domingo, 14 de junho de 2026

Nasci Ontem


 

 

Nasci ontem

Um ontem já tão longínquo, que nem me lembro de ter nascido

Dizem que era gorducha e só gostava de mamar

Foi no calor Alentejano, ouvindo o seu cante

Foi ontem, é hoje e será até morrer, o meu canto

Um canto onde não vivi, nem sequer brinquei

Um canto de onde vim sem me pedirem autorização

Um canto que me encanta, assim como ouvir o seu cante

Nas veias corre-me esse sangue de pais alentejanos

E dos dois primeiros anos de vida em que lá vivi

No canto do meu cante

Sonho nesse canto onde talvez tivesse sido feliz

Sonho com esse cante que me foi ofertado

E fui tão feliz, os cantadores cantando em minha homenagem

Aquele cante cantado no meu canto

Sinto no coração aquele som dolente

Aquelas palavras simples mas com magia

Cantam os tempos de antanho da fome e do sofrimento

Cantam a vida vivida os amores e as famílias

É assim o meu cante

O cante do meu canto

 

Nasci ontem

Um ontem que já nem tem tempo.

O tempo, voou na nuvem passante.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

15-06-2026

 

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