sábado, 18 de janeiro de 2020

Carta Registada


Enviei muitas letras por carta registada
Desordenadas, sem sentido
A pontuação ficou no tinteiro
Palavras, nenhuma
Sem remetente nem destinatário
Ficou perdida na pasta do carteiro
Caída na estrada, molhada
De poça em poça, o vento a levou
As letras soltaram-se uma a uma
Mesmo molhadas expandiram-se
Formaram palavras e frases
Lindas, sedutoras e soltas
Saíram flores, rios, mares, sol e lua
Amores, desamores, alegrias e tristezas
Montes, serras e vales
Ontem, hoje e amanhã
Vidas vividas, por viver e vidas desavindas
Humanos e desumanos

E, depois de todas usadas
Já bem desembaralhadas
Com toda a lógica e ordenadas
Alguém as apanhou e leu
A carta registada, por mim enviada
Renovada com palavras e pontuação
Já fazia sentido o que nela tinha escrito
Sem tinta, sem letras nem pontuação
Tu, conseguiste ler o que ditou o coração
Neste simples poema, digo apenas
A saudade é eterna do ontem que foi nosso
O hoje, será sempre o amanhã
Em que o amor triunfará.

Maria Antonieta Oliveira
18-01-2020






quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Sabes Que te Amo


Não queria adormecer
Sem te dizer que te amo
Eu sei que sabes
Já to disse milhões de vezes
Há anos que te amo
Muitos, muitos anos
Desde o dia em que te vi
Que te amo
Foi ontem, não foi amor?
Ontem, um ontem já tão longe
Mas foi, foi ontem que nos olhámos
Foi ontem que nos beijámos
Foi ontem que…
Foi ontem, tanta coisa, amor
Mas sabes, amor
Hoje ainda te amo
E
Não quero adormecer
Sem te dizer que te amo.

Maria Antonieta Oliveira
15-01-2020

Parti a Lâmpada


Parti a lâmpada de propósito
Não queria que me visses chorar
Sabes, nem sempre as lágrimas são tristes
Nem sempre têm o sal por sabor
Também não sabem a mel
Quantas lágrimas são felicidade
Alegria e tantas outras, são saudade

Mas, eu não queria que visses os meus olhos
Inchados, vermelhos, tristes, medonhos
Queria que os visses como os viste em sonhos
Esverdeados, alegres e sorrindo de felicidade
Queria que os sentisses de novo teus
Que os beijasses ao som daquela dança
Que um dia foi nossa, só nossa
Na alcova sonhada do amor.

Esses olhos já não existem
Os anos e o tempo sofrido levaram-nos
Hoje, esses olhos bonitos que te atraíram
Estão velhos e cansados
Choram e riem em uníssono
E eu, não quero que os vejas assim
Quero que sempre te lembres de mim
Esbelta, linda e airosa
De olhos verdes, grandes e pestanudos

Aquela lâmpada estava a mais
Parti-a de propósito.

Maria Antonieta Oliveira
15-01-2020

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Passeio Descalça


Passeio na rua descalça
E fria de mente quente
Ausente de mim
Fugida do vento
Perdida no tempo
Fustigada pela maré
Perdida na calçada
Num torpedo
De vela içada
Amanhã será dia
Em que a noite adormecia
E eu
Sangrando de medo
Caminho
Neste inverno gelado e frio
Sem roupa, sem fogo
Sem calor que me aqueça
Ou carinho que me afague
Passeio sem destino
Por entre nuvens de espuma
Vou
E venho
Adormeço
E
Finalmente acordo.

Maria Antonieta Oliveira
07-01-2020

domingo, 5 de janeiro de 2020

Caminho


Sinuoso o caminho
Esse caminho que se me depara
Curvas, mais curvas, contracurvas
As retas são poucas
As paragens, nenhumas
O cansaço é muito
Quero um cenário diferente
Um alpendre onde ficar
Um jardim onde respirar
As curvas insistem em continuar
De rastos e faminta
Preciso de um abrigo onde pernoitar
Onde descansar e pensar
Será este o caminho a seguir?
Será este o meu caminho?

