sexta-feira, 16 de junho de 2017

Há Muitos Anos









Era quase verão
Os dias já eram longos
E as noites já eram quentes
Entre o Tejo e o Guadiana
Os montes e vales entrecruzavam-se
As planícies de tons ocre, coloriam-se
E a vila engalanada de amor
Acolhia a mais bela menina.

Há muitos, muitos anos atrás

A vila engalada de amor
Continua a viver com alegria
As flores coloridas adornam os campos
No Tejo e no Guadiana as águas fluem
Os dias e as noites intercalam-se
Entre o sol quente e o frio do inverno
A vida continua igual
Neste quase verão

E eu, hoje, tal como há muitos anos
Continuo sendo a aniversariante deste dia.

Maria Antonieta Oliveira
17-06-2017


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Rasguei Os Sonhos





Rasguei os sonhos em papéis pardacentos
Que a vida me ofertou
Sem sonhos
Sobrevivo à vida que me espreita
De coração vazio
Deito-me na nuvem colorida
E aguardo ansiosa
Que o meu sonho vire vida.

Maria Antonieta Oliveira
14-06-2017

domingo, 11 de junho de 2017

Desculpa Por Te Amar





Desculpa amor, por te amar
Por pensar em ti a cada instante
Por sonhar o impossível, em que tu estás
Sei-te, sinto-te e vejo-te feliz
Também eu o sou, de certo modo
Há momentos, muitos momentos
E tão poucos.

Desculpa amor, por te amar!

Maria Antonieta Oliveira
11-06-2017

Amanhã








Amanhã será tarde para viver
Porque a vida já passou
Amanhã será tarde para amar
Porque o amor me tramou
Amanhã será tarde para nós
Porque nós vivemos no passado.

Aonde ficou?!
Aonde fiquei?!
Aonde ficámos?!

Amanhã, quem sabe!

Maria Antonieta Oliveira
11-06-2017


Espero






Espero que a lua me traga os sonhos de volta
Espero que o sol me traga a luz que perdi
Espero que a vida me traga o que já vivi
Espero que a noite me traga o sono merecido
Espero que os sonhos me tragam a felicidade pretendida
Espero que a felicidade me traga os sonhos por viver.

Maria Antonieta Oliveira
11-06-2017




quinta-feira, 8 de junho de 2017

Silêncios





Há silêncios entre palavras proferidas
Apenas pelo teu olhar, meu amor
Nada dizes, nada digo
Bastam nossos olhos se cruzarem
Para sabermos
O que fica por dizer.

Maria Antonieta Oliveira
08-06-2017

terça-feira, 6 de junho de 2017

A Vida é Geometria






A vida é oblíqua.
Ou será quadrada,
e em cada canto do ângulo recto, te encontro?!
Não!
A vida é redonda como a terra.
Um circulo perfeito nas imperfeições do caminho
Onde rolamos, caímos e nos levantamos
sorrimos e choramos
mas sempre continuamos.
A vida é geometria
Que com toda a mestria,
faz magia.

Maria Antonieta Oliveira
06-06-02017

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Paz No Mundo







O vento forte fazia-se sentir
No muro onde pernoitava o sono
A lua parecia caída, num céu sem luar
A fome permanecia estarrecida, sem vida
E o sonho vagueava nas vagas do mar

O vento soprava pela boca do ódio
A lua mentia as mentiras do mundo
E a fome e a miséria gritavam e se instalavam
Nas guerras de muitas guerras perdidas
E a criança e o velho sofriam.

O vento abrandou
A lua deu lugar ao sol
A fome, a miséria e a guerra terminaram
Aclarou a luz eterna do farol
E a paz ao mundo voltou.

Maria Antonieta Oliveira
05-06-2017

Ser









Solta e livre
Como o vento que passa
Queria ser nuvem
Passante, esvoaçante
Sem rumo certo
Queria ser pássaro
De folha em flor
Pousando e debicando
Liberta e livre
Ser pena, sem pena
Deslizando no espaço
Açucena florida
Ou rosa cheirosa
Ser tudo
Ser nada
Mas ser!

