sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Ilusão


 

Serena e calma

Tranquila e a sorrir

Disfarças bem a morte que te vai na alma

Mentes descaradamente

Tal como dizia o grande poeta Fernando Pessoa

O coração chora

A mente sofre

Nada te dá felicidade

Embora estejas rodeada de amor e carinho

Querias a vida à tua maneira

Todos juntos com saúde e alegria

Unidos em palavras e em vida viva

Querias poder voltar atrás

Mas o passado passou e o caminho continuou

Sem dares por isso perdeste o destino

Não, o destino é este que vives agora

Nada a fazer

Apenas esperar o fim

E aí

Todos te chorarão

Todos sentirão a tua falta

Todos saberão que os amavas mesmo sem sentir o vosso amor

Só tu és e serás sempre o que sabe e sente que o amo

Eu também sei que sou amada

Amamo-nos como jamais alguém se amou

Choraremos um pelo outro e juntar-nos-emos

Onde ninguém nos poderá separar

Aí, seremos eternamente amantes1

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

30-01-2026

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Ainda Te Aguardo


 

 

Sentada no banco de pedra gasta e fria

Aguardo a tua chegada

Olho o rio

Um cacilheiro que chega outro que vai

O barco vindo do Barreiro trazendo sonhos

Ou, talvez tristezas, doenças, curas

Uma gaivota voa baixinho

Dizem que é tempestade no mar

O céu está límpido e azul,

O azul céu tão fora do comum

Mas lindo

Um casal passa enamorado

Outros passam correndo a vida

Ninguém me vê, estou apenas e só comigo

Aguardo o nosso barco

O nosso ninho de amor e com ele a tua presença

 

Entretenho-me com as joaninhas que voltam

Como outrora em miúda quando com elas brincava

Guardando-as numa caixa de fósforos vazia

Sinto-me a criança que não fui

Ajuda  a passar o tempo fazendo-me feliz

 

Anoitece e não te vejo chegar

Embora te veja no meu coração.

 

O som estridente de sirenes assusta-me

Polícia, INEM, mais ambulâncias

Algo grave se passa

O rio é quase um mar bravio

As ondas galgam o paredão e a calçada

Abro o telemóvel e vejo que um navio estava perdido no mar

As ondas o galgaram e nada restou

Ninguém se salvou

E tu? Onde estás, meu amor?

Aguardo-te na pedra gasta e fria do banco onde me sento

Volta, amor.

 

Continuo sentada na esperança de que venhas

Mas não, ficaste perdido naquele mar sem fundo, junto ao Bugio

Ao meu lado, sentado, está ao longe, o nosso amor.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-01-2026

 

 


sábado, 10 de janeiro de 2026

Sonhos

 

Sonhos!

Ainda tenho muitos

Ver os meus netos felizes e realizados

Ver a minha filha feliz e realizada

Vê-los a todos com saúde

Viajar

Voltar onde já estive

E ir onde nunca fui

Conhecer outras pessoas

Outras culturas

Sentir a verdadeira amizade

E não o abraço de parece bem

 

Tantos sonhos!

Tão pequenos para alguns

E tão grandes para mim!

 

Se eu pudesse voltar atrás

Tudo seria diferente

Tudo, menos as dores

Tudo, menos a falta de forças

Tudo, menos a maldita velhice

Esta ninguém a muda

Ninguém a vence

Aparece avança e destrói

 

Nem sonhos, nem mudanças

Nada!

Tudo acaba!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

09-01-2026

 

 

 

 

sábado, 3 de janeiro de 2026

És Tu a Minha Luz


 

 

Tua boca doce mel

Teus beijos sabem a flores

Das mais viçosas do jardim

Teus olhos são dois sóis

Que me olham com amor

Teus braços são meus abraços

Que me acolhem com carinho

Teu corpo é o meu corpo

Onde me enrosco na cama

E me aninho nesse ninho

Tua voz qual melodia

Que me encanta ouvir

Me aquece a alma adormecida

E me dá de novo a vida

Oh meu amor, tu és tudo isto

És o ser que ilumina os meus dias

Transforma tristeza em alegrias

E faz de mim a mulher que hoje sou.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

02-01-2026