sábado, 26 de setembro de 2026

Refúgio

 

 

Tenho um refúgio escondido  no meu peito

Nele guardo uma vida de sonhos e sentimentos

Guardo os meus amores e desamores

Guardo as pessoas que já partiram e eu amei e amo ainda

É um refúgio onde ninguém entra

É meu e apenas meu

São lembranças e bons momentos

São lembranças de maus momentos

É a minha vida passada num simples refúgio

Entre areias movediças e calçadas de pedras fortes

Por vezes, muitas vezes, refugio-me nele

Para que ninguém me veja chorar

Rir é difícil raramente acontece

Nesse refúgio onde me encontro e me esconde

Esconde a outra parte de mim

Aquela que ninguém conhece

E onde me perco por também a não conhecer.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

26-09-2026

 

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Buzio


 

 

Junto ao Bugio

Encontrei um buzio

Pu-lo ao ouvido e ouvi a tua voz

Sibilavas o meu nome

Chamavas-me de amor

De querida da minha vida      

Desencostei-o e senti o teu cheiro

Era um odor a mar salgado

Odor ao nosso amor

Mergulhei, bracejei, nadei

E cheguei à praia

Exausta, cansada e dorida

Naveguei como um naufrago

Mas cheguei

Cheguei até ao areal que me esperava

Lá, onde tu também estavas

Entreguei-te o buzio

Que tinha encontrado junto ao Bugio

Fizeste o mesmo que eu fizera

E ouviste a minha voz

Dizendo o que me tinhas dito a mim

Em sintonia as nossas palavras se cruzaram

No som do buzio

Que encontrei junto ao Bugio.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

24-09-2026

Diamante


 

 

A vida é um dilema

Um diamante em bruto

Para que cada um de nós faça a sua lapidação

Uns melhor

Outros menos bem

E ainda outros, muito mal

A vida é um dilema

Que temos de saber resolver da melhor maneira

Com paz, com amor, com união, com partilha

Com respeito, com compreensão, com Fé e compaixão

Um dilema com um diamante em bruto

Aparentemente é muito

Para conseguirmos viver em paz e ser feliz

 

Lapidei o meu diamante

Resolvi o meu dilema

Mas errei demais antes de o conseguir

Errando, tropeçando, mas continuando a caminhar

Chegaremos àquilo que desejamos sem pisar ninguém

Porque se o diamante se pode lapidar a nosso gosto

Também a vida se pode viver com paz e amor.

 

Lapidei o meu diamante

E, resolvi o meu dilema.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

24-09-2026

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Vila de Frades

 


 

Vila de Frades sem frades

Mas rainha do vinho da talha


És amistosa e airosa

Com um belo jardim florido

E uma bica de água fresca

Como nos tempos d’outrora

Tens teus belos restaurantes

Com petiscos de primeira

Também tens o Museu dos Arcos

Onde guardas muitas relíquias

Encontradas nas escavações

Do austero monumento

De São Cucufate

 

És Vila de Frades sem frades

Mas com muita devoção

Com Igrejas e Capelas

Que te dão paz e amor no coração.

 

Maria Antonieta Oliveira

23-09-2026

 

 


Finalmente


 

 

Dia de fortes emoções

Voltei a ouvir a tua linda voz

Falámos com amor e emoção

Deu para que eu me sentisse feliz

Muito feliz

Como há muito não me sentia

Como te amo, meu querido

Foi tão bom este reinicio

Se Deus quiser em breve nos veremos

E então daremos o nosso abraço e os nossos beijos

Aguardo esse dia com ansiedade

Breve, breve chegará

Eu confio

A Fé, a esperança e a confiança

Jamais me abandonaram

E continuo confiando

Que nada jamais nos separará

És e serás sempre o meu príncipe muito amado.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-09-2026

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

O Nosso Ninho


 

Se eu pudesse fazia um ninho no cimo de um candeeiro

No caminho que nos leva ao amor

Apanhava canas e paus fininhos

Entrelaçava-os com muito carinho

Lá no cimo bem perto do céu

Nasceriam outras gaivotas

Outros pássaros chilreando

Outros amores falantes

Se eu pudesse fazia um ninho

E nele juntinhos ficaríamos unidos

Em paz com muito amor

E longe dos que nos querem fazer mal

Daqueles que nos querem separar

Se eu pudesse acarinhava-te como se fosses um bebé

Beijava-te e dava-te ainda mais amor

Daquele que sei que sinto por ti

O nosso ninho no cimo do candeeiro

Seria o mais belo e luminoso já visto

Pois nele habitaria a união de duas almas puras

Levadas por palavras vãs

Ditas pela maldade dos ciumentos.

