O sonho é livre... é deixar voar o pensamento... é acreditar no inacreditável... é atingir o inatingível... Amar... Sofrer... Beijar... Doer...
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
O Tempo Que Passa
O tempo passa sem que o sinta
No telhado do sítio além
A chuva penetra o espírito
Endurecido pela velocidade do tempo
O tempo, esse tempo veloz
Que trai apartando sentires
Amores vividos que partem
Amores sentidos que regressam
E o tempo que passa.
Na vidraça estilhaçada pelo vento
Entre brumas de nuvens passantes
Folhas esvoaçam no espaço
Do espaço que separa e une
Neste tempo que passa e foge
Fugindo nas vielas da vida
Entre escarpas geladas e frias
Inóspitas sem gentes viventes
E o tempo passa passando.
E o tempo passa sem que o sinta
Porque o tempo sem tempo
Passa veloz e sem tino
Este tempo que é tempo de viver!
Maria Antonieta Oliveira
19-01-2016
Vida Por Viver
Quero sair por aí gritando o desalinho da alma
Alma que se encontra e desencontra
Nos caminhos do meu mundo
Mundo onde existo sozinha esquecida
Esquecida de viver, sorrir, saltar e brincar
Pelos campos do meu trilho
Trilho que piso a cada escalada vencida ou perdida
Perdida no sol da calçada humedecida
Pelas lágrimas saídas de mim
Por mim paridas no olhar vazio e triste
Triste na nostalgia de uma noite sem luar
Sem estrelas, sem brilho no mar
Mar que purifica a mente e agita as ondas na praia
Praia dos meus dias felizes no areal
Em que sinto a pureza dos pés deslizantes
Deslizam suavemente, pé ante pé
Pé que pisa o sofrimento dos dias e anos
Desenganos, traições e abandonos
Abandonos da vida que não vivi
Vivi sem viver uma história diferente
Que não tem nada a ver com a vida da gente.
Gente que passou na vida sem viver
Viver essa vida com gente feliz
Criança, adolescente, mulher
Vida sem vida, vivida com vida
Nos desígnios da vida partilhada
Assumida e retalhada
Pela vida que constrói e destrói
Os destinos prementes da gente
Que vive a vida sem viver!
Maria Antonieta Oliveira
19-01-2016
sábado, 16 de janeiro de 2016
Contas do Meu Rosário
Dedilhando os dias
Nas contas de um rosário
Penso nos dias em que sofri, sem ti
No tempo que me privou de te ter
Nos momentos tristes passados a só
Só comigo, contigo em mim
Cada conta
É um minuto passado, do passado
Em que tu não estavas, estando
Em que reconheço os erros
Em que sinto os desânimos da vida
E os sonhos por sonhar
Dez contas passadas
Dedilhadas com a amargura dos sentimentos
Dos momentos de solidão de nós
Perdidos na ingratidão da vida
Que nos separou unindo-nos
E nos uniu no novo amanhecer
Mais dez e dez, rezadas em paz
Mais dez e dez esperanças de outro amanhã
Onde a oração e a prece prevaleça
E a felicidade nos enobreça
Que jamais nos separemos
E juntos até ao fim continuemos.
Cada dia passado
É uma conta do rosário dedilhada
Na fé, na esperança, na paz.
Maria Antonieta Oliveira
16-01-2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
Ninfa
Na penumbra da noite
Contei-te em segredo
Os meus desamores
Disseste baixinho:
- Querida acorda, estás no meu ninho
Aqui és feliz, em meus braços estás
Nossa cama de penas alvas
E lençóis de linho puro
É nosso abrigo, de amor escondido
Onde nos amamos em segredo
Aqui repousamos de almas cansadas
Aqui nos esquecemos de mágoas passadas
Aqui nos deleitamos com amores conseguidos
Envolta em teu corpo, acordei
E em teu corpo desnudo, sonhei
Sonhei ter-te sempre e só meu
Nossos corpos alados cavalgando
Num mundo imaginário
Onde fossemos um só corpo em amor
Em êxtase e sintonia de prazeres
Envoltos na bruma do vento
Levados nas ondas dos mares sem fim
Um só, só um
Num trago de mar em rebelião
Seria a mais linda ninfa aparecida
Na praia esquecida da tua mão
No leito do teu rio
Descanso, tua!
Maria Antonieta Oliveira
08-01-2016
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Confesso
Será que amar é pecado?!