Não!
A estrada é outra.
Sem percalços nem curvas
Com jardins floridos onde o ar é perfumado
E as borboletas esvoaçam dando cor ao lugar
Com janelas abertas com o sol a entrar
Aí é o meu abrigo
Aí vou ficar só contigo e o mar.

Maria Antonieta Oliveira
05-01-2020

Eras Menino


Cantei-te baixinho
Um cântico antigo
Olhavas-me sorrindo
E eu encantada, cantava
“dorme, dorme, meu menino”
Sorrindo, olhavas-me
Mas dormir não era contigo
Peguei em ti com meiguice
Um beijo te dei e outro, e mais
Tanto te beijei repenicando os beijos
Que tu sorrindo, adormeceste

Eras menino.

Como eu queria voltar a ter-te
Nem que fosse um segundo apenas
No meu colo de novo
Beijar-te repenicando os beijos
E tu sorrindo para mim
Agora, bem tento com alento
Mas como “chata” que sou
E muitos beijos te dou
Eu sei, sei que sou
Uma beijoqueira sem cura
Porque gosto de ti.

Maria Antonieta Oliveira
05-01-2020

Bago de Uva


Saboreei o último bago
Das uvas que plantaste
No jardim da minha vida
Amargo e frio
Outrora doce como mel
Das grainhas fiz um colar
Para enfeitar o meu colo
Ardente de desejo
De olhos semicerrados
Passeei a língua
Na pele sedosa
Iludindo-me
Do sabor amargo e frio
Imaginei o teu esperma quente
Escorrendo pelo meu corpo
Não queria magoar-te
Queria apenas sentir-te
Mas não estavas comigo
O bago de uva era somente
Um bago de uva
O último das nossas videiras
Aquele que fora nosso campo
Onde os sonhos proliferaram
E agora, não passava de pasto seco
Sem sonhos, nem videiras.

Onde os bagos de uva findaram.

Maria Antonieta Oliveira
05-01-2020


Acabei a Tarde


Acabei a tarde
Fechei a porta ao dia
Sem deixar que o frio entrasse
Lá fora, a chuva intensa continua a sua marcha
Derramando lágrimas vadias
Saudosas de muitos dias
O mar envolto em neblina
Enche as margens da praia vazia
Arrasa sonhos esquecidos nas marés
Da areia soltam-se imagens
Amantes namorando livres
Crianças fazendo castelos belos
Adultos, idosos, todos olhando
O sol brilhando num céu azul
Mas,
A chuva arrasa o areal
Galga os muros voláteis, soltos
Lágrimas de sonhos derramados
Em campos alheios marcados

Lá fora, a chuva continua
E eu,
Fechei a porta ao dia.

Maria Antonieta Oliveira
05-01-2020

Muro Malvado


Queria saltar esse muro
Onde me lanço e deito
Onde me confesso
Choro e grito
O aperto deste meu peito
Magoado e sofredor
Mas, a altura é muita
E eu sou pequena
Na grandeza do meu ser
Talvez se eu fosse
Mais forte e guerreira
Talvez se eu tivesse
Coragem e voz
Talvez, sim, talvez.

Ah muro malvado
Deixa-me transpor-te
Saltar e viver o outro lado
O lado onde reside o amor
A paz e harmonia
Que eu quero e preciso
Para viver o meu dia
Tão poucos já terei
E a felicidade faz-me falta
Para sorrir ao amanhecer
Num beijo dourado
Trazido no bico do sol
Que entra de mansinho
No canto onde me aninho.

Maria Antonieta Oliveira
05-01-2020



terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Papel e Caneta


Uma caneta, um papel
Um raio de luz
Uma folha do caderno
Em confidente se torna
Nela deixo tudo e nada
Segredos disfarçados
Outros, mal contados
Versos, estrofes, palavras
Poemas, poesias, prosas
Desabafos, sonhos e raivas

A brancura fica manchada
Arabescos indefinidos
Indecifráveis conclusões
Só eu e tu os sabemos
Só eu e tu os descobrimos
E
O papel, a caneta, o caderno
Guardam para sempre
As palavras soltas de mim
Só minhas, só nossas.

