Nasci
ontem
Um
ontem já tão longínquo, que nem me lembro de ter nascido
Dizem
que era gorducha e só gostava de mamar
Foi
no calor Alentejano, ouvindo o seu cante
Foi
ontem, é hoje e será até morrer, o meu canto
Um
canto onde não vivi, nem sequer brinquei
Um
canto de onde vim sem me pedirem autorização
Um
canto que me encanta, assim como ouvir o seu cante
Nas
veias corre-me esse sangue de pais alentejanos
E
dos dois primeiros anos de vida em que lá vivi
No
canto do meu cante
Sonho
nesse canto onde talvez tivesse sido feliz
Sonho
com esse cante que me foi ofertado
E
fui tão feliz, os cantadores cantando em minha homenagem
Aquele
cante cantado no meu canto
Sinto
no coração aquele som dolente
Aquelas
palavras simples mas com magia
Cantam
os tempos de antanho da fome e do sofrimento
Cantam
a vida vivida os amores e as famílias
É
assim o meu cante
O
cante do meu canto
Nasci
ontem
Um
ontem que já nem tem tempo.
O
tempo, voou na nuvem passante.
Maria
Antonieta Bastos Alentado Oliveira
15-06-2026























