sábado, 22 de agosto de 2026

Caminho Sem Fim Ou O Velho

 

O velho descalço, de roupa já gasta e rota

Caminhava ao longo da praia

Entre o lodo de águas sujas e lamacentas

Ou, ziguezagueando pela areia molhada da praia

Lá longe, no escuro do escuro da noite

A água límpida jorrava de uma fresta numa rocha

Ele, continuava ora pela água suja e lamacenta

Ora pela areia molhada da praia

A chuva miudinha fustigava a noite escura

Um raio iluminou lhe o olhar e de seguida

O som estridente de um trovão

 A chuva começou a cair em bátegas fortes e cada vez mais grossas

Ele continuava a sua caminhada ziguezagueando

Aquele corpo franzino resistia

A roupa já gasta e rota estava cada vez mais encharcada

Há quanto tempo caminhava ninguém sabia

De repente, sentiu algo estranho debaixo dos pés doridos

Era um monte de algas marinhas, trazidas pelas ondas para o areal

Tropeçou e caiu por cima do monte das algas

Tentou erguer-se mas não conseguiu, o corpo fraquejava

Enroscou-se sobre si mesmo e pensou que daqui a pouco

Amanheceria e o sol aqueceria o seu corpo e ajudá-lo-ia a erguer-se

Adormeceu cansado, mas crente

Que iria acordar e continuar o seu caminhar.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

22-08-2026

 

 

 

 

 

 

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