sábado, 24 de outubro de 2026

O Amor das Rosas

No meio de um vermelho roseiral

Vi a espreitar, uma rosa amarela

Solitária entre tantas outras

Que unidas nem reparam em ti

Tu, sobrevives a essa solidão

Tal como eu, uma solidão acompanhada

Sobrevivemos a essa solidão

Somos mais fortes que ela

Tu, vês muitas rosas vermelhas

Simbolo do amor

Eu, vejo muito amor do meu amor

Mas continuamos isoladas

No meio de tanta beleza pura

Sabes, rosa amarela

Hoje deram-me uma rosa cor de rosa

Fiquei feliz por mais uma vez se lembrar de mim

O meu amor, o amor que sinto por ti

Não se define numa rosa

Nem sequer num roseiral

Sejam vermelhas ou amarelas

Unimos as cores e damos as mãos

Unimos o amor e a vida é bela,

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

24.10-2026

 

 

Mentindo


 

 

Hoje estou feliz

As lágrimas escorrem de um coração partido

Pela saudade

Sempre a saudade de ti

A incógnita de um dia ser diferente

E te ter de novo amigo e confidente

Hoje, não estou feliz

Como ontem e anteontem, e antes de anteontem

E antes de antes, e antes de antes

Menti, tal como Fernando Pessoa disse

Que o poeta é um fingidor

Eu finjo estar feliz

Mas só o voltarei a ser

Quando tu voltares a ser como eras

Para mim e para o avô

Ele, também sofre calado

Mas sofre

Sofre por te teres afastado de nós

Pelo silêncio

O teu silêncio oprime o nosso coração

E deturpa o sentir e a emoção

Mentindo

Hoje estou feliz.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

24-10-2026

domingo, 18 de outubro de 2026

Menu Alentejano


 

Cheguei cheia de fome

Entrei no primeiro restaurante que encontrei

O empregado simpático e amistoso

De guardanapo branco no braço trouxe a lista

Olhei, li, reli e tudo me sabia e cheirava bem

O que escolher então?!

A sopa da cação; a açorda de alho com bacalhau,

As migas com entrecosto, o borrego assado

As sopas de tomate com peixe frito

Ou um gaspacho, entre muitas outras iguarias?!

Meu Deus, na mesa já o cheirinho do pão abria o apetite

E as azeitonas com orégãos

Sem falar no vinho da Vidigueira já escolhido       

Olhei de soslaio para as sobremesas

Ai mãe, gila em muitas delas, nem quis ver as restantes

Embora a tigelada, e os folhados me fizessem pensar

Pasmada e esfomeada pelo menu percorri de novo

Um olhar, um sonho, um despertar, uma realidade

Muito longe de tudo isto, eu estou

Mas adorava poder usufruir deste belo manjar

Talvez quem sabe, um dia aí volte

E o meu sonho alentejano realizar.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

18-10-2026

EU - 1

 

Já fui filha, mãe e avó.

Já fui estudante.

Já fui técnica de contabilidade industrial, sendo a responsável da mesma.

Já fui colaborante da contabilidade geral.

Já fui poeta, escritora, divulgadora de autores, apresentadora, prefaciadora, colaboradora.

Já fui embirrante com os meus motivos, que só eu sabia

Já fui amiga, muito amiga sem oportunismos

Já pequei, pelas leis de Deus, não pelas minhas

Já fui confessora de quem em mim confiava e aceitava os meus conselhos

 

Sou casada

Sou mãe e avó

Amo e sou amada pelo meu marido

Sou amiga verdadeira de quem merece a minha amizade

Escrevi e risquei linhas sem nexo, em caminhos perdidos

 

Sou mulher da vila

Sou mulher da cidade

Sou mulher do mundo que desconheço

E daquele que bem conheço

Esta sou eu

Que não me reconheço

Nem sei quem sou.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

18-10-2026

 

 

 

Cantei Um Fado


 Hoje, cantei um fado

Fado triste e magoado

Fado sofrido

Fado corrido

Correndo cantei uma canção popular

Pus todo o povo a dançar

Sorri, saltei, pulei e fui feliz

Tentei depois cantar o meu cante

Mas o meu cante, não é fácil de cantar

Tentei, voltei a tentar

E consegui um cante cantar

Parecendo triste não o era

Tinha o sentir do meu coração

Que será sempre de alentejana

Ouvi palmas e assobios

Mas fiz o gosto ao dedo

E eu, que nunca cantei

Hoje, cantei um fado.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

18-10-2

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Vesti-me de Luto


 

