domingo, 23 de agosto de 2026

Madrinha Maria Luísa


 

O filme corria no computador

O nome da terra

Paisagens, fotos várias

Até que ao surgir uma ouvi alguém dizer:

“Ai, a minha Chica, éramos tão amigas

Tão amigas que nós éramos”

E esta frase repetiu-se a cada vez que a Chica aparecia nas fotos

Alguém com alzheimer lembrou-se da amiga de outrora

A minha madrinha de registo que me deu o nome de Maria

Nome que adoro, Maria, mãe de Jesus

Sim, foi a minha madrinha Maria Luísa

Numa tarde de emoções, na minha Vidigueira

Houve lágrimas sentidas, flores, carinho

Houve uma moldura de prata com uma foto nossa

Houve cante e muito amor.

Foi mais um livro, sim, mais um livro

Mas foi muito mais do que isso

Foi amor de uma família

Que mesmo longe se sente presente.

Obrigada, minha gente!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

23-08-2026

 

Novamente Tu


 

Sinto a paz invadir o meu peito

Não porque tenhas voltado

Mas porque confio que voltarás

Quero tanto, meu amor

Mas confio, confio que esse dia chegará

Confio que voltarás a ser o que então eras

Comigo e com o avô

Já não somos jovens

Estamos na casa dos idosos

Ou melhor, dos velhos

O nosso  tempo escasseia

Depois só resta uma campa rasa

Onde estará um corpo que partiu triste

Uma alma ausente que se elevou

E lá do alto, zelaremos por ti

Zelaremos por quem amamos

Mas quem cá fica, fica sem nós

Sem o beijo e o abraço

Sem o conforto das palavras

Dos conselhos, por vezes aborrecidos

Do amor que se faz sentir

Que é verdadeiro e sentido.

Do amor eterno que sempre existiu.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

23-08-2026

 

 

Madrinha Milú


 

 

Sou vaidosa como ela foi

Pinto os lábios e as unhas

Visto-me p´ra ocasião

E faço sempre um vistão

Calço-me de acordo

Ponho joias a condizer

Saio de casa num primor

Mas há uma grande diferença

É na bolsa que consiste

Ela tudo o que usava era verdadeiro

Eu o que uso é o que combina

E, por vezes, dos chineses

 

Tento ser como ela

Era linda e bem posta

Airosa e perfumada

Um perfume para cada local

E num fim um cheirinho harmonioso

Ela era assim, mas já partiu há muito

No entanto, continua sendo

A minha musa perfeita.

Por vezes era chatinha

Mas era uma rainha.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-08-2026

 

 

sábado, 22 de agosto de 2026

Cheira-me a Tinto


 

 

Cheira-me a tinto

Cheira-me a mosto

Cheira-ma a vinho

Vinho que limpa a alma

Limpa o pensamento

E nos faz libertar

Qualquer pensamento

Os mais tristes

Os mais puros e verdadeiros

Os que nos atormentam

Ou os que nos fazem felizes

 

Cheira-me a tinto

E recordo o teu sorriso matreiro

Ao entrares dizendo:

“O Balelas” já vem mijado

Era apenas uma conversa que nós entendíamos

Pois vinha bem sequinho

Ninguém o notava

Ninguém o sabia, mas ele o dizia

E esse sorriso continuava

Até o sono te levar num sonho lindo

Eras puro, eras meigo e verdadeiro

Eras tu, sempre tu

Com ou sem o cheiro a tinto

Como era bom voltar a ouvir a tua voz

Tempos que o tempo levou e jamais voltarão

 

Cheira-me a mosto

Cheira-me a tinto

Cheira-me a vinho.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-08-2026

 

 

Cantarolando


 

 

Cantando sem o saber

Fui cantando todo o caminho

Até parecia o mestre passarinho

Foram versos de amor

Daquele que sinto por ti

Foram tantos que até nem sei

Se de algum me esqueci

Mas cantei toda a viagem

E foram muitos quilómetros

Daqui até Santiago de Compostela

E depois na volta para cá

Que linda foi a viagem

Um caminho a recordar

Na lembrança quase tudo ficou

Pois nunca iremos lá voltar

 

O cantor não fui eu, não

Foi o meu motorista

Quer dizer, o meu amor

Que rima sem se atrapalhar

E assim se distrai a conduzir

Ou até mesmo a trabalhar.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-08-2026

Vidigueira, Minha Terrra

 

Não sei dizer Alentejo

Sem pronunciar o teu nome

Pois foste quem me viu a vez primeira

E eu, gostava de te ver, a vez derradeira

És minha linda terra

Teu cheiro não há igual

É o pão quentinho do forno

É a uva do bom vinho

O chouriço, o presunto

São as sopas de cação

São os campos verdejantes

É o teu Castelo destruído

É o museu que já foi escola

A piscina com seu bar

As tascas e restaurantes

Alguns bem elegantes

A biblioteca e seu salão

Onde outrora se viveram muitos amores

Os lares e as creches

Tudo é bom nesta terra

Minha bela Vidigueira

Tens tudo o que é de bom

Menos uma casinha para me dares

Isso aí, são outros ares

Até esquecia as minhas dores

Ficava aí com meus amores

Até ao dia final

Mas como não pode ser

Vou ficando por aqui

Pensando um dia voltar a te ver

 

És linda minha terra!

És linda Vidigueira!

É lindo o Alentejo!

Maria Antonieta Bastos alentado Oliveira

22-08-2026

O Comboio

(foto do google)
 

Num comboio feito de lã

Caminhei na sua linha

Queria chegar bem longe

Onde houvesse o que me falta

O comboio continuava

A lã desenrolava-se

E eu, fiquei no mesmo lugar

Nem cheguei a nele entrar

Se tivesse lá chegado

Havia-te ter encontrado

No nosso cantinho da paz

Assim, fiquei nesta guerra

Que assola toda a terra

Sem um dia parar

Mas hei de fazer o comboio

Irei percorrer o Mundo

E pôr fim a toda a guerra

Dando  finalmente

Paz à terra!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-098-2026

Caminho Sem Fim Ou O Velho

 

O velho descalço, de roupa já gasta e rota

Caminhava ao longo da praia

Entre o lodo de águas sujas e lamacentas

Ou, ziguezagueando pela areia molhada da praia

Lá longe, no escuro do escuro da noite

A água límpida jorrava de uma fresta numa rocha

Ele, continuava ora pela água suja e lamacenta

Ora pela areia molhada da praia

A chuva miudinha fustigava a noite escura

Um raio iluminou lhe o olhar e de seguida

O som estridente de um trovão

 A chuva começou a cair em bátegas fortes e cada vez mais grossas

Ele continuava a sua caminhada ziguezagueando

Aquele corpo franzino resistia

A roupa já gasta e rota estava cada vez mais encharcada

Há quanto tempo caminhava ninguém sabia

De repente, sentiu algo estranho debaixo dos pés doridos

Era um monte de algas marinhas, trazidas pelas ondas para o areal

Tropeçou e caiu por cima do monte das algas

Tentou erguer-se mas não conseguiu, o corpo fraquejava

Enroscou-se sobre si mesmo e pensou que daqui a pouco

Amanheceria e o sol aqueceria o seu corpo e ajudá-lo-ia a erguer-se

Adormeceu cansado, mas crente

Que iria acordar e continuar o seu caminhar.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-08-2026

 

 

 

 

 

 

Sou


 

 

Sou um caminho percorrido numa linha longínqua      

Um trem sem destino certo

Sem trilhos nem rumo

Um navio sem água

Um avião sem hélice

Ou um moinho sem vento

Um camião sem travões

E um miúdo que parte sozinho

No seu primeiro dia de escola

Sou flor sem água

Ou árvore sem terra

Mas sei

Que sou um doce 

Que sou meiga e humilde

Que sou amiga do meu amigo

Que sei amar até demais

Mas também sou pecadora

Por vezes faço o que não devo

E depois

Choro lágrimas de sangue com remorsos

Depois…

Sofro, sofro, sofro muito

Sem culpa de ser como sou.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

21-08-2026

 

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Sinto-me Só



Sinto a solidão de um navio que parte

E de quem fica no cais

Sinto a solidão de quem ama sem amor

Sinto a solidão de ti, que partiste

Sinto a solidão de mim, que estou só

Sempre só

Mesmo quando a vida me rodeia de beleza

De mar, de flores, de alegria, de família unida

O que é isso?

