sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Quantas Vezes

 

 

Quantas vezes pisei as pedras dessa calçada?!

Quantas vezes pesei as pedras dessa rampa?!

Quantas vezes pisei as pedras dessa rua?1

Quantas? Quantas?

Quantas vezes vi os cacilheiros chegando?!

E quantas fui neles navegando?!

Quantas?

Quantas vezes fui ver o Tejo ao miradouro?!

Junto à Igreja de Santa Luzia, sim.

Quantas?

Quantas injecções levei em tantos anos

Em São João da Praça ou na

Criz Vermelha da Praça do Comércio?!

Quantas?

Quantas birras fiz para comer e te arreliei?!

Quantas birras fiz, só por que sim?!

Quantas?

Quantas vezes subimos a Avenida ora

Ao teu colo, mãe, ou ao som do teu assobio pai?!

Quantas?!

Se calhar, pensando bem, fui feliz

Sim, fui feliz sem o saber

Com os teus carinhos, com os teu beijos e abraços

Quantas vezes fui ingrata, quantas?!

Hoje, pago bem caro todo o mal que fiz

Mas, era uma criança entre adultos

Sem liberdade quase que para respirar

Perdoem-me se ainda o conseguirem fazer

Para que eu possa viver amando e sendo amada

Por todos os que me sobram na família.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

03-09-2026

 


terça-feira, 1 de setembro de 2026

O Som do Mar


 

 

Numa cama à beira mar

Com a lua por companheira

Adormeci a sonhar

Ter-te comigo a vida inteira

Eras uma flor viçosa

Daquelas da estufa fria

Que vimos num outro dia

A maré subiu

E a minha cama ruiu

O sonho da flor viçosa

Nem chegou a ser uma rosa

Ali fiquei a pensar

Era tarde a noite estava escura

E eu a sonhar na praia

Com a roupa toda molhada

Sem sequer ter companhia

O marido na cama, já dormia

E na praia só o som do mar

Que me levava a sonhar

 

Fui ter contigo, amor

Dei-te um beijo com fervor

E, abraçados adormecemos.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

01-09-2026