Se amar é pecado
Eu, pecadora me confesso!
Confesso que te amo demais
Amo-te para além do imaginário
Para além do admissível
Amo-te para além do que o coração permite
E a mente consente
Amo-te sem fogo que arde
Mas com fogo ardente e calor intenso
Com beijos suados e corpos transpirados
Amo-te para além do mundo em que vivo
Para além do que alguém já amou
Para além do sol que aquece a terra
E dá vida aos seres nascentes
Confesso!
Confesso que te amo demais!
E,
Se amar é pecado
Eu, pecadora me confesso!
Maria Antonieta Oliveira
06-01-2016
sábado, 2 de janeiro de 2016
Sonhos
Perco-me nas linhas do teu corpo
Suave, macio, perfumado e amado por mim
Meus dedos ciosos de prazer
Desnudam cada pétala de ti
Ergues a voz ao som do medo
Acalento prazeres infindos
Em ti, nesse corpo desnudado por mim
Arraso desejos sentidos
Sento-me no calor do teu ser
E amo o amor que te sinto
Quebro o gelo das noites frias
Em que não estavas em mim
Aqueço os sonhos em ti
E adormeço nos lençóis floridos da lua
Sonho em sonhos que sou tua!
Maria Antonieta Oliveira
02-01-2016
Abracei o Sol
Abracei os raios do sol
E olhei a lua ausente
Senti-te em mim presente
E sonhei com a felicidade
Sorrio às ondas do mar passante
Nos ventos trazidos de além
Nas areias que se movem para mim
Trazendo a minha felicidade sem fim
Revoltas as fragas do mar
Levam e trazem amores
Os meus, os teus, os nossos
Vagas que vagueiam nos ventos
Das marés dos mares agrestes
Sorrisos gritantes de pedras soltas
Nas colinas do raiar do sol
Da lua adormecida na vida
De mim, de ti, de nós
Abraço-te num abraço eterno
Com olhares de sois brilhantes
E estrelas incandescentes
Nos rios dos caminhos das vestes
Das gentes passantes deambulando
Pelos mundos, dos mundos sem fim
Pelos mares dos mares sem fundo
Pelos ventos dos ventos sem tempo
Por nós, por ti e por mim
Nos lugares em que sentimos o amor
No coração, no corpo, na alma.
Eu, tu, nós!
Maria Antonieta Oliveira
02-01-2016
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Hoje Não Vou Chorar
Hoje não queria chorar!
Não!
Hoje não queria sentir a face molhada
Não queria sentir o sal na minha boca sequiosa
Queria sentir os meus olhos sorrindo
Meus sentimentos fluindo sem dor
Queria abraçar o mundo
Sorrindo de felicidade
Sentir paz no coração
Sentir amor ao meu redor
E, não queria chorar!
Não!
Hoje não queria saborear o amargo da vida
Queria gritar bem alto, que sou feliz
Mas as lágrimas teimam em se soltar
Deslizam suaves e atrevidas sem pedir licença
As faces molhadas estão tristes
Angustiada pela vida de solidão
Que assola meus dias de sempre
A tristeza dos dias sem dias e sem horas
E eu, não queria chorar!
Não!
Hoje queria sorrir ao novo ano
Queria sentir paz, amor e felicidade
Queria ter esperança, fé e harmonia
Queria rir e saltar de alegria
Queria tanta coisa impossível
Ou possível, não sei bem
Queria voar nas asas do vento
E gritar ao mundo
Hoje não vou chorar1
Não!
Hoje não vou mais chorar
Vou limpar as lágrimas teimosas
Secá-las com o lenço da paz
Pôr um sorriso no rosto
Baton de brilho intenso
Rimel preto nos olhos
E abrir as mãos ao calor do sol
Sonhando com a lua cheia
Porque hoje não vou chorar1
Não!
Hoje não vou chorar!
