terça-feira, 29 de novembro de 2022

Vidas


 

 

 

Vidas

Corpos

Veias sangue

Desnudos

Unidos

Ventos

Separados

Rasgados

 

Vidas

Corpos

Suados

Usados

Amados

Sem amor

Esventrados

Abandonados

 

Vidas

Corpos

Sem corpo

Sem vida

 

Maria Antonieta Oliveira

29-11-2022

domingo, 27 de novembro de 2022

A Magia do Silêncio


 

 

 

Há palavras ocultas

Na magia de um silêncio

Momentos marcantes

Na vida de uma passageira

Neste trem que segue veloz

Ao encontro de um amanhecer

Lá, onde o sol nasce e a lua se esconde

Nesse silêncio mágico

Fica uma saudade eterna

De ti, a quem amo

De ti, ausente de mim.

 

Maria Antonieta Oliveira

27-11-2022

 

 

 

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Fogo Ardente


 

 

Numa fogueira sem lume

Queimei o que restava de nós

O fumo do fogo extinto

Queimava os nossos olhos

As lágrimas corriam pelas faces

A roupa cheirava a queimado

Abraçados num beijo

Despimos o desejo

Deitados num colo ardente

Ficámos nos amando e esperando

Até o fogo queimar o que restava de nós

 

Maria Antonieta Oliveira

15-11-2022

sábado, 29 de outubro de 2022

Ser ou Não Ser


 

 

Ser ou não ser escritor

Ser ou não ser poeta

Escrever

Poetar

Publicar livros

Ser reconhecido

Ser galardoado

E o ego a subir

E a mania a crescer

E a amizade a descer

Cada qual e cada um

Cada um e cada qual

Ninguém escreve igual

 

As palavras são as mesmas

Os trocadilhos são outros

E,

Os poemas nascem

 

Maria Antonieta Oliveira

28-10-2022

 

 

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Golfinhos


 

 

 

Tenho saudades dos golfinhos no Tejo

Eram companheiros de viagem

De uma a outra margem

A par do cacilheiro num dia soalheiro

Lado a lado nadando

Os passageiros deleitando

A Trafaria à vista

Ou então, era Cacilhas

Eles continuavam

Eu, por ali ficava

A praia da Caparica me aguardava

O tempo passou e os golfinhos levou

Também eu deixei a Caparica

 

Mas, ai que saudades

Desses companheiros de viagem

 

Maria Antonieta Oliveira

28-10-2022

 

Cama de Linho


 

 

Numa cama feita de linho

Lençóis de seda debruados

Bordados com finas linhas

Por mãos feitas de paz

Entrelaçados de amor e beijos

Solfejos de angustia perdida

Sonhos da vida esquecida

Coração destruído

Sangue pulsando fervilhando

O tempo passando

Os lençóis amarfanhados

Pelo bolor da humidade

Destruídos rasgados

No fim de um amor eternizado

 

Maria Antonieta Oliveira

28-10-2022

 

 

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Quero... Preciso... Vou


 

 

Voltou a solidão

Voltou o medo

 

Estou só como sempre estive

Tenho medo de tudo e de todos

Medo de cair, sim, medo de cair

Medo de falar, sim, eu tenho medo de falar

Medo de ser mal interpretada e originar discussão

Quero a paz que nunca tive

Quero a felicidade que nunca encontrei

Quero compreender a vida e vivê-la

Quero o que nunca tive, tendo tudo

Quero alguém que me ouça sem me incriminar

Alguém que me saiba aconselhar

Preciso de sentir a luz do caminho

E caminhar… caminhar… caminhar…

 

Maria Antonieta Oliveira

14-10-2022

 

 

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Egoísta


 

 

Egoísta

Sim, és egoísta

Tens de comer

Tens de beber

Tens de vestir

Tens de calçar

Tens um tecto que te abriga

Um cobertor que te agasalha

Tens carro que te transporta

Tens tudo o que precisas

Tens mais muito mais

E nada te satisfaz

 

Egoísta

Sim, és egoísta!

 

Maria Antonieta Oliveira

11-10-2022

 

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Castelo Altaneiro


 

 

Vejo o Castelo altaneiro

Numa Colina de Lisboa

Encontro-me nele, escondida

Num sonho que sonho contigo

Espreitas-me numa ameia colorida

Com esse teu olhar cativante

De coração enfeitiçado

Estendo meus braços para ti

Mas, a colina fica longe

E o castelo inacessível

Tudo não passa de um sonho

Onde nem eu nem tu estamos

Onde eu e tu sempre estaremos.

 

Maria Antonieta Oliveira

10-10-2022

 

 

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Não Tenho Culpa


 

 

 

Não tenho culpa de estar no teu caminho

Não te procurei quando me encontraste

Procurei-te antes quando me trocaste

A outra a quem deste o meu lugar

Não tem culpa de a teres enganado

Ocultando a existência de outro ser amado

Não tenho culpa de ainda te amar

E a tua voz querer ouvir

Não tenho culpa deste meu sentir

Não tenho culpa de ainda existir

Existo

Amando e sonhando

Vivendo e esperando

Até a culpa me deixar partir.

 

Maria Antonieta Oliveira

06-10-2022

 

 

sábado, 24 de setembro de 2022

Sentada na Cama


 Sentada na cama

De costas libertas

Sorvo o som dos canaviais

Embalados no vento

Que desliza nas águas revoltas

De um rio imaginário

Onde te banhas

E soltas os males da alma

Na imensidão dessas águas turvas

De tanta maldade e sujeira

Que a vida te trouxe

 

Acordas do embalo do sonho

Ficando liberta das trevas

Continuas

Sentada na cama.

 

Maria Antonieta Oliveira

24-09-2022

 

 

 

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Jornal Antigo


 

 

 

Enrolo-me nas palavras

De um jornal antigo

Sei que já estão gastas

Pelo tempo passado

Mas quero encontrar-te

Nesse jornal perdido

Usado na quentura de umas castanhas

No outono e inverno da vida

Rasgado, pisado, levado p’lo vento

Sem palavras para ler

Nem espaços para escrever.

 

Cansada, desisto

Mas não desisto de ti.

 

Maria Antonieta Oliveira

19-09-2022

domingo, 18 de setembro de 2022

Palavras Que Alimentam


 

 

Alimento-me de palavras

As que digo, e, as que ficam por dizer

As que escrevo com sentimento

E as que escrevo num lamento

Palavras saídas do coração

Num momento de emoção

Palavras soltas, sem sentido

Vazias, ocas, deprimentes

Felizes, tristes, momentos

Palavras que me saciam.

 

Assim vivo

Nestas palavras que me alimentam

A alma e o espírito.

 

Maria Antonieta Oliveira

18-09-2022

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Gritos de Guerra


 

 

 

Estou farta de ser ofendida

Maltratada e magoada

Injuriada e deprimida

Estou farta de ter sido parva

De pena em pena

Deixei voar o meu tempo

Esqueci-me de viver

De ser eu

De ser feliz

Sei que repito palavras

Sei que repito sentires

Mas só os repetindo me solto

Só os repetindo extravaso

São gritos de guerra

De uma guerra perdida.

 

Maria Antonieta Oliveira

16-09-2022

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Ausência


 

 

 

Caminho a teu lado

Nas palavras do passado

Junto a mim  nas sombras da lua

Existe a imagem sempre tua

Passeamos de mão na mão

Arrancamos as pedras do chão

Na passada em corrida

A vida, a vida foge-nos

A pressa aumenta

A ausência faz-me sofrer

Neste caminhar sem te ter.

 

Maria Antonieta Oliveira

15-09-2022

 

sábado, 10 de setembro de 2022

Amas-te


 

 

Plateias de golfinhos

Aplaudem de pé

Sorrisos sarcásticos invadem a sala

Também tu, sorris e aplaudes

Porque tu, estás lá

 

A vida sorri-te

No sorriso que encontraste

Quando descobriste o amor

Sim, tu amas-te

Amando-te, és feliz.

 

Maria Antonieta Oliveira

07-09-2022

Soltam-se os Beijos


 

 

 

Soltam-se os beijos

Nas ondas do mar

Recuo e avanço

Quero-te

Queres-me

O céu abriga o nosso amor

A areia protege nossos desejos

O sol aquece nossos corpos

Já quentes e arfantes

Fundimo-nos num só ser

Amamo-nos sem sofrer

Somos amantes.

 

Maria Antonieta Oliveira

07-09-2022

domingo, 4 de setembro de 2022

Solidão


 

 

 

A minha solidão

É provocada pelo teu silêncio

Estou sem ti

Mas não estou só

Apenas fugiste

Eu fiquei esperando

Partiste ao anoitecer

Sem dormir

Esperei o amanhecer

Sem regresso

Adormeci, sem ti.

 

Maria Antonieta Oliveira

04-09-2022

Unos


 

 

 

Molha-me a boca

Com teus lábios vermelhos

Deixa rolar as lágrimas

Esse sal que recebo

Nesse teu doce beijo

Aperta o meu corpo

Nesse abraço revestido

De carinho e emoção

Entrega-te

Somos unos

Em amizade e poesia.

 

Maria Antonieta Oliveira

04-09-2022

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Imaginação


 

Réplica a um poema de João Santamaria

 

 

Uma bola imaginária

Um mundo a rolar

A ignorância a aumentar

A fome e a guerra a alastrar

Egos crescem sem sintonia

Vaidades sem sabedoria.

