sexta-feira, 13 de março de 2020

Silêncio


Este silêncio ensurdecedor
Que me entorpece os sentidos
Que me põe a mente em desalinho
E me atormenta e dói
Silêncio que mata
Silêncio que fere a pele
E destrói a vida
O corpo padece calado
Fenece e parte
O silêncio é mais silêncio
Eu, resisto silenciosa.

Maria Antonieta Oliveira
13-03-2020

quinta-feira, 12 de março de 2020

A Do Espelho

Quando o espelho nos lembra que o tempo passou
E olhamos para trás e nada vemos
É uma desilusão total
É como se um diluvio se abatesse em nós
O que fizemos?
O que fica de nós?
Mas, o espelho, esse bandido
Repete: - tu estás velho!
O teu tempo já lá vai!

Em corrida procuro o álbum de outrora
Vejo e revejo cada uma das fotos
E não encontro aquela do espelho
A que vejo é bela e formosa
Elegante, saudável e viçosa
De pele lisa e sorriso aberto
Onde estão as fotos da que vi no espelho?

A do espelho, existe, sou eu
A das fotos, sou eu também
A de agora, enrugada
Mas, cada ruga é um degrau subido
A de outrora, airosa
É um sonho já vivido.

Maria Antonieta Oliveira
12-03-2020


segunda-feira, 9 de março de 2020

Gratidão


De novo comigo
Agradeço a vossa presença
Agradeço o vosso apoio
Agradeço este dia
Agradeço-vos
Por estarem de novo comigo
Sempre que de vós preciso.

Grata meu Deus
Grata meu Jesus
Grata minha Nossa Senhora
Grata a todos os meus anjinhos
Grata a todos os meus guias protectores.

Sempre grata!

Maria Antonieta Oliveira.
09-03-2020

O Amor Secou


Numa cama coberta de folhas secas
Das rosas que um dia me deste
Nesse longínquo amor

Dos lençóis escorreitos, na cama desfeita
Nada já resta
As rosas murcharam
Tal como o teu amor
As folhas secaram
Assim como as minhas lágrimas
De tanto deslizarem pela minha face

O aroma inalado por mim
Das rosas do meu jardim
Perdura no tempo
Nem a tua partida o sepultou
O meu coração destruído
Sangra lágrimas de dor.

Maria Antonieta Oliveira
09-03-2020

Asas de Anjo




De manhã cedo, ainda o sol dormia
Já eu caminhava contigo a meu lado
A tua mão, segurava a minha com carinho
Eu, olhava-te com ternura
No chão, as sombras unidas
Pareciam asas de anjo caminhando
Talvez fossem, sim, talvez fossem
Os anjos que sempre nos protegem
Os anjos que alumiam as nossas vidas
E o caminho que percorremos
O sol caminhou connosco
E as sombras foram rodando
Desvanecendo-se
As asas de anjo ficaram para trás
Mas eles, os anjos
Jamais nos abandonarão.

Maria Antonieta Oliveira
09-03-2020

Pintei Um Quadro


Pintei um quadro
Em tons de ocre
Misturei outras cores
Tintas opacas, sem brilho
Estraguei os pincéis de tanto pintar
Usei as mãos para o acabar

Valeu a pena
Naquele quadro
Deixei solidão e tristeza
Libertei cansaço e saudade
Fui eu, pintando
Deixei nele a minha verdade.

Maria Antonieta Oliveira
09-03-2020

Carpe Diem


“Desfruta o presente”
“Vive este dia”
“Aproveita o momento”

Desfruta o presente
Esquece o passado
Olha que o tempo
Corre ao contrário
Já foste criança
Quiseste ser homem
Agora,
Vive este dia
Aproveita o momento
Pois o teu tempo
Ficou para trás

Então,
Desfruta o presente
Vive este dia
Aproveita o momento.

Maria Antonieta Oliveira
09-03-2020

sexta-feira, 6 de março de 2020

Mãe - Mulher


De mama despida
Alça caída e peito ao léu
No braço deitado
Está regalado o seu menino
Adormecido e bem nutrido
P’lo leite materno
Ela exausta e cansada
Não dá por nada
O leite escorre no corpo
O braço descai
O menino fica torto
Já acordado, zangado
Faz uma birra chorando
A mãe em sobressalto
Acorda e de um salto
Abraça o seu grande amor
Foi Deus quem lho deu
A si, mulher abençoada
Mulher, mãe do mundo.

Maria Antonieta Oliveira
06-03-2020

Abraço



Quando os braços se abrem
E os corpos se apertam
Unem-se almas sofridas
Num abraço cheio de sentimento
Esse abraço será eterno
Esse momento ficará
Os braços apertados no corpo
Sentires profundos trocados
E os braços se abrem de novo
Esse desabafo num abraço
Foi em segundos de amor
Eterno, na eternidade
Do tempo que durou.

Maria Antonieta Oliveira
06-03-2020


quinta-feira, 5 de março de 2020

Prece


“Para Deus, nada é impossível”

Sei que não me abandonas
Não, nunca me abandonaste
Agora, também não o farás, eu sei

Sou egoísta, sei que sou
Peço, peço, sempre que preciso
Agradeço todos os dias
Mas, será que chega a minha gratidão
Para o que recebo?!

Não rezo, apenas falo contigo
Exponho os meus problemas
Em tudo o que te digo
E agradeço, agradeço sempre
Mesmo que nada tenha pedido

Agora, peço-te por favor
Cuida de mim e dos meus
Para que não sofram a perda
De um ser que é amor.

Maria Antonieta Oliveira
05-03-2020


quarta-feira, 4 de março de 2020

Brincando Com os Satélites

(foto de um desafio do HP)




São muitas as circunferências
Os anéis sem união, mas unidos
São muitas as distâncias
E os enigmas
Aqui, eu vivo
E lá, viverá alguém?

O sol gira, rodopia
Aquecendo a nossa Terra
A lua esconde-se
E os planetas sucedem-se
Mercúrio, Vénus, Plutão
Sim, até o Plutão entra,
Nesta ilustre união
E há mais, muitos mais.

Sem humanos?!
Sem animais?!
E as flores e plantas?!
E os rios e os mares?!
Não há montanhas e vales?!
Muito por lá haverá
Um dia, quando voltar
Irei num deles morar.

Maria Antonieta Oliveira
04-03-2020


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O Verde do Teu Olhar

(foto de um desafio do HP)



No verde do teu olhar
Vejo cascatas de sal rolando
Lembram-me lagos espelhados
E pedras de sonhos perdidos.

A água escorre límpida
Por entre muros inscritos na natureza
Soltam-se folhas da verdura
Que circunda o meu olhar

E as cascatas de sal rolam
Na saudade do verde dos teus olhos.

Maria Antonieta Oliveira
28-02-2020

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Um Só




A alça descaiu
O decote ficou vazio
A pele rosada fez-se ver
Senti o teu olhar penetrar-me
Lisonjeada temperei o momento
Lambi o lábio superior, de seguida o inferior
Massajei o colo viçoso
Desci até sentir a perna aveludada
E tu, olhavas-me babando
Levantaste-te
Receei a tua aproximação
Mas, ao sentir a tua mão sedosa
Passeando pela minha pele sedenta
Deixei-me levar pela emoção
Há quanto tempo, tanto
Embrenhados na escuridão
E no silêncio do quarto só nosso
Unimos os corpos, num só
Entre orgasmos partilhados
Sentimos o prazer infindo
De sermos, tu e eu
Um só amor.

Maria Antonieta Oliveira
26-02-2020

Parabéns Meu Amor


Apetece-me gritar ao mundo
Que sou tua avó
Apetece-me dar-te um abraço
E dizer que te amo
Que tenho orgulho no menino que és
Apetece-me, porque sim
Porque és um ser especial
Um menino-homem, pré-adolescente
Que sabe o que quer e como quer
Apetece-me, amor
Apetece-me gritar bem alto
Para que todos saibam
Que sou tua avó
E tu,
És o meu neto amado
O meu Rafael.

Maria Antonieta Oliveira
26-02-2020

Navio da Paz


Desliguei o telefone
As luzes apagaram-se
Recolhi-me ao recanto do sofá
Sofá encantado que me levou
Levou num sonho jamais imaginado:

Partimos num navio adornado de paz
À procura do mundo
Demos as mãos às crianças sofridas
Sarámos-lhes as feridas
Abraçámos idosos esquecidos
Cuidámos doentes em fim de tempo
Plantámos e semeámos aromas de vida
Dançámos a dança da felicidade
Convencidos que era esta a realidade

O sofá trepidou
O meu sonho acordou
Fiquei triste
Afinal,
O navio da paz não existe.

Maria Antonieta Oliveira
23-02-2020

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Máscaras



Mascarei-me de princesa
Queria um dia ser rainha
Depois,
Mascarei-me de varina
Queria vender para não ter que o comer
Então,
Mascarei-me de patrão
Queria ser dona de um palácio
E ter muitos empregados
Todos eles mascarados
De reis ou de rainhas
De pescadores ou varinas.

