quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Ainda Te Aguardo


 

 

Sentada no banco de pedra gasta e fria

Aguardo a tua chegada

Olho o rio

Um cacilheiro que chega outro que vai

O barco vindo do Barreiro trazendo sonhos

Ou, talvez tristezas, doenças, curas

Uma gaivota voa baixinho

Dizem que é tempestade no mar

O céu está límpido e azul,

O azul céu tão fora do comum

Mas lindo

Um casal passa enamorado

Outros passam correndo a vida

Ninguém me vê, estou apenas e só comigo

Aguardo o nosso barco

O nosso ninho de amor e com ele a tua presença

 

Entretenho-me com as joaninhas que voltam

Como outrora em miúda quando com elas brincava

Guardando-as numa caixa de fósforos vazia

Sinto-me a criança que não fui

Ajuda  a passar o tempo fazendo-me feliz

 

Anoitece e não te vejo chegar

Embora te veja no meu coração.

 

O som estridente de sirenes assusta-me

Polícia, INEM, mais ambulâncias

Algo grave se passa

O rio é quase um mar bravio

As ondas galgam o paredão e a calçada

Abro o telemóvel e vejo que um navio estava perdido no mar

As ondas o galgaram e nada restou

Ninguém se salvou

E tu? Onde estás, meu amor?

Aguardo-te na pedra gasta e fria do banco onde me sento

Volta, amor.

 

Continuo sentada na esperança de que venhas

Mas não, ficaste perdido naquele mar sem fundo, junto ao Bugio

Ao meu lado, sentado, está ao longe, o nosso amor.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-01-2026

 

 


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