quarta-feira, 26 de abril de 2017

Rolam Sorrisos








Por entre os meus dedos rolam sorrisos
Nas pétalas roxas de uma roseira parida
Na vida da vida que passa e passou.

No ventre da terra putrefacta de vermes imundos
Saem os espinhos por onde caminham os meus dias
Rasgada de sangue escorrido pela pele renegada
Ao sol resgatado de um mundo infestado
Saem de mim soltos e rasgados, gritos de sofrimento
Lágrimas de sangue, soltam-se de um coração sofrido.

Por entre os meus dedos rolam sorrisos
De mentiras inevitáveis dos poetas.

Maria Antonieta Oliveira
26-04-2017




Ser Feliz






Mutilo-me
Revolto-me
Ataco-me

Quem sou e o que quero da vida?!
Pergunto-me e não encontro a resposta.

Sim, encontro e sei a resposta
Quero sentir que a vida me ama
Tal como eu amo a vida
Quero viver esse amor
E que esse amor viva em mim.
Quero ser
Quero viver
Quero amar
Quero sorrir
Quero sonhar

Quero tornar realidade todos os sonhos que sonhei
E finalmente ser eu e ser feliz.

Maria Antonieta Oliveira
26-04-2017




Não Sei













Não sei onde nos perdemos
Em que esquina ficou o tempo
Se é que houve tempo entre nós
Não sei porque tropeço na vida
A cada passo que dou
Ou será que é a vida que me prega rasteiras
Para que nelas tropece?!
Não sei quando me perdi de mim
Se é que algum dia me encontrei
Ou sequer se cheguei a existir.

Não sei se sou, ou se não sou
Não sei se fui, ou se não fui
Não sei nada de mim
Apenas sei que estou aqui
Vivo, sofro, sorriu e choro.

Maria Antonieta Oliveira
26-04-2017











































sábado, 22 de abril de 2017

Vida Gasta





A areia que me leva nas ondas altaneiras da colina do sol
ao encontro de mim,
Queima-me os pés doridos e cansados da vida já gasta.

Maria Antonieta Oliveira
22-04-2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Bloqueei







Não sei o que fazer de mim.
Tenho medo de não conseguir ficar no fim
Tenho medo de ficar pelo caminho
Aqui neste mundo sem destino
Já não sei o que fazer à minha vida
Não consigo fazer face ao dia a dia
Quero morrer!
Ninguém me compreende
Como de costume, sou má e com mau feitio
Falta-me um ombro que me saiba ouvir sem criticar
Ou, que apenas me ouça sem falar
Sei que te tenho para desabafar
Mas também sei, que já terás os teus problemas
E não devo ser eu a tua preocupação
Estas linhas que escrevo são os meus desabafos
Nelas conto os meus segredos, ou talvez não
Ninguém, sim ninguém sabe tudo de mim
Nem eu própria sei se sei
Sei apenas que quero começar de novo
Ou morrer para sempre
Não posso voltar atrás e impor as minhas vontades
Gritar a todos as minhas verdades
Alcançar os meus objectivos e realizar todos os meus sonhos
Ser eu por inteiro em todos os momentos

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira
13-04-2017

Saudades da Minha Terra







Saudades da minha terra
Do canto onde nasci
E não vivi.

Saudades do cheiro do pão quente
Da lenha a crepitar
Na lareira de fogo no chão
Da estrumeira ao fundo do quintal
Das pedras já gastas nas ruas
Dos caminhos por onde não passei.
Dos campos de girassóis
E das papoilas vermelhas.
Das searas e das ceifeiras
Dos pastores e seus rebanhos.
Das noites quentes de verão
E das vizinhas falando ao serão.

Dos dias em que não vivi
No canto onde nasci.
Saudades da minha terra!

Maria Antonieta Oliveira
13-04-2017

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Imensa Saudade





Seriam noventa e dois, os anos que farias
São sessenta e oito, os anos em que sou tua filha
São quinze, os anos em que já partiste
Quinze anos de imensa saudade.

Seriam noventa e dois anos nesta terra
São quinze anos na terra do além!
Quinze anos de saudades tuas!

