quinta-feira, 12 de março de 2026

Saudade

 

A saudade é traiçoeira

Hoje, lembro.me de ti

Amanhã, nem sei que existes

Hoje vejo o mar a ondular

Amanhã, lembro-me do verão a escaldar

Lembro o passado risonho

Também lembro o passado sofrido

Lembro quem partiu

Uma partida insubstituível

Uma saudade que não tem cura

Foram e jamais voltarão

Lembro as ruas por onde passei

E, se calhar, jamais lá voltarei

A minha Vila que me viu nascer

E onde gostava de morrer

Lembro tudo e lembro nada

Pois nesta vida nada somos

Hoje, é hoje

Ontem, foi ontem

Mas amanhã, não sabemos se haverá

Nesta passagem tanto vivemos

Tantas lembranças boas e menos boas

Tantos que já partiram

O amor esse persiste e insiste

Numa saudade incalculável.

A saudade é traiçoeira.

 

Maria  Antonieta Bastos Alentado Oliveira

12-03-2026

 

 

sábado, 7 de março de 2026

Mulher


 

Nasci

Era bebé rechonchuda

O tempo foi passando

E eu fui crescendo

E hoje sou mulher

Tu, mulher, também nasceste bebé

Também cresceste

E hoje, também és mulher

Mulher que estudou

Mulher que trabalhou

Mulher que foi mulher

Mulher mãe

Mulher amada

 

Mulher traída

Mulher maltratada

Mulher atarefada

Mulher trabalhadora

Mulher solitária

Mulher sofrida

 

Mulher bonita ou feia

É mulher

Mulher gorda ou magra

É mulher

 

Ser mulher

É ser alguém que pariu

E deu vida a outras mulheres

Mas, também pariu os homens

 

Mulher, é ser amor!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

07-03-202

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 6 de março de 2026

O Lago


 

Fui à floresta do lago

Onde os nenúfares ondeiam e brilham

Dancei com eles uma valsa

Um tango, e sei lá que mais

Patinhos se aproximaram

Dando mais vida aquele lago solitário

Ninguém o conhecia

Ninguém o visitava

Apenas o cantarolar dos passarinhos e,

Apenas eu e tu

Era o nosso lago e os nossos nenúfares

Foi ali que me deste o primeiro beijo

Reagi com uma resposta imediata

E dei-te um abraço beijado

Carinhos sentidos e trocados

Amor começado à beira deste lago.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

06-03-2026

O Vaso


 

 

Tenho uma rosa cor de rosa

Plantada num vaso branco e preto

Tem losangos feitos de pedra lisa

E outros, com corações vermelhos

É losango  o meu vaso

É rosa a minha rosa

Rego-a todos os dias com amor

Porque o meu vaso foi feito com amor

Por mãos calejadas de outras pedras

Com a delicadeza de alguém que era herói

Herói da minha vida

Era um génio e ganhou um prémio

Mas o meu vaso losango, é meu

Não o dou a ninguém

Dou a rosa se a quiserem

Mas o vaso, esse é meu

Tem um coração vermelho

O nosso coração unido na saudade

De tantos anos sem ti, meu pai.

Mas,

O vaso, o nosso vaso

É meu!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

06-03-2026

 

Quando O Sol Nasce


 

Quando o sol nasce, tu sorris

Sentes como que o calor de um abraço

Aquele que te falta no dia a dia

Sorris ao sol e à vida

Pois já sabes que vais florir

Como vão florir as flores do teu jardim

Vão alegrar o teu olhar

Colorir a tua negra vida de solidão

Cada  flor tem sua cor

Cada cor uma lembrança

Cada salpico um brilho de pérola

Esquecida na vegetação

Cada olhar um sorriso feliz

 

E bastou o sol nascer

Para te fazer sorrir

E te dar a felicidade que não sentes

Nos dias escuros sem que o sol não nasça!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

06-03-2026

 

Guerra Sem Armas


 

Há guerras sem guerras

Armas desarmadas

Porque não são armas

Almas perdidas na vida

Sem coração, nem amor

Pessoas que não sabem sentir

Ou sentem e sofrem esse sofrimento no calado do dia

Cabeças vazias, ocas, sem tino

Corações iguais, vazios, ocos e sem amor

Porque não sabes amar?!