 

Maria Antonieta Oliveira

02-09-2022

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Reflexos


 

 

 

Reflexos que dão vida

A um olhar perdido

Reflexos do sol no mar

E do céu na terra

Reflexos da tua sombra

Quando passas em intervalos

Da lua intercalada p’la nuvem

Reflexos de nós dois

Quando pisávamos a poça d’água

Chuva caída na calçada

Pisada e repisada p’la vida

Reflexos de gentes vadias

Em dias de angústia

 

Reflexos de um olhar feliz

Na inocência de um petiz!

 

Maria Antonieta Oliveira

31-08-2022

Fim


 

 

 

Mais um mês a terminar

Mais um dia a acabar

Menos um dia para viver.

 

O tempo voa rápido

Qual vento Suão

A saúde se desgasta

A solidão é nefasta

O amor insiste e resiste

E o fim se aproxima

 

Um dia a mais no calendário

Um dia a menos no meu diário.

 

Maria Antonieta Oliveira

31-08-2022

 

sábado, 27 de agosto de 2022

É Tão Bom Ser Feliz


  PROSA

É tão bom ser feliz!

Pequenas coisas tornam-se enormes quando feitas com amor e, quando as recebemos também com amor. Um simples gesto e muda o momento!

Dia 26 de Agosto de 2022 ficará para sempre na minha memória pelos bons momentos que passei na 92ª Feira do Livro de Lisboa. Ao chegar, acompanhada pelo marido e pelos meus netos, os melhores e mais bonitos do mundo, tive a agradável surpresa de ver o meu fotógrafo preferido, Vítor Costeira, estava dialogando com a minha editora de eleição, Adriana Mayrinck, introduzida na conversa, olho ao lado e vejo, o meu primo mais que querido, o José Alentado, e, aos poucos surgiram as pessoas mais queridas que eu poderia ter comigo naquela sessão de autógrafos dos meus mais recentes livros – “Os Sons do Silêncio” e “Grinalda de Emoções”. A Maria Cabana, a minha filha preferida (só tenho uma) Carla Oliveira acompanhada por dois colegas, sendo uma a Susana Cabral, filha de uma outra amiga de há muitos anos Cristina Cabral; a tia dos meus netos Ermelinda Cabral e uma das suas filhas, a Ana Clara, enfim, foi uma tarde replecta de amizade, entre palavras, letras, beijos e abraços.

É tão bom ser feliz!

 

Maria Antonieta Oliveira

27-08-2022

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Ser Pássaro

 

 

Árvores entrelaçam folhagem

Janela com manjerico

Gaiola com grilo

E moinho de papel

Embalado plo vento

Anoitece no firmamento

E a menina espera ansiosa

O regresso dos pássaros

À folha que os acolhe

Para mais uma noite de sono

O chilreio intensivo

É música celestial

Aos ouvidos da criança

E eles chegam em catadupa

Atropelam-se na ânsia de dormir

As pernadas tornam-se pesadas

E descaem

Adormecidos repousam

Para no amanhecer

Voltarem a nova caminhada

Em busca de alimento

E de nova bicharada.

 

A menina também adormece

E sonha ser pássaro e voar!

 

Maria Antonieta Oliveira

25-08-2022



 

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Inerte


 

 

 

Estagnei naquela rua onde um dia passavas

A paragem de autocarro desapareceu

Talvez tenhas partido com ela

Para onde, não sei, nem importa

Fechei o meu mundo quando me fechaste a porta

Perdida e sem teto cansei de viver

O destino traiçoeiro ria-se de mim

- Quando acabas? Quando tens o teu fim?

Sonâmbula de sofrimento, gelada

Da noite dormida ao relento

Pousei meu coração no chão

Elevei a voz numa canção de amor

E encantada comigo, dancei contigo

Enamorada da lua, fui tua

E o autocarro passou

Noutra rua, noutro lugar

O sonho acordou na paragem

E eu, estagnei no momento

Deixei voar o pensamento

E encontrei-te na passagem de mais outro dia.

 

Maria Antonieta Oliveira

24-08-2022

 

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Bandeira da Paz


 

 

Icei a bandeira da paz

Branca e alva

Como o véu da noiva pura

De sorriso sarcasmo

Olhar de rufia

Chamaste o vento suão

E a minha bandeira

Ficou perdida no chão

Derrotada, mas não vencida

A outra bandeira eu dei vida

Amarela e luminosa

Qual sol em dia de verão

Derrubaste-a com um safanão

Juntei a verde esperança

Com a vermelha paixão

Olhaste-me nos olhos bem fundo

E num abraço profundo

Unidos até ao fim do mundo

Içámos a bandeira do amor.

 

Maria Antonieta Oliveira

18-08-2022

Esperança


 

 

 

Vivi aqui. ali e além

Amei-te a ti e a ti, também

Sonhei sonhos felizes

E outros, até, infelizes

Morri e renasci sem vida

Amada com amor

E com amor, traída

Venci e fui vencida

Mas,

Aqui onde estou agora

Na luz e na paz do Senhor

Espero por um amanhã florido.

 

Maria Antonieta Oliveira

18-08-2022