Maria Antonieta Oliveira
13-04-2017

domingo, 9 de abril de 2017

Se Eu Pudesse Mudava





Os ses e os ques que a vida nos dá
São matreiros traiçoeiros e maldosos
Destroem os caminhos a percorrer
Atrapalham os sonhos que queremos viver
Mas vivemos outros sonhos e outros caminhos
Com outros ses e outros ques vadios
Com sorrisos e lágrimas continuámos
Entre silvados e orlas já pisados
Calcorreámos destinos já vividos
Destroçados e traídos no tempo

Se eu pudesse mudar o mundo
Acabaria com os ses e os ques da vida.

Maria Antonieta Oliveira
09-04-2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Amor Eterno










Nas cores da primavera me envolvo
E vivo em plenitude
Visto-me de cheiros inebriantes
E banho-me em pétalas de rosas
Perfumada e nua me enrosco
Em lençóis de algodão
Me entrego e vivo e amo
E sinto-te em mim.

Vestida assim
Despida de mim
Sou eu novamente
Neste banho de paz perfumada
Apenas comigo e contigo
Nosso amor viverá eternamente.
E eu feliz
Sorrio às cores da primavera.

Maria Antonieta Oliveira
07-04-2017


terça-feira, 4 de abril de 2017

Sou Tua





Sou tua
Quando a manhã clarear
E a água cristalina das rochas brotar
Sou tua
Nesse charco onde as ninfas se banharam
E nas margens as rãs coaxaram
Sou tua
Quando as roseiras florirem
E as papoilas desabrocharem
Sou tua
Quando das nuvens brotarem flocos de algodão
E as estrelas pousarem em meu coração
Sou tua

Sou tua, amor
Em tudo e sempre
Sou tua!


Maria Antonieta Oliveira
02-04-2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Quando a Primavera Chegar





Quando a primavera chegar ao meu coração
Vou querer ser flor a brotar no jardim da vida
Ser borboleta a voar de pétala em pétala
Sentir o calor do sol a me enfeitiçar
E o odor das roseiras vermelhas me tocando
Irei sorrir ao luar e beijar a lua cheia
Cantar ao som das ondas do mar
E beijar a areia molhada com sabor a sal

Quando a primavera chegar ao meu coração
Vou conseguir me libertar e ser feliz.

Maria Antonieta Oliveira
28-03-2017


Vem Amor






Vem comigo amor
Vamos passear ao luar
De mão na mão
E olhos postos no futuro
Vem amor
Dá-me o calor dos teus beijos
Na claridade da lua
Por entre estrelas brilhantes
Que ornamentam os sonhos
Dos amantes.

Maria Antonieta Oliveira
28-03-2017

Rugas












Talvez por isso
No meu rosto não há caminhos desenhados
Nem sentires delineados

Maria Antonieta Oliveira
28-03-2017

Amar e Sofrer







Amo demais
Dou-me demais
E,
Com este amar
E,
Com este doar
Sofro demais.

Maria Antonieta Oliveira
28-03-2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

Partida





Vou-me deixar levar pelo vento
Nesse teu lamento me encontro, e vou
Derradeiro o meu silêncio, sem voz
Neste tormento de ser e não ser, sem saber
Quem sou ou aonde vou, o que fui

Na batida suave de uma ave partindo
Sinto meu coração batendo atormentado
Num sono profundo saio deste mundo
E fico ausente do meu sofrimento
Restos de mim ficam em ti, que és
Memórias ficarão contigo, que sentes
Arrependimento e sofrimento, deixarei
Saudades de quem amo e me ama, sentirão
E eu parto para não mais sofrer nem doer.

Ficarás livre e serás feliz, sem mim
Mas jamais olvidarás que um dia, fui
E fomos !

Maria Antonieta Oliveira
27-03-2017

terça-feira, 21 de março de 2017

Ser Poesia





Ser poesia
É olhar o deserto e ver um campo de papoilas vermelhas e girassóis amarelos
Ser poesia
É olhar o céu estrelado e ver o sol nascendo no horizonte dourado
Ser poesia
É num mar de tempestade ver a acalmia das ondas se espraiando
Ser poesia
É metáfora fingida nos retalhos inóspitos de uma vida
Ser poesia
É sentir o coração sofrido no recanto de um desejo incontido
Ser poesia
É encontrar sorrisos no olhar perdido de uma criança esquecida
Ser poesia
É encontrar as palavras certas para dizer o que não se quer saber
Ser poesia
É pincelar o céu de rosas vermelhas numa manhã de nevoeiro
Ser poesia
É ser desabafos de um poeta!