Sempre me senti só

Mas eu, não estou só

Eu tenho um marido que amo e me adora

Tenha uma filha

Tenho um neto tenho uma neta

Tenho primos e sobrinhos

Mas todos juntos, são tão poucos…

Tão poucos…

E eu, sinto-me sempre só

Sou o navio que parte e a onda que o leva mar alto

Sou aqueles que ficam no cais, com esperança num amanhã feliz

Feliz e diferente, com todos unidos em paz e harmonia.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

21-08-2026

 

 

Tocaram à Porta


 

Ouvi a campainha tocar

Corri acelerada, pensei que eras tu

Pateta, claro que tu não eras

Tu, esqueceste quem tanto te ama

Ou não, não esqueceste

Mas alguém te usa para que o faças

E tu, jovem ainda, obedeces, quase sem dares por isso     

Sentei-me de novo no meu lugar preferido

No meu canto, no meu escritório

Abri o computador e foi em palavras sem jeito

Que desabafei o meu choro num pranto

Tanta é a saudade que tenho de ti, meu amor

 

Ouvi o toque de novo

Feita palerma lá vou eu a correr

Era apenas a vizinha que tocou sem querer

 

A vida dá muitas voltas

Nem sonhamos quantas dará

Jamais pensei sofrer assim

Por alguém que sei me ama também

Mas, a vida dele, também virou do avesso

Sem que ele o pedisse ou quisesse

Os outros, sim, os outros

Trocaram-lhe as voltas da vida.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

21-08-2026

 

 

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

sábado, 15 de agosto de 2026

Sonhei?!


 

Sonhar!

Será que alguma vez sonhei?!

 Não sei! Não me lembro!

Será que me deixaram sonhar!?

Não sei! Não me lembro!

Gostava de… mais de…e também de…

Mas seria que sonhava  ser…ter…ir…

Não sei! Não me lembro!

A vida foi passando

E hoje ao olhar para trás, nada vejo

Uma vida vivida ao som de um musical alheio

Os meus sonhos, se é que os tive

Ficaram perdidos numa pauta vazia

A minha vida já nada me diz

Sonhos, nem sei  o que são

Morri no dia em que nasci

E a que nasceu e viveu, morreu.

 

Onde estão!?

Onde ficaram os meus sonhos!?

Morreram comigo no mesmo dia em que eu morri ao nascer.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

15-08-2026

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Caparica e Sua Faina

Vejo-to ó rio

Vejo-te cacilheiro

Onde um dia naveguei

Até Cacilhas

Até à Trafaria

Sempre a caminho na nossa praia

A Costa da Caparica

Em outros tempos diferentes

Em que era um longo areal de barracas e toldos

Até chegarmos aos barcos descansando da faina

Os pescadores cosendo as redes aguardavam

A hora de os levar de novo ao mar

E trazerem-nos cheios de peixe fresquinho

Acabadinho de pescar à custa das suas forças

Eram braços e corpos cansados, mas felizes

Só assim davam de comer à família e seus petizes

Nós os veraneantes olhávamos toda aquela azáfama

Aprendíamos que a vida não era fácil

Para nós, também não era, mas era diferente

O perigo do mar era maior

As ondas cavalgando sobre as carcaças, algumas bem velhas

Daqueles barcos a remos

Era por vezes um infortúnio das vidas

Que deixava filhos sem pais e viúvas na praia chorando

Outras vidas em outros tempos

Mas a faina continuava para aqueles que sobreviviam

E tudo se repetia dia a dia      

Sem domingos ou feriados

A Fé os acompanhava mesmo nos dias malfadados

A Fé sempre a Fé em Deus e Nossa Senhora

Os levava e os trazia quando o mar deixava.

E de barco cheio a faina acabava.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

10-08-2026

 

 

 

domingo, 9 de agosto de 2026

Talvez... Um Dia


 

Sinto uma dor no peito

Que me aperta o coração

Partiste sem me avisar

E só voltarás se o desejares

Eu perdi-te sem o querer

Perdi-te, sem o merecer

Mas sonho a cada dia

Que tu, reconsiderarás

E um dia sem eu esperar

Voltarás

Voltarás a dar-me o teu abraço, o teu beijo, o teu carinho

Eu, ficarei feliz e orgulhosa

De deixares para lá

Esse orgulho que não é o teu

Que te diz que já não és meu

Mas sim, és meu

És e serás sempre o meu grande amor

Aquele a quem embalei e ensinei

Que a vida por vezes nos põe à prova

E nós, temos que saber que o amor é maior que a vingança

E tu e eu

Seremos eternamente um amor sem tempo

Com o tempo que Deus me der para nos amarmos.