Maria Antonieta Oliveira
01-01-2016
sábado, 5 de dezembro de 2015
Pedaço de Nada
A vida é um pedaço de nada
Nadas que fazem a vida,
E que são isso mesmo, nada
Agarra os segundos da vida
E vive-os como se fossem únicos
Os últimos de uma vida vivida
A vida tem que ser vivida
A cada minuto que passa
Porque a vida prega partidas à vida
E, o amanhã será tarde
Para viver aquele outro minuto
Da vida um dia sonhada
Ah vida traiçoeira
Que atraiçoas corações
Apagas emoções
Deixando lágrimas rolar
No olhar por quem partiu
E nunca mais voltará
Nem flores, nem lágrimas
Nem abraços ou beijos
Não quero manifestações
Nem grandezas de sermões
Por quem aqui me restar
Quero paz ao meu redor
Maria Antonieta Oliveira
05-12-2015
(Faleceu o grande homem, o grande poeta Vitor Cintra)
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Decidi Amar-te
Hoje decidi amar-te
Amar-te no silêncio do meu âmago
Na profundidade do meu sentir
Decidi amar-te
Com a saudade de um beijo
No segredo íntimo do desejo
Amar-te
Na vivência de um sonho
Na intensidade da paixão
Hoje decidi amar-te
Na carícia de dois corpos suados
Extravasados de pudores e sentimentos
Decidi amar-te
Com a juventude de outrora
Na alegria de te possuir
Amar-te
Como sempre te amei
No recôndito do meu ser
Hoje decidi amar-te
Tal como ontem
E, como te amarei sempre.
Hoje decidi amar-te!
Meu amor!
Maria Antonieta Oliveira
03-12-2015
Lá no Além
Até um dia meu amor
Sei que lá nos encontraremos
Sem pressões nem amarras
E então aí seremos felizes
Aqui, sem ti, já não quero estar
Lá, no além, estaremos unidos
Num só e único ser amado
Amantes de amores proibidos
Não, amantes de amores frustrados
De amores desencontrados
De caminhos seguidos noutros sentidos
Lá, no além, os nossos caminhos
Serão os caminhos do amor
Os caminhos da felicidade
Os caminhos onde nos descobriremos
Juntos, unidos num sem fim de sorrisos
Daqui, já parti há muito
Lá, no além, quero ter-te só meu
E eu serei tua finalmente
Viveremos então
Um enorme amor para sempre
Quero partir contigo
Para o além desconhecido!
Maria Antonieta Oliveira
04-12-2015
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Tabus
Despi-me de preconceitos, de tabus
De ideias pré-concebidas, de tudo
Despida de roupas mesquinhas
Que servem aos olhares malévolos
Mendigos de fome abastada, anunciada
Sôfregos de sentir pesados carinhos
Olhos sujos da poeira dos ventos
Corpos despidos na ânsia do desejo
Despidos pela magia do instante
Desprezados no chão já sujo
Como sujos os corpos desnudos dos amantes
Tabus?!
Preconceitos?!
Nudez!
Vida!
Despida de tudo
Numa nudez completa
Anseio o amanhã incerto
Na realidade do hoje passado
No ontem já perdido esquecido no tempo.
Tabus?!
Preconceitos?!
Nudez!
Vida!
Maria Antonieta Oliveira
01-12-2015
domingo, 29 de novembro de 2015
Apaixonada
Quero sentir-me apaixonada
Sentir borbulhas no estômago
Sonhar acordada
Desejar-te em segredo
Sentir paixão em meu coração
Quero amar-te como se nunca te tivesse amado
Quero sentir-me apaixonada
Como ontem
Sentir palpitações em emoções
Estremecer só de te pensar
Sentir o meu peito apertado
Por te ter sozinho a meu lado.
Ah, como me quero apaixonar!
Sentir meu corpo a suplicar
Os laivos da tua boca
A candura do teu corpo louco
A volúpia da nossa paixão
Em cama de rosas perfumadas
Ah como me quero apaixonar!
E de novo contigo sonhar
Neste nosso amor profundo
Em que ainda sinto pulsar
E meu estômago borbulhar
Esta nossa paixão sem fim.
Ah, como me quero apaixonar!
Ah, como é bom estar apaixonada!