Maria Antonieta Oliveira
05-06-2017

sábado, 3 de junho de 2017

Folha Amarrotada







Apanhei do chão aquela folha em branco
Amarrotada pelo tempo, pisada e suja
Sem palavras, vazia e oca
Com passado por escrever
E tanto, tanto mais por dizer
Peguei na caneta já gasta
De palavras soletradas ao acaso
E pensei fazer um diário
Comecei pelo dia de ontem
Na praia, dançando na areia
Ao som da voz do amor
Cantado por ti em surdina
Pousei a caneta na ponta da secretária
Queria prosseguir a estória
Mas ela, já usada e conhecedora de mim
Escondeu-se por entre outras estórias
Ainda por contar e por viver.

Fiquei no ontem já escrito
Hoje e amanhã farão outra estória
Que escreverei quando morrer.

Maria Antonieta Oliveira
03-06-2017




sexta-feira, 2 de junho de 2017

No Orvalho da Noite








Na erva molhada pelo orvalho da noite
Deitei meu corpo cansado
De muitos sonos passados
E noites sem dormir
Sem luas, nem sóis, nem dias.

Na erva molhada pelo orvalho da noite
Descanso a mente poluída
De muitos sentires proibidos
E sonhos possuídos
Sem calor, nem amor, nem dor.

Na erva molhada pelo orvalho da noite
Olho o adormecer da lua
Vejo o ressuscitar do sol
E sorrio à vida
Com alegria, com paz, com harmonia.

Na erva molhada pelo orvalho da noite
Sou feliz!

Maria Antonieta Oliveira
02-06-2017

Sonho Em Poesia






Encostei-me à árvore do sonho e adormeci
No campo florido, caminhei contigo
Acariciei todas as crianças que encontrei
Descalça e nua, vesti-me de lua
Na vereda do tempo, solto o pensamento
Encontrei espinhos por entre os caminhos
Calquei, saltei, nas águas do sol entrei
Na cerca do monte bebi dessa fonte
A água da vida, da felicidade prometida
Feliz, continuei, em ti me aninhei
A árvore soprada, pelo vento derrubada
Fez-me acordar e do sonho regressar.

De ti, nada vi
A solidão era a companhia
Resta a emoção
Do sonho em poesia.

Maria Antonieta Oliveira
02-06-2017

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Queria Apagar o Tempo





Queria encontrar uma borracha que apagasse o tempo
Voltar a ser a menina-mulher que um dia te conheceu
E amou
Que essa borracha encontrasse
As palavras que me deixavas nas carteiras da escola
E mas trouxesse de volta
Ao coração magoado que ainda te ama
Ser menina-mulher ou mulher-menina
Mas ter-te como antes, para mim
Queria ser a borracha para apagar o tempo
Ser menina-mulher, amante e tua.

Maria Antonieta Oliveira
01-06-2017

Ser Criança






Faz anos que a chuva estragou os nossos planos, quando pretendíamos passar o dia no jardim zoológico e uma forte tempestade abalou a nossa vontade.
Faz anos em que foste criança, e hoje, já mãe, me deste as melhores crianças do mundo, os meus netos muito amados e queridos.
Faz anos também eu fui criança, que dei à minha mãe, a melhor neta, tu, mãe dos meus netos.
Faz anos que todos nós já fomos crianças, e daqui a outros anos, alguém também dirá, que faz anos que eu, tu, nós, já fomos crianças.

Maria Antonieta Oliveira
01-06-2017

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Os Nossos Sentires






Ainda sinto o calor dos teus lábios na minha mão
Nunca o tinhas feito antes
Foi um doce e suave momento
Ainda sinto o calor dos teus lábios nos meus
Como já o fizeras antes
Foi um terno e carinhoso momento
Ainda sinto a força da tua mão na minha
Como sempre o fizeras antes
Foi um simples mas intenso momento
Ainda sinto o calor do teu rosto no afago da minha mão
Como já o fizera antes
Foi um delicado e saudoso momento

Senti a verdade do teu sentir
Sentiste a verdade do meu sentir
Sentimos os mesmos sentires.

