segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Felizes






Para onde me leva o destino?

Neste turbilhão da vida
Percorro um caminho já sonhado
De mão na mão, contigo a meu lado
Sinto o pulsar do coração
Por entre beijos de amor sentidos
Tuas mãos, teus braços, tua pele
Na minha carne se entranha
E a chama que chama por mim
Se eleva num doce acordar
E vivo o sonho de tanto te amar

Para onde me leva o destino?

Leva-me e vou com ele
Não sei bem para onde, mas vou
Quero ir nesse barco sem amarras
Viver o que não vivi mas sonhei
Quero de novo abraçar teus braços
Prender tuas mãos nas minhas
Sentir teus lábios nos meus beijos
Deixar-me levar na onda do desejo
Sem pudores ou tradições
Deixar elevar bem alto nossos corações.

Para onde me leva o destino?
Quero partir com ele sem embaraço
Quero que sejamos felizes num eterno abraço!

Maria Antonieta Oliveira
22-08-2016



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Quero Certezas






Cansei dos nãos que a vida me dá
Cansei dos sins por viver
Cansei dos talvez nas incertezas dos dias
Cansei!
Cansei!

Quero certezas
Nas certezas da vida que sonho
Quero certezas
Nos dias que me fogem nos dedos
Quero certezas
Das horas de amanhã
Quero certezas
No tempo que o tempo me dá

Quero certezas!
Cansei de incertezas!

Maria Antonieta Oliveira
11-08-2016

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Desencontros






Encosto a cabeça no ombro do teu olhar
Na esperança de te encontrar
Mas tu, teimosamente refugiaste
Por detrás do terno sorriso matreiro
Onde insisto em me perder.

Maria Antonieta Oliveira
09-08-2016



sexta-feira, 29 de julho de 2016

Destino





Nas encruzilhadas da vida
Segui um caminho
Será o que o destino me destinou
Ou fui que troquei o destino?!
Foi o destino que o fez
Ou fui eu que fiz o destino?!

Caminhos cruzados
Destinos destroçados
Rumos incertos
Sentidos dispersos
Afinal o que fiz da vida?
O que fez a vida de mim?

Tropecei, caí, levantei-me
Ergui taças de honra
Sorri e chorei sem tino
Enlameei as ruas do caminho
Que calquei no sofrimento
Do destino traçado de lamento

Maria Antonieta Oliveira
29-07-2016


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Saudades De Nós





Sentada neste banco imaginário
Em que tu também estás
Sinto a suavidade da tua mão ausente
Beijo-te nesse olhar penetrante
De amante perdido por mim
Amo-te na paixão arrebatadora
De décadas perdidas sem ti
Olho-te de frente e sorrio
Num doce caminhar ausente

Para lá de ti, para lá de mim
Para lá de nós
Existe o mundo que nos pertence
Meu, teu, nosso
Mas sem mim, sem ti, sem nós
Onde partilhamos dias e anos
De amores e desenganos
De sonhos e ilusões
De vida vivida sem nós

Saudades, amor!
Saudades de nós!

Maria Antonieta Oliveira
25-07-2016


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Caminhos de Ontem





A rua estreita caminha
Nas pedras desordenadas já gastas
Comidas pelo tempo passante
As velhas casas desmaiadas
Mantêm o traço original
Mortas despidas de vida
A lembrança de amores passados
Mantem-se viva na memória
Nessas pedras pisadas
Entre beijos roubados
E sonhos de adolescente

Tu, caminhas no meu olhar
De mão na mão
Menino homem de fato e gravata
Olhar atrevido
Sorriso matreiro
Boca desejada de beijos proibidos
Saboreio cada segundo
De memórias e anseios
Momentos d’outros tempos
E vivo e revivo
E sonho acordada

Maria Antonieta Oliveira
04-07-2016
( Ida à Patrício Prazeres)




sábado, 2 de julho de 2016

Palavras





Procuro lembranças nos olhos do coração
Choram lágrimas desavindas de opinião

Cada gota de orvalho sentido
Caída na noite sofrida de solidão
É fogo gelado num peito partido
De lágrimas pisadas nos caminhos escolhidos