Maria Antonieta Oliveira
21-03-2017

sexta-feira, 17 de março de 2017

Anoiteceu






Já é noite,
O sol adormeceu
Dando lugar a um céu estrelado
E eu,
aqui no meu canto isolado

O meu coração fracassado,
Já cansado
Chora lágrimas de solidão
O meu corpo vergado
Ao tempo
Sobra no espaço que lhe pertence
E eu,
aqui onde meu ser fenece.

Na escuridão procuro a luz
Que me leve ao caminho da paz!

Maria Antonieta Oliveira
17-03-2017





quinta-feira, 16 de março de 2017

E Sofro






Escrevo-te na lonjura do tempo que nos separa
Quero palmilhar caminhos esquecidos
Desnudar sentidos e partilhar sentimentos
Espero-te na esquina da vida em que te perdi
Aquela, além ao fundo da rua no sonho da lua.

Encontro-me perdida
Perdi-me nos trilhos que pisei sem querer
Nas pedras que pisei entre ramos cruzados, partidos
Sou estrela cadente sem brilho, nem movimento
Corpo desfalecido sem caminho a seguir
Oriunda de um mundo inóspito e carente
Deslizo ao som do vento no monte
Agonizo no levitar de um sonho amante
E vivo e morro, e grito e calo, e rio e choro
E sofro!

Maria Antonieta Oliveira
16-03-2017







sábado, 11 de março de 2017

Lembraste-te

(Imagem da Net)






Prazerosamente, retinha-lo na mão direita
Saboreavas com sofreguidão
E, lembraste-te de mim
De sorriso lânguido e provocador
Babaste de prazer
E, lembraste-te de mim
Maliciosamente, fizeste-me o convite
Sequiosa, desejei segurar nele
Lambê-lo sentindo o doce sabor
Mas a lonjura era traidora
E fiquei apenas com o sonho
De o ter e saborear de um só folego.
Gulosamente, degustaste-o
E, lembraste-te de mim.

Como era bom, esse gelado de chocolate!


Maria Antonieta Oliveira
11-03-2017



terça-feira, 7 de março de 2017

Sou Mulher






Sou mulher!
Sim, sou mulher!
Todos os dias de todos os meses, de todos os anos
Sou mulher!

Sou mulher, sou mãe, sou avó
Enfermeira, cozinheira, arrumadora
Amiga, amante, apaixonada
Companheira, vigilante,
Mas também sou carente e triste
Sorrio com lágrimas, e choro com sorrisos
Luto já vencida à partida, mas luto
Ganho batalhas já perdidas, mas ganho
Dou passos descompassados, mas continuo
Finjo ignorar os quando me ignoram, mas subsisto
Fujo do que me atormenta sem resultado, mas fujo
Insisto em ser feliz mesmo sabendo que não consigo, mas insisto.

De incertezas e inconstantes, vivo
Porque sou mulher.
Sim, sou mulher!

Todos os dias de todos os meses, de todos os anos
Sou mulher!

Maria Antonieta Oliveira
07-03-2017









segunda-feira, 6 de março de 2017

Gosto De Ti





Gosto de andar descalça na areia molhada
E gosto de ti
Gosto de ser beijada pelo vento que passa
E gosto de ti
Gosto de saborear um gelado à janela
E gosto de ti
Gosto do chilrear de um pássaro esvoaçante
E gosto de ti
Gosto de olhar o céu em noite estrelada
E gosto de ti
Gosto do cheiro de uma pétala de rosa
E gosto de ti
Gosto de amar o céu, a terra, o mar, a vida
E gosto de ti

Gosto de gostar de ti!

Maria Antonieta Oliveira
06-03-2017

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Dança do Vento





Corpos unidos no dançar do vento
Inebriados em desalento
Soltam gemidos num som misterioso
Lançam sorrisos em tom jocoso
Na madrugada do amanhecer sombrio
Deleitam-se nas águas tórridas do rio
Aqui e além gaivotas esvoaçam
Olhares se cruzam, corpos se abraçam.
No dançar do vento
Deixo livre o pensamento.