 

Vesti-me de preto

Vesti-me de luto

Ninguém partiu

Apenas eu parti

Parti de ser feliz

Parti de ser realizada

Parti de ser avó amada

Parti, simplesmente, parti

Mas fiquei

Fiquei na esperança de que tudo se resolva

E eu volte a ter o amor de quem amo

De ter o beijo e o abraço

O sorriso lindo

O amor sentido

Queria tanto poder voltar atrás

Aos tempos em que era feliz e não sabia

Não sabia que tudo isto aconteceria

Confiei em mim e em ti

Nunca imaginei que esquecesses tão rápido

O amor que te dei,

O quanto te amo

O que por ti sempre fiz e farei.

 

Amo-te tanto, meu príncipe!

Perdoa esta velha que breve se irá!              

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Olveira

16-10-2026

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Sombras

Sombras

Sombras são imagens indefinidas

Num papel em branco ou no encontro imperfeito

São histórias por contar de uma parede caiada

São histórias por contar envoltas em segredo

São flores doadas com a raiva de quem as recebe

Murchas num tempo sem tempo irreal

São amores escondidos da luz do dia

E perpetuados nas noites de luar

São algas enroladas nas ondas do mar

Esquecidas no areal da praia além

Sombras

São amores verdadeiros encurralados

Pela vida etérea que os condena

Momentos vividos com paixão de coração feliz

São sombras

Sombras que nos oprimem de viver

Sombras que nos levam a morrer

Sombras!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

14-10-2026

 

sábado, 10 de outubro de 2026

Quase Velhinhos

Sabes amor, já somos quase velhinhos

Somos quase meninos a precisar de carinhos

Felizmente, Deus nos pôs no mesmo caminho

E de mão na mão damos muitos miminhos

Sabes amor, cada vez mais nos sentimos amando

Um ao outro, sempre em união

Uníssono só nosso que ninguém entende

Mas nós assim, unidos, somos felizes

Na nossa quase velhice

Somos mais amigos ainda

Do que éramos na nossa meninice.

Sabes amor, és a vida que Deus me deu

Para comigo caminhar até ao fim.

Amo-te, meu amor quase velhinho

A tua quase velhinha que muito amas

E te amará até ao dia final.


Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

10-10-2026

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Morri Hoje


 

Hoje, morri

Mataste-me com a tua atitude cruel

Não eras o jovem que saiu da minha casa

Eras um ser moldado por alguém

Alguém que te oprime sem que o percebas

A quem obedeces sem quereres

Alguém que conseguiu adormecer-te

E ficaste outra pessoa

Cruel, insensato, sem vontade própria

Mas, és feliz

Dizes que és super feliz

Que bom seria que assim fosse

Mas eu sei que não

Eu conheço-te muito bem

Estás revoltado contigo próprio

E não consegues dar a volta

Não consegues dizer: - estou farto

Quero sair deste sítio onde me meteram

Quero sair e voltar a ser eu

Compreendo-te sem te compreender

 

Morri hoje

Mataste-me!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

09-10-2026

domingo, 4 de outubro de 2026

O Sonho Comanda A Vida


 

O que me resta na vida?!

Nada!

Já não tenho alegria

Já não posso passear

Já não posso fazer nada em casa

Já nem à praia acabo por ir

Não saio

Aqui  fico recordando

Os poucos bons momentos que vivi

Ou então

Os momentos vividos brincando convosco

Aqui no meu canto ainda sonho

Sonho com o que é quase impossível

Pois o tempo não volta atrás

Queria ser criança mas ser feliz

Queria ser adolescente e ser feliz

Queria tanta coisa que não posso nem nunca soube mudar

Queria ser uma mãe amada pela sua filha

Queria ser uma avó amada e desejada pelos seus netos

Queria ser eu

Aquela que sonha

Aquela que sabe sonhar

Porque como diz o poeta

“O sonho comanda a vida”

E eu sonho

Sonho voltar a ter-te e saber-te feliz.