Maria Antonieta Oliveira
31-12-2019

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

2019


Que dizer de ti, 2019?
Graças à amizade realizei sonhos
Escrevi e escreveram
Li, corrigi e fiz acontecer
Ri, chorei, sofri
Magoaram-me
Talvez tenha magoado
Convidei
Convidaram-me
Entrei e saí
Amei e fui amada
Acordei e adormeci
Pensando em ti
Sonhos esfarrapados
Caminhos extraviados
Errei
Erraram
Sofri por ti e por ti também
Revoltei-me
Pedi perdão
Perdoei e perdoaram-me
Salvei sem salvar
Ajudei sem ajudar
Ajudaram-me
Perdi-te, partiste
E
Passaste.

Maria Antonieta Oliveira
30-12-2019


sábado, 28 de dezembro de 2019

Fujo




Fujo
Fujo devagar sem pressa
Não quero afugentar as gaivotas
Nem sequer quero pisar as ervas crescentes
Ou as algas pelo mar trazidas
Quero chegar antes do sol pôr
Quero ter a luz da paz no caminho
O escuro, é triste
É solidão
Ao chegar, quero abraçar a vida
Aquela que ficou para trás, já foi
Quero esta de agora com amor
Com luz e paz

Mas,
Eu fujo
Fujo do ontem sofrido
Para renascer no amanhã
Onde imperará a harmonia
E reinará a felicidade.

Maria Antonieta Oliveira
28-12-2019


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Ondas


Verde, branco, castanho
Castanho, branco, verde
Verde, branco, castanho
Castanho, branco, verde
Vai e volta inconstante
Mais uma…
Lá vem ela
Verde, branca, encaracolada
Enche, esvazia
E o meu olhar se delicia
Calma e tranquila
Ou, astuta e matreira
Borbulhas na espuma
Que te pica o sal

Castanho, branco
Branco, castanho
O verde, perde-se além
Fica lá longe, não vem
E eu na areia perdida
Anseio a tua chegada
Há muito esquecida.

Maria Antonieta Oliveira
26-12-2019

Ruas Salgadas


Passeio nas ruas salgadas
Pelo sal da vida
Subo e desço arribas
Pedras trazidas nas marés cheias
Soltas, caídas, erguidas
Espelhadas nas calmas areias
A brancura alva da espuma trazida
Fica retida qual renda de lençol de noiva
Num enxoval esquecido.

Perco-me na imagem
Ficará para sempre retida na mente
Onde te guardo
E me guardo
E
Sou feliz.

Maria Antonieta Oliveira
26-12-2019


Branca Espuma



Branca a espuma do cetim que nos envolve
Ondulas o teu corpo no meu
Sinto-te na sofreguidão de um abraço
Neste mar que me leva e abraça
E me devolve ao sonho de te ter
Lá, onde o mar acaba e o céu começa
Onde os castelos são ilhas
E as ilhas são paraísos
Onde as algas fazem os ninhos
E as gaivotas passeiam as crias
Lá, nesse horizonte longínquo
Talvez me encontre
E seja feliz.

Maria Antonieta Oliveira
26-12-2019

sábado, 21 de dezembro de 2019

Deambulei



Deambula, deambula
A folha do pensamento
Deambula fraca ou forte
Como deambula o vento

O vento que sopra e leva
As folhas caídas pelo chão
Leva-me também contigo
Ao encontro da paixão

Leva-me para que não fique só
Apaga em mim a tristeza
Pode ser que no caminho
Encontre alegria e nobreza.

Ao meu redor nada vejo
A solidão é minha companheira
Leva-me vento para longe
Na minha viagem derradeira.

Deambulando, deambulei
Caminhando, caminhei
Em sonhos, sonhados, cresci
No vento levada, vivi.

Maria Antonieta Oliveira
21-12-2019




sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O Nosso Primeiro Natal




Já não sei quando foi o nosso primeiro Natal
Talvez, no século passado
Tão passado que já me esqueci
Trocámos prendas?
Já não sei
Talvez tenhamos trocado juras de amor
Sonhos com futuro
Ou futuro sem sonhos
Tantos natais já passaram
Tantos sonhos que ficaram
Nos anos que passaram

Natais tristes foram muitos
Felizes, se calhar muitos também
Foram tantos, tantos natais
Muitos dias, muitos anos
Desgostos e desenganos
Tristezas e alegrias
Família e solidão
Natais sem comunhão
Consumismo, inquietação
E os natais foram passando

Décadas e décadas de natais
Sonhos e sonhos sem natais.