Maria Antonieta Oliveira
29-11-2015
sábado, 28 de novembro de 2015
Reboliço da Alma
Veste-me as vestes do amor
Entra em mim como uma chama
Enfurecida na noite escura
Que trai e mente a ingratidão
A injustiça e a guerra
A terra onde caminhamos unidos
Na maldade nefasta das gentes
A raiva incontida, gemida
Grita bem dentro, de dentro de nós
Invade-me com palavras vãs
Ocas de sentimentos precisos
Deita-te na cama comigo
E jura-me falsidades infelizes
Contrapõe opiniões e divagações
Sai correndo p’ra rua em reboliço
Alarma o povo desprevenido
E ama quem te merecer amar
Voando nas asas de condor
Ave horrenda mesquinha
Urubu, abutre do mundo perdido
De um povo insano distorcido
De medos cóleras e degredos
Ódios ásperos ressentimentos
Caminhos de pedras soltas
De árduas montanhas paridas
Pelos ventos das manhãs agrestes
Nos invernos sinuosos da vida
Parte, aparta-te de mim, corre
Foge na longitude dos tempos
Capta imagens e sentires
De outros mundos e gentes duendes
Faz ouvir a tua voz bem fundo
Mostra-me teu rosto imundo
Revela-te a mim como és
Descalça resvalo meus pés
No doce caminho da paz.
Maria Antonieta Oliveira
28-11-2015
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Pensamo-nos
Na mutação do tempo penso em ti
E tu, pensas em mim
Nesses ses que nos unem e nos separam
Vivemos separados e unidos
Em sentimentos igualados e profundos
Em sonhos por realizar
Os dias sucedem-se iguais
Acalentando esperanças de amanhã
Lembrando esperanças de ontem
Vivendo esperanças de hoje
E eu, penso em ti
E tu, pensas em mim
Pensamo-nos em sintonia
Sonhamos de noite e de dia
E o espaço insiste, insiste
A distância se alonga entre nós
Nas horas que passam sem nos termos
Nos momentos em que não vivemos.
Ah se os ses nos deixassem viver!
E eu, penso em ti
E tu, pensas em mim.
Maria Antonieta Oliveira
27-11-2015
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Confusão
Cobre o meu corpo de flores
Rega-o de beijos com mil cores
Ateia-o com o fogo da paixão
Faz de mim um jardim de felicidade
Um forno de carinho e amizade
Deposita em mim as falsas moralidades
Deixa-me viver nas águas do limbo
Oculta pelas algas salgadas na madrugada
Do amanhecer de um amanhã florido
Esquecido no dia triste
Nas cinzas brancas do meu corpo
Fétido, petrificado sem humanidade
Rios de amalgamas cheirosas
Perfume de rosas coloridas
Do jardim florido da paz e do amor
Entrega-me ao sol e ao mosto
Para purificar o meu corpo perdido
Deixa-me sentir que estou viva
Na beleza das flores com que me cobriste
Nesta imensa confusão que me assola.
Dá-me tempo para viver!
Maria Antonieta Oliveira
26-11-2015
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Amor de Verdade
Vem, repousa em mim o teu olhar
O teu corpo no meu aconchegar
E sorri!
Vem, agasalha-te no meu coração
Dá-me o calor da tua mão
E sorri!
Vem, beijar o meu corpo desnudo
Sentir meu agrado profundo
E sorri!
Vem, esconde-te dentro de mim
Dar-me um abraço sem fim
E sorri!
Vem, despe-te de preconceito
Deitarmo-nos no mesmo leito
E sorri!
Vem, ama-me como te amo
Teu doce amor, reclamo
E sorri!
Sorrimos de felicidade
Neste terno amor de verdade!
Maria Antonieta Oliveira
25-11-2015
A Sós Comigo
Procuro a solidão dentro de mim
Esta horrível solidão que não tem fim
Penso em ti na procura de companhia
Vejo-te no olhar onde me perco
Beijo-te nessa boca de desejo
Nem contigo em mim me sinto acompanhada
Regresso ao passado na nossa ambiguidade
Esse olhar que me deseja
Essa boca doce que me beija
Esse corpo que me acarinha e abraça
Nesses braços me enrosco e aninho
E meu ser continua sozinho
Ah solidão nefasta, parte, vai-te de mim
Deixa-me sentir que não estou só
Deixa-me viver feliz sem ti, contigo
Sempre contigo em mim, nós unidos
Ah solidão, enganas-te
Vou sentir-me sempre acompanhada
Ah solidão, como te enganas
Nunca mais estarei só, contigo
Pois tu estarás sempre a sós comigo.