 

Se eu pudesse faria o ninho do amor!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

21-09-2026

domingo, 20 de setembro de 2026

Não à Guerra

Não à guerra

Não destruam mais esta terra

Tenham pena de quem sofre

Crianças sem qualquer culpa

Mulheres feitas reféns

Fome e miséria

Cidades destruídas

Ruas infestadas de mortos

Cheiros nauseabundos

Filhos sem pai nem mãe

Mães sem filhos

Famílias sem união

Por favor, Senhor

Ensinai-lhes a paz

Guerra NÃO!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

 

Canção

Fiz da vida uma canção

Quis definir um bonito refrão

Que rimasse com felicidade

Deixasse de lado a saudade

Queria pôr rosas a sorrir

E a maldade a florir

Queria virar o mundo

Por outro com amor profundo

Sem guerras nem desleais

Com paz amor e fieis

A canção esqueci-a de imediato

Pois nada rimava de bom grado

Acabei ficando por quase nada

Neste poema que pouco diz

Para quem o ler sem saber porque o fiz

 

Seria uma bonita canção

Terminando com uma linda oração.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

 

 

Fantasmas


 

Tudo na vida são fantasmas

São fantasias imaginadas ou até sonhadas

São vivências nossas ou de outras vidas

São fracassos e vitórias

Fantasmas vestidos de branco puro

Enviando suas preces à paz

Ou, fantasmas de negro gritando a guerra

São fantasmas verdadeiros de carne e osso

Alguns deveriam morrer numa vala ou num poço

Queria ser um fantasma da paz

De branco vestida e dando vida à vida

Dando a quem não tem pão para comer

Roupa para vestir ou cama para dormir

Dar amor e perdão

Saber ouvir a solidão

Sem julgar ou dar razão

Queria ser um fantasma da paz!

 

Fantasmas!

A vida é feita de fantasmas!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

Rodrigo


 

 

Chorei ao ver-te

Sim, foram lágrimas de angustia

De saudade de outros tempos

Em que ti vi e ouvi

Alto, elegante, forte, um homem a sério

Hoje, és aquilo a que chamamos de velho

Cabelos brancos desalinhados, nada como outrora

Brancos prata, tu és ouro

Um ouro do fado

Fadista da alta roda

Com tua casa em que recebias outros como tu

Grandes no seu fadar

Grandes fadistas de antanho

E eu, chorei

Recordei o meu pai com o teu aspecto

Velhinho de cabelo branco e inclinado

A coluna já não suporta o corpo

Chorei, chorei também de alegria

Pois ainda te ouvi cantar

A tua voz já não é a mesma

Mas ainda cantas o fado como alguns não o sabem fazer

 

Tu, cantaste!

Eu, chorei!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Três Meses

Queria desistir mas não consigo

São muitos anos de amor em comum

Muitas dias de brincadeiras e traquinices

Muitas lágrimas e carinhos trocados

Não consigo passar um minuto sem pensar em ti

Como fui estúpida e te perdi

Se eu pudesse voltar atrás, voltava

Fazia tudo, mesmo tudo para que me perdoasses

Por outro lado penso que já estás a exagerar

O tempo urge  e eu não serei eterna

Pensa nisso, meu amor

E esquece tudo o que te magoou

E também, em tudo o que me magoaste e eu esqueci

Hoje, decidi não mais te incomodar

Se um dia quiseres voltar

Estarei aqui de braços abertos para te abraçar.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

17-09-2026

 

 

domingo, 13 de setembro de 2026

Joaquim Sustelo

 

 Ah o magano do moço

Que do Algarve p´ra cá veio p´ra cidade

E com ele trouxe a poesia

Que só ele sabe fazer

E ficará p’ra eternidade

Pois, ser poeta, não é qualquer um[A.1] 

É o Joaquim  Sustelo e mais nenhum.