Quero que o teu sonho comande a tua vida

E te sintas realizado e feliz.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

04-10-2026

Superior a Mim


 

Quero ser forte mas não consigo

Quero obedecer ao que me aconselham

Mas é superior a mim

O meu pensamento

O meu ser

Está sempre contigo

Quero seguir em frente

O pouco tempo que ainda tenho

Mas tu, estás sempre no meu caminho

E quero ajudar-te

Mas não sei como fazer

Desta vez não te sei ajudar

Tens outras vozes que te falam

E ficas sem saber quais as mais verdadeiras

Um sim, contra um não

Sim, quero sair deste limbo

Não, não sei como sair sem ferir

Luto comigo própria

Luto sozinha comigo

Luto por ti.

Arranjei uma ampulheta

Que marca o tempo perdido entre nós

A areia desce, eu volto-a

Ela volta a descer, eu de novo a volto          

De nada vale, o tempo passa por entre os grãos da fina areia

E eu, fico à espera que tu chegues

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

04-10-2026

 

 

 

 


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Guadiana


 

Pelas águas do Guadiana

Corre um rio que vem de Espanha

Por ele mandei meu barquinho de papel

Na esperança que tu o visses

Escrevi versos de amor

E o quanto gosto de ti, Alentejo

Ai, se eu pudesse, meu Deus

Voltaria a nascer nessa terra, nesse sol

Longe ou perto do Guadiana

Mas bem pertinho do meu cante

Se eu pudesse, seria na Vidigueira

Pois já conheço as suas ruas

As janelas e estradas

As Capelas e as Igrejas

Já te conheço, minha terra

Sem nunca te conhecer

Sem nunca em ti viver

Mas em meu sangue, corre  o teu sangue

A água do Guadiana

E o vinho da talha ou o das adegas

O meu barquinho de papel

Levou-me em pensamento

Pelas águas do Guadiana

Até às minhas raízes alentejanas.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

01-10-2026

 

 

sábado, 26 de setembro de 2026

Refúgio


 

 

Tenho um refúgio escondido  no meu peito

Nele guardo uma vida de sonhos e sentimentos

Guardo os meus amores e desamores

Guardo as pessoas que já partiram e eu amei e amo ainda

É um refúgio onde ninguém entra

É meu e apenas meu

São lembranças de bons momentos

São lembranças de maus momentos

É a minha vida passada num simples refúgio

Entre areias movediças e calçadas de pedras fortes

Por vezes, muitas vezes, refugio-me nele

Para que ninguém me veja chorar

Rir é difícil raramente acontece

Nesse refúgio onde me encontro e me escondo

Esconde a outra parte de mim

Aquela que ninguém conhece

E onde me perco por também a não conhecer.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

26-09-2026

 

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Buzio


 

 

Junto ao Bugio

Encontrei um buzio

Pu-lo ao ouvido e ouvi a tua voz

Sibilavas o meu nome

Chamavas-me de amor

De querida da minha vida      

Desencostei-o e senti o teu cheiro

Era um odor a mar salgado

Odor ao nosso amor

Mergulhei, bracejei, nadei

E cheguei à praia

Exausta, cansada e dorida

Naveguei como um naufrago

Mas cheguei

Cheguei até ao areal que me esperava

Lá, onde tu também estavas

Entreguei-te o buzio

Que tinha encontrado junto ao Bugio

Fizeste o mesmo que eu fizera

E ouviste a minha voz

Dizendo o que me tinhas dito a mim

Em sintonia as nossas palavras se cruzaram

No som do buzio

Que encontrei junto ao Bugio.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

24-09-2026

Diamante


 

 

A vida é um dilema

Um diamante em bruto

Para que cada um de nós faça a sua lapidação

Uns melhor

Outros menos bem

E ainda outros, muito mal

A vida é um dilema

Que temos de saber resolver da melhor maneira

Com paz, com amor, com união, com partilha

Com respeito, com compreensão, com Fé e compaixão

Um dilema com um diamante em bruto

Aparentemente é muito

Para conseguirmos viver em paz e ser feliz

 

Lapidei o meu diamante

Resolvi o meu dilema

Mas errei demais antes de o conseguir

Errando, tropeçando, mas continuando a caminhar

Chegaremos àquilo que desejamos sem pisar ninguém

Porque se o diamante se pode lapidar a nosso gosto

Também a vida se pode viver com paz e amor.