Maria Antonieta Oliveira
25-11-2015
terça-feira, 24 de novembro de 2015
O Teu Abraço
Preciso de um abraço
Aquele teu abraço apertado
Em que nos entregamos sem destino
Em que nos doamos com carinho
Preciso de um abraço
Que me afague e acalente
Que me anime e faça feliz
Aquele abraço que eu sempre quis
Preciso de um abraço
Em que sinta os teus braços
E o teu coração junto ao meu
Prendendo-me num beijo teu
Preciso de um abraço
Que alegre o meu sentir
Que me ilumine o olhar
E faça o milagre de sorrir
Preciso de um abraço
Apenas e só o teu abraço
Aquele doce abraço
O teu, sempre teu abraço
Maria Antonieta Oliveira
23-11-2015
sábado, 21 de novembro de 2015
Outono
O outono desce nas folhas caídas
Nas ruas vestidas de várias cores
Ocres, castanhos de passos pisadas
Verdes sem cor, canteiro sem flor
Calçada molhada, neblina que cai
O sol envergonhado desvanece
Folhas secas, murchas, esquecidas
No chão enlameado p’la chuva
Passantes, gentes oprimidas, feridas
Enregeladas de amores inconstantes
Entrelaçam os passos na vida
De tantos outonos sofridos, magoados
Salpicos de neve, flocos de gelo
Orvalhos de saudade sentida
Recalcam sentires passados
O vento norte despedaça corações
Atirando as folhas caídas como setas
Qual cupido estilhaçando emoções
Esgueiro-me no sopé da montanha
Buscando o raio de sol aquecido
Debruço o olhar à nuvem maior
Redobram os sinos no lugar
As folhas revoltas ao tempo
Do vento que teima em passar.
Maria Antonieta Oliveira
21-11-2015
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Porque Sim
Não me perguntes porquê
Dir-te-ei apenas - porque sim!
Porque gosto dos teus olhos?
Porque sim!
Porque gosto dos teus beijos?
Porque sim!
Porque gosto de sonhar?
Porque sim!
Porque gosto de te amar?
Porque sim!
Porque gosto de viver?
Porque sim!
Porque gosto de sorrir?
Porque sim!
Porque gosto do mar?
Porque sim!
Porque gosto do sol e do luar?
Porque sim!
Sim, não me perguntes porquê
Dir-te-ei apenas – porque sim!
Maria Antonieta Oliveira
20-11-2015
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Doçura de Um Voo
Meu corpo cede ao desejo de voar
E voo no pensamento e na luz do teu olhar
Rumo a um destino incerto
Ao caminho perdido, num tempo já perto
Nas pedras soltas da estrada parada
Sobrevivo na minha angustia magoada
Olvido o sentir que me marterisa
E caminho na noite esquecida
Voo no tempo e no espaço
Ao encontro daquele nosso abraço
Ambíguo desejo, ambígua liberdade
É tudo o que anseio, a minha felicidade
Ingenuamente descalça de palavras
Partilho contigo as que ainda sei dizer
Palavras, apenas e só palavras
Água da fonte vertida a sofrer
Voo, voo no ápice de um relâmpago
Voo, nas asas das andorinhas felizes
Maria Antonieta Oliveira
19-11-2015
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Loucuras
Meu corpo em delírio louco
Loucura de um desejo antecipado
Entrega-se ao ninho de amor amado
Numa doce harmonia entrelaçado
Meu corpo, desejo mantido
Em ti, em mim, em nós
Volúpia de ser indefeso, parido
Em parto de amor proibido
Meu corpo cansado doado
De insónia em insónia parado
Entrega-se ao sono do sono
Num desesperado abandono
Meu corpo louco de desejo
Abre-se num longo eterno beijo
Esse amor de doce loucura
É nosso mundo de ternura
Meu corpo ávido do teu
Embrenha-se num olhar o céu
Unimo-nos num só corpo
E amamo-nos num amor louco.
Maria Antonieta Oliveira
12-11-2015
Sonhos
As nuvens envolvem teu corpo de paz
Nua na lua desnudas-te ao sol
Que te bronzeia e aquece
Sem pudores entregas-te ao mundo
Que te olha e acalenta teus sonhos
Sonhas além do que podes
Num horizonte infindo
Onde anseias o amor profundo
A cama de lençóis de linho bordados
Te acolhe nesses sonhos dourados
Viras-te e a lua estremece
Deslumbrada com o teu corpo
O sol já brilha com a luz que emanas
As estrelas dissiparam-se envergonhadas
E as nuvens fugiram desesperadas
O sonho libertino continua
Entre lençóis de linho bordados!
