Vidas
Corpos
Veias
sangue
Desnudos
Unidos
Ventos
Separados
Rasgados
Vidas
Corpos
Suados
Usados
Amados
Sem
amor
Esventrados
Abandonados
Vidas
Corpos
Sem
corpo
Sem
vida
Maria
Antonieta Oliveira
29-11-2022
O sonho é livre... é deixar voar o pensamento... é acreditar no inacreditável... é atingir o inatingível... Amar... Sofrer... Beijar... Doer...
Vidas
Corpos
Veias
sangue
Desnudos
Unidos
Ventos
Separados
Rasgados
Vidas
Corpos
Suados
Usados
Amados
Sem
amor
Esventrados
Abandonados
Vidas
Corpos
Sem
corpo
Sem
vida
Maria
Antonieta Oliveira
29-11-2022
Há
palavras ocultas
Na
magia de um silêncio
Momentos
marcantes
Na
vida de uma passageira
Neste
trem que segue veloz
Ao
encontro de um amanhecer
Lá,
onde o sol nasce e a lua se esconde
Nesse
silêncio mágico
Fica
uma saudade eterna
De
ti, a quem amo
De
ti, ausente de mim.
Maria
Antonieta Oliveira
27-11-2022
Numa
fogueira sem lume
Queimei
o que restava de nós
O
fumo do fogo extinto
Queimava
os nossos olhos
As
lágrimas corriam pelas faces
A
roupa cheirava a queimado
Abraçados
num beijo
Despimos
o desejo
Deitados
num colo ardente
Ficámos
nos amando e esperando
Até
o fogo queimar o que restava de nós
Maria
Antonieta Oliveira
15-11-2022
Ser ou não ser escritor
Ser ou não ser poeta
Escrever
Poetar
Publicar livros
Ser reconhecido
Ser galardoado
E o ego a subir
E a mania a crescer
E a amizade a descer
Cada qual e cada um
Cada um e cada qual
Ninguém escreve igual
As palavras são as mesmas
Os trocadilhos são outros
E,
Os poemas nascem
Maria Antonieta Oliveira
28-10-2022
Tenho
saudades dos golfinhos no Tejo
Eram
companheiros de viagem
De
uma a outra margem
A
par do cacilheiro num dia soalheiro
Lado
a lado nadando
Os
passageiros deleitando
A
Trafaria à vista
Ou
então, era Cacilhas
Eles
continuavam
Eu,
por ali ficava
A
praia da Caparica me aguardava
O
tempo passou e os golfinhos levou
Também
eu deixei a Caparica
Mas,
ai que saudades
Desses
companheiros de viagem
Maria
Antonieta Oliveira
28-10-2022
Numa
cama feita de linho
Lençóis
de seda debruados
Bordados
com finas linhas
Por
mãos feitas de paz
Entrelaçados
de amor e beijos
Solfejos
de angustia perdida
Sonhos
da vida esquecida
Coração
destruído
Sangue
pulsando fervilhando
O
tempo passando
Os
lençóis amarfanhados
Pelo
bolor da humidade
Destruídos
rasgados
No
fim de um amor eternizado
Maria
Antonieta Oliveira
28-10-2022
Voltou
a solidão
Voltou
o medo
Estou
só como sempre estive
Tenho
medo de tudo e de todos
Medo
de cair, sim, medo de cair
Medo
de falar, sim, eu tenho medo de falar
Medo
de ser mal interpretada e originar discussão
Quero
a paz que nunca tive
Quero
a felicidade que nunca encontrei
Quero
compreender a vida e vivê-la
Quero
o que nunca tive, tendo tudo
Quero
alguém que me ouça sem me incriminar
Alguém
que me saiba aconselhar
Preciso
de sentir a luz do caminho
E
caminhar… caminhar… caminhar…
Maria
Antonieta Oliveira
14-10-2022
Egoísta
Sim,
és egoísta
Tens
de comer
Tens
de beber
Tens
de vestir
Tens
de calçar
Tens
um tecto que te abriga
Um
cobertor que te agasalha
Tens
carro que te transporta
Tens
tudo o que precisas
Tens
mais muito mais
E
nada te satisfaz
Egoísta
Sim,
és egoísta!
Maria
Antonieta Oliveira
11-10-2022
Vejo
o Castelo altaneiro
Numa
Colina de Lisboa
Encontro-me
nele, escondida
Num
sonho que sonho contigo
Espreitas-me
numa ameia colorida
Com
esse teu olhar cativante
De
coração enfeitiçado
Estendo
meus braços para ti
Mas,
a colina fica longe
E
o castelo inacessível
Tudo
não passa de um sonho
Onde
nem eu nem tu estamos
Onde
eu e tu sempre estaremos.