Maria Antonieta Oliveira
25-02-2017




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Gotas de Chuva







Caminho ao invés das ondas do mar
A corrente leva-me para o abismo
Caio e levanto-me para de novo cair
Não quero mais continuar assim
Não quero mais esta vida ruim
Perco-me nos sonhos desfeitos
A vida atraiçoa-me o pensamento
Acordo e adormeço e tudo continua igual
As mesmas mágoas me assolam
As mesmas lágrimas molham a minha face
Rolam, quais gotas de chuva na noite escura.

Maria Antonieta Oliveira
23-02-2017




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pensei











Já é tarde?!
Ainda é cedo?!
Depende do ponto de vista.
NUNCA É TARDE DEMAIS!


Pensei em fazer um poema
mas as palavras ficaram retidas no pensamento
Pensei enviar uma mensagem
mas isso é banal demais
Pensei telefonar
mas isso é pouco original.
Pensei estar num areal contigo ouvindo o marulhar das ondas
mas isso é apenas um sonho
Pensei olhar-te do nascer ao pôr-do-sol
mas isso não passa da ilusão.
Pensei… sonhei…
Talvez num outro amanhecer
Não sonhe
Não pense
Realize!

Maria Antonieta Oliveira
20-02-2017


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Sonho de Amantes







No areal que acolhe o meu corpo já cansado
Da sofreguidão de te amar e me doar
Sinto o arfar vindo do teu coração quente
E o teu corpo suado entrelaçado no meu.
Pétalas orvalhadas em marés vivas
Ladeiam nossos corpos mutilados
Aniquilados de sentires e medos
Cansados de desejos incontidos
E perfumam de odores silenciosos
O sonho dos amantes renegados.

Maria Antonieta Oliveira
18-02-2017


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dádiva





És a gota de água
na aridez do deserto onde caminho
A luz da estrela que me guia
A seara que alimenta o meu corpo
O lenitivo que alivia a minha alma
A dádiva de Deus na minha vida!

Maria Antonieta Oliveira
14-02-2017

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O Teu Nome





Soletro o teu nome
Em poemas que não escrevo
De A a Z tu estás
A do amor que sinto
Z do zumbir ao meu ouvido
O teu nome, meu amor.

Maria Antonieta Oliveira
13-02-2017





Castrada












"Matar o sonho é matarmos-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso."
Fernando Pessoa


Mataram os meus sonhos quando nasci
Nem me deram oportunidade de sonhar.

Fui castrada inocente e débil
Castrada para a vida de menina
Castrada para a vida de adolescente
Castrada para a vida de mulher
Castrada para a vida de profissional
Castrada para tudo o que quero e amo
Castrada para os sonhos que sonhei
Castrada para o dia-a-dia que vivo
Fui castrada de tudo e em tudo.

Mataram os meus sonhos quando nasci
Nem me deram oportunidade de sonhar!

Maria Antonieta Oliveira
13-02-2017





domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sequiosa






Sequiosa de desejos incontidos
Na mente depravada de suspiros
Quero beijar esses lábios que amo
E abraçar esse corpo só meu
Devassa-lo entre mãos conspurcadas
Sentir-te, sentindo o teu arfar no meu
Semicerrar os olhos desnudados
E envolver-te num abraço profundo
Neste sonho infindo de realidade.

Maria Antonieta Oliveira
12-02-2017



Perguntaste-me







Perguntaste-me um dia:
- de onde me conheces, Maria?
Respondi-te com fulgor
- da vida, meu amor.


Maria Antonieta Oliveira
12-02-2017






Simulei






Simulei um sorriso
ao cair de uma lágrima
Simulei um bocejo
para ocultar um grito
Simulei um abraço
para esconder a tristeza
Simulei que vivia
numa vida sem vida.
Simulei… simulei…
Sorri… caminhei…
E nunca me encontrei.

Maria Antonieta Oliveira
11-02-2017




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Regresso







Adormeci em teus braços
Aninhada nas nuvens de algodão
Que me trazias em noites de paixão
Sonhei contigo em alvos lençóis
Nas margens do amanhecer distante
E voei nas asas adormecidas da vida
Nas encruzilhadas já traçadas
Sofri, chorei, amei, sorri, até cantei
Mas não vivi os teus sonhos.

