domingo, 30 de agosto de 2026

Meus Pais


 

 

Era a agulha e o dedal

As linhas e alinhaves

Entretelas e forros

Botões e fechos éclaires (assim se chamavam)

Calças e casacos

Alguns já gastos eram voltados

E depois de recortados ficavam para os filhotes

Calças de boa fazenda e fatos completos

Com colete e tudo o que lhes dizia respeito

Alfinetes e giz

Régua e espaço liberto, aberto

Nada faltava à modista de alfaiate

Mas também fazia lindos vestidos

Para a sua bela menina

Parecia sempre uma princesa

Mesmo que o tecido fosse chita da tabela

O milagre daquelas mãos saía

E os vestidos e bibes pareciam feitos de seda pura

Ah grande mulher, que tão cedo partiste

Depois de tanto teres trabalhado

E ao marido teres  ajudado

Os dois, construíram o vosso império

Caminhando ao comando da mulher

´”pedras, até para casa as levo”

Assim foi a vossa vida

Meus queridos, meus amores

Meus pais que sempre me amaram.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

30-08-2026

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