07-09-2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Sentires
As brasas crepitam
Na manhã cinzenta do meu olhar
As dores alongam-se
No corpo sofrido do meu estar
Saudosas palavras ouvidas
Nos sonhos do meu sentir
Saudosos beijos paridos
Na boca sequiosa de sorrir
Negruras, azedumes, flores
Noites, lágrimas, jardins
Na senda funda dos amores
Soltam-se pétalas de jasmins.
Maria Antonieta Oliveira
29-08-2015
domingo, 23 de agosto de 2015
Meu Batel
Parti, num pequeno batel
Rumo ao destino
Entre águas serenas e ondas amenas
Naveguei
Nas águas cálidas do mundo
Me entreguei
Me perdi e encontrei
Levada pelo vento
Perdida ao relento
Sonhei
No lodo do fundo
Me afundei
Meu batel delirou
Desta viagem derradeira
Era para si a primeira
Dançou ao som do marejar
Cantou ao sol e ao luar
Foi sereia nos solstícios
Sem deixar de ser batel
Voltou às margens perdidas
Destroçado mas orgulhoso
De ter cumprido seu papel.
Do fundo me elevei
Aos céus pedi perdão
Pedi paz, Fé e pão
Sentada na proa ao vento
Deixei voar as tristezas e agonias
Nos cabelos soltos espigados
Lágrimas rolaram
Dos meus olhos magoados
Meu coração se libertou
Das agruras já vividas
Encarei o horizonte
Ergui os braços à lua
E senti-me de novo eu.
Obrigada, meu batel
Por me teres acolhido
Levando no mar proibido
Em busca do meu ser
Reencontrei o tempo perdido
A esperança na vida futura
Obrigada, meu batel
Por esta doce loucura.
Maria Antonieta Oliveira
23-08-2015
sábado, 22 de agosto de 2015
Preciso Escrever
Apetece-me escrever!
Preciso escrever!
Gritar bem alto o que me dói e sinto
Gritar!
Escrever gritando!
E quem vai ler?
Escrever para quem?
E o quê se as palavras já estão gastas
De tanto sofrimento e lágrimas?
Lágrimas derramadas de um olhar sombrio
Onde a tristeza impera e a solidão assola
Lágrimas desoladas de uma vida já gasta
A cabeça dói de tantas palavras já ditas
Dói de pensamentos e sentires
De negações positivas sem nexo
Reflexo de uma passagem incerta
Nesta rota infringida pelo destino peregrino
Parece querer rebentar de tanto pensar
Explosões de sonhos e experiências
Noites mal dormidas de insónias passadas
Saúdes e bem-estar acabadas
Destroços de vidas sem fim, confinadas
A cabeça dói!
As palavras gritam!
Preciso escrever!
Alguém irá ler!
Maria Antonieta Oliveira
22-08-2015
sábado, 15 de agosto de 2015
Não Brinques Comigo
Não brinques mais comigo
Chega de mentiras mesmo sendo piedosas
Estou velha e cansada para ser de novo enganada
Porque me mentes de novo?
Porque inventas o que não existe?
Para te livrares de algo a que me tinhas habituado?
És livre de sair ou entrar basta dizer
A porta que se abriu fecha-se de novo
E nela não voltarás a entrar
Dizes não ter motivos para duvidar
Será que não tenho mesmo?
E as horas trocadas, pensas que não vejo?!
Eu disse: - habituaste-me mal, e era verdade
De três “olá” passaste a um e a nenhum
Será que sou burra? Ou inventora?
Não,
Não brinques mais comigo
Diz a verdade e eu entenderei
Seja a verdade qual for
Mas não me mintas mais por favor
Não brinques mais comigo
Chega de mentiras mesmo sendo piedosas
Estou velha e cansada para ser de novo enganada.
Maria Antonieta Oliveira
15-08-2015
O Coração Ou A Mente
Soltam-se palavras dos lábios proferidas
Quem as dita?!
O coração ou a mente?!
Palavras benditas
Palavras que a gente sente
No coração ou na mente?!
Soltas, vagueiam num dilúvio constante
Ao sabor do vento que passa e as abraça
Num mar infindo, rumam ao infinito
Ao desconhecido, ao eterno, ao efémero
Soltas, saltitam de nenúfar em nenúfar
No lago circundante da vida
Passam e repassam sentires
Viajam nas folhas de outono que o tempo esvoaça
Soltas, inventam estórias por contar
Dizeres por soletrar
Pontes entre braços de abraços carentes
E bocas sequiosas de beijos por dar
Saudosas das vivências de outra era
Realidade ou quimera.
Soltam-se palavras dos lábios proferidas
Quem as dita?!
O coração ou a mente?!
Maria Antonieta Oliveira
14-08-2015
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Não Sabemos
Sabes uma coisa?
Não, não sabes!
Nem tu, nem eu sabemos!
Sabemos que foi o destino
Que nos fez separar e nos fez reencontrar
Porquê?
Para quê?
Não sabemos!
Para regressarmos ao passado
E vivermos lado a lado?!
Não sabemos!
Para nos amarmos com antes
Mas com mais tranquilidade?!
Não sabemos!
Para sonharmos um futuro impossível?!
Não sabemos!
Para vivermos um presente mais feliz?!
Não sabemos!
Porquê?
Para quê?
Não sabemos!
Maria Antonieta Oliveira
27-07-2015
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