Ancorada na margem do rio
Sentada repousando na proa do navio
Olho a lua brilhante em nós
Parto e fico, fico e parto
No sal dos meus olhos sou feliz
Ouço alguém que me chama de amor
Corro em seu alcance e me perco de novo
Traída pelos sons ocos dos sonhos
Regresso ao mundo da vida.

Maria Antonieta Oliveira
10-02-2017

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Sombra de Mim





Na sombra de mim
Vivo para ti.

Caminho dois passos adiante
Na sombra das luzes do madrugar
Revejo-me nas águas que correm
Soltas e límpidas pela manhã
Uma sombra de mim
Do que já fui e ficou em ti.

Agarro-me à luz da lua
Na esperança de sair do esconderijo
Aquele em que me encontro retida
De mim, da vida, de nós
Na sombra do ontem apetecido
Num amanhã por acordar.

Na sombra de mim
Vivo para ti.

Maria Antonieta Oliveira
08-02-2017




domingo, 5 de fevereiro de 2017

Definição








Quero encontrar palavras que me definam
escorregam-me entre os dedos.

Por entre fios de prata ressaltam meus cabelos
Os olhos pisados pelo sal da vida
Os lábios já cansados de nada dizerem
O corpo ressoa nos passos pisados pelo tempo
E eu caminho e luto e vivo e sonho.

Olho o espelho na procura de mim
Daquel’outra empertigada e escorreita
Elegante de olhar verdejante e atrevido
De malícia encoberta de poderes
Que caminhava, lutava, vivia e sonhava.

Rebusco o vocabulário d’outrora
Numa imagem já perdida no firmamento
que o tempo do vento e do mar, levou
Qual sonhos que não passaram de sonhos
Entre brumas espessas e agrestes.

Quero encontrar palavras que me definam
escorregam-me entre os dedos.

Maria Antonieta Oliveira
05-02-2017
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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Pequena Ave




Uma pequena ave pousou em mim
voei até ti.

O vento pestaneja no som da janela
Qual tempestade que invade o meu coração
Saio correndo à luz de uma estrela
Vagueio na lua da nuvem passante
Na plenitude do ar que respiro, suspiro
Inspiro saudade, expiro verdade
Planejo e em tom de solfejo grito teu nome
Um som mudo, sem brilho ou destino
Perdeu-se no caminho.

Almejei acordar sonhando contigo
Viver no paraíso entre plumas e véus
Subir ao céu e nele ficar
Sem muros ou guerras, fome ou misérias
Sentir o calor de um puro amor
A paz de uma branca pomba em mim restar
Com luz e em paz permanecer
Tua mão na minha mão aninhadas em oração
E unidas na vida que vivo.

Uma pequena ave pousou em mim
voei até ti.

Maria Antonieta Oliveira
31-01-2017







domingo, 29 de janeiro de 2017

Apenas o Amor





Já pouco resta de mim
Tudo me tiram de tudo o que nunca tive
Um desânimo me assola
A vontade de partir voltou a surgir
Para quê continuar, se já nada vai mudar?!
Apenas o amor me mantém!

E o resto?
Onde ficam os momentos de alegria e felicidade?!
Onde ficam os sonhos por realizar?!
Onde fica a vida que não vivi?!
Onde fico eu, e tu, e nós?!
Apenas o amor me mantém!

Preciso de tempo
Para viver o meu tempo!

Maria Antonieta Oliveira
29-01-2017




sábado, 28 de janeiro de 2017

Será?









Será?!
Será que lá no além nos vamos reencontrar?!
Será que então poderemos falar?!
Será que finalmente nos poderemos amar?!
Será?!

Quanta incerteza nas vontades do futuro!
Haverá certezas nas vontades do presente?!
Não! Na vida nada é certo.
Apenas o passado tem certezas nas incertezas por viver.
O passado que foi ontem, é hoje e será o amanha.
Sempre incertezas nesta vida que me foge.

Será?!
Será que lá no além terei certezas?!
Será que lá no além viverei com vida?!
Será que lá no além serei feliz?!
Será?!

Maria Antonieta Oliveira
28-01-2017






sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Saudade





Saudade!
Palavra complexa, amplexa, misteriosa
Sentida, sofrida, magoada
Palavra que dói, triste, resignada

Saudade!
De ti, que já partiste
Para um mundo além deste mundo
De ti, que estás presente no meu coração
Embora ausente do meus olhos chorosos
De ti, vida que não viveste
Entre sonhos que bem sonhaste
De ti, sempre de ti, menina
Que não o foste

Saudade!

