domingo, 20 de setembro de 2026

Rodrigo


 

 

Chorei ao ver-te

Sim, foram lágrimas de angustia

De saudade de outros tempos

Em que ti vi e ouvi

Alto, elegante, forte, um homem a sério

Hoje, és aquilo a que chamamos de velho

Cabelos brancos desalinhados, nada como outrora

Brancos prata, tu és ouro

Um ouro do fado

Fadista da alta roda

Com tua casa em que recebias outros como tu

Grandes no seu fadar

Grandes fadistas de antanho

E eu, chorei

Recordei o meu pai com o teu aspecto

Velhinho de cabelo branco e inclinado

A coluna já não suporta o corpo

Chorei, chorei também de alegria

Pois ainda te ouvi cantar

A tua voz já não é a mesma

Mas ainda cantas o fado como alguns não o sabem fazer

 

Tu, cantaste!

Eu, chorei!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

20-09-2026

 

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