Usei todas as máscaras
Das mais simples às poderosas
Senti-me enganada
Por tanta máscara usada
E nenhuma me fazer feliz
Afinal,
Apenas com a minha pele
Sem máscara sou mais fiel
A mim mesma, à minha pessoa.

Maria Antonieta Oliveira
21-02-2020


Foi Deus


Cruzo-me contigo nos degraus
E espaços por onde caminhamos
Cruzo-me contigo
Nas esquinas das ruas
Que calcamos todos os dias
Cruzo-me contigo
Nos cafés e bares
Que um dia partilhámos
Cruzo-me contigo
Nos parques e nas flores
Que outrora colhemos
Cruzo-me contigo
Desde o tempo em que nascemos
Pois foi nesse tempo
Que Deus nos pôs de frente
Para que um dia
Me cruzasse contigo.

Maria Antonieta Oliveira
21-02-2020

Parabéns Avô Vitó


Já são muitos os anos
Algumas décadas de vida
Alegrias, tristezas
Enganos e desenganos
Amores e desamores
Dores passadas, sofridas
Mas sempre comigo
Tu, menina do laço
Amor eterno da minha vida.

Nossa filha amor de nosso amor
Nossos netos amores de nosso amor
E os anos foram passando
Eu e tu, cansados fomos ficando
Arrelias e desavenças
Tudo foi superado
E assim vamos seguindo.
Já são muitos os anos
Algumas décadas de vida

Maria Antonieta Oliveira
21-02-2020


terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O Xaile


De xaile dobrado
E chinelo calçado
Saí pela rua
O sol queimava
O piso escorregava
Com cautela continuei
Desci a escada
O chinelo cantava
Na pedra do degrau
Era a tua voz que ecoava
Era o teu fado que o chinelo cantava
E eu escutava
Encantada parei
E a tua voz também parou
Deixei de ouvir o fado cantado
Nem voz nem fado
O chinelo calado
E o xaile dobrado
Era um sonho mal acordado.

Maria Antonieta Oliveira
18-02-2020

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Encontrei o Amor



Solto beijos ao vento
Solto abraços às nuvens
E sorrisos ao sol
Tento acariciar a lua
E voar com os pássaros
Mas, o vento, não quer os meus beijos
Nem as nuvens, os meus abraços
O sol até se escondeu
E a lua desapareceu
Nem os pássaros me ligaram
E voar sem asas não consigo

O vento voltou
Trouxe os meus beijos
No bico da pomba
O sol brilhou sorridente
E a lua soltou-se das nuvens
Iluminando o meu coração
Já não preciso de asas
Num voo rasteiro
Encontrei o amor.

Maria Antonieta Oliveira

17-02-2020

Perco-me Contigo


Nas curvas do teu corpo perco o tino
E sem destino,
Percorro cada ressalto
Cada lomba, cada pedra
Que encontro
Desatinada, louca e madura
Entrego às mãos o prazer
De te sentir, de te ter em mim

Perdida e apaixonada
Guardo o teu cheiro
Naquela caixa rosada
Que um dia me ofertaste
Quando te dei o meu corpo
Ofegante, solto gemidos
De desejos proibidos
E, perco-me contigo.

Maria Antonieta Oliveira
17-02-2020


Antes de Morrer



Antes de morrer
Quero que saibas que te amo
Antes de morrer
Quero pedir perdão,
A todos os que mal tratei
A quem ofendi ou desrespeitei
Também a quem amei sem amar
E a quem não amei amando

Antes de morrer
Quero que saibas que fui feliz
Nos momentos contigo
Na amizade verdadeira
Nas ondas e na areia da praia
Nas estradas e caminhos percorridos
Também fui feliz nos abraços
E nos beijos trocados

Antes de morrer
Quero ser feliz e viver!

Maria Antonieta Oliveira
17-02-2020


Pus de Parte o Tempo


Pus de parte o tempo
Aquele em que tu não estás
Fiquei sem tempo para mim
Porque o tempo partiu atrás de ti
E eu, fiquei parada, aqui no meu canto
Sem tempo para viver
Viver sem ti, não é viver
Habituaste-me a estares comigo
Nem que seja em pensamento
Mas o tempo, esse que foi um tempo
Já não é, nem teu, nem meu
O tempo seguiu
O tempo não parou
Cansada e sem tempo
Pus de parte o tempo.

