sábado, 10 de outubro de 2026

Quase Velhinhos

Sabes amor, já somos quase velhinhos

Somos quase meninos a precisar de carinhos

Felizmente, Deus nos pôs no mesmo caminho

E de mão na mão damos muitos miminhos

Sabes amor, cada vez mais nos sentimos amando

Um ao outro, sempre em união

Uníssono só nosso que ninguém entende

Mas nós assim, unidos, somos felizes

Na nossa quase velhice

Somos mais amigos ainda

Do que éramos na nossa meninice.

Sabes amor, és a vida que Deus me deu

Para comigo caminhar até ao fim.

Amo-te, meu amor quase velhinho

A tua quase velhinha que muito amas

E te amará até ao dia final.


Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

10-10-2026

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Morri Hoje


 

Hoje, morri

Mataste-me com a tua atitude cruel

Não eras o jovem que saiu da minha casa

Eras um ser moldado por alguém

Alguém que te oprime sem que o percebas

A quem obedeces sem quereres

Alguém que conseguiu adormecer-te

E ficaste outra pessoa

Cruel, insensato, sem vontade própria

Mas, és feliz

Dizes que és super feliz

Que bom seria que assim fosse

Mas eu sei que não

Eu conheço-te muito bem

Estás revoltado contigo próprio

E não consegues dar a volta

Não consegues dizer: - estou farto

Quero sair deste sítio onde me meteram

Quero sair e voltar a ser eu

Compreendo-te sem te compreender

 

Morri hoje

Mataste-me!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

09-10-2026

domingo, 4 de outubro de 2026

O Sonho Comanda A Vida


 

O que me resta na vida?!

Nada!

Já não tenho alegria

Já não posso passear

Já não posso fazer nada em casa

Já nem à praia acabo por ir

Não saio

Aqui  fico recordando

Os poucos bons momentos que vivi

Ou então

Os momentos vividos brincando convosco

Aqui no meu canto ainda sonho

Sonho com o que é quase impossível

Pois o tempo não volta atrás

Queria ser criança mas ser feliz

Queria ser adolescente e ser feliz

Queria tanta coisa que não posso nem nunca soube mudar

Queria ser uma mãe amada pela sua filha

Queria ser uma avó amada e desejada pelos seus netos

Queria ser eu

Aquela que sonha

Aquela que sabe sonhar

Porque como diz o poeta

“O sonho comanda a vida”

E eu sonho

Sonho voltar a ter-te e saber-te feliz.

Quero que o teu sonho comande a tua vida

E te sintas realizado e feliz.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

04-10-2026

Superior a Mim


 

Quero ser forte mas não consigo

Quero obedecer ao que me aconselham

Mas é superior a mim

O meu pensamento

O meu ser

Está sempre contigo

Quero seguir em frente

O pouco tempo que ainda tenho

Mas tu, estás sempre no meu caminho

E quero ajudar-te

Mas não sei como fazer

Desta vez não te sei ajudar

Tens outras vozes que te falam

E ficas sem saber quais as mais verdadeiras

Um sim, contra um não

Sim, quero sair deste limbo

Não, não sei como sair sem ferir

Luto comigo própria

Luto sozinha comigo

Luto por ti.

Arranjei uma ampulheta

Que marca o tempo perdido entre nós

A areia desce, eu volto-a

Ela volta a descer, eu de novo a volto          

De nada vale, o tempo passa por entre os grãos da fina areia

E eu, fico à espera que tu chegues

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

04-10-2026

 

 

 

 


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Guadiana


 

Pelas águas do Guadiana

Corre um rio que vem de Espanha

Por ele mandei meu barquinho de papel

Na esperança que tu o visses

Escrevi versos de amor

E o quanto gosto de ti, Alentejo

Ai, se eu pudesse, meu Deus

Voltaria a nascer nessa terra, nesse sol

Longe ou perto do Guadiana

Mas bem pertinho do meu cante

Se eu pudesse, seria na Vidigueira

Pois já conheço as suas ruas

As janelas e estradas

As Capelas e as Igrejas

Já te conheço, minha terra

Sem nunca te conhecer

Sem nunca em ti viver

Mas em meu sangue, corre  o teu sangue

A água do Guadiana

E o vinho da talha ou o das adegas

O meu barquinho de papel

Levou-me em pensamento

Pelas águas do Guadiana

Até às minhas raízes alentejanas.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

01-10-2026

 

 

sábado, 26 de setembro de 2026

Refúgio


 

 

Tenho um refúgio escondido  no meu peito

Nele guardo uma vida de sonhos e sentimentos

Guardo os meus amores e desamores

Guardo as pessoas que já partiram e eu amei e amo ainda

É um refúgio onde ninguém entra

É meu e apenas meu

São lembranças de bons momentos

São lembranças de maus momentos

É a minha vida passada num simples refúgio

Entre areias movediças e calçadas de pedras fortes

Por vezes, muitas vezes, refugio-me nele

Para que ninguém me veja chorar

Rir é difícil raramente acontece

Nesse refúgio onde me encontro e me escondo

Esconde a outra parte de mim

Aquela que ninguém conhece

E onde me perco por também a não conhecer.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

26-09-2026

 

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Buzio


 

 

Junto ao Bugio

Encontrei um buzio

Pu-lo ao ouvido e ouvi a tua voz

Sibilavas o meu nome

Chamavas-me de amor

De querida da minha vida      

Desencostei-o e senti o teu cheiro

Era um odor a mar salgado

Odor ao nosso amor

Mergulhei, bracejei, nadei

E cheguei à praia

Exausta, cansada e dorida

Naveguei como um naufrago

Mas cheguei

Cheguei até ao areal que me esperava

Lá, onde tu também estavas

Entreguei-te o buzio

Que tinha encontrado junto ao Bugio

Fizeste o mesmo que eu fizera

E ouviste a minha voz

Dizendo o que me tinhas dito a mim

Em sintonia as nossas palavras se cruzaram

No som do buzio

Que encontrei junto ao Bugio.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

24-09-2026

Diamante


 

 

A vida é um dilema

Um diamante em bruto

Para que cada um de nós faça a sua lapidação

Uns melhor

Outros menos bem

E ainda outros, muito mal

A vida é um dilema

Que temos de saber resolver da melhor maneira

Com paz, com amor, com união, com partilha

Com respeito, com compreensão, com Fé e compaixão

Um dilema com um diamante em bruto

Aparentemente é muito

Para conseguirmos viver em paz e ser feliz

 

Lapidei o meu diamante

Resolvi o meu dilema

Mas errei demais antes de o conseguir

Errando, tropeçando, mas continuando a caminhar

Chegaremos àquilo que desejamos sem pisar ninguém

Porque se o diamante se pode lapidar a nosso gosto

Também a vida se pode viver com paz e amor.

 

Lapidei o meu diamante

E, resolvi o meu dilema.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

24-09-2026

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Vila de Frades

 


 

Vila de Frades sem frades

Mas rainha do vinho da talha


És amistosa e airosa

Com um belo jardim florido

E uma bica de água fresca

Como nos tempos d’outrora

Tens teus belos restaurantes

Com petiscos de primeira

Também tens o Museu dos Arcos

Onde guardas muitas relíquias

Encontradas nas escavações

Do austero monumento

De São Cucufate

 

És Vila de Frades sem frades

Mas com muita devoção

Com Igrejas e Capelas

Que te dão paz e amor no coração.

 

Maria Antonieta Oliveira

23-09-2026

 

 


Finalmente


 

 

Dia de fortes emoções

Voltei a ouvir a tua linda voz

Falámos com amor e emoção

Deu para que eu me sentisse feliz

Muito feliz

Como há muito não me sentia

Como te amo, meu querido

Foi tão bom este reinicio

Se Deus quiser em breve nos veremos

E então daremos o nosso abraço e os nossos beijos

Aguardo esse dia com ansiedade

Breve, breve chegará

Eu confio

A Fé, a esperança e a confiança

Jamais me abandonaram

E continuo confiando

Que nada jamais nos separará

És e serás sempre o meu príncipe muito amado.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-09-2026

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

O Nosso Ninho


 

Se eu pudesse fazia um ninho no cimo de um candeeiro

No caminho que nos leva ao amor

Apanhava canas e paus fininhos

Entrelaçava-os com muito carinho

Lá no cimo bem perto do céu

Nasceriam outras gaivotas

Outros pássaros chilreando

Outros amores falantes

Se eu pudesse fazia um ninho

E nele juntinhos ficaríamos unidos

Em paz com muito amor

E longe dos que nos querem fazer mal

Daqueles que nos querem separar

Se eu pudesse acarinhava-te como se fosses um bebé

Beijava-te e dava-te ainda mais amor

Daquele que sei que sinto por ti

O nosso ninho no cimo do candeeiro

Seria o mais belo e luminoso já visto

Pois nele habitaria a união de duas almas puras

Levadas por palavras vãs

Ditas pela maldade dos ciumentos.

 

Se eu pudesse faria o ninho do amor!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

21-09-2026

domingo, 20 de setembro de 2026

Não à Guerra

Não à guerra

Não destruam mais esta terra

Tenham pena de quem sofre

Crianças sem qualquer culpa

Mulheres feitas reféns

Fome e miséria

Cidades destruídas

Ruas infestadas de mortos

Cheiros nauseabundos

Filhos sem pai nem mãe

Mães sem filhos

Famílias sem união

Por favor, Senhor

Ensinai-lhes a paz

Guerra NÃO!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

 

Canção

Fiz da vida uma canção

Quis definir um bonito refrão

Que rimasse com felicidade

Deixasse de lado a saudade

Queria pôr rosas a sorrir

E a maldade a florir

Queria virar o mundo

Por outro com amor profundo

Sem guerras nem desleais

Com paz amor e fieis

A canção esqueci-a de imediato

Pois nada rimava de bom grado

Acabei ficando por quase nada

Neste poema que pouco diz

Para quem o ler sem saber porque o fiz

 

Seria uma bonita canção

Terminando com uma linda oração.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

 

 

Fantasmas


 

Tudo na vida são fantasmas

São fantasias imaginadas ou até sonhadas

São vivências nossas ou de outras vidas

São fracassos e vitórias

Fantasmas vestidos de branco puro

Enviando suas preces à paz

Ou, fantasmas de negro gritando a guerra

São fantasmas verdadeiros de carne e osso

Alguns deveriam morrer numa vala ou num poço

Queria ser um fantasma da paz

De branco vestida e dando vida à vida

Dando a quem não tem pão para comer

Roupa para vestir ou cama para dormir

Dar amor e perdão

Saber ouvir a solidão

Sem julgar ou dar razão

Queria ser um fantasma da paz!

 

Fantasmas!

A vida é feita de fantasmas!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

Rodrigo


 

 

Chorei ao ver-te

Sim, foram lágrimas de angustia

De saudade de outros tempos

Em que ti vi e ouvi

Alto, elegante, forte, um homem a sério

Hoje, és aquilo a que chamamos de velho

Cabelos brancos desalinhados, nada como outrora

Brancos prata, tu és ouro

Um ouro do fado

Fadista da alta roda

Com tua casa em que recebias outros como tu

Grandes no seu fadar

Grandes fadistas de antanho

E eu, chorei

Recordei o meu pai com o teu aspecto

Velhinho de cabelo branco e inclinado

A coluna já não suporta o corpo

Chorei, chorei também de alegria

Pois ainda te ouvi cantar

A tua voz já não é a mesma

Mas ainda cantas o fado como alguns não o sabem fazer

 

Tu, cantaste!

Eu, chorei!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Três Meses

Queria desistir mas não consigo

São muitos anos de amor em comum

Muitas dias de brincadeiras e traquinices

Muitas lágrimas e carinhos trocados

Não consigo passar um minuto sem pensar em ti

Como fui estúpida e te perdi

Se eu pudesse voltar atrás, voltava

Fazia tudo, mesmo tudo para que me perdoasses

Por outro lado penso que já estás a exagerar

O tempo urge  e eu não serei eterna

Pensa nisso, meu amor

E esquece tudo o que te magoou

E também, em tudo o que me magoaste e eu esqueci

Hoje, decidi não mais te incomodar

Se um dia quiseres voltar

Estarei aqui de braços abertos para te abraçar.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

17-09-2026

 

 

domingo, 13 de setembro de 2026

Joaquim Sustelo


 

 Ah o magano do moço

Que do Algarve p´ra cá veio p´ra cidade

E com ele trouxe a poesia

Que só ele sabe fazer

E ficará p’ra eternidade

Pois, ser poeta, não é qualquer um[A.1] 

É o Joaquim  Sustelo e mais nenhum.

