segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Caparica e Sua Faina

Vejo-to ó rio

Vejo-te cacilheiro

Onde um dia naveguei

Até Cacilhas

Até à Trafaria

Sempre a caminho na nossa praia

A Costa da Caparica

Em outros tempos diferentes

Em que era um longo areal de barracas e toldos

Até chegarmos aos barcos descansando da faina

Os pescadores cosendo as redes aguardavam

A hora de os levar de novo ao mar

E trazerem-nos cheios de peixe fresquinho

Acabadinho de pescar à custa das suas forças

Eram braços e corpos cansados, mas felizes

Só assim davam de comer à família e seus petizes

Nós os veraneantes olhávamos toda aquela azáfama

Aprendíamos que a vida não era fácil

Para nós, também não era, mas era diferente

O perigo do mar era maior

As ondas cavalgando sobre as carcaças, algumas bem velhas

Daqueles barcos a remos

Era por vezes um infortúnio das vidas

Que deixava filhos sem pais e viúvas na praia chorando

Outras vidas em outros tempos

Mas a faina continuava para aqueles que sobreviviam

E tudo se repetia dia a dia      

Sem domingos ou feriados

A Fé os acompanhava mesmo nos dias malfadados

A Fé sempre a Fé em Deus e Nossa Senhora

Os levava e os trazia quando mar deixava.

E de barco cheio a faina acabava.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

10-08-2026

 

 

 

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