Maria Antonieta Oliveira
12-11-2015
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Mentira
Já não sofro por te amar
Já não te amo
A doçura dos teus beijos
Amargam-me a boca
As tuas mãos macias
Arranham a minha pele
O teu cabelo onde perdi os meus dedos
Voou num tempo passado
E eu, esqueci caminhar a teu lado
Como minto
Eu que não sei mentir
Ainda te amo, sim
Sempre te amei de verdade
É esta a minha realidade
Os teus lábios doces me beijam
As tuas carícias me endoidecem
O teu cabelo acaricia meu corpo
Na loucura dum desejo realizado.
Tu, meu presente desejado.
Maria Antonieta Oliveira
11-11-2015
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Acaso
Nada acontece por acaso
Há acasos na vida
Que tornam a vida diferente
É como se a vida da gente
Voltasse a ser vida de novo
Mas,
Nada acontece por acaso
E o acaso da gente
Foi acontecer esse acaso
E a vida ao acaso
Nos dar tempo de vida
Para viver nosso acaso
E,
Já que nada acontece por acaso
Vamos viver este acaso
Que a vida de novo nos deu.
Maria Antonieta Oliveira
27-10-2015
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Rastejo
Rastejo, qual serpente no deserto
Farejo o dia em que me perdi
E não o vejo
Agora sou eu
Preciso de mimo, carinho e apoio
Dói-me o sentir, o viver
Quero morrer
Nesse deserto em que rastejo
Me perco e revejo e caminho sozinha
Nem sol nem lua me iluminam
A minha luz ficou contigo
Eu, fiquei embaciada, esbranquiçada
Pálida de lágrimas perdidas
Cálidas as noites serenas
Em que nem os pássaros pipilam
Meu corpo rasteja na areia fina
Do deserto em que me encontro
Nem água nem fome me atormentam
A aridez é completa
Atingi minha meta
Já nada me prende ao solo onde nasci
Quero partir daqui
Vísceras esquecidas em prol de nada
Rastejo em prece a Deus
Para que me livre de pensamentos nefastos
Onde a vida não mora
E a morte existe
Que encaminhe meus passos
Me leve em seus braços
E me tire dos enleios da vida
Onde rastejo perdida.
Maria Antonieta Oliveira
23-10-2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
À Espera da Hora
Do alto da montanha
Descem fios de prata
Tais os teus cabelos grisalhos
Lá longe, as luzes brilhantes
Entrelaçam-se com as estrelas
Na lareira crepitam as pinhas
Do pinheiro inventado para a festa
A avó, sentada na cadeira baixa
Aquece a saia preta, comprida
A madrinha no banco ao piano
Toca suaves melodias
Alusivas à data festiva
O pai e a mãe sentados no sofá
Dão as mãos esperando a hora
O sino da igreja badalava
Uma, duas, três…. Onze, doze
Todos se alegraram
Era noite de Natal!
Maria Antonieta Oliveira
14-10-2015
domingo, 11 de outubro de 2015
Pedras
Pedras
Calhaus dispersos no espaço
Tempo incerto trilhado
Pedras
Muros intransponíveis
Castigos vividos
Pedras
Horas passadas no segundo
Ao minuto do amor
Pedras
Partilhadas sofridas
Pisadas na calçada
Pedras
Aguardam momentos
De sol e luz
Maria Antonieta Oliveira
11-10-2015
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Amo o Amor
Amo demais o amor
Para poder viver sem ti
Como foi que me esqueci?!
Amo palavras já ditas
Amo um certo rubor
Amo sentir o calor
Amo amar-te de novo
Amo viver o passado
Amo ter-te a meu lado
Num suposto sonho de amor
Tu existes e vives e sentes
Os beijos que me ensinaste
São teus, são meus, são nossos
Não os dei a mais ninguém
Quero senti-los de novo
Os apertados e magoados dedos
Jamais esqueceram os teus
E já sentiram, sentiram de novo
Esse teu doce acarinhar
Essa tua forma diferente de amar
Esse teu gosto meigo de olhar
Os lábios, os jeitos, as mãos
Os olhos pestanudos de outrora
Aquele olhar que me atrai
Aqueles beijos que desejo
Aquelas mãos que eu quero
Tudo poderia ser meu presente
E como num sonho desperto
Acordo e adormeço e esperto
E olho ao redor de mim
E sei, sei que te amo como amei
Sei que me amas também
E que o ontem é hoje e amanhã será!
Maria Antonieta Oliveira
01-10-2015
00 h 18 m
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