Maria Antonieta Oliveira
20-12-2019

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Tentei Fechar o Céu



Tentei fechar o céu
Pedir à nuvem negra e feia
Que me livrasse da dor
Não te quero perder, meu amor
Sei que sofres, sei que sentes
Sei que amas e não desistes
Sei que… já não sei

Tentei fechar o céu
Impedir que a chuva molhe
O coração de quem fica
Sofrido e angustiado
O coração de quem te ama

Tentei fechar o céu
Para que ninguém te leve
Pois, quando partires
É no céu que ficarás
Será lá o teu lugar.

Tentei fechar o céu
Mas, o céu não é meu
O céu, não me obedeceu.

Maria Antonieta Oliveira
19-12-2019

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Copo de Cristal


Parti o copo de cristal
Dos estilhaços fiz quimeras
Já no chão, de cócoras
Tentei apanhá-los, um a um
Meus dedos trilhei
Ensanguentei
E não consegui
Os pequenos estilhaços
De um fino cristal
Jamais os prendi
No meu tentar
Apenas consegui
O coração magoar

Aquele que foi
Um belo ornamento
Do louceiro antigo
Não passa agora
De vidro partido.

Tal como eu, agora
Já não sou, como outrora.

Maria Antonieta Oliveira
16-12-2019

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Outono da Vida

(Foto de um desafio do HP)

Calcando as folhas de um tempo vivido
Carrega no peito, saudades e sonhos
As lágrimas secas da fonte brilhante
Caem rolando pelas rugas da face crispada
Um verde ausente nas folhas caídas
De um outono percorrido
De risos e choros, degraus escalados

Um olhar perdido
Um homem esquecido
Um banco calado
Um sonho sentado

A vida fugindo, levada
Na água da fonte, regada
O vento soprando, salpicando
O coração batendo, suspirando
E a vida passando.

Maria Antonieta Oliveira
13-12-2019


terça-feira, 26 de novembro de 2019

Cheguei Tarde


Cheguei tarde
Chego sempre tarde
Mas, nunca me atraso na hora da chegada
Se é às três, eu chego às duas
Mas, chego sempre tarde
Tarde demais
Hoje deveria ter sido ontem
E assim chegaria a tempo
Não foi
E eu cheguei tarde

Quando começo, já acabou
Quando entro, a sala esvaziou
Quando chego, já é tarde.
Chego sempre tarde.

Maria Antonieta Oliveira
25-11-2019

sábado, 23 de novembro de 2019

Como?


Dizem-me para sorrir
Para seguir sem olhar
Para ser feliz sem pensar
Dizem-me
Mas não me dizem como
Como sorrir
Como seguir
Como não olhar
Como ser feliz
Como não pensar
Como?
Como esquecer
Se hoje e ontem
Ontem e hoje
Foram iguais?

Não!
Não consigo!

Maria Antonieta Oliveira
23-11-2019

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Espinhos Que Matam


Colhi a mais linda rosa do meu jardim
Cuidei-a com amor e carinho
Reguei-a, tratei-a a cada dia que passava
Vi-a crescer, embelezar-se
Tornar-se enorme
Aos poucos, os espinhos também cresceram
Aos poucos, fui sentindo a picada
Sem beleza, sem pureza, com maldade
E a rosa mais linda do meu jardim
Crescida, airosa, embelezada
Deixou-me perdida e sem nada
Ali plantada
Continua regada com amor e afeição
Ali plantada
Esquecida que a vida sem carinho
Não tem razão de ser
Para a rosa
A mais linda do meu jardim
Morri,
Sem querer saber de mim.

Maria Antonieta Oliveira
11-11-2019

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Rio Mira


Nas águas cálidas do Mira
Vagueio o pensamento
A areia solta pelo vento
Acompanha o balouçar
Do barco onde navego
Rio abