terça-feira, 18 de julho de 2023

101

 

 

22 de Julho de 1922

Dia a cédula pessoal que serão 101 anos

Mas não, eu digo que são 75 anos

De muito amor, respeito, carinho e compreensão

E, são também, 14 anos de muita saudade

Uma enorme saudade que não cabe no coração-

 

Amei-te!

Amo-te!

E, enquanto eu viver

Amar te ei, até morrer!

 

Maria Antonieta ALENTADO Oliveira

18-07-2023  

sábado, 15 de julho de 2023

Hino... Princípio... Meio... Fim...


 

 

 

Heróis do mar, da terra, da guerra

Trabalhadores de mãos curvadas

Pedras esgravatadas com dor

Com sofrimento, trabalho e amor

Mãos áridas sofridas pelo sonho

Dos sonhos a dois de um solo ter

 

E o sonho se tornou realidade

Com a força, com a Fé e com a vontade!

 

São sementes plantadas em pedras bravias

São famílias alojadas  e crianças nascidas

Água vertida, perdida p’los canaviais

Ribeiras, correntes, nascentes, águas correntes

E, poços…

Poços alimentando as casas e as gentes

Água fresquinha e pura

Água que é vida e cura

 

E o sonho se tornou realidade

Com a força, com a Fé e com a vontade!

 

 

Castelos erguidos na sombra dos fiscais

Multas, subornos e mais, muito mais

E surgiram ruas habitadas, enlameadas

Passadiços de tábuas velhas, usadas

Remediavam os sapatos remendados

Criavam-se famílias entre os vizinhos

A luta era igual para todos

 

E o casario crescia

E o local outrora de campos agrícolas

Era agora uma vila construída

Com trabalho, amor, Fé e devoção.

 

Assim nasceu a nossa Vila!

Assim nasceu Casal de Cambra!

 

E o sonho se tornou realidade

Com a força. Com a Fé e com a vontade!

 

Maria Antonieta Alentado Oliveira

15-07-2023

 

 

 

 

terça-feira, 4 de julho de 2023

Sou Assim


 

 

Sou gente sem cura

Amor sem ternura

Sou vida sem vida

Amor sem guarida

Bebo sorvendo

Sofro bebendo

Sou lua falua

Cristal diamante

Rainha da praia

Areia escaldante

Sem vestido nem saia

Sou tudo sem nada

Mulher escaldada

Sou trama sem rede

Pesca sem pescador

Alegria com dor

Alimento com sofrimento

 

Sou assim

Não falem de mim

Esta sou eu

Ouço e esqueço

Esquecendo nem ouço

Não falem de mim

Esta sou eu

Sou assim!

 

Maria Antonieta Oliveira

04-07-2023

 

 

sábado, 1 de julho de 2023

Conexões Atlânticas


 

 

Barco à vela

Caravela

Rio

Mar

Oceano

Lá ao longe

Muito ao longe

Português se vira

Portugal é nobre

Brasil para além da

Amizade

Amor

Palavras

Tudo nos une

Em conexões

Atlânticas!

 

Maria Antonieta Oliveira

01-07-2023

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Dança Comigo


 

 

Dança comigo, amor

Um tango antigo

Um slow

Uma valsa

 

Dança comigo, amor

Segura-me pela cintura

E cinge-me a ti

Aperta suavemente o meu corpo

Enlaçado no calor do teu

 

Dança comigo, amor

Qualquer que seja a dança

Qualquer que seja a música

Apenas quero sentir-te em mim

 

Por favor, amor

Dança comigo!

 

Maria Antonieta Oliveira

30-06-2023

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Triste Ilusão


 (Foto da internet)


 

Com Lisboa a nossos pés

E S. Jorge nosso cúmplice

Selamos o nosso amor

Com um beijo apimentado

Em Goa prosseguimos

Fomentando o nosso sentir

Entre amar e sofrer

Entre rir e chorar

Crescemos e o tempo passou

A porta se fechou

Nem S. Jorge ou Lisboa

O nosso amor salvou

Partiste com outro rumo

Fiquei só naquele banco

De pedra secular

Sonhando num outro corredor

Te encontrar

 

Triste ilusão!

Pobre criatura!

As lágrimas derramadas

Formaram o rio da amargura.

 

Triste ilusão!

Pobre criatura!

 

Maria Antonieta Oliveira

05-06-2023


sexta-feira, 19 de maio de 2023

Morri


 

 

Morri!

Morri sozinha

Ninguém chorou por mim

Ninguém rezou por mim

Ninguém sofreu por mim

Ninguém me levou flores

Porque quando eu morri

Já todos tinham morrido

 

Sem família

Sem ninguém

Morri sozinha!

