Vejo-to
ó rio
Vejo-te
cacilheiro
Onde
um dia naveguei
Até
Cacilhas
Até
à Trafaria
Sempre
a caminho na nossa praia
A
Costa da Caparica
Em
outros tempos diferentes
Em
que era um longo areal de barracas e toldos
Até
chegarmos aos barcos descansando da faina
Os
pescadores cosendo as redes aguardavam
A
hora de os levar de novo ao mar
E
trazerem-nos cheios de peixe fresquinho
Acabadinho
de pescar à custa das suas forças
Eram
braços e corpos cansados, mas felizes
Só
assim davam de comer à família e seus petizes
Nós
os veraneantes olhávamos toda aquela azáfama
Aprendíamos
que a vida não era fácil
Para
nós, também não era, mas era diferente
O
perigo do mar era maior
As
ondas cavalgando sobre as carcaças, algumas bem velhas
Daqueles
barcos a remos
Era
por vezes um infortúnio das vidas
Que
deixava filhos sem pais e viúvas na praia chorando
Outras
vidas em outros tempos
Mas
a faina continuava para aqueles que sobreviviam
E tudo se repetia dia a dia
Sem domingos ou feriados
A Fé os acompanhava mesmo nos dias
malfadados
A Fé sempre a Fé em Deus e Nossa Senhora
Os levava e os trazia quando mar deixava.
E de barco cheio a faina acabava.
Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira
10-08-2026

Sem comentários:
Enviar um comentário