segunda-feira, 11 de junho de 2018

Sete Décadas




Foi em 48, e em Fevereiro
que, algures no Alentejo
nasceu um rapaz trigueiro.
De seguida, mais quentinha
em junho, nasce uma menina
também ela é trigueira
têm sangue comum
mas de mães e pais diferentes.

Quis o destino
que uns anos mais tarde
os caminhos se unissem
Com socalcos, altos e baixos
com o amor de uma filha
e dois netos lindos e traquinas
carinhos do nosso carinho
derrubaram trincheiras.

E, sete décadas passaram
os setenta chegaram
quarenta e nove de união
amor, amizade, carinho,
compreensão
e assim caminharemos
até ao fim
de mão na mão.

Maria Antonieta Oliveira
11-06-2018
--

domingo, 3 de junho de 2018

Criança da Rua




Encontrei-te
caída no chão
qual rosa em botão
socada p’lo vento.

Teu rosto tristonho
teu olhar vazio
teu corpo franzino
que triste destino.

Segurei-te a mão
olhaste-me com medo
sorri-te e disse baixinho
não temas, sou tua amiga
e, naquele momento
teus olhos brilharam
ergueste um sorriso
indefeso, mas feliz.

Também feliz fiquei
apenas um gesto
um simples sorriso
e sei que,
naquele dia mudei
o viver de uma criança.

Maria Antonieta Oliveira
03-06-2018


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Deuses do Olimpo


(Imagem da net)




Escrevi uma carta aos deuses
solicitei compreensão
um amor proibido
tem que ser compreendido.
Pedi-lhes também
que o amor não parta
nem esqueça
o que nunca esqueceu.

Os deuses
Os deuses do Olimpo
acederam aos meus pedidos
e, a tua voz
soou aos meus ouvidos.
Trouxe-me paz e serenidade
acalmou meu coração
deu-me felicidade.

Maria Antonieta Oliveira
01-06-2018

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Teclas Soltas





Teclas e mais teclas
letras baralhadas
procuro-as
uma a uma
e baralho-me
não as encontro.

Apenas uma
quero apenas uma
aquela que me dirá
o caminho a seguir.
Nada!
Apenas uma e,
Nada!

Maria Antonieta Oliveira
31-05-2018



Saudade





Não há palavras que definam a palavra
Saudade
Por mais que os escritores escrevam
Saudade
E os cantores, cantem
Saudade
E os poetas declamem
Saudade
E os artistas e pintores recriem
Saudade
E o povo chore
Saudade
A saudade
Essa palavra sentida
No profundo do nosso ser
Continua sem palavra que a defina
Porque,
Saudade
É apenas e só
Saudade!

Maria Antonieta Oliveira
31-05-2018

sábado, 26 de maio de 2018

Escrevo-te





Escrevo-te,
como se o amanhã fosse hoje
e o hoje, fosse passado.

Escrevo-te,
no encontro de sentimentos
em que tu e eu, fossemos um só.

Escrevo-te,
na saudade de dias felizes
em que os beijos eram pecado.

Escrevo-te,
com palavras inventadas e gastas
pelo poeta amante e sofredor.

Escrevo-te,
talvez um dia, quem sabe,
tu leias o que escrevi.

Maria Antonieta Oliveira
26-05-2018

terça-feira, 22 de maio de 2018

Os Olhos





Os olhos
Ai, os olhos

Já não têm o brilho de outrora
nem o verde é tão verde
já não choram
já não riem
já não veem como antes.
De grandes, já são pequenos
Mas, sentem
Sentem o sal deslizante
e o sol, e o vento que lhes dói
Sentem a saudade de outros sentires
e choram
e riem
sem brilho
sem verde
com vontade de viver
e de ver.

Os olhos
Ai, os olhos
Esses olhos que amaram.

Maria Antonieta Oliveira
21-05-2018

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Os Quatro Elementos




Sou água
No rio da tua vida
Onde caminho descalça

Sou fogo
No calor do teu corpo
Onde sacio meu ser

Sou ar
No vento que sopra
E me (e) leva de ti

Sou terra
Na leveza do meu pisar
Na busca do caminho.