Maria
Antonieta Oliveira
10-10-2022
Não
tenho culpa de estar no teu caminho
Não
te procurei quando me encontraste
Procurei-te
antes quando me trocaste
A
outra a quem deste o meu lugar
Não
tem culpa de a teres enganado
Ocultando
a existência de outro ser amado
Não
tenho culpa de ainda te amar
E
a tua voz querer ouvir
Não
tenho culpa deste meu sentir
Não
tenho culpa de ainda existir
Existo
Amando
e sonhando
Vivendo
e esperando
Até
a culpa me deixar partir.
Maria
Antonieta Oliveira
06-10-2022
De costas libertas
Sorvo o som dos canaviais
Embalados no vento
Que desliza nas águas revoltas
De um rio imaginário
Onde te banhas
E soltas os males da alma
Na imensidão dessas águas turvas
De tanta maldade e sujeira
Que a vida te trouxe
Acordas do embalo do sonho
Ficando liberta das trevas
Continuas
Sentada na cama.
Maria Antonieta Oliveira
24-09-2022
Enrolo-me
nas palavras
De
um jornal antigo
Sei
que já estão gastas
Pelo
tempo passado
Mas
quero encontrar-te
Nesse
jornal perdido
Usado
na quentura de umas castanhas
No
outono e inverno da vida
Rasgado,
pisado, levado p’lo vento
Sem
palavras para ler
Nem
espaços para escrever.
Cansada,
desisto
Mas
não desisto de ti.
Maria
Antonieta Oliveira
19-09-2022
Alimento-me
de palavras
As
que digo, e, as que ficam por dizer
As
que escrevo com sentimento
E
as que escrevo num lamento
Palavras
saídas do coração
Num
momento de emoção
Palavras
soltas, sem sentido
Vazias,
ocas, deprimentes
Felizes,
tristes, momentos
Palavras
que me saciam.
Assim
vivo
Nestas
palavras que me alimentam
A
alma e o espírito.
Maria
Antonieta Oliveira
18-09-2022
Estou
farta de ser ofendida
Maltratada
e magoada
Injuriada
e deprimida
Estou
farta de ter sido parva
De
pena em pena
Deixei
voar o meu tempo
Esqueci-me
de viver
De
ser eu
De
ser feliz
Sei
que repito palavras
Sei
que repito sentires
Mas
só os repetindo me solto
Só
os repetindo extravaso
São
gritos de guerra
De
uma guerra perdida.
Maria
Antonieta Oliveira
16-09-2022
Caminho
a teu lado
Nas
palavras do passado
Junto
a mim nas sombras da lua
Existe
a imagem sempre tua
Passeamos
de mão na mão
Arrancamos
as pedras do chão
Na
passada em corrida
A
vida, a vida foge-nos
A
pressa aumenta
A
ausência faz-me sofrer
Neste
caminhar sem te ter.
Maria
Antonieta Oliveira
15-09-2022
Plateias
de golfinhos
Aplaudem
de pé
Sorrisos
sarcásticos invadem a sala
Também
tu, sorris e aplaudes
Porque
tu, estás lá
A
vida sorri-te
No
sorriso que encontraste
Quando
descobriste o amor
Sim,
tu amas-te
Amando-te,
és feliz.
Maria
Antonieta Oliveira
07-09-2022
Soltam-se
os beijos
Nas
ondas do mar
Recuo
e avanço
Quero-te
Queres-me
O
céu abriga o nosso amor
A
areia protege nossos desejos
O
sol aquece nossos corpos
Já
quentes e arfantes
Fundimo-nos
num só ser
Amamo-nos
sem sofrer
Somos
amantes.
Maria
Antonieta Oliveira
07-09-2022
A
minha solidão
É
provocada pelo teu silêncio
Estou
sem ti
Mas
não estou só
Apenas
fugiste
Eu
fiquei esperando
Partiste
ao anoitecer
Sem
dormir
Esperei
o amanhecer
Sem
regresso
Adormeci,
sem ti.
Maria
Antonieta Oliveira
04-09-2022
Molha-me
a boca
Com
teus lábios vermelhos
Deixa
rolar as lágrimas
Esse
sal que recebo
Nesse
teu doce beijo
Aperta
o meu corpo
Nesse
abraço revestido
De
carinho e emoção
Entrega-te
Somos
unos
Em
amizade e poesia.
Maria
Antonieta Oliveira
04-09-2022
Réplica a um poema
de João Santamaria
Uma
bola imaginária
Um
mundo a rolar
A
ignorância a aumentar
A
fome e a guerra a alastrar
Egos
crescem sem sintonia
Vaidades
sem sabedoria.
Maria
Antonieta Oliveira
02-09-2022
Reflexos
que dão vida
A
um olhar perdido
Reflexos
do sol no mar
E
do céu na terra
Reflexos
da tua sombra
Quando
passas em intervalos
Da
lua intercalada p’la nuvem
Reflexos
de nós dois
Quando
pisávamos a poça d’água
Chuva
caída na calçada
Pisada
e repisada p’la vida
Reflexos
de gentes vadias
Em
dias de angústia
Reflexos
de um olhar feliz
Na
inocência de um petiz!