De olhos rasos
Escrevo saudade!

Maria Antonieta Oliveira
27-01-2017

domingo, 22 de janeiro de 2017

Não Partas Sem Mim






Nunca me deixes amor
Não quero ficar só, sem ti
Quando partires, leva-me contigo
E ficaremos para sempre num só abrigo.

A solidão já me cansa
Só, comigo, sempre só, comigo
E tu onde ficas, amor?!
Na minha mente e no meu coração
Mas ausente na multidão.

Não partas sem mim, amor
Nunca me deixes, por favor.

Maria Antonieta Oliveira
22-01-2017

sábado, 21 de janeiro de 2017

Malícia




Maliciosamente a minha mão desliza
Pelas tuas coxas abertas à paixão
Entregas-te a mim
Saboreias os seis hirtos ao amor
Num suave carinho de loucura
Entrego-me a ti
E, nesta entrega de volúpia
Consumamos o sonho e o prazer
De nos termos por inteiro.

Maria Antonieta Oliveira
21-01-2017


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Olho-te





Olho-te em silêncio
No silêncio do meu espaço
Sorris para mim
Na moldura do retrato da parede
Aninho-me em teus braços
Como se isso ainda fosse possível
E sinto-me protegida
Resguardada de tudo o que existe
No mundo que me rodeia
Adormeço em ti
No calor do teu corpo já partido
Neste sonho impossível
De voltar a te ter.

Olho-te em silêncio
No silêncio do meu espaço.

Maria Antonieta Oliveira
20-01-2017

Deixei de Existir






Fechei a janela ao tempo
Aferrolhei o coração no baú da vida
E sentei-me à lareira do destino.
Agasalhei-me no abraço do caminho
E recostada na manta da saudade
Adormeci no sonho da felicidade.
A noite foi longa, sem fulgor
A manhã acordou cedo demais
O sol preguiçoso nem espreitava
E eu, sonolenta deambulava.
Nas ruas amargurada já exausta
No limbo do meu sentir
Deixei de existir.

Maria Antonieta Oliveira
20-01-2017



sábado, 7 de janeiro de 2017

No Fim da Linha





No fim da linha ei-de encontrar
O teu sorriso feliz à minha espera
No trono da paz sentada me aguardas
De braços abertos ao carinho
E um longo beijo de amor verdadeiro
Sentido e vivido no tempo que tivemos
Também tu, me aguardas, lá no fim
De largo sorriso matreiro
Um olhar doce e atrevido
Estendes-me a perna para que me sente
Já não te doem os joelhos cansados
Soltamos risos e dançamos o raspa
Como nos tempos de outrora, em miúda
Tu, olhas-nos e sorris feliz

Lá, no fim da linha ei-de encontrar-vos
E seremos felizes.


Maria Antonieta Oliveira
06-01-2017


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Sem Nexo... Com Sexo






Sem nexo
com sexo
abraço-te
beijo-te
acaricio-te

Sem nexo
com sexo
sinto o teu corpo no meu
abraças-me
beijas-me
acaricias-me

Sem nexo
com sexo
pensamentos lascivos
sonhos delirantes

Sem nexo
com sexo
desnudos de tudo
amamo-nos.

Maria Antonieta Oliveira
05-01-2017

domingo, 1 de janeiro de 2017

Renascida





Vestida de branco
e adornada de verde esperança
renasço para o mundo
Crisálidas esvoaçantes
ornamentam o caminho a percorrer.
Soltam-se as vozes do rio a correr
rumo à foz que o aguarda
nas margens de um futuro por viver.
Lá longe ecoam os sons do silêncio
em que vivo e medito
em sentimentos soltos de saudade.

Renascida,
abro os braços ao sol
para que me aqueça o coração
e me dê o calor de um amanhã sorridente.
Caminho ao luar que me acompanha os passos
no despertar de um sonho feliz
e sorrio ao novo mundo por descobrir.
Sou luz, e sol, e lua
Sou paz, e solidão, e tua
Numa realidade inconstante
terei a felicidade, quiçá, distante.


Maria Antonieta Oliveira
01-01-2017
1 h 43 m