O
velho descalço, de roupa já gasta e rota
Caminhava
ao longo da praia
Entre
o lodo de águas sujas e lamacentas
Ou,
ziguezagueando pela areia molhada da praia
Lá
longe, no escuro do escuro da noite
A
água límpida jorrava de uma fresta numa rocha
Ele,
continuava ora pela água suja e lamacenta
Ora
pela areia molhada da praia
A
chuva miudinha fustigava a noite escura
Um
raio iluminou lhe o olhar e de seguida
O
som estridente de um trovão
A chuva começou a cair em bátegas fortes e
cada vez mais grossas
Ele
continuava a sua caminhada ziguezagueando
Aquele
corpo franzino resistia
A
roupa já gasta e rota estava cada vez mais encharcada
Há
quanto tempo caminhava ninguém sabia
De
repente, sentiu algo estranho debaixo dos pés doridos
Era
um monte de algas marinhas, trazidas pelas ondas para o areal
Tropeçou
e caiu por cima do monte das algas
Tentou
erguer-se mas não conseguiu, o corpo fraquejava
Enroscou-se
sobre si mesmo e pensou que daqui a pouco
Amanheceria
e o sol aqueceria o seu corpo e ajudá-lo-ia a erguer-se
Adormeceu
cansado, mas crente
Que
iria acordar e continuar o seu caminhar.
Maria
Antonieta Bastos Alentado Oliveira
22-08-2026