Sou um caminho percorrido numa linha longínqua
Um trem sem destino certo
Sem trilhos nem rumo
Um navio sem água
Um avião sem hélice
Ou um moinho sem vento
Um camião sem travões
E um miúdo que parte sozinho
No seu primeiro dia de escola
Sou flor sem água
Ou árvore sem terra
Mas sei
Que sou um doce
Que sou meiga e humilde
Que sou amiga do meu amigo
Que sei amar até demais
Mas também sou pecadora
Por vezes faço o que não devo
E depois
Choro lágrimas de sangue com remorsos
Depois…
Sofro, sofro, sofro muito
Sem culpa de ser como sou.
Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira
21-08-2026

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