Sentada
no banco de pedra gasta e fria
Aguardo
a tua chegada
Olho
o rio
Um
cacilheiro que chega outro que vai
O
barco vindo do Barreiro trazendo sonhos
Ou,
talvez tristezas, doenças, curas
Uma
gaivota voa baixinho
Dizem
que é tempestade no mar
O
céu está límpido e azul,
O
azul céu tão fora do comum
Mas
lindo
Um
casal passa enamorado
Outros
passam correndo a vida
Ninguém
me vê, estou apenas e só comigo
Aguardo
o nosso barco
O
nosso ninho de amor e com ele a tua presença
Entretenho-me
com as joaninhas que voltam
Como
outrora em miúda quando com elas brincava
Guardando-as
numa caixa de fósforos vazia
Sinto-me
a criança que não fui
Ajuda
a passar o tempo fazendo-me feliz
Anoitece
e não te vejo chegar
Embora
te veja no meu coração.
O
som estridente de sirenes assusta-me
Polícia, INEM, mais ambulâncias
Algo grave se passa
O rio é quase um mar bravio
As ondas galgam o paredão e a calçada
Abro o telemóvel e vejo que um navio
estava perdido no mar
As ondas o galgaram e nada restou
Ninguém se salvou
E tu? Onde estás, meu amor?
Aguardo-te na pedra gasta e fria do banco
onde me sento
Volta, amor.
Continuo sentada na esperança de que
venhas
Mas não, ficaste perdido naquele mar sem
fundo, junto ao Bugio
Ao meu lado, sentado, está ao longe, o nosso
amor.
Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira
22-01-2026

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