 

Maria Antonieta Oliveira

19-05-2023

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Mudança


 

 

 

Dobei a lã de ovelha parida

Dobrei a linha que me foi prometida

Da lã fiz sandálias para caminhar

Da linha fiz lençóis para bordar

Com pezinhos de lã

Acordei pela manhã

Ainda o sol dormia

Já eu começara o dia

Bordava … bordava… bordava…

Mas a linha se quebrava

O lençol se rasgava

E eu, desesperava

 

Descortinei a janela entreaberta

Encerrava tristeza extravasava beleza

Dobei a lã

Dobrei a linha

Desfiz o lençol

E num acto de bravura

Deixei o sol entrar

E a minha vida mudar.

 

Maria Antonieta Oliveira

05-05-2023

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Amor Sem Tempo


 

 

 

Perdi-me no tempo

Do tempo em que me amavas

Se pudesse mandar no tempo

Ordenava-lhe que recuasse

Queria que ele voltasse

Ao tempo em que te tinha

Mesmo sem te ter

 

Sempre foste meu, lembras-te?!

No comboio do amor

No castelo encantado

No corredor entrelaçado

Na rua, na praia, no baile

Na canção de antanho

No ontem, no hoje, no amanhã

Sempre foste meu, lembras-te?!

 

Meu amor

Se eu pudesse mandar no tempo

Voltava ao tempo do tempo

Em que éramos um só

Num amor sem tempo.

 

Maria Antonieta Oliveira

24-04-2023

 

quarta-feira, 19 de abril de 2023

A Luz do Silêncio


 

 

Vejo ao longe

A luz do silêncio

Acende… apaga…

Acende… apaga…

Intermitente como a vida

Ondulante num mar agitado

O faroleiro solitário aguarda

Que o sol amanheça

E a luz finalmente se apague

Porque o sol acordou e brilha

Iluminando o caminho

Dos mareantes, viajantes e sonhadores

Na praia

Sentada na areia molhada

Vejo ao longe

A luz do silêncio piscando

E, aguardo…

 

Maria Antonieta Oliveira

18-04-2023

sábado, 15 de abril de 2023

Amor


 

 

Amor!

Palavra já gasta de tanto usada

Qual a palavra para definir o que sinto?!

É amor!

Um amor incondicional!

Um amor que tudo faria para te ver feliz!

Amo-te!

Por ti, daria a vida se necessário fosse

O teu abraço é uma dádiva do céu!

Amo-te!

Amo-te, meu príncipe!

 

Que os 16 se multipliquem por muitos mais 16

Com saúde, realizações e amor.

 

Maria Antonieta Oliveira

17-04-2023

 

 

sexta-feira, 24 de março de 2023

Venero

 

Venero-te ó lua imaculada

Que me deste o saber

O sentir do amor

Na minha pura inocência

Com a tua sapiência

Aprendi a ver a luz do sol

E o brilho das estrelas

Venero-te castelo de antanho

Que fizeste de mim princesa

Rainha do amor

Da tua boca o sabor

Venero-te ó chuva que lavas o chão que piso

Deixando as marcas dos meus pecados

Venero-Te ó Mãe Imaculada

Que caminhas a meu lado apoiando-me sempre

Dando-me a mão nos momentos em que preciso

Venero-Te Senhor pela vida que me dás

Que me deste e me darás no futuro

Venero-Te e agradeço viver

 

Vivo a vida em gratidão!

 

Maria Antonieta Oliveira

24-03-2023

 

 

 

 

Tocador e Cantadeira


 

 

 

Enquanto o pai teclava o piano

A mãe, entre agudos e graves, treinava

Mais um toque, outra tecla, outro som

A mãe dedilhava a guitarra entre um e outro solfejo

Enquanto o pai treinava o rendado

Mãos ágeis e habilidosas unidas

No alinhar e bordar da vida

 

A garganta cansada e seca

Contrastava com a lufada de ar

Fresco e matinal

Sofrido e maternal

 

Mais um toque

Mais um acorde

Um pesponto caseado

Um passeio calcetado

E um belo vestido rendado.

 

Um toque

Um acorde

Duas vidas

Um fado.

 

Maria Antonieta Oliveira

23-03-2023

sexta-feira, 17 de março de 2023

Ica


 

Dia do pai!

E porque não, dia da neta?!

Sim, dizem ser o dia do pai

Mas, todos os dias são dias do pai

Dias da mãe ou da filha

Mas hoje, para mim

É o dia da neta, da minha Ica

A minha princesa que amo

A menina mais linda do mundo

Eu sei, minha querida

Sou a tua avó chata

A beijoqueira que não te larga

Mas, a minha chatice é amar-te

E amo-te muito!

 

Parabéns minha princesa adorada!

 

Maria Antonieta Oliveira

19-03-2023

quinta-feira, 16 de março de 2023

No Fundo do Mar


 

 

Sinto o mar salgado batendo

Nos meus lábios outrora doces

Pétalas de rosa murchas

Invadem os meus cabelos

Grisalhos e desgrenhados

Algas silenciosas ondulam

Ao meu redor

Ouço-as sussurrando

As estrelas do mar gravitam

Numa conversa só delas

Sóis e luas acontecem

Dias e noites sucedem

No cimo dos cimos deste mar

Onde me afundei e vivo

Onde a minha boca perdeu

O doce sabor dos teus beijos

Já não sinto os meus lábios.