Maria Antonieta Oliveira
16-05-2018


Quero Dormir Contigo




Quero dormir contigo, esta noite
Adormecer em teus braços
e, em teus braços acordar.

Esta noite, quero ser tua
Embalar-me no carrocel da vida
na feira onde os labirintos se cruzam
e, na pista de dança
serei a tua bailarina
dançarei ao som dos teus beijos
rodopiarei os sentidos
e cairei nos teus abraços.

Esta noite, quero ser tua.
Dormir no calor da tua cama
banhar-me no suor do teu corpo
deslizando na suavidade da luz
entrando pela fresta da janela entreaberta
na nudez de um carinho permitido
proibido de sentimentos controversos
e aninhar-me na doçura do teu olhar.

Esta noite, quero ser tua.

Maria Antonieta Oliveira
15-05-2018




quarta-feira, 9 de maio de 2018

Aquela Janela




Um dia, no sino daquela igreja
ficarei perdida
Um dia, no sino daquela igreja
ficará minha vida.

E a criança olhava e entristecia
E a estória ao anoitecer acontecia.

Mas, daquela janela
a criança também sorria.
Quando ao entardecer as aves voltavam
às árvores que serviam de morada
e adormeciam.
Um chilrear ensurdecedor
e ao mesmo tempo maravilhoso,
acontecia.
A natureza no seu esplendor.

E sorria também
quando chegavam os carros
todos iguais
e deles saiam as noivas
puras e radiantes,
ansiosas e felizes
para naquele dia,
o dia do santo casamenteiro
as abençoasse.
Todos os anos, no dia de Sto. António.

Mais tarde,
também naquela janela
a adolescente,
sonhou!

Maria Antonieta Oliveira
09-05-2018

Nota - Os sinos eram da Sé Patriarcal de Lisboa

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Vivo de Sonhos





Vivo de sonhos
A minha realidade é outra
Quem me conhece, não conhece
Ninguém sabe quem sou
Ninguém sabe o que quero,
o que vivo,
o que vivi.
Ninguém sabe de mim
Nem eu sei quem sou.

Vivo!
Apenas. vivo de sonhos!

Maria Antonieta Oliveira
25-04-2018

Não Sei Que Dia é Hoje




Não sei que dia é hoje
Já perdi a conta aos dias que passam sem ti
Já não sei quando te vi
Quando te olhei e te amei
Quando foi, amor?!

São tantos os dias, tantos!
E a saudade,
Onde fica a saudade?!
A saudade, amor
Fica nos dias perdidos, sem conta
E eu,
Já não sei que dia é hoje.

Maria Antonieta Oliveira
25-04-2018



sexta-feira, 20 de abril de 2018

Colhi Uma Flor





Colhi uma flor no jardim do amor
viçosa, airosa e perfumada
Olhei-a com carinho
e ela, sorriu-me
abrindo suas pétalas à brisa da manhã
Extasiada quedei-me
ouvindo a magia de uma canção
no chilrear de um pintassilgo esvoaçante
Fechei o olhar,
abri a mente
e religiosamente meditei.

Encontrei-me e perdi-me!
Perdi-me e encontrei-me!

Uma brisa suave acariciou o meu rosto
abri o olhar
e de mente aberta
aceitei a flor do amor.

Maria Antonieta Oliveira
20-04-2018

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Cedo Demais





Seriam noventa e três
foram apenas setenta e sete
feitos no último local onde te vi sorrir
numa cama branca
numa sala fria
cinquenta e um dias de muita agonia
e, o fim chegou!

Seriam noventa e três!

Maria Antonieta Oliveira
13-04-2018

terça-feira, 10 de abril de 2018

Poema Inacabado





Teu corpo de renda vestido
em véus de tule alinhado
com xaile de linho bordado
e luvas de pelica branca
É um hino de alegria
num fado de doce magia
à alvura de um poema.
É dança de fogo ardente
É sol,
É lua,
É gente
É poema inacabado
em corpo de renda vestido.