Porque não sentes que fazes sofrer?!

Talvez, porque também não és um ser amado

Talvez, porque não te compreendam

E não te ajudem a ver que a vida é outra

E tão curta, tão curta, tão curta

Para quê tanta maldade e sofrimento?

Acabem as guerras sem guerras

Já chegam as que têm armas armadas

E mortos a sério

 

Amam-se uns aos outros!

Amem o Mundo e a humanidade!

Haja felicidade entre os povos!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

06-03-2026

quinta-feira, 5 de março de 2026

Tu, És Humana


 

 

Para que casas, Maria?

Sabes que ele é traidor

Sabes que ele gosta mais de dormir do que de trabalhar

Sabes que ele não tem paciência, nem sequer para ele próprio

Sabes que ele bebe demais e quando bebe é mau, muito mau

Sabes que ele não tem respeito nem preconceitos

Sabes tudo isso, Maria

Para que casas, Maria?

Casaste!

E hoje, Maria?                 

Ele bate-te, humilha-te e não te honra

Obriga-te a fazeres tudo o que não queres

Trabalhas em casa, tratas dos filhos e tratas dele

O que recebes em troca, Maria?!

 

Tu, és mulher tens essa obrigação

E ele? Qual é a obrigação dele?

Trabalhar fora e maltratar-te assim como aos filhos

Beber e bater-te, para além de te chamar nomes impróprios

Não! Ele não presta!

Tu tens os mesmos direitos que ele

Precisas de apoio, de amor, de um homem, que o saiba ser

De um lar feliz em que os filhos cresçam em paz

És humana, tal como ele!

 

Todos somos humanos!

Todos somos iguais e com os mesmos direitos!

 

Maria Antonieta (Bastos Alentado) Oliveira

04-03-2026

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Quero Uma Faca


 

Quero uma faca

Suja de manteiga ou de geleia

Uma faca de inox

Que consiga partir o tempo

O que já passou em duas partes

E, o que há de vir multiplicado por dois

Quero uma faca afiada

Que raspe bem o passado

Deixando apenas os momentos felizes

Uma faca com doce de morango

Para adoçar os dias que faltam a dobrar

Quero uma faca amanteigada

Para deslizar na vida da vida que ainda temos

Quero uma faca de brincar

Para sermos dois miúdos felizes

Brincando aos petizes

Na espera dos dias ou anos

Que Deus ainda nos vai dar

Para unidos continuarmos

Esta história de amor.

 

Quero uma faca benzida de felicidade.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

02-03-2026

 

Sangue do Meu Sangue


 

 

Sou carne de gente sadia

Gente de carácter

Gente de amor presente

Gente de trabalho digno

Gente com brilho no olhar

Gente de sinceridade e amizade

Gente de bondade e caridade

Gente honrada e acarinhada

Orgulho-me de ter sangue deste sangue

Orgulho-me de ser filha destes pais

Gostava de ser como eles

Gostava de conseguir transmitir este sangue

A outros sangues que deveriam ser iguais

Ah como eu queria mudar o mundo que me rodeia

Queria tanto um encontro de amor

Com o sangue do  meu sangue,

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

02-03-2926

 

 

Falta Pouco


 

Falta pouco

Para as carpideiras chegarem

As flores murcharem

E tudo, nada ter sentido

Lágrimas de crocodilo

Agradecimentos por parecer bem

Palavras ocas e sem sentido

Apenas porque sim

Terás que suportar os abraços que não gostas

Mas, parece bem

Muita coisa farás, porque, parece bem

Ou porque sim

Depois

Virá o vazio e quem sabe conseguirás sentir arrependimento         

Virão as surpresas

E quem sabe, ouvirás o que nunca pensaste ouvir…

Para quê as flores que murcham?

Para quê as lágrimas soltas sem sentimento?

Para quê?

Ou serei eu que estou enganada?!

Espera um pouco mais, porque

Falta pouco…

 

Maria Antonieta _Bastos Alentado Oliveira

02-03-2026

 

 

 

 


 

Nada a Fazer


 

 

Tenho pena

Muita pena

De não ter um abraço teu

Um carinho

Um mimo

És fria, gelo do ártico

Dizes só ter esta família

E como a tratas?!

Será que és bruxa?!

Já nada duvido

Apenas sei que não sei

Quando eu partir

Gostava de poder ver o que se vai seguir

Arrependimentos?! Não!

De ninguém

Saíram todos iguais

De sangue frio e amor vadio

 

Tenho pena

Da falta do que não me dás

Nem que seja no último minuto

Um abraço de adeus.

 

Ai seu eu pudesse voltar atrás…

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

02-03-2026

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

56 Anos Depois

 

As linhas já tortas

Daquele caderno velho

Fizeram-me lembrar o nosso passado

Tu, escreveste quadras de amor

E com elas me convenceste

De olhos fechados à felicidade

Entreguei-me de coração aberto

Queria ser feliz

Queria ter alguém que me amasse

Queria…

Tantos sonhos de uma jovem adolescente

E amaste-me

Amaste-me à tua maneira

E eu, amei-te à minha maneira

 

Os anos passaram

As maneiras encontraram-se

E 56 anos depois continuamos

Caminhando de mão na mão

E amor no coração.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

25-02-2026

 


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Dedal Perdido

  

Sou um ponto sem nó

De um casaco descosido

Sou casa sem botão

E botão sem casa

Linha escorrida sem cor

Deslavada sem aroma nem odor

Agulha caída no chão da sala

Entre mosaicos resplandecentes

O dedal, perdi-o ao lavar as mãos

Ficou esquecido no mármore rosado

Não sei que volta dar a este rasgão

Que se imaterializou no meu caminho

 

Sou luz sem graça

Sou ponto sem nó

Numa vida sem linha.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

25-02-2026


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026


 


 

Espelho Traiçoeiro


 

Esse teu olhar já foi outro

Essa tua boca já beijou de outro modo

Lábios bonitos e bem feitos

A tristeza salgada mudou teu olhar

Os lábios encolhidos pelo tempo

A face embaciou sem cor

O queixo desceu um pouco

Tornando o pescoço, talvez, mais grosso

O cabelo comprido e castanho

Virou branco e sem brilho

Olho-te

Olho-te de novo na esperança de encontrar a outra

Olhos grandes, brilhantes e pestanudos

Boca que apetecia beijar

Rosto sereno, brilhante e feliz

Mas essa, essa já partiu há muito

Volto a olhar e apetece-me partir-te

Talvez me desses outra imagem

E nela visse a adolescente – mulher

Elegante, viçosa e bonita

Mas,

O tempo passou e o espelho que miravas

Também ele já era velho não fazia milagres

Lá estavas tu, tal como  és

Ah, espelho velho e traiçoeiro.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

16-02-2026

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Asas Brancas


 

 

São asas brancas num céu pintado de azul

São rosas vermelhas no quintal dos amores

São papoilas num campo verdejante do meu Alentejo

São trigais , são aves esvoaçantes

Pintassilgos, rouxinóis e toda a bicharada

Numa grande algazarra

São os cantadores passando

No deu passo compassado

Cantando lindas cantigas do seu cante

São olhares que se cruzam na esquina do destino

São corações batendo no compasso desse cante

E compasso a  compasso os cantadores e seu cante vão passando

É assim o meu Alentejo com seu cante premiado

Como património cultural da humanidade.

 

E as asas brancas do céu azul vão passando

Ao seu desse majestoso cante.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

14-02-2026

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Preciso Mudar


 

Queria pôr em palavras o que sinto

O que me diz o coração sofrido

Quando os olhos choram

Quando tudo ao meu redor é negro

Queria dizer o porquê destes sentires

Porque não consigo entender a vida

A minha e a dos que me rodeiam

A vida dos que amo

E que queria me amassem de igual modo

Mas as vidas são outras, o mundo mudou

O ontem já não é o hoje e amanhã será ainda mais diferente

E eu sofro com estas mudanças

Sou tola, não as quero compreender

Sei que ainda me amam

Sei que ainda os tenho

Sei que se eu quiser serei sempre feliz

Basta mudar o meu pensamento

E o sentir do coração será o mesmo mas sem sofrimento.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

13-02-2026

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Vamo-nos Unir

Eu tenho

Tu, não tens

Eu sofro

Tu, não sofres

Eu amo

Tu, não  amas

Qual de nós está pior?!

Vou-te dar o que precisas

Vais-me dar felicidade

Vou-te dar o amor que precisas

Todos somos humanos

Irmãos unidos pela igualdade

Todos precisamos de amor

Vamos trocar, vamos doar

Só assim acabará a guerra e o ódio

E, unidos seremos felizes.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

03-02-2026

 

Desabafos



 

FILHA

 

Abraça-me filha e diz que me amas

Dá-me um beijo com carinho, que eu o sinta

Que o sinta verdadeiro e sentido

E te sinta, minha filha

 

 

MÃE

 

Beija-me mãe, como o fazias outrora

Abraça-me e dá-me o teu colo

Tenta compreender-me como nunca o fizeste

E tanta falta me fez

Também gostava de te compreender

Quero o teu colo, os teus beijos e todo o amor que sentias por mim

Leva-me para junto de ti, mãe.

 

 

RAFAEL

 

Dá-me um pouco do tanto que já te dei

Carinho, beijos, abraços, amor

Lembra-te que ainda existo

Depois, já nada vejo e nada vale a pena

Ama-me agora.

 

 

FRANCISCA

 

És fria como a tua mãe

Mas lembra-te, que eu ainda estou aqui

Lembra-te dos nossos abraços e beijos com amor

Lembra-te de quando brincávamos como se eu fosse criança como tu

Eram tempos felizes

Hoje, passam semanas que se não te procurar, nem te vejo

Preciso sentir que me amas.

 

 

VITÓ

 

És o grande amor da minha vida

Sem ti não era ninguém

És tu que me fazes o comer

És tu que me dás carinho e apoio

És tu, a única pessoa que tenho na minha vida

Os restantes partiram antes de partirem

Mas eu, ainda fiquei aguardando por amor e carinho de quem dei a vida

De quem ajudei a ser gente

De quem me devia mar e proteger

Mas, felizmente tenho-te a ti, meu amor.

Perdoa-me quando dou insuportável

Mas não tenho culpa de me sentir dependente

Isso torna-me, por vezes, insuportável

Mas amo-te, amo-te muito.

Perdoa-me.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

04-02-2026

 

 

 

Neste Momento


 

 

O que é uma depressão?

Não sei!

Sei que sou um a depressiva compulsiva

Sei que amo e odeio no  mesmo instante

Amo e odeio 

Quem amo verdadeiramente

Quem me apoia e ajuda

Odeio-me a mim por não conseguir ultrapassar

Estes momentos de desespero e tristeza

É um sofrimento que só quem já passou sabe como é

Tenho tudo e tudo me falta

Paz de espírito, alegria, felicidade

Quero tanto não te prejudicar

Mas quando dou comigo já errei

Já te ofendi sem razão ou motivo plausível

Desculpa amor, eu amo-te muito

Mas não me consigo controlar

Prefiro morrer a fazer-te infeliz

Estou  farta  de mim!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

01-02.2026