Maria
Antonieta Oliveira
31-08-2022
Mais
um mês a terminar
Mais
um dia a acabar
Menos
um dia para viver.
O
tempo voa rápido
Qual
vento Suão
A
saúde se desgasta
A
solidão é nefasta
O
amor insiste e resiste
E
o fim se aproxima
Um
dia a mais no calendário
Um
dia a menos no meu diário.
Maria
Antonieta Oliveira
31-08-2022
É
tão bom ser feliz!
Pequenas
coisas tornam-se enormes quando feitas com amor e, quando as recebemos também
com amor. Um simples gesto e muda o momento!
Dia
26 de Agosto de 2022 ficará para sempre na minha memória pelos bons momentos
que passei na 92ª Feira do Livro de Lisboa. Ao chegar, acompanhada pelo marido
e pelos meus netos, os melhores e mais bonitos do mundo, tive a agradável
surpresa de ver o meu fotógrafo preferido, Vítor Costeira, estava dialogando
com a minha editora de eleição, Adriana Mayrinck, introduzida na conversa, olho
ao lado e vejo, o meu primo mais que querido, o José Alentado, e, aos poucos
surgiram as pessoas mais queridas que eu poderia ter comigo naquela sessão de autógrafos
dos meus mais recentes livros – “Os Sons do Silêncio” e “Grinalda de Emoções”. A
Maria Cabana, a minha filha preferida (só tenho uma) Carla Oliveira acompanhada
por dois colegas, sendo uma a Susana Cabral, filha de uma outra amiga de há
muitos anos Cristina Cabral; a tia dos meus netos Ermelinda Cabral e uma das
suas filhas, a Ana Clara, enfim, foi uma tarde replecta de amizade, entre
palavras, letras, beijos e abraços.
É
tão bom ser feliz!
Maria
Antonieta Oliveira
27-08-2022
Árvores
entrelaçam folhagem
Janela
com manjerico
Gaiola
com grilo
E
moinho de papel
Embalado
plo vento
Anoitece
no firmamento
E
a menina espera ansiosa
O
regresso dos pássaros
À
folha que os acolhe
Para
mais uma noite de sono
O
chilreio intensivo
É
música celestial
Aos
ouvidos da criança
E
eles chegam em catadupa
Atropelam-se
na ânsia de dormir
As
pernadas tornam-se pesadas
E
descaem
Adormecidos
repousam
Para
no amanhecer
Voltarem
a nova caminhada
Em
busca de alimento
E
de nova bicharada.
A
menina também adormece
E
sonha ser pássaro e voar!
Maria
Antonieta Oliveira
25-08-2022
Estagnei
naquela rua onde um dia passavas
A
paragem de autocarro desapareceu
Talvez
tenhas partido com ela
Para
onde, não sei, nem importa
Fechei
o meu mundo quando me fechaste a porta
Perdida
e sem teto cansei de viver
O
destino traiçoeiro ria-se de mim
-
Quando acabas? Quando tens o teu fim?
Sonâmbula
de sofrimento, gelada
Da
noite dormida ao relento
Pousei
meu coração no chão
Elevei
a voz numa canção de amor
E
encantada comigo, dancei contigo
Enamorada
da lua, fui tua
E
o autocarro passou
Noutra
rua, noutro lugar
O
sonho acordou na paragem
E
eu, estagnei no momento
Deixei
voar o pensamento
E
encontrei-te na passagem de mais outro dia.
Maria
Antonieta Oliveira
24-08-2022
Icei
a bandeira da paz
Branca
e alva
Como
o véu da noiva pura
De
sorriso sarcasmo
Olhar
de rufia
Chamaste
o vento suão
E
a minha bandeira
Ficou
perdida no chão
Derrotada,
mas não vencida
A
outra bandeira eu dei vida
Amarela
e luminosa
Qual
sol em dia de verão
Derrubaste-a
com um safanão
Juntei
a verde esperança
Com
a vermelha paixão
Olhaste-me
nos olhos bem fundo
E
num abraço profundo
Unidos
até ao fim do mundo
Içámos
a bandeira do amor.
Maria
Antonieta Oliveira
18-08-2022
Vivi
aqui. ali e além
Amei-te
a ti e a ti, também
Sonhei
sonhos felizes
E
outros, até, infelizes
Morri
e renasci sem vida
Amada
com amor
E
com amor, traída
Venci
e fui vencida
Mas,
Aqui
onde estou agora
Na
luz e na paz do Senhor
Espero
por um amanhã florido.
Maria
Antonieta Oliveira
18-08-2022