Maria Antonieta Oliveira
31-05-2017

Muito Tempo








Porque morreste
Se ainda te sinto viva em mim?!
Porque partiste
No dia em que o teu olhar se perdeu?!
Porque me deixaste
Órfã do teu amor incondicional?!

Porque a cada dia que passa
A saudade é maior?!
Porque me lembro
Ainda muito mais de ti?!
Porquê,
Minha mãe?!

Quinze anos sem ti
São muitos anos, muitos dias
Uma vida!

Maria Antonieta Oliveira
31-05-2017

terça-feira, 30 de maio de 2017

Viver e Ser






As pedras resvalam sob os meus pés
Num caminho percorrido sem viver
A areia escaldante queima-me o corpo
No imenso caminhar de uma vida
Ondulam os meus sonhos perdidos
No agitar de um mar salgado
Entre altas vagas e caruma caída
Sigo, prossigo, nos picos agrestes rochosos
Deste mundo onde insisto em viver e ser.

Maria Antonieta Oliveira
30-05-2017

Vida Dorida






A cabeça dói
O coração sangra
A mente chora
O corpo falece
O mundo se desmorona
Tudo gira, tudo volta
Tudo cai e se levanta
E, a minha cabeça dói
E, o meu coração sangra.

Maria Antonieta Oliveira
30-05-2017

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Sempre











Sonho-te ainda criança
Sinto-te aninhada
em meu colo de esperança.

Maria Antonieta Oliveira
29-05-2017

domingo, 21 de maio de 2017

Viver Em Ti











Queria falar contigo da janela do coração
Aquela que abri no dia em que te olhei
Queria que lesses no meu olhar
O que o coração canta em uníssono
E ouvisses a voz da minha mente apaixonada
Dizer em palavras só nossas o quanto te amo
Queria em passos passados aleatórios
Caminhar ao teu encontro e num abraço
Ficarmos unidos para um sempre infinito.
Queria sem sonhar, viver e morar
Para a eternidade, no sentir do teu viver.

Maria Antonieta Oliveira
21-05-2017

sábado, 13 de maio de 2017

Nossa Senhora











Quero ter paz
Na paz do teu amor
Do teu sorriso feliz e simples
Quando sorris para o infinito

Quero ter paz
Na paz do teu olhar sereno
Calmo e tranquilo
Doce e majestoso

Quero ter paz
Na paz do teu coração
Que ama sem ódio
Que ama com perdão

Quero ter paz
Na paz do teu filho parido
Na vontade do Senhor
Para ser nosso salvador

Quero ter paz
Na paz que não mereço
Mas que a vós eu peço
Dai-me a paz!

Maria Antonieta Oliveira
13-05-2017

terça-feira, 9 de maio de 2017

Gritos Hediondos







Há gritos que nos saem da alma apoquentada
De muitos e muitos gritos contidos ao longo da vida
Hediondos?! Sim, talvez!
E porque saem esses gritos hediondos
Apenas e só quando certas palavras incertas se ouvem?!
Porque apenas e só certas pessoas os ouvem?!
Há que pensar bem e vermo-nos ao espelho da alma
Talvez aí encontremos a verdadeira resposta
Talvez aí encontremos o porquê desses gritos hediondos
Que apenas e só duas pessoas os ouvem.

Esse teu passado só morre
Quando eu morrer de vez!

Maria Antonieta Alentado Oliveira
09-05-2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Amor de Uma Vida









Adormeço contigo
E contigo vou acordar
Por entre sonhos quase reais
As noites acontecem e adormecem

Penso-te e amo-te
Num sentir sentido demais
Almoço e janto contigo
Sempre comigo e contigo em pensamento

Dias e noites passam
Num aguardar constante
De te ouvir e contigo falar
Ansiosamente, vejo-te nas palavras que ouço

Sorrio e sonho
Num acordar de outrora
Beijo-te essa boca, a mesma boca
Que ainda hoje me chama de meu amor

Dás-me a felicidade perdida
Dás-me vida à minha vida
E nesta vida que vivo
És tu o amor da minha vida.

Maria Antonieta Oliveira
01-05-2017



domingo, 30 de abril de 2017

Amor Consumado






Acaricio o teu corpo quente
Com a ingenuidade de uma criança
Teu corpo desnudo oferece-me desejos
Que toco a cada dedo que desliza suave
Nas margens do teu ser infinito

O lençol enrola-se na passagem de nós
O cheiro do amor, trespassa
O odor perfumado da cama alva
Extasiados de prazer adormecemos
Num abraço profundo onde calamos
O amor consumado num sonho desejado.

Maria Antonieta Oliveira
30-04-2017


sábado, 29 de abril de 2017

Amor Sem Tempo









Sou feliz apenas porque te sonho
E sonho-te a cada minuto que passa
Eu, tu, nós caminhando na mesma estrada
Erguendo ao céu a taça da felicidade
E brindando a este eterno amor.
Amor que só nós sentimos e sabemos
Só nosso, muito e sempre só nosso
Eu, tu, nós no pico da montanha
Inebriados pelo tempo que nos dá
Este tempo de viver o nosso amor.

Amor sem tempo
Amor com tempo
Amor que o tempo levou
Amor que o tempo trouxe
Eu, tu, nós e este nosso amor sem tempo!

Maria Antonieta Oliveira
29-04-2017



quarta-feira, 26 de abril de 2017

Rolam Sorrisos








Por entre os meus dedos rolam sorrisos
Nas pétalas roxas de uma roseira parida
Na vida da vida que passa e passou.

No ventre da terra putrefacta de vermes imundos
Saem os espinhos por onde caminham os meus dias
Rasgada de sangue escorrido pela pele renegada
Ao sol resgatado de um mundo infestado
Saem de mim soltos e rasgados, gritos de sofrimento
Lágrimas de sangue, soltam-se de um coração sofrido.

Por entre os meus dedos rolam sorrisos
De mentiras inevitáveis dos poetas.

Maria Antonieta Oliveira
26-04-2017




Ser Feliz






Mutilo-me
Revolto-me
Ataco-me

Quem sou e o que quero da vida?!
Pergunto-me e não encontro a resposta.

Sim, encontro e sei a resposta
Quero sentir que a vida me ama
Tal como eu amo a vida
Quero viver esse amor
E que esse amor viva em mim.
Quero ser
Quero viver
Quero amar
Quero sorrir
Quero sonhar

Quero tornar realidade todos os sonhos que sonhei
E finalmente ser eu e ser feliz.

Maria Antonieta Oliveira
26-04-2017




Não Sei













Não sei onde nos perdemos
Em que esquina ficou o tempo
Se é que houve tempo entre nós
Não sei porque tropeço na vida
A cada passo que dou
Ou será que é a vida que me prega rasteiras
Para que nelas tropece?!
Não sei quando me perdi de mim
Se é que algum dia me encontrei
Ou sequer se cheguei a existir.

Não sei se sou, ou se não sou
Não sei se fui, ou se não fui
Não sei nada de mim
Apenas sei que estou aqui
Vivo, sofro, sorriu e choro.

Maria Antonieta Oliveira
26-04-2017











































sábado, 22 de abril de 2017

Vida Gasta





A areia que me leva nas ondas altaneiras da colina do sol
ao encontro de mim,
Queima-me os pés doridos e cansados da vida já gasta.