 

Ser poeta, muitos dizem que são

Até eu por vezes o digo

Mas poeta como tu, não é fácil de encontrar

És amigo do teu amigo

E com ele gostas de partilhar

Não tens vaidade no saber

Embora saibas que sabes

Seja soneto ou quadra

Sextilha ou Quintanilha

Tudo sai a rigor

És um poeta a sério

Dentro do teu próprio critério.       

Brincando com as palavras

Dizes tudo o que sentes

Seja bom ou nem por isso

No que escreves não mentes.

E a voz divinal na rádio horizontes da poesia

Até fazias milagres

De um simples poema banal

Dito por ti, saia um poema divinal.

Tanto mais podia dizer

Mas poeta como tu, não é fácil de se ser

És o Joaquim Sustelo e mais nenhum como tu.

Tem o teu dom e o teu saber.

 

 Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

12-09-2026

 

 




sábado, 12 de setembro de 2026

Escrevi-te Uma Carta


 

Escrevi-te uma carta há tanto, tanto tempo

Que já nem me lembro quando

Nem sequer sei o que te dizia

Decerto, algumas mentiras

Que te amava só a ti

Que eras os olhos do meu viver

Que eras a vida que eu queria

O sonho com que eu sonhava

Afinal, não te mentia

Pois tu és aquele que eu quero

Que me faz feliz

E com quem vivo uma vida de amor

Entre sulcos, montes e vales

Tudo temos conseguido ultrapassar

E felizes prosseguimos

Até que Deus nos queira levar.

E a carta que te escrevi, ficou na gaveta esquecida.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

12-09-2026

 

 


 

Guitarras e Fadistices



Guitarra que choras cantando

A história de muita gente

A história de um povo antigo

De séculos com memórias

De fadistas e fadistices

Cantados pelas vielas e tabernas        

Noites fora, noites dentro      

Tertúlias de poesia e copos

Assim acaba o dia e a noite nascia

Assim acabava a noite e começava o dia

Varinas que iam e vinham

Ouvindo os mestres cantando

Fados acabados por vezes em zaragatas

Esquecidas logo a seguir

Nos bairros escadinhas e tabernas

Era assim o fado de antigamente

Hoje, não há tabernas há casas de fado

Mas a fadistice de antigamente é a mesma de agora

Apenas mudou o nome para outro mais chique

Capelas e capelinhas , santuários de palavras cantadas

É assim o nosso fado

O fado de Português!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

12-09-2026

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

S. Cucufate


 

 

Em tempos já passados

Sem partidos depravados

Mas também com guerras e guerrilhas

Houve gente diferente

Reis e rainhas

Monstros e guerrilheiros

Terras destruídas

 E muitas  outras vidas

O tempo passou pelo tempo

Terramotos e desgraças

E assim nasceram outras raças

Monumentos submersos

Vilas e aldeias vazias

Mas os homens de hoje

Vasculharam o subsolo

E muitas coisas descobriram

Vilas romanas doutras eras

Com seus painéis pintados de fresco

Visíveis a olho nu

Paredes a descoberto

Seriam quartos, seriam salas ou salões

E os tectos sempre pintados

Que contam o nosso passado

É tão bonito de ver

É tão bom aprender

Como foi

Como era

Assim é S. Cucufate

Uma relíquia romana

Que merece a nossa visita

Olhar ao longe e de perto

Entrar e admirar

Um orgulho do meu Alentejo

Ter S. Cucufate em si

Vila de Frades ou Vidigueira

Sempre se orgulharam

Deste majestoso monumento

Que nos recorda outros tempos outras eras

Outras gentes, na nossa terra.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

09-09-2026

 

 

 

domingo, 6 de setembro de 2026

Fui Roubada

 

Como me deixei roubar?!

Não sei como perdi tudo o que tinha?!

Foi a vida traiçoeira

Que me pôs algo mau no caminho

E me levou aquele meu amor verdadeiro

Caí! Caí!

Caí numa depressão que só Deus me salvou

E tu, meu amor querido

Roubaram-me a minha grande riqueza

A única fortuna que tinha em vida

Entre outras não menos valiosas

Mas tu, eras muito especial pela tua delicadeza

Pela tua singeleza

Pela forma como conversávamos

Eras meu e agora és dela

Da maldita que me te roubou

Choro lágrimas saudosas

De tudo o que já não tenho e me foi roubado

Ladra!