 

Lapidei o meu diamante

E, resolvi o meu dilema.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

24-09-2026

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Vila de Frades

 


 

Vila de Frades sem frades

Mas rainha do vinho da talha


És amistosa e airosa

Com um belo jardim florido

E uma bica de água fresca

Como nos tempos d’outrora

Tens teus belos restaurantes

Com petiscos de primeira

Também tens o Museu dos Arcos

Onde guardas muitas relíquias

Encontradas nas escavações

Do austero monumento

De São Cucufate

 

És Vila de Frades sem frades

Mas com muita devoção

Com Igrejas e Capelas

Que te dão paz e amor no coração.

 

Maria Antonieta Oliveira

23-09-2026

 

 


Finalmente


 

 

Dia de fortes emoções

Voltei a ouvir a tua linda voz

Falámos com amor e emoção

Deu para que eu me sentisse feliz

Muito feliz

Como há muito não me sentia

Como te amo, meu querido

Foi tão bom este reinicio

Se Deus quiser em breve nos veremos

E então daremos o nosso abraço e os nossos beijos

Aguardo esse dia com ansiedade

Breve, breve chegará

Eu confio

A Fé, a esperança e a confiança

Jamais me abandonaram

E continuo confiando

Que nada jamais nos separará

És e serás sempre o meu príncipe muito amado.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-09-2026

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

O Nosso Ninho


 

Se eu pudesse fazia um ninho no cimo de um candeeiro

No caminho que nos leva ao amor

Apanhava canas e paus fininhos

Entrelaçava-os com muito carinho

Lá no cimo bem perto do céu

Nasceriam outras gaivotas

Outros pássaros chilreando

Outros amores falantes

Se eu pudesse fazia um ninho

E nele juntinhos ficaríamos unidos

Em paz com muito amor

E longe dos que nos querem fazer mal

Daqueles que nos querem separar

Se eu pudesse acarinhava-te como se fosses um bebé

Beijava-te e dava-te ainda mais amor

Daquele que sei que sinto por ti

O nosso ninho no cimo do candeeiro

Seria o mais belo e luminoso já visto

Pois nele habitaria a união de duas almas puras

Levadas por palavras vãs

Ditas pela maldade dos ciumentos.

 

Se eu pudesse faria o ninho do amor!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

21-09-2026

domingo, 20 de setembro de 2026

Não à Guerra

Não à guerra

Não destruam mais esta terra

Tenham pena de quem sofre

Crianças sem qualquer culpa

Mulheres feitas reféns

Fome e miséria

Cidades destruídas

Ruas infestadas de mortos

Cheiros nauseabundos

Filhos sem pai nem mãe

Mães sem filhos

Famílias sem união

Por favor, Senhor

Ensinai-lhes a paz

Guerra NÃO!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

 

Canção

Fiz da vida uma canção

Quis definir um bonito refrão

Que rimasse com felicidade

Deixasse de lado a saudade

Queria pôr rosas a sorrir

E a maldade a florir

Queria virar o mundo

Por outro com amor profundo

Sem guerras nem desleais

Com paz amor e fieis

A canção esqueci-a de imediato

Pois nada rimava de bom grado

Acabei ficando por quase nada

Neste poema que pouco diz

Para quem o ler sem saber porque o fiz

 

Seria uma bonita canção

Terminando com uma linda oração.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

 

 

Fantasmas


 

Tudo na vida são fantasmas

São fantasias imaginadas ou até sonhadas

São vivências nossas ou de outras vidas

São fracassos e vitórias

Fantasmas vestidos de branco puro

Enviando suas preces à paz

Ou, fantasmas de negro gritando a guerra

São fantasmas verdadeiros de carne e osso

Alguns deveriam morrer numa vala ou num poço

Queria ser um fantasma da paz

De branco vestida e dando vida à vida

Dando a quem não tem pão para comer

Roupa para vestir ou cama para dormir

Dar amor e perdão

Saber ouvir a solidão

Sem julgar ou dar razão

Queria ser um fantasma da paz!

 

Fantasmas!

A vida é feita de fantasmas!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026