Maria Antonieta Oliveira
22-04-2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Bloqueei







Não sei o que fazer de mim.
Tenho medo de não conseguir ficar no fim
Tenho medo de ficar pelo caminho
Aqui neste mundo sem destino
Já não sei o que fazer à minha vida
Não consigo fazer face ao dia a dia
Quero morrer!
Ninguém me compreende
Como de costume, sou má e com mau feitio
Falta-me um ombro que me saiba ouvir sem criticar
Ou, que apenas me ouça sem falar
Sei que te tenho para desabafar
Mas também sei, que já terás os teus problemas
E não devo ser eu a tua preocupação
Estas linhas que escrevo são os meus desabafos
Nelas conto os meus segredos, ou talvez não
Ninguém, sim ninguém sabe tudo de mim
Nem eu própria sei se sei
Sei apenas que quero começar de novo
Ou morrer para sempre
Não posso voltar atrás e impor as minhas vontades
Gritar a todos as minhas verdades
Alcançar os meus objectivos e realizar todos os meus sonhos
Ser eu por inteiro em todos os momentos

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira
13-04-2017

Saudades da Minha Terra







Saudades da minha terra
Do canto onde nasci
E não vivi.

Saudades do cheiro do pão quente
Da lenha a crepitar
Na lareira de fogo no chão
Da estrumeira ao fundo do quintal
Das pedras já gastas nas ruas
Dos caminhos por onde não passei.
Dos campos de girassóis
E das papoilas vermelhas.
Das searas e das ceifeiras
Dos pastores e seus rebanhos.
Das noites quentes de verão
E das vizinhas falando ao serão.

Dos dias em que não vivi
No canto onde nasci.
Saudades da minha terra!

Maria Antonieta Oliveira
13-04-2017

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Imensa Saudade





Seriam noventa e dois, os anos que farias
São sessenta e oito, os anos em que sou tua filha
São quinze, os anos em que já partiste
Quinze anos de imensa saudade.

Seriam noventa e dois anos nesta terra
São quinze anos na terra do além!
Quinze anos de saudades tuas!

Maria Antonieta Oliveira
13-04-2017

domingo, 9 de abril de 2017

Se Eu Pudesse Mudava





Os ses e os ques que a vida nos dá
São matreiros traiçoeiros e maldosos
Destroem os caminhos a percorrer
Atrapalham os sonhos que queremos viver
Mas vivemos outros sonhos e outros caminhos
Com outros ses e outros ques vadios
Com sorrisos e lágrimas continuámos
Entre silvados e orlas já pisados
Calcorreámos destinos já vividos
Destroçados e traídos no tempo

Se eu pudesse mudar o mundo
Acabaria com os ses e os ques da vida.

Maria Antonieta Oliveira
09-04-2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Amor Eterno










Nas cores da primavera me envolvo
E vivo em plenitude
Visto-me de cheiros inebriantes
E banho-me em pétalas de rosas
Perfumada e nua me enrosco
Em lençóis de algodão
Me entrego e vivo e amo
E sinto-te em mim.

Vestida assim
Despida de mim
Sou eu novamente
Neste banho de paz perfumada
Apenas comigo e contigo
Nosso amor viverá eternamente.
E eu feliz
Sorrio às cores da primavera.

Maria Antonieta Oliveira
07-04-2017


terça-feira, 4 de abril de 2017

Sou Tua





Sou tua
Quando a manhã clarear
E a água cristalina das rochas brotar
Sou tua
Nesse charco onde as ninfas se banharam
E nas margens as rãs coaxaram
Sou tua
Quando as roseiras florirem
E as papoilas desabrocharem
Sou tua
Quando das nuvens brotarem flocos de algodão
E as estrelas pousarem em meu coração
Sou tua

Sou tua, amor
Em tudo e sempre
Sou tua!


Maria Antonieta Oliveira
02-04-2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Quando a Primavera Chegar





Quando a primavera chegar ao meu coração
Vou querer ser flor a brotar no jardim da vida
Ser borboleta a voar de pétala em pétala
Sentir o calor do sol a me enfeitiçar
E o odor das roseiras vermelhas me tocando
Irei sorrir ao luar e beijar a lua cheia
Cantar ao som das ondas do mar
E beijar a areia molhada com sabor a sal

Quando a primavera chegar ao meu coração
Vou conseguir me libertar e ser feliz.

Maria Antonieta Oliveira
28-03-2017


Vem Amor






Vem comigo amor
Vamos passear ao luar
De mão na mão
E olhos postos no futuro
Vem amor
Dá-me o calor dos teus beijos
Na claridade da lua
Por entre estrelas brilhantes
Que ornamentam os sonhos
Dos amantes.

Maria Antonieta Oliveira
28-03-2017

Rugas












Talvez por isso
No meu rosto não há caminhos desenhados
Nem sentires delineados

Maria Antonieta Oliveira
28-03-2017

Amar e Sofrer







Amo demais
Dou-me demais
E,
Com este amar
E,
Com este doar
Sofro demais.

Maria Antonieta Oliveira
28-03-2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

Partida





Vou-me deixar levar pelo vento
Nesse teu lamento me encontro, e vou
Derradeiro o meu silêncio, sem voz
Neste tormento de ser e não ser, sem saber
Quem sou ou aonde vou, o que fui

Na batida suave de uma ave partindo
Sinto meu coração batendo atormentado
Num sono profundo saio deste mundo
E fico ausente do meu sofrimento
Restos de mim ficam em ti, que és
Memórias ficarão contigo, que sentes
Arrependimento e sofrimento, deixarei
Saudades de quem amo e me ama, sentirão
E eu parto para não mais sofrer nem doer.

Ficarás livre e serás feliz, sem mim
Mas jamais olvidarás que um dia, fui
E fomos !

Maria Antonieta Oliveira
27-03-2017

terça-feira, 21 de março de 2017

Ser Poesia





Ser poesia
É olhar o deserto e ver um campo de papoilas vermelhas e girassóis amarelos
Ser poesia
É olhar o céu estrelado e ver o sol nascendo no horizonte dourado
Ser poesia
É num mar de tempestade ver a acalmia das ondas se espraiando
Ser poesia
É metáfora fingida nos retalhos inóspitos de uma vida
Ser poesia
É sentir o coração sofrido no recanto de um desejo incontido
Ser poesia
É encontrar sorrisos no olhar perdido de uma criança esquecida
Ser poesia
É encontrar as palavras certas para dizer o que não se quer saber
Ser poesia
É pincelar o céu de rosas vermelhas numa manhã de nevoeiro
Ser poesia
É ser desabafos de um poeta!

Maria Antonieta Oliveira
21-03-2017

sexta-feira, 17 de março de 2017

Anoiteceu






Já é noite,
O sol adormeceu
Dando lugar a um céu estrelado
E eu,
aqui no meu canto isolado

O meu coração fracassado,
Já cansado
Chora lágrimas de solidão
O meu corpo vergado
Ao tempo
Sobra no espaço que lhe pertence
E eu,
aqui onde meu ser fenece.

Na escuridão procuro a luz
Que me leve ao caminho da paz!

Maria Antonieta Oliveira
17-03-2017





quinta-feira, 16 de março de 2017

E Sofro






Escrevo-te na lonjura do tempo que nos separa
Quero palmilhar caminhos esquecidos
Desnudar sentidos e partilhar sentimentos
Espero-te na esquina da vida em que te perdi
Aquela, além ao fundo da rua no sonho da lua.

Encontro-me perdida
Perdi-me nos trilhos que pisei sem querer
Nas pedras que pisei entre ramos cruzados, partidos
Sou estrela cadente sem brilho, nem movimento
Corpo desfalecido sem caminho a seguir
Oriunda de um mundo inóspito e carente
Deslizo ao som do vento no monte
Agonizo no levitar de um sonho amante
E vivo e morro, e grito e calo, e rio e choro
E sofro!