Maria Antonieta Oliveira
17-02-2020

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Quando Eu Nasci


Tenho marcada na palma da mão
A história do dia em que nasci
Era uma noite em final de primavera
Quente, fria, dorida, sofrida
E bebida na venda da vila
A mãe esperava a aparadeira
A avó pedia para chamarem o pai
E eu, teimosa logo à nascença
Empurrava a barriga da mãe
Que gritava sofrendo
Ao mesmo tempo, desejando ver
Será menina? Será menino?
O pai chegou, a aparadeira também
A água já quente e as toalhas brancas esperavam
Força e gritos, gritos e força
E eu, saí chorando
- Olha, é uma menina e tem muito cabelo
A mãe e o pai sorriram de felicidade
A avó Rosa, sorrio de alegria
A avó Maria, essa, pulou de contente
Finalmente era avó e de uma menina
Todos felizes e sorridentes
Apenas eu, chorava.

Maria Antonieta Oliveira
08-02-2020

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Bolso Usado

Guardo o teu beijo
No bolso do lado esquerdo
Daquele casaco já gasto
O bolso usado e roto
Deixou escapar o sabor
Eternizado na minha boca
Saboreio-o sempre que
A língua circunda os meus lábios
Sinto-o presente como se
Também tu o estivesses
Doce e meigo
Terno e quente
Mas,
O bolso usado e roto
Deixou escapar o sabor
Do nosso beijo de amor.

No lado esquerdo ficou
Um coração a sofrer.

Maria Antonieta Oliveira
06-02-2020

Palhaço da Vida

(foto de um desafio do Horizontes da Poesia)



Olhar risonho
Vidrado pelas lágrimas retidas
Sorriso feliz
Escondendo o sentimento
Boca de menino
Esboçando um beijo não dado
Balões e cores
Arco-íris perdido num sentir sofrido
Mãos que afagam
Meninos e crescidos sorrindo
Corações e almas
Unidos em prazenteiros momentos
Tudo nos dás
Homem vestido de palhaço da vida.

Maria Antonieta Oliveira
06-02-2020

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Jardim Imaginário


Plantei flores
Num jardim imaginário
Ofuscado pela luz da lua
Apenas entrava eu e o sol

O sol, adormecia cedo
E eu, fugia com medo
As flores cresciam desfolhadas
Sem brilho nem cor
Faltava-lhes água e amor

Não as cuidei e elas despiram-se
De tudo o que era belo
No meu jardim apenas ficou
A sombra do sol na lua ausente.

Maria Antonieta Oliveira
05-02-2020

Ser Adolescente


Cantei primavera
Quando o outono chegou

Adolescente!
Fui adolescente?
Já não me lembro, foi há tanto tempo
Não, se não me lembro, é porque não fui.
E
O que é ser adolescente?
Bailar ao som do poeta
E cantar na orvalhada do dia?
Sair ao luar da noite
E no bar beber sangria?
Fumar até cair
E da droga não sair?
Então, não fui adolescente!
Ou será
Sonhar, namorar e divagar?
Se ser adolescente é isso,
Eu fui adolescente!

Cantei primavera
Quando o outono chegou.

Maria Antonieta Oliveira
05-02-2020

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Baú Encantado







Fui ao baú
Onde as estrelas fazem caminhos
E os ninhos guardam lembranças
De tempos e vidas passadas
Nos postais e cartas seladas
Encontrei amores embargados de saudade
Outros, suados de tanto amar
Suados do suor dos campos e das searas
Algumas cartas já rasgadas
Segredavam em surdina
Para que ninguém soubesse o que continham
Talvez, guardassem tabus
Virgens mal sucedidas
Ou casadas que foram traídas
Só elas o sabiam

Nos caminhos estrelados
No baú, encontrados
Reluzia o teu olhar
Fixavas-me com ternura
Quanta e quanta doçura
Nesse baú encantado.

Maria Antonieta Oliveira
04-02-2020

sábado, 1 de fevereiro de 2020

A Casa da Outra



Já estive em tua casa, lembras-te?
Aquela que poderia ser minha
Vi o quarto, a cama, vi tudo
Bebi do teu café, do teu beijo
Senti-te, sentiste-me
Mas, nada de nada era meu
Tudo era passado de outra
Tudo era nada de mim
Senti-me de fora
Como outrora
Mas estava contigo, ali
Naquela que não foi minha
Na casa que foi da outra
Estava contigo, ali
Respirando, sorvendo
Estava vivendo a felicidade
De um simples momento.

Maria Antonieta Oliveira
01-02-2020