sábado, 12 de setembro de 2026

Escrevi-te Uma Carta


 

Escrevi-te uma carta há anto, tanto tempo

Que já nem me lembro quando

Nem sequer sei o que te dizia

Decerto, algumas mentiras

Que te amava só a ti

Que eras os olhos do meu viver

Que eras a vida que eu queria

O sonho com que eu sonhava

Afinal, não te mentia

Pois tu és aquele que eu quero

Que me faz feliz

E com quem vivo uma vida de amor

Entre sulcos, montes e vales

Tudo temos conseguido ultrapassar

E felizes prosseguimos

Até que Deus nos queira levar.

E a carta que te escrevi, ficou na gaveta esquecida.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

12-09-2026

 

 


 

Guitarras e Fadistices



Guitarra que choras cantando

A história de muita gente

A história de um povo antigo

De séculos com memórias

De fadistas e fadistices

Cantados pelas vielas e tabernas        

Noites fora, noites dentro      

Tertúlias de poesia e copos

Assim acaba o dia e a noite nascia

Assim acabava a noite e começava o dia

Varinas que iam e vinham

Ouvindo os mestres cantando

Fados acabados por vezes em zaragatas

Esquecidas logo a seguir

Nos bairros escadinhas e tabernas

Era assim o fado de antigamente

Hoje, não há tabernas há casas de fado

Mas a fadistice de antigamente é a mesma de agora

Apenas mudou o nome para outro mais chique

Capelas e capelinhas , santuários de palavras cantadas

É assim o nosso fado

O fado de Português!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

12-09-2026

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

S. Cucufate


 

 

Em tempos já passados

Sem partidos depravados

Mas também com guerras e guerrilhas

Houve gente diferente

Reis e rainhas

Monstros e guerrilheiros

Terras destruídas

 E muitas  outras vidas

O tempo passou pelo tempo

Terramotos e desgraças

E assim nasceram outras raças

Monumentos submersos

Vilas e aldeias vazias

Mas os homens de hoje

Vasculharam o subsolo

E muitas coisas descobriram

Vilas romanas doutras eras

Com seus painéis pintados de fresco

Visíveis a olho nu

Paredes a descoberto

Seriam quartos, seriam salas ou salões

E os tectos sempre pintados

Que contam o nosso passado

É tão bonito de ver

É tão bom aprender

Como foi

Como era

Assim é S. Cucufate

Uma relíquia romana

Que merece a nossa visita

Olhar ao longe e de perto

Entrar e admirar

Um orgulho do meu Alentejo

Ter S. Cucufate em si

Vila de Frades ou Vidigueira

Sempre se orgulharam

Deste majestoso monumento

Que nos recorda outros tempos outras eras

Outras gentes, na nossa terra.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

09-09-2026

 

 

 

domingo, 6 de setembro de 2026

Fui Roubada

 

Como me deixei roubar?!

Não sei como perdi tudo o que tinha?!

Foi a vida traiçoeira

Que me pôs algo mau no caminho

E me levou aquele meu amor verdadeiro

Caí! Caí!

Caí numa depressão que só Deus me salvou

E tu, meu amor querido

Roubaram-me a minha grande riqueza

A única fortuna que tinha em vida

Entre outras não menos valiosas

Mas tu, eras muito especial pela tua delicadeza

Pela tua singeleza

Pela forma como conversávamos

Eras meu e agora és dela

Da maldita que me te roubou

Choro lágrimas saudosas

De tudo o que já não tenho e me foi roubado

Ladra!

Roubaste me o coração!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

06-09-2026

 

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Quantas Vezes

 

 

Quantas vezes pisei as pedras dessa calçada?!

Quantas vezes pisei as pedras dessa rampa?!

Quantas vezes pisei as pedras dessa rua?1

Quantas? Quantas?

Quantas vezes vi os cacilheiros chegando?!

E quantas fui neles navegando?!

Quantas?

Quantas vezes fui ver o Tejo ao miradouro?!

Junto à Igreja de Santa Luzia, sim.

Quantas?

Quantas injecções levei em tantos anos

Em São João da Praça ou na

Criz Vermelha da Praça do Comércio?!

Quantas?

Quantas birras fiz para comer e te arreliei?!

Quantas birras fiz, só por que sim?!

Quantas?

Quantas vezes subimos a Avenida ora

Ao teu colo, mãe, ou ao som do teu assobio pai?!

Quantas?!

Se calhar, pensando bem, fui feliz

Sim, fui feliz sem o saber

Com os teus carinhos, com os teu beijos e abraços

Quantas vezes fui ingrata, quantas?!

Hoje, pago bem caro todo o mal que fiz

Mas, era uma criança entre adultos

Sem liberdade quase que para respirar

Perdoem-me se ainda o conseguirem fazer

Para que eu possa viver amando e sendo amada

Por todos os que me sobram na família.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

03-09-2026

 


terça-feira, 1 de setembro de 2026

O Som do Mar


 

 

Numa cama à beira mar

Com a lua por companheira

Adormeci a sonhar

Ter-te comigo a vida inteira

Eras uma flor viçosa

Daquelas da estufa fria

Que vimos num outro dia

A maré subiu

E a minha cama ruiu

O sonho da flor viçosa

Nem chegou a ser uma rosa

Ali fiquei a pensar

Era tarde a noite estava escura

E eu a sonhar na praia

Com a roupa toda molhada

Sem sequer ter companhia

O marido na cama, já dormia

E na praia só o som do mar

Que me levava a sonhar

 

Fui ter contigo, amor

Dei-te um beijo com fervor

E, abraçados adormecemos.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

01-09-2026

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Quando eu Morrer


 Quando eu morrer

Vou levar o teu nome gravado no peito

Seja de que jeito for

Um grande amor não morre assim

Para mim, serás sempre esse amor eterno

Mesmo que me leves até ao inferno

Mas és e serás sempre meu

O meu querido menino-homem

Um ser especial que alguém estragou

Espero morrer feliz

Voltar a beijar e abraçar o meu petiz

Quero-te tanto, tanto

Consigo perdoar e esquecer

Mas jamais te quero perder.

 

Amanhã, quando eu morrer

Vou levar o teu nome gravado no peito.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

30-0

Sou Semente

 

Sou semente do diabo

Vítima que se faz de vítima

Sendo a verdadeira vitima

Sou semente da luz

Que ilumino ao entrar

Sou semente de Deus

E a Ele peço perdão

Peço ajuda na reconciliação

Sou semente da Virgem Maria

De quem sou devota e me ajuda

Sou semente da vida

Que me foi instituída

Sem a minha permissão

Sou semente

Serei sempre e só semente

Jamais serei flor renascida.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

30-08-2026

 

domingo, 30 de agosto de 2026

Imaginação


 

Pela noite fora

Ao som de um caminhar longínquo

Segui os passos sem passos

Daquele caminhar

Estava frio, o vento cortava

Eu enregelava, mas continuei

A lua acompanhava os meus passos

Olhei-a com amor e pedi-lhe paz

Pedi-lhe amor, carinho, harmonia, felicidade

Pedi-lhe o que achei ser bom para todos

Ela, continuou sempre ao meu lado

Não sei se ouviu os meus pedidos

Penso que sim, está mais perto de Deus

E Ele ouve-me mesmo quando penso que não

Só Ele sabe o que é melhor para mim

Só Ele sabe o que mereço

Eu confio!

Neste caminhar, confiando no Senhor

Encontrei a paz de espírito que me faltava

Regressei com passos entrelaçados nos teus

Que estiveste sempre comigo

Meu querido, meu amado, meu carinho, meu marido.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

30-08-2026

 

Meus Pais


 

 

Era a agulha e o dedal

As linhas e alinhaves

Entretelas e forros

Botões e fechos éclaires (assim se chamavam)

Calças e casacos

Alguns já gastos eram voltados

E depois de recortados ficavam para os filhotes

Calças de boa fazenda e fatos completos

Com colete e tudo o que lhes dizia respeito

Alfinetes e giz

Régua e espaço liberto, aberto

Nada faltava à modista de alfaiate

Mas também fazia lindos vestidos

Para a sua bela menina

Parecia sempre uma princesa

Mesmo que o tecido fosse chita da tabela

O milagre daquelas mãos saía

E os vestidos e bibes pareciam feitos de seda pura

Ah grande mulher, que tão cedo partiste

Depois de tanto teres trabalhado

E ao marido teres  ajudado

Os dois, construíram o vosso império

Caminhando ao comando da mulher

´”pedras, até para casa as levo”

Assim foi a vossa vida

Meus queridos, meus amores

Meus pais que sempre me amaram.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

30-08-2026

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Loucos


 

 

Os loucos encontram-se

Numa loucura amistosa

O verde será vermelho

E o azul céu, é negro com a noite escura

Tudo parece estar de luto

Ou tudo gira ao som das gargalhadas largadas

Pelos loucos da loucura

Junto-me  a eles

Tenho saudades de rir

De rir às gargalhadas felizes

Como outrora fazia com os meu petizes

Oh meu Deus, que mal vos fiz?!