Cada sonho desfeito pela vida parida
Nos momentos de saudade
É mel amargo na boca desejada
De amores traídos pelos passos partilhados

Cada hora passada sem ti
Nesta vida atribulada por nuvens negras
É sol incandescente num luar sem estrelas
Na noite escura onde caminhantes erram caminhos

Cada olhar perdido no pensamento
Da miragem das águas dos mares de além
É arco-íris sem cores brilhantes
Na natureza agreste dos campos floridos

Cada palavra que escrevo
Nos poemas paridos da vida passante
É doce fel de abelhas trazido
Na vida angustiante que me persegue

Maria Antonieta Oliveira
02-07-2016

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sonhei Contigo, Amor





Sonhei contigo, amor
Passeávamos de mãos dadas
Nas areias cálidas do outono
Naquela praia nunca antes desbravada
Onde o luar e o sol se confundem
E o mar bate de mansinho
Dando à rocha todo o carinho
Que sentimos ao nos amarmos

Eu e tu
Naquela praia só nossa
Fazendo inveja às gaivotas esvoaçantes
Solitárias caminhantes do destino
Nós dois, como dois peregrinos
Unidos em nossos caminhos
Passeávamos de mãos dadas
Nas areias cálidas do outono.

Sonhei contigo, amor!

Maria Antonieta Oliveira
23-06-2016
(Escrito no Parque de campismo Minueira em Grove – Espanha)
A imagem corresponde ao local aonde escrevi para ti.

Deixei de Esperar





Deixei de esperar
Sim, deixei de esperar
Para quê voltar a sofrer
Esperando, esperando
E nada acontecer

Sonhei demasiado alto
E meu coração em sobressalto, espera
Já cansado do caminho percorrido
Espera desolado por se ter convencido
E sair de novo derrotado

Queria sonhar contigo, e sonhei
Sonhei desalmadamente
Com um passado presente
Com um futuro diferente
Em que sorria ao amor

Sorri e revivi esse amor só nosso
Sorrio e vivo de novo
Momentos de prazer e felicidade
Esperei e de novo espero
Esta nossa realidade

Mas,
Deixei de esperar!

Maria Antonieta Oliveira
01-07-2016


sábado, 11 de junho de 2016

Ilha da Felicidade




Embrulho-me nas palavras já gastas por outros poetas
E tento escrever palavras diferentes paridas por mim
Não vou falar de amor nem de saudade
Temas desbotados de tanto usados
Acalma-te mente perversa de pensamentos lascivos depravados
Também esses já explorados e mal fadados
Fome, guerra. Tristeza e dor
Violações, imigrantes, crianças sofridas e mal paridas
Doenças perigosas e outras enganosas
Não, não vou falar
Já muitos falaram, escreveram, gritaram
E o mundo não parou para os ouvir.
E da paz fingida, da miséria consentida
Dos idosos solitários ultrajados
Dos animais abandonados e mal tratados
Tanto sofrimento e maldade neste mundo de desigualdade
Não, não vou falar!
A natureza e a sua beleza
Envolvem a lua, o sol, o mar, os caminhos floridos
Areias molhadas, pisadas de mãos dadas
Olhares trocados, beijos roubados
Caminhos desencontrados, amores consumados

Amor!
A vida é amor!
Saudade!
A vida é saudade!
Temas desbotados de tanto usados
Mas sem eles avida não faria sentido.

Amor!
Paz!
Pão!
Igualdade!
E o mundo seria a ilha da felicidade!