Maria Antonieta Oliveira
16-03-2017







sábado, 11 de março de 2017

Lembraste-te

(Imagem da Net)






Prazerosamente, retinha-lo na mão direita
Saboreavas com sofreguidão
E, lembraste-te de mim
De sorriso lânguido e provocador
Babaste de prazer
E, lembraste-te de mim
Maliciosamente, fizeste-me o convite
Sequiosa, desejei segurar nele
Lambê-lo sentindo o doce sabor
Mas a lonjura era traidora
E fiquei apenas com o sonho
De o ter e saborear de um só folego.
Gulosamente, degustaste-o
E, lembraste-te de mim.

Como era bom, esse gelado de chocolate!


Maria Antonieta Oliveira
11-03-2017



terça-feira, 7 de março de 2017

Sou Mulher






Sou mulher!
Sim, sou mulher!
Todos os dias de todos os meses, de todos os anos
Sou mulher!

Sou mulher, sou mãe, sou avó
Enfermeira, cozinheira, arrumadora
Amiga, amante, apaixonada
Companheira, vigilante,
Mas também sou carente e triste
Sorrio com lágrimas, e choro com sorrisos
Luto já vencida à partida, mas luto
Ganho batalhas já perdidas, mas ganho
Dou passos descompassados, mas continuo
Finjo ignorar os quando me ignoram, mas subsisto
Fujo do que me atormenta sem resultado, mas fujo
Insisto em ser feliz mesmo sabendo que não consigo, mas insisto.

De incertezas e inconstantes, vivo
Porque sou mulher.
Sim, sou mulher!

Todos os dias de todos os meses, de todos os anos
Sou mulher!

Maria Antonieta Oliveira
07-03-2017









segunda-feira, 6 de março de 2017

Gosto De Ti





Gosto de andar descalça na areia molhada
E gosto de ti
Gosto de ser beijada pelo vento que passa
E gosto de ti
Gosto de saborear um gelado à janela
E gosto de ti
Gosto do chilrear de um pássaro esvoaçante
E gosto de ti
Gosto de olhar o céu em noite estrelada
E gosto de ti
Gosto do cheiro de uma pétala de rosa
E gosto de ti
Gosto de amar o céu, a terra, o mar, a vida
E gosto de ti

Gosto de gostar de ti!

Maria Antonieta Oliveira
06-03-2017

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Dança do Vento





Corpos unidos no dançar do vento
Inebriados em desalento
Soltam gemidos num som misterioso
Lançam sorrisos em tom jocoso
Na madrugada do amanhecer sombrio
Deleitam-se nas águas tórridas do rio
Aqui e além gaivotas esvoaçam
Olhares se cruzam, corpos se abraçam.
No dançar do vento
Deixo livre o pensamento.

Maria Antonieta Oliveira
25-02-2017




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Gotas de Chuva







Caminho ao invés das ondas do mar
A corrente leva-me para o abismo
Caio e levanto-me para de novo cair
Não quero mais continuar assim
Não quero mais esta vida ruim
Perco-me nos sonhos desfeitos
A vida atraiçoa-me o pensamento
Acordo e adormeço e tudo continua igual
As mesmas mágoas me assolam
As mesmas lágrimas molham a minha face
Rolam, quais gotas de chuva na noite escura.

Maria Antonieta Oliveira
23-02-2017




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pensei











Já é tarde?!
Ainda é cedo?!
Depende do ponto de vista.
NUNCA É TARDE DEMAIS!


Pensei em fazer um poema
mas as palavras ficaram retidas no pensamento
Pensei enviar uma mensagem
mas isso é banal demais
Pensei telefonar
mas isso é pouco original.
Pensei estar num areal contigo ouvindo o marulhar das ondas
mas isso é apenas um sonho
Pensei olhar-te do nascer ao pôr-do-sol
mas isso não passa da ilusão.
Pensei… sonhei…
Talvez num outro amanhecer
Não sonhe
Não pense
Realize!

Maria Antonieta Oliveira
20-02-2017