Roubaste me o coração!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

06-09-2026

 

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Quantas Vezes

 

 

Quantas vezes pisei as pedras dessa calçada?!

Quantas vezes pisei as pedras dessa rampa?!

Quantas vezes pisei as pedras dessa rua?1

Quantas? Quantas?

Quantas vezes vi os cacilheiros chegando?!

E quantas fui neles navegando?!

Quantas?

Quantas vezes fui ver o Tejo ao miradouro?!

Junto à Igreja de Santa Luzia, sim.

Quantas?

Quantas injecções levei em tantos anos

Em São João da Praça ou na

Criz Vermelha da Praça do Comércio?!

Quantas?

Quantas birras fiz para comer e te arreliei?!

Quantas birras fiz, só por que sim?!

Quantas?

Quantas vezes subimos a Avenida ora

Ao teu colo, mãe, ou ao som do teu assobio pai?!

Quantas?!

Se calhar, pensando bem, fui feliz

Sim, fui feliz sem o saber

Com os teus carinhos, com os teu beijos e abraços

Quantas vezes fui ingrata, quantas?!

Hoje, pago bem caro todo o mal que fiz

Mas, era uma criança entre adultos

Sem liberdade quase que para respirar

Perdoem-me se ainda o conseguirem fazer

Para que eu possa viver amando e sendo amada

Por todos os que me sobram na família.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

03-09-2026

 


terça-feira, 1 de setembro de 2026

O Som do Mar


 

 

Numa cama à beira mar

Com a lua por companheira

Adormeci a sonhar

Ter-te comigo a vida inteira

Eras uma flor viçosa

Daquelas da estufa fria

Que vimos num outro dia

A maré subiu

E a minha cama ruiu

O sonho da flor viçosa

Nem chegou a ser uma rosa

Ali fiquei a pensar

Era tarde a noite estava escura

E eu a sonhar na praia

Com a roupa toda molhada

Sem sequer ter companhia

O marido na cama, já dormia

E na praia só o som do mar

Que me levava a sonhar

 

Fui ter contigo, amor

Dei-te um beijo com fervor

E, abraçados adormecemos.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

01-09-2026

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Quando eu Morrer


 Quando eu morrer

Vou levar o teu nome gravado no peito

Seja de que jeito for

Um grande amor não morre assim

Para mim, serás sempre esse amor eterno

Mesmo que me leves até ao inferno

Mas és e serás sempre meu

O meu querido menino-homem

Um ser especial que alguém estragou

Espero morrer feliz

Voltar a beijar e abraçar o meu petiz

Quero-te tanto, tanto

Consigo perdoar e esquecer

Mas jamais te quero perder.

 

Amanhã, quando eu morrer

Vou levar o teu nome gravado no peito.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

30-0

Sou Semente

 

Sou semente do diabo

Vítima que se faz de vítima

Sendo a verdadeira vitima

Sou semente da luz

Que ilumino ao entrar

Sou semente de Deus

E a Ele peço perdão

Peço ajuda na reconciliação

Sou semente da Virgem Maria

De quem sou devota e me ajuda

Sou semente da vida

Que me foi instituída

Sem a minha permissão

Sou semente

Serei sempre e só semente

Jamais serei flor renascida.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

30-08-2026

 

domingo, 30 de agosto de 2026

Imaginação


 

Pela noite fora

Ao som de um caminhar longínquo

Segui os passos sem passos

Daquele caminhar

Estava frio, o vento cortava

Eu enregelava, mas continuei

A lua acompanhava os meus passos

Olhei-a com amor e pedi-lhe paz

Pedi-lhe amor, carinho, harmonia, felicidade

Pedi-lhe o que achei ser bom para todos

Ela, continuou sempre ao meu lado

Não sei se ouviu os meus pedidos

Penso que sim, está mais perto de Deus

E Ele ouve-me mesmo quando penso que não

Só Ele sabe o que é melhor para mim

Só Ele sabe o que mereço

Eu confio!

Neste caminhar, confiando no Senhor

Encontrei a paz de espírito que me faltava

Regressei com passos entrelaçados nos teus

Que estiveste sempre comigo

Meu querido, meu amado, meu carinho, meu marido.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

30-08-2026