Maria Antonieta Oliveira
11-06-2016



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sou Eu





Sou vento que esvoaça no espaço
Sou tempo que se perde no tempo
Sou rio que desagua no mar
Sou ar quente do deserto
Sou andorinha migratória
Sou sol num inverno agreste
Sou pétala de rosa caída no chão
Sou terra pisada na agrura da vida
Sou pó caído ao relento
Sou nada, ou tudo de um nada
Sou chama incandescente
Sou lume, sou fogo, sou água corrente
Sou estrela cadente em noite de luar
Sou criança carente
Sou ser indolente
Sou amor, sou paz, sou guerra
Sou sonho, sou vida, sou paixão
Sou desilusão perdida
Sou pétala esquecida
Sou folha de papel em branco
Sou tudo, sou tanto
Sou eu, simplesmente, eu!

Maria Antonieta Oliveira
06-06-2016

domingo, 5 de junho de 2016

Doce Olhar






Sinto o calor dos teus lábios
Afagando os meus cabelos
Estremeço na emoção do prazer
Que enternece o meu sentir
Na esperança de um novo amanhecer
Sinto o cheiro do teu perfume
No abraço do teu braço em mim
O meu corpo sedento de ti

Embevecida olho os teus olhos doces
Aqueles por quem me apaixonei um dia
E cedo ao beijo há tanto desejado
Como se o tempo não tivesse tempo
E o ontem fosse o ontem passado
Neste presente que nos uniu de novo
Para que possamos continuar a viver
Esse sonho por nós ambicionado

Maria Antonieta Oliveira
05-06-2016


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Pinto As Pedras Que Piso







Pinto as pedras que piso
Com o suor do cansaço
Deste passo apressado
Com que caminho a teu lado
Pinto a calçada de preto
Das lágrimas que choro por ti
Do teu amor não me esqueci
Vivo abraçada à saudade
Pinto a calçada de rubro
Do sangue fervente em mim
Dos sonhos que sonho contigo
Eternos hinos de amor
Pinto a calçada de branco
Na paz da pomba que esvoaça
Peço-lhe eterna bonança
Saúde, amor e felicidade

Pinto as pedras que piso
Na calçada por onde passo
Das cores do arco-íris
Em todas vejo beleza
Todas piso com leveza
Não as quero magoar
Pinto-as com alegria
Dou-lhes cor e poesia
Luz, sombras e vida
Dou-lhes sonhos por sonhar
Dou-lhes beijos ao pisar
Pretas brancas desenhadas
São as cores doutras calçadas
Pintadas por outras mãos
Pisadas sem devoção
Magoadas sem compaixão.

Pinto as pedras que piso
Com a tinta do coração!

Maria Antonieta Oliveira
30-05-2016


Perdi-me No Tempo






Perdi-me no tempo
Esqueci-me das horas
E tudo passou
Agora já tarde
Caminho na vida
Tento sorrir
Não quero partir
Procuro a saída
Seguir novo rumo
Voltar para trás
Mas o tempo impune
Passa veloz
As horas são dias
Os dias são anos
E o tempo urge
Tudo me foge.

Agora já é tarde
Tudo passou
As horas esquecidas
No tempo perdida.

Maria Antonieta Oliveira
30-05-2016

domingo, 29 de maio de 2016

Desenho Palavras






A caneta tremula entre os meus dedos
Desenha palavras

Palavras sem nexo sentidas de prazeres
Sonhos insatisfeitos destroçados
Caminhos perdidos entrelaçados
Pensamentos dispersos desencantados
Afagos, carícias, quimeras
Memórias e sonhos de outras eras

A caneta tremula entre os meus dedos
Desenha palavras

Palavras de conforto e desconforto
De amores e caminhos partilhados
Sentires diversos e dispersos
Águas, rios e mares
Voos percorridos nas asas de um anjo
Nuvens passantes disfarçadas

A caneta tremula entre os meus dedos
Desenha palavras

Palavras de amor e de dor
De alegrias vividas no que foi ontem
De alegorias e vaidades do passado
Amo-te, amei-te e continuo a amar-te
Sentimentos fortes persistentes
Sangradas no coração já cansado

A caneta tremula entre os meus dedos
Desenha palavras.

Maria Antonieta Oliveira
29-05-2016