 

Maria Antonieta Oliveira

16-03-2023

 

A Vida É Amor


 

 

 

Não sei escrever sem escrever amor

A poesia é escrita pela alma

Ditada pelo sentir do coração

O sangue fervilha nas veias

Quando o amor surge num olhar

E quando o som do mar bate suave

Espraiando-se na areia escaldante

É o amor é o marulhar é o cantar

Das ondas nos ouvidos dos amantes

E quando o sol nasce

Ou quando o sol se põe

É a vida renascendo num outro dia

É o amor dando vida a nova vida

A calçada que pisamos

É o amor de um calceteiro

A lua que nasce num céu estrelado

É o sonho do eterno namorado

O amor dos pombinhos arrulhando

 

Tudo na vida é amor

Temos que saber vivê-la

Temos que saber compreendê-la

Temos que saber agradece-la

Porque a vida e amor

E eu só sei escrever com amor.

 

Maria Antonieta Oliveira

16-03-2023

 

 

As Pedras Que Pisei


 

 

 

Andei por todos os caminhos

Os que me foram surgindo

Bem ou mal, caminhei

Agora olho para trás

E vejo as pedras que pisei

E aquelas que devia ter pisado

Os cabelos branquearam

Os dentes foram caindo

As rugas marcam o tempo

As dores e pernas cansadas

São o resultado de muitas escadas

Subidas e descidas até esgotar

 

O tempo cansado

Leva-me num tempo passado

E as pedras que não pisei

Caminham a meu lado.

 

Maria Antonieta Oliveira

16-03-2023

 

sábado, 4 de março de 2023

Mulher


 

 

De onde vieste, mãe?

E eu de onde vim, mãe?

Sim, eu sei, vieste do ventre da minha avó

E eu, mãe, nasci de ti

Também a minha filha fui eu que a pari

E ela, deu-me netos, filhos dela, mulher

E o pai de onde veio?

E os homens, todos eles, de onde vieram?

Quem pariu?

Quem alimentou?

Quem ensinou e aturou?

Quem deu o afago e a mão?

Quem, mulher?

Quem dá vida ao mundo?

 

Tu, mulher!

Tu, sempre e só, tu!

 

Maria Antonieta Oliveira

04-03-2023

 

 

 

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Colina


 

 

 

Subi a colina do sol nascente

O vento soprava a poente

Inércia, sofrimento, dor

Lágrimas, choro. Desamor

Estrelas cadentes, ausentes

Sóis e luas incandescentes

Chuvas soltas nas árvores

Das florestas perdidas no deserto

Inocentes rios deslizam

Nas águas paradas, secas

Ultrajadas mentes, dementes

Caminhos vividos, gentes

 

Reflecti, ponderei, e,

Desci a colina sozinha.

 

Maria Antonieta Oliveira

25-02-2023

 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Sempre


 

 

 

Tantas lágrimas choradas, derramadas

Sofridas anos e anos de desenganos

Voltavas sempre com teu sorriso sacana

E a miúda solitária perdida, perdoava e sorria

Sorria inconsciente, inocente, acreditando

Caminhando, sorrindo, chorando, prosseguia

Semana a semana, dia a dia

Tudo se repetia, a vida e tu me traiam

Até as lágrimas salgadas caiam de novo

Caladas no sofrimento do momento

 

Hoje, continuo esperando

Sabendo que jamais voltarás.

 

Maria Antonieta Oliveira

14-02-2023

 

 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Somos Luz


 

 

 

És grão de areia que esvoaça

Numa praia deserta

Sem luz que te alumie

Ou sol que te aqueça o rosto

Já não luto contra a maré

Ela é mais forte do que eu

Aguardo sentada na areia

Que o vento passe e o sol volte

Quero ser luz e brilhar

Ser farol em mar turbulento

Quero iluminar os teus dias

E dar-te felicidade.

 

Serei teu farol, tua luz

Porque, tu és,

O meu farol. a minha luz.

 

Maria Antonieta Oliveira

23-01-2023

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Morte


 

 

 

Já nada me doi

De tanta dor sentida

Já não sou ninguém

De tanto que já fui

Nem a água me banha

Nem o mar me acalma

Nem o sol nem a lua me beija

Já nem as flores se abrem quando chega a primavera

O verão já não me aquece

Nem o inverno me arrefece

Meu corpo sofrido partiu

O silêncio à minha volta é sepulcral

O cheiro das flores já mortas

Enoja-me entristece-me

Mataram as flores

Para as darem a quem já não as vê

Morta por morta

Antes eu que as rosas.

 

Maria Antonieta Oliveira

11-01-2023