Quantas
vezes pisei as pedras dessa calçada?!
Quantas
vezes pesei as pedras dessa rampa?!
Quantas
vezes pisei as pedras dessa rua?1
Quantas?
Quantas?
Quantas
vezes vi os cacilheiros chegando?!
E
quantas fui neles navegando?!
Quantas?
Quantas
vezes fui ver o Tejo ao miradouro?!
Junto
à Igreja de Santa Luzia, sim.
Quantas?
Quantas
injecções levei em tantos anos
Em
São João da Praça ou na
Criz
Vermelha da Praça do Comércio?!
Quantas?
Quantas
birras fiz para comer e te arreliei?!
Quantas
birras fiz, só por que sim?!
Quantas?
Quantas
vezes subimos a Avenida ora
Ao
teu colo, mãe, ou ao som do teu assobio pai?!
Quantas?!
Se
calhar, pensando bem, fui feliz
Sim,
fui feliz sem o saber
Com
os teus carinhos, com os teu beijos e abraços
Quantas
vezes fui ingrata, quantas?!
Hoje,
pago bem caro todo o mal que fiz
Mas,
era uma criança entre adultos
Sem
liberdade quase que para respirar
Perdoem-me
se ainda o conseguirem fazer
Para
que eu possa viver amando e sendo amada
Por
todos os que me sobram na família.
Maria
Antonieta Bastos Alentado Oliveira
03-09-2026

Sem comentários:
Enviar um comentário