quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

56 Anos Depois

 

As linhas já tortas

Daquele caderno velho

Fizeram-me lembrar o nosso passado

Tu, escreveste quadras de amor

E com elas me convenceste

De olhos fechados à felicidade

Entreguei-me de coração aberto

Queria ser feliz

Queria ter alguém que me amasse

Queria…

Tantos sonhos de uma jovem adolescente

E amaste-me

Amaste-me à tua maneira

E eu, amei-te à minha maneira

 

Os anos passaram

As maneiras encontraram-se

E 56 anos depois continuamos

Caminhando de mão na mão

E amor no coração.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

25-02-2026

 


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Dedal Perdido

  

Sou um ponto sem nó

De um casaco descosido

Sou casa sem botão

E botão sem casa

Linha escorrida sem cor

Deslavada sem aroma nem odor

Agulha caída no chão da sala

Entre mosaicos resplandecentes

O dedal, perdi-o ao lavar as mãos

Ficou esquecido no mármore rosado

Não sei que volta dar a este rasgão

Que se imaterializou no meu caminho

 

Sou luz sem graça

Sou ponto sem nó

Numa vida sem linha.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

25-02-2026


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026


 


 

Espelho Traiçoeiro


 

Esse teu olhar já foi outro

Essa tua boca já beijou de outro modo

Lábios bonitos e bem feitos

A tristeza salgada mudou teu olhar

Os lábios encolhidos pelo tempo

A face embaciou sem cor

O queixo desceu um pouco

Tornando o pescoço, talvez, mais grosso

O cabelo comprido e castanho

Virou branco e sem brilho

Olho-te

Olho-te de novo na esperança de encontrar a outra

Olhos grandes, brilhantes e pestanudos

Boca que apetecia beijar

Rosto sereno, brilhante e feliz

Mas essa, essa já partiu há muito

Volto a olhar e apetece-me partir-te

Talvez me desses outra imagem

E nela visse a adolescente – mulher

Elegante, viçosa e bonita

Mas,

O tempo passou e o espelho que miravas

Também ele já era velho não fazia milagres

Lá estavas tu, tal como  és

Ah, espelho velho e traiçoeiro.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

16-02-2026

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Asas Brancas


 

 

São asas brancas num céu pintado de azul

São rosas vermelhas no quintal dos amores

São papoilas num campo verdejante do meu Alentejo

São trigais , são aves esvoaçantes

Pintassilgos, rouxinóis e toda a bicharada

Numa grande algazarra

São os cantadores passando

No deu passo compassado

Cantando lindas cantigas do seu cante

São olhares que se cruzam na esquina do destino

São corações batendo no compasso desse cante

E compasso a  compasso os cantadores e seu cante vão passando

É assim o meu Alentejo com seu cante premiado

Como património cultural da humanidade.

 

E as asas brancas do céu azul vão passando

Ao seu desse majestoso cante.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

14-02-2026

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Preciso Mudar


 

Queria pôr em palavras o que sinto

O que me diz o coração sofrido

Quando os olhos choram

Quando tudo ao meu redor é negro

Queria dizer o porquê destes sentires

Porque não consigo entender a vida

A minha e a dos que me rodeiam

A vida dos que amo

E que queria me amassem de igual modo

Mas as vidas são outras, o mundo mudou

O ontem já não é o hoje e amanhã será ainda mais diferente

E eu sofro com estas mudanças

Sou tola, não as quero compreender

Sei que ainda me amam

Sei que ainda os tenho

Sei que se eu quiser serei sempre feliz

Basta mudar o meu pensamento

E o sentir do coração será o mesmo mas sem sofrimento.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

13-02-2026

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Vamo-nos Unir

Eu tenho

Tu, não tens

Eu sofro

Tu, não sofres

Eu amo

Tu, não  amas

Qual de nós está pior?!

Vou-te dar o que precisas

Vais-me dar felicidade

Vou-te dar o amor que precisas

Todos somos humanos

Irmãos unidos pela igualdade

Todos precisamos de amor

Vamos trocar, vamos doar

Só assim acabará a guerra e o ódio

E, unidos seremos felizes.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

03-02-2026

 

Desabafos



 

FILHA

 

Abraça-me filha e diz que me amas

Dá-me um beijo com carinho, que eu o sinta

Que o sinta verdadeiro e sentido

E te sinta, minha filha

 

 

MÃE

 

Beija-me mãe, como o fazias outrora

Abraça-me e dá-me o teu colo

Tenta compreender-me como nunca o fizeste

E tanta falta me fez

Também gostava de te compreender

Quero o teu colo, os teus beijos e todo o amor que sentias por mim

Leva-me para junto de ti, mãe.

 

 

RAFAEL

 

Dá-me um pouco do tanto que já te dei

Carinho, beijos, abraços, amor

Lembra-te que ainda existo

Depois, já nada vejo e nada vale a pena

Ama-me agora.

 

 

FRANCISCA

 

És fria como a tua mãe

Mas lembra-te, que eu ainda estou aqui

Lembra-te dos nossos abraços e beijos com amor

Lembra-te de quando brincávamos como se eu fosse criança como tu

Eram tempos felizes

Hoje, passam semanas que se não te procurar, nem te vejo

Preciso sentir que me amas.

 

 

VITÓ

 

És o grande amor da minha vida

Sem ti não era ninguém

És tu que me fazes o comer

És tu que me dás carinho e apoio

És tu, a única pessoa que tenho na minha vida

Os restantes partiram antes de partirem

Mas eu, ainda fiquei aguardando por amor e carinho de quem dei a vida

De quem ajudei a ser gente

De quem me devia mar e proteger

Mas, felizmente tenho-te a ti, meu amor.

Perdoa-me quando dou insuportável

Mas não tenho culpa de me sentir dependente

Isso torna-me, por vezes, insuportável

Mas amo-te, amo-te muito.

Perdoa-me.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

04-02-2026

 

 

 

Neste Momento


 

 

O que é uma depressão?

Não sei!

Sei que sou um a depressiva compulsiva

Sei que amo e odeio no  mesmo instante

Amo e odeio 

Quem amo verdadeiramente

Quem me apoia e ajuda

Odeio-me a mim por não conseguir ultrapassar

Estes momentos de desespero e tristeza

É um sofrimento que só quem já passou sabe como é

Tenho tudo e tudo me falta

Paz de espírito, alegria, felicidade

Quero tanto não te prejudicar

Mas quando dou comigo já errei

Já te ofendi sem razão ou motivo plausível

Desculpa amor, eu amo-te muito

Mas não me consigo controlar

Prefiro morrer a fazer-te infeliz

Estou  farta  de mim!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

01-02.2026

Amemo-nos


 

Queria gritar como Ary dos Santos

Tal como ele gritava

E dizer da guerra que vivemos

Queria amar como Florbela Espanca

Amar como ela amava

E que todos assim se amassem

Queria ser Pessoa ou Sophia

Poder ser várias pessoas numa só

E ajudar todos os que precisam

Dar carinho e apoio aos idosos

Dar comer e beber a quem precisa

Assim como abrigo, casa, um lar

Ai seu eu pudesse fazer milagres

Todos os povos eram felizes e unidos

Não haviam guerras nem fome

Nem maldade entre os homens

Nem invejas traiçoeiras

Vamos dar as mãos ao céu

E pedir paz, amor e união entre os povos.

 

Maria Antonieta Oliveira

04-02-2026