terça-feira, 21 de março de 2017

Ser Poesia





Ser poesia
É olhar o deserto e ver um campo de papoilas vermelhas e girassóis amarelos
Ser poesia
É olhar o céu estrelado e ver o sol nascendo no horizonte dourado
Ser poesia
É num mar de tempestade ver a acalmia das ondas se espraiando
Ser poesia
É metáfora fingida nos retalhos inóspitos de uma vida
Ser poesia
É sentir o coração sofrido no recanto de um desejo incontido
Ser poesia
É encontrar sorrisos no olhar perdido de uma criança esquecida
Ser poesia
É encontrar as palavras certas para dizer o que não se quer saber
Ser poesia
É pincelar o céu de rosas vermelhas numa manhã de nevoeiro
Ser poesia
É ser desabafos de um poeta!

Maria Antonieta Oliveira
21-03-2017

sexta-feira, 17 de março de 2017

Anoiteceu






Já é noite,
O sol adormeceu
Dando lugar a um céu estrelado
E eu,
aqui no meu canto isolado

O meu coração fracassado,
Já cansado
Chora lágrimas de solidão
O meu corpo vergado
Ao tempo
Sobra no espaço que lhe pertence
E eu,
aqui onde meu ser fenece.

Na escuridão procuro a luz
Que me leve ao caminho da paz!

Maria Antonieta Oliveira
17-03-2017





quinta-feira, 16 de março de 2017

E Sofro






Escrevo-te na lonjura do tempo que nos separa
Quero palmilhar caminhos esquecidos
Desnudar sentidos e partilhar sentimentos
Espero-te na esquina da vida em que te perdi
Aquela, além ao fundo da rua no sonho da lua.

Encontro-me perdida
Perdi-me nos trilhos que pisei sem querer
Nas pedras que pisei entre ramos cruzados, partidos
Sou estrela cadente sem brilho, nem movimento
Corpo desfalecido sem caminho a seguir
Oriunda de um mundo inóspito e carente
Deslizo ao som do vento no monte
Agonizo no levitar de um sonho amante
E vivo e morro, e grito e calo, e rio e choro
E sofro!

Maria Antonieta Oliveira
16-03-2017







sábado, 11 de março de 2017

Lembraste-te

(Imagem da Net)






Prazerosamente, retinha-lo na mão direita
Saboreavas com sofreguidão
E, lembraste-te de mim
De sorriso lânguido e provocador
Babaste de prazer
E, lembraste-te de mim
Maliciosamente, fizeste-me o convite
Sequiosa, desejei segurar nele
Lambê-lo sentindo o doce sabor
Mas a lonjura era traidora
E fiquei apenas com o sonho
De o ter e saborear de um só folego.
Gulosamente, degustaste-o
E, lembraste-te de mim.

Como era bom, esse gelado de chocolate!


Maria Antonieta Oliveira
11-03-2017



terça-feira, 7 de março de 2017

Sou Mulher






Sou mulher!
Sim, sou mulher!
Todos os dias de todos os meses, de todos os anos
Sou mulher!

Sou mulher, sou mãe, sou avó
Enfermeira, cozinheira, arrumadora
Amiga, amante, apaixonada
Companheira, vigilante,
Mas também sou carente e triste
Sorrio com lágrimas, e choro com sorrisos
Luto já vencida à partida, mas luto
Ganho batalhas já perdidas, mas ganho
Dou passos descompassados, mas continuo
Finjo ignorar os quando me ignoram, mas subsisto
Fujo do que me atormenta sem resultado, mas fujo
Insisto em ser feliz mesmo sabendo que não consigo, mas insisto.

De incertezas e inconstantes, vivo
Porque sou mulher.
Sim, sou mulher!

Todos os dias de todos os meses, de todos os anos
Sou mulher!

Maria Antonieta Oliveira
07-03-2017









segunda-feira, 6 de março de 2017

Gosto De Ti





Gosto de andar descalça na areia molhada
E gosto de ti
Gosto de ser beijada pelo vento que passa
E gosto de ti
Gosto de saborear um gelado à janela
E gosto de ti
Gosto do chilrear de um pássaro esvoaçante
E gosto de ti
Gosto de olhar o céu em noite estrelada
E gosto de ti
Gosto do cheiro de uma pétala de rosa
E gosto de ti
Gosto de amar o céu, a terra, o mar, a vida
E gosto de ti

Gosto de gostar de ti!