 

Ser poeta, muitos dizem que são

Até eu por vezes o digo

Mas poeta como tu, não é fácil de encontrar

És amigo do teu amigo

E com ele gostas de partilhar

Não tens vaidade no saber

Embora saibas que sabes

Seja soneto ou quadra

Sextilha ou Quintanilha

Tudo sai a rigor

És um poeta a sério

Dentro do teu próprio critério.       

Brincando com as palavras

Dizes tudo o que sentes

Seja bom ou nem por isso

No que escreves não mentes.

E a voz divinal na rádio horizontes da poesia

Até fazias milagres

De um simples poema banal

Dito por ti, saia um poema divinal.

Tanto mais podia dizer

Mas poeta como tu, não é fácil de se ser

És o Joaquim Sustelo e mais nenhum como tu.

Tem o teu dom e o teu saber.

 

 Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

12-09-2026

 

 




sábado, 12 de setembro de 2026

Escrevi-te Uma Carta


 

Escrevi-te uma carta há tanto, tanto tempo

Que já nem me lembro quando

Nem sequer sei o que te dizia

Decerto, algumas mentiras

Que te amava só a ti

Que eras os olhos do meu viver

Que eras a vida que eu queria

O sonho com que eu sonhava

Afinal, não te mentia

Pois tu és aquele que eu quero

Que me faz feliz

E com quem vivo uma vida de amor

Entre sulcos, montes e vales

Tudo temos conseguido ultrapassar

E felizes prosseguimos

Até que Deus nos queira levar.

E a carta que te escrevi, ficou na gaveta esquecida.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

12-09-2026

 

 


 

Guitarras e Fadistices



Guitarra que choras cantando

A história de muita gente

A história de um povo antigo

De séculos com memórias

De fadistas e fadistices

Cantados pelas vielas e tabernas        

Noites fora, noites dentro      

Tertúlias de poesia e copos

Assim acaba o dia e a noite nascia

Assim acabava a noite e começava o dia

Varinas que iam e vinham

Ouvindo os mestres cantando

Fados acabados por vezes em zaragatas

Esquecidas logo a seguir

Nos bairros escadinhas e tabernas

Era assim o fado de antigamente

Hoje, não há tabernas há casas de fado

Mas a fadistice de antigamente é a mesma de agora

Apenas mudou o nome para outro mais chique

Capelas e capelinhas , santuários de palavras cantadas

É assim o nosso fado

O fado de Português!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

12-09-2026

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

S. Cucufate


 

 

Em tempos já passados

Sem partidos depravados

Mas também com guerras e guerrilhas

Houve gente diferente

Reis e rainhas

Monstros e guerrilheiros

Terras destruídas

 E muitas  outras vidas

O tempo passou pelo tempo

Terramotos e desgraças

E assim nasceram outras raças

Monumentos submersos

Vilas e aldeias vazias

Mas os homens de hoje

Vasculharam o subsolo

E muitas coisas descobriram

Vilas romanas doutras eras

Com seus painéis pintados de fresco

Visíveis a olho nu

Paredes a descoberto

Seriam quartos, seriam salas ou salões

E os tectos sempre pintados

Que contam o nosso passado

É tão bonito de ver

É tão bom aprender

Como foi

Como era

Assim é S. Cucufate

Uma relíquia romana

Que merece a nossa visita

Olhar ao longe e de perto

Entrar e admirar

Um orgulho do meu Alentejo

Ter S. Cucufate em si

Vila de Frades ou Vidigueira

Sempre se orgulharam

Deste majestoso monumento

Que nos recorda outros tempos outras eras

Outras gentes, na nossa terra.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

09-09-2026