Maria Antonieta Oliveira
10-04-2018

terça-feira, 3 de abril de 2018

Na Magia da Paz






Se o azul do céu fosse mar
eu seria gaivota na praia a pousar
Em salpicos de chuva na areia
pousaria meu corpo sedento
Banhava os olhos de sal
e escreveria o teu nome
Derramava sonhos e quimeras
em lençóis de estio ardente
e ficava desnuda ao luar.

Ah
Se o azul do céu fosse mar
eu seria uma simples estrela a brilhar
cadente, carente, solitária, vadia
No solo agreste faria morada
Sairia pelo mundo, desencantada
Caminhava ao longo do sono bravio
e na proa daquele navio
soletrava a palavra amor
na magia de um dia de paz.

Maria Antonieta Oliveira
03-04-2018

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Sonho a Dois




Amei-te, sem te amar
Beijei-te, sem te beijar
Toquei-te, sem te tocar
Senti-te, sem te sentir
E neste sonho a dois
Tive-te, sem te ter.

Maria Antonieta Oliveira
02-04-2018

Quero Mais Palavras



Já gastei adjectivos
nos substantivos que criei
Já gastei o sol e as estrelas
nos poemas que escrevi
Até a água dos mares, dos rios
e também das fontes,
esgotei nos meus sentires
Cada grão de areia
na praia molhada
foi em versos por mim esgotado
A lua dos amantes
as veredas e os instantes
em palavras soltas,
já gastei.
Depois de tudo gastar
resta-me apenas pedir
mais palavras
para em poesia,
gastar.

Maria Antonieta Oliveira
01-04-2018

sábado, 24 de março de 2018

Eternamente Nós





Olho o céu estrelado
tento encontrar a luz
a tua luz
a luz do meu caminho
no teu caminho sonhado.

Quero o brilho do sol
num mar de prata
purificando os meus passos
nas pegadas do caminho.

Quero que a luz do céu estrelado
e que o brilho do sol
iluminem a estrada
de um mar prateado.

Ai esse céu estrelado
brilhando ao sol
será meu e teu
um dia
em que seremos
eternamente nós.

Maria Antonieta Oliveira
24-03-2018


quarta-feira, 14 de março de 2018

Emoções




Quando as palavras embargadas
ficam retidas numa gotícula de sal
e tocas no que resta dos seres que amaste,
e amas,
tentas ir com o vento
e numa gota de chuva
encontrares os olhares cúmplices e felizes
que um dia te fizeram nascer.
Mas não,
apenas vês o que resta de um corpo físico.
Acaricias o que outrora beijaste,
uma face quente,
e agora,
apenas o frio de dois crânios inertes
de novo unidos numa pequena caixa de madeira.

A chuva rebelde disfarça as gotículas das palavras embargadas.

Maria Antonieta Oliveira
14-03-2018

segunda-feira, 5 de março de 2018

Quando Souber





Não sei o que me reserva o dia
nem como acordar a noite
dos sonhos por dormir
Nada sei do ontem
que me persegue
e me acalenta o prosseguir
Não sei, se sei de mim
onde fiquei,
para onde vou,
se estou
Nem sequer sei,
se sou.

Quando me encontrar
saberei onde repousar
o corpo cansado de
soletrar o amor
e respirar o odor do mar
Então,
saberei que sou.

Maria Antonieta Oliveira
05-03-2018

quinta-feira, 1 de março de 2018

Rodeada de Livros






Rodeada de livros
procuro aquele onde me encontrar
e, não encontro
Nem poesia, nem prosa
romance ou ficção
em nenhum cabe a minha vida.
Não fui Cinderela
nem Branca de Neve
De cristal
só se for o brilho dos meus olhos
Também não fui gata Borralheira
Não brinquei de príncipe e princesa
E, de fogueiras
só o fogo do meu coração
ardente de paixão por viver.