Amo-te, meu príncipe

Jamais te olvidarei

E sempre te perdoarei.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

09-08-2026

Fadistas


 

 

Ouvi  ao longe uma guitarra a trinar

Parecia-me um passarinho a chilrear

Era um dó, era um mi, ou seria um ré

Não sei bem o que seria

Pois guitarra não sei tocar

Nem de música eu percebo

Mas ouvi

Ouvi ao longe esse doce trinar

E uma voz de tristeza

Rouca voz a cantar

Era uma fadista sofrida

Pelas amarguras da vida

Os passarinhos são livres e não chilreiam assim

Voam no vento que passa entre as nuvens e o sol

Buscam a liberdade a paz e o amor

Não são tristes como os fadistas

Que cantam chorando por dentro

A vida que vão vivendo.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

08-08-2026

 

sábado, 8 de agosto de 2026

Tira as Mãos dos Bolsos


 

 

Tira as mãos dos bolsos e acena-me

Acena-me com o teu lenço de linho

Branco puro e a seda debruado

Atiro-te um beijo sentido

Acena-me, amor

Não como uma despedida

Mas como um gesto de amor

Acena-me, amor

Faz-me sentir de novo

A jovem por quem te apaixonaste

Aquela que um dia beijaste

No recanto do canto da sala

 

Tira as mãos dos bolsos, por favor

E acena-me com um lenço bordado

De sonhos sonhados com amor.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

08-08-2026

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Abraço


 

 

Estás lá, tão longe

Onde não te posso abraçar

Abraça-a tu por mim

Que eu abraço-te em pensamento

E, assim abraçados ficaremos

Hoje, amanhã  e sempre

Até que Deus nos junte

E este abraço pensado

Seja então realizado.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

03-08-2026

domingo, 26 de julho de 2026

Escrever Um Fado


 

 

Queria ser um fado

Mas eu, não sou nenhum fado

Nem sequer um, eu sei escrever

Mas se eu escrevesse um fado

Seria para que tu me o cantasses

Com a tua voz rouca do tabaco

Vencida pela dor da despedida.

Triste e magoada

Naquele dia, à noite, de trovoada

Em que me perdeste e te perdi

Fomos um só em sofrimento

Numa noite triste e derradeira

Em que os fadistas cantavam

O fado, que eu não sei escrever para ti.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

26-07-2026

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Perdão

 

Neste momento, e, não sei explicar porquê, quero pedir desculpa a todos os que ofendi, mesmo que no fundo pense que tenho razão no que disse, no que fiz, ou até no que escrevi. Todos temos direito a opiniões diferentes, a ideias distintas, a sentimentos distintos, e a sermos cada um, um ser único.

O facto de pedir desculpa não significa que esqueci determinados acontecimentos e pontos de vista opostos, sentires e feitios que não aceito como certos.

Amo quem sempre amei, sou amiga de quase todas as mesmas pessoas e, tenho algumas pessoas que são conhecidas ou simplesmente, desconhecidas.

A vida muda, e nós mudamos com ela. Até por vezes surge uma doença que nos faz mudar o pensar, o sentir, o analisar, e por aí fora. O que ontem nos fazia sorrir, hoje pode fazer-nos chorar, e vice-versa. Nenhum de nós tem culpa destas mudanças, elas surgem porque assim tinha que ser, para nos pôr à prova, para nos testar e até para descobrirmos qual o nosso melhor caminho, o nosso verdadeiro EU.

 

Amo-te, meu marido

Amo-te, minha filha

Amo-te, meu neto

Amo-te, minha neta

 

A todos incluindo os amigos verdadeiros, desejo que Deus vos proteja sempre; vos dê paz no coração. Que sigam o vosso caminho saltando em harmonia as pedras que forem surgindo no vosso caminhar.

 

Paz!

Luz!

Protecção!

Amor!

 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Parabéns Mestre Manel


 

 

Obreiro perfeito

Em todas as obras

Mãos calejadas de pedras rasgadas

Depois sem olhar, pisadas

Simples, simpático, resiliente

Inteligente sem canudos

Ordeiro, amigo e fiel

Olhos verdes mar

Olhar de pureza e beleza

Amante com amor sem visão

Era assim o meu primeiro amor masculino

Aquele em que sobrava um olhar

Para que nos compreendêssemos

 

Era assim!

 

Hoje farias cento e quatro anos

E daríamos uma festinha

Com o bolinho feito pela mãe

Que nunca falhava.

 

Era assim!

 

Amo-te tanto, meu pai

E a cada dia a saudade aumenta.

 

Aí, onde te encontras

Apaga as velas e pede paz

Recebe o meu beijinho repenicado.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado (Oliveira)

22-07-2026