Maria Antonieta Oliveira
06-03-2017

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Dança do Vento





Corpos unidos no dançar do vento
Inebriados em desalento
Soltam gemidos num som misterioso
Lançam sorrisos em tom jocoso
Na madrugada do amanhecer sombrio
Deleitam-se nas águas tórridas do rio
Aqui e além gaivotas esvoaçam
Olhares se cruzam, corpos se abraçam.
No dançar do vento
Deixo livre o pensamento.

Maria Antonieta Oliveira
25-02-2017




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Gotas de Chuva







Caminho ao invés das ondas do mar
A corrente leva-me para o abismo
Caio e levanto-me para de novo cair
Não quero mais continuar assim
Não quero mais esta vida ruim
Perco-me nos sonhos desfeitos
A vida atraiçoa-me o pensamento
Acordo e adormeço e tudo continua igual
As mesmas mágoas me assolam
As mesmas lágrimas molham a minha face
Rolam, quais gotas de chuva na noite escura.

Maria Antonieta Oliveira
23-02-2017




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pensei











Já é tarde?!
Ainda é cedo?!
Depende do ponto de vista.
NUNCA É TARDE DEMAIS!


Pensei em fazer um poema
mas as palavras ficaram retidas no pensamento
Pensei enviar uma mensagem
mas isso é banal demais
Pensei telefonar
mas isso é pouco original.
Pensei estar num areal contigo ouvindo o marulhar das ondas
mas isso é apenas um sonho
Pensei olhar-te do nascer ao pôr-do-sol
mas isso não passa da ilusão.
Pensei… sonhei…
Talvez num outro amanhecer
Não sonhe
Não pense
Realize!

Maria Antonieta Oliveira
20-02-2017


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Sonho de Amantes







No areal que acolhe o meu corpo já cansado
Da sofreguidão de te amar e me doar
Sinto o arfar vindo do teu coração quente
E o teu corpo suado entrelaçado no meu.
Pétalas orvalhadas em marés vivas
Ladeiam nossos corpos mutilados
Aniquilados de sentires e medos
Cansados de desejos incontidos
E perfumam de odores silenciosos
O sonho dos amantes renegados.

Maria Antonieta Oliveira
18-02-2017


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dádiva





És a gota de água
na aridez do deserto onde caminho
A luz da estrela que me guia
A seara que alimenta o meu corpo
O lenitivo que alivia a minha alma
A dádiva de Deus na minha vida!

Maria Antonieta Oliveira
14-02-2017

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O Teu Nome





Soletro o teu nome
Em poemas que não escrevo
De A a Z tu estás
A do amor que sinto
Z do zumbir ao meu ouvido
O teu nome, meu amor.

Maria Antonieta Oliveira
13-02-2017





Castrada












"Matar o sonho é matarmos-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso."
Fernando Pessoa


Mataram os meus sonhos quando nasci
Nem me deram oportunidade de sonhar.

Fui castrada inocente e débil
Castrada para a vida de menina
Castrada para a vida de adolescente
Castrada para a vida de mulher
Castrada para a vida de profissional
Castrada para tudo o que quero e amo
Castrada para os sonhos que sonhei
Castrada para o dia-a-dia que vivo
Fui castrada de tudo e em tudo.

Mataram os meus sonhos quando nasci
Nem me deram oportunidade de sonhar!

Maria Antonieta Oliveira
13-02-2017





domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sequiosa






Sequiosa de desejos incontidos
Na mente depravada de suspiros
Quero beijar esses lábios que amo
E abraçar esse corpo só meu
Devassa-lo entre mãos conspurcadas
Sentir-te, sentindo o teu arfar no meu
Semicerrar os olhos desnudados
E envolver-te num abraço profundo
Neste sonho infindo de realidade.

Maria Antonieta Oliveira
12-02-2017



Perguntaste-me







Perguntaste-me um dia:
- de onde me conheces, Maria?
Respondi-te com fulgor
- da vida, meu amor.


Maria Antonieta Oliveira
12-02-2017