Passeio de novo o olhar
entre prateleiras de títulos editados
As letras misturam-se
trocando nomes e palavras
mesmo assim,
rodeada de livros
não encontro o livro da minha vida,
porque o livro da minha vida
continua por escrever.

Maria Antonieta Oliveira
01-03-2018

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Ao Som de Um Café





Ao som de um café
dedilho um poema
musicas já ouvidas
em estrofes esquecidas.

A chuva teima em cair
e eu, esqueço-me de sorrir
à lua que volta sempre
num vai e vem intermitente
Chuva que molha por dentro
que esfria um olhar cansado
teimoso, triste e magoado.

Lá fora ecoam os sons
de um poema dedilhado
em estrofes musicadas
na quentura de um café.

Maria Antonieta Oliveira
27-02-2018


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Sonho-te





Sonho na brisa do mar
No enrolar do teu corpo
No manusear das tuas mãos
No som dos teus passos
No sabor dos teus lábios
No teu sorriso de criança
No carinho do teu olhar.

Sonho-te!
Sonho na brisa do mar!

Maria Antonieta Oliveira
23-02-2018

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Esqueci-me de Mim






Esqueci-me de mim
De ti,
sinto o sabor doce
do teu corpo suado
nas noites sonhadas.

Esqueci-me de mim
De ti,
sinto o sabor dos lábios molhados
nos beijos trocados
nas noites sonhadas

Esqueci-me de mim
De ti,
sinto o sabor dos dias felizes
em que nos amávamos
nas noites sonhadas.

Esqueci-me de mim
De ti,
sinto saudades.

Maria Antonieta Oliveira
18-02-2018

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Meu Amor Lindo





Chamaste-me
“meu amor lindo”
Estremeci
e, uma lágrima teimosa
escorreu pela face
“Meu amor lindo”
É tão bom sentir
o mesmo sentir de outrora
O tempo passou
E,
é tão bom saber
que ainda sou
“o teu amor lindo”.

Maria Antonieta Oliveira
15-02-2018

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Amor





Para quê dizer que te amo
se este amor já tem anos?!
Éramos meninos e já nos amávamos
Crescemos nesse amor
Vivemos esse amor
E, o tempo passou
A vida mudou
Mas, o nosso amor
resistiu a ventos e marés
E hoje, muitos anos depois
esse amor ressuscitou.

Amo-te,
como te amei ontem
Amo-te, hoje
Amar-te-ei sempre
mesmo depois de morrer.

Maria Antonieta Oliveira
14-02-2018

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Estremeço





Envolta em neblina
Sinto o torpor dos teus passos
Estremeço só de pensar
no calor dos teus abraços
e no roçar do teu corpo
na meiguice do meu
no roçar dos teus lábios
nos meus seios desnudos para ti
de prazer, estremeço.

Envolta em neblina
Sinto o torpor dos teus passos
Estremeço só de pensar
que vais embora, sem volta
contigo, levas o amor que te dei
o que vivemos a dois
e os sonhos que sonhei contigo
Deixas um coração partido
e um sonho destruído.

Envolta em neblina
Sinto o torpor dos teus passos.

Maria Antonieta Oliveira
11-02-2018

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Estigma





Há um poema que me escorre
pelo estigma da vida
talvez, por esta ser proibida.

Quando chego, já é tarde!
Quando encontro, já perdi!

Está na hora de sair
deixar o dia fluir
e o poema nascer
Viverei o meu estigma
nesta vida proibida
tentando amanhecer.

Maria Antonieta Oliveira
08-02-2018

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Corpo Dorido




Sinto a prisão tomar conta de mim
As pernas dormentes
não conseguem caminhar
sentem-se traídas, desmotivadas
o formigueiro intenso
supera a vontade.

As mãos trémulas
tentam segurar a caneta
e deixar em palavras
a tristeza e desilusão
deste sentir doloroso.

A mente atrofia o pensamento
A caneta desliza, cai
e as palavras,
ficam retidas no coração.

Maria Antonieta Oliveira
01-02-2018