Porque mereço sofrer assim?!

Sou louca!

Estou louca!

De uma loucura provocada por mim

Apenas e só pela verdade por outros sentida

A verdade que ficou bem viva em mim

Um porco maltratado e mal cuidado

Sem honra nem palavra

Mentiroso mas convencido

Ser o rei do mundo

Odeio-me!!!

Perdi o pouco que tinha

Por ser sincera ao desabafar

Preciso de paz

Ou prefiro morrer!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

28-08-2026

 

 

 

domingo, 23 de agosto de 2026

Madrinha Maria Luísa


 

O filme corria no computador

O nome da terra

Paisagens, fotos várias

Até que ao surgir uma ouvi alguém dizer:

“Ai, a minha Chica, éramos tão amigas

Tão amigas que nós éramos”

E esta frase repetiu-se a cada vez que a Chica aparecia nas fotos

Alguém com alzheimer lembrou-se da amiga de outrora

A minha madrinha de registo que me deu o nome de Maria

Nome que adoro, Maria, mãe de Jesus

Sim, foi a minha madrinha Maria Luísa

Numa tarde de emoções, na minha Vidigueira

Houve lágrimas sentidas, flores, carinho

Houve uma moldura de prata com uma foto nossa

Houve cante e muito amor.

Foi mais um livro, sim, mais um livro

Mas foi muito mais do que isso

Foi amor de uma família

Que mesmo longe se sente presente.

Obrigada, minha gente!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

23-08-2026

 

Novamente Tu


 

Sinto a paz invadir o meu peito

Não porque tenhas voltado

Mas porque confio que voltarás

Quero tanto, meu amor

Mas confio, confio que esse dia chegará

Confio que voltarás a ser o que então eras

Comigo e com o avô

Já não somos jovens

Estamos na casa dos idosos

Ou melhor, dos velhos

O nosso  tempo escasseia

Depois só resta uma campa rasa

Onde estará um corpo que partiu triste

Uma alma ausente que se elevou

E lá do alto, zelaremos por ti

Zelaremos por quem amamos

Mas quem cá fica, fica sem nós

Sem o beijo e o abraço

Sem o conforto das palavras

Dos conselhos, por vezes aborrecidos

Do amor que se faz sentir

Que é verdadeiro e sentido.

Do amor eterno que sempre existiu.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

23-08-2026

 

 

Madrinha Milú


 

 

Sou vaidosa como ela foi

Pinto os lábios e as unhas

Visto-me p´ra ocasião

E faço sempre um vistão

Calço-me de acordo

Ponho joias a condizer

Saio de casa num primor

Mas há uma grande diferença

É na bolsa que consiste

Ela tudo o que usava era verdadeiro

Eu o que uso é o que combina

E, por vezes, dos chineses

 

Tento ser como ela

Era linda e bem posta

Airosa e perfumada

Um perfume para cada local

E num fim um cheirinho harmonioso

Ela era assim, mas já partiu há muito

No entanto, continua sendo

A minha musa perfeita.

Por vezes era chatinha

Mas era uma rainha.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-08-2026

 

 

sábado, 22 de agosto de 2026

Cheira-me a Tinto


 

 

Cheira-me a tinto

Cheira-me a mosto

Cheira-ma a vinho

Vinho que limpa a alma

Limpa o pensamento

E nos faz libertar

Qualquer pensamento

Os mais tristes

Os mais puros e verdadeiros

Os que nos atormentam

Ou os que nos fazem felizes

 

Cheira-me a tinto

E recordo o teu sorriso matreiro

Ao entrares dizendo:

“O Balelas” já vem mijado

Era apenas uma conversa que nós entendíamos

Pois vinha bem sequinho

Ninguém o notava

Ninguém o sabia, mas ele o dizia

E esse sorriso continuava

Até o sono te levar num sonho lindo

Eras puro, eras meigo e verdadeiro

Eras tu, sempre tu

Com ou sem o cheiro a tinto

Como era bom voltar a ouvir a tua voz

Tempos que o tempo levou e jamais voltarão

 

Cheira-me a mosto

Cheira-me a tinto

Cheira-me a vinho.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-08-2026

 

 

Cantarolando


 

 

Cantando sem o saber

Fui cantando todo o caminho

Até parecia o mestre passarinho

Foram versos de amor

Daquele que sinto por ti

Foram tantos que até nem sei

Se de algum me esqueci

Mas cantei toda a viagem

E foram muitos quilómetros

Daqui até Santiago de Compostela

E depois na volta para cá

Que linda foi a viagem

Um caminho a recordar

Na lembrança quase tudo ficou

Pois nunca iremos lá voltar

 

O cantor não fui eu, não

Foi o meu motorista

Quer dizer, o meu amor

Que rima sem se atrapalhar

E assim se distrai a conduzir

Ou até mesmo a trabalhar.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-08-2026

Vidigueira, Minha Terrra

 

Não sei dizer Alentejo

Sem pronunciar o teu nome

Pois foste quem me viu a vez primeira

E eu, gostava de te ver, a vez derradeira

És minha linda terra

Teu cheiro não há igual

É o pão quentinho do forno

É a uva do bom vinho

O chouriço, o presunto

São as sopas de cação

São os campos verdejantes

É o teu Castelo destruído

É o museu que já foi escola

A piscina com seu bar

As tascas e restaurantes

Alguns bem elegantes

A biblioteca e seu salão

Onde outrora se viveram muitos amores

Os lares e as creches

Tudo é bom nesta terra

Minha bela Vidigueira

Tens tudo o que é de bom

Menos uma casinha para me dares

Isso aí, são outros ares

Até esquecia as minhas dores

Ficava aí com meus amores

Até ao dia final

Mas como não pode ser

Vou ficando por aqui

Pensando um dia voltar a te ver

 

És linda minha terra!

És linda Vidigueira!

É lindo o Alentejo!

Maria Antonieta Bastos alentado Oliveira

22-08-2026

O Comboio

(foto do google)
 

Num comboio feito de lã

Caminhei na sua linha

Queria chegar bem longe

Onde houvesse o que me falta

O comboio continuava

A lã desenrolava-se

E eu, fiquei no mesmo lugar

Nem cheguei a nele entrar

Se tivesse lá chegado

Havia-te ter encontrado

No nosso cantinho da paz

Assim, fiquei nesta guerra

Que assola toda a terra

Sem um dia parar

Mas hei de fazer o comboio

Irei percorrer o Mundo

E pôr fim a toda a guerra

Dando  finalmente

Paz à terra!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-098-2026

Caminho Sem Fim Ou O Velho

 

O velho descalço, de roupa já gasta e rota

Caminhava ao longo da praia

Entre o lodo de águas sujas e lamacentas

Ou, ziguezagueando pela areia molhada da praia

Lá longe, no escuro do escuro da noite

A água límpida jorrava de uma fresta numa rocha

Ele, continuava ora pela água suja e lamacenta

Ora pela areia molhada da praia

A chuva miudinha fustigava a noite escura

Um raio iluminou lhe o olhar e de seguida

O som estridente de um trovão

 A chuva começou a cair em bátegas fortes e cada vez mais grossas

Ele continuava a sua caminhada ziguezagueando

Aquele corpo franzino resistia

A roupa já gasta e rota estava cada vez mais encharcada

Há quanto tempo caminhava ninguém sabia

De repente, sentiu algo estranho debaixo dos pés doridos

Era um monte de algas marinhas, trazidas pelas ondas para o areal

Tropeçou e caiu por cima do monte das algas

Tentou erguer-se mas não conseguiu, o corpo fraquejava

Enroscou-se sobre si mesmo e pensou que daqui a pouco

Amanheceria e o sol aqueceria o seu corpo e ajudá-lo-ia a erguer-se

Adormeceu cansado, mas crente

Que iria acordar e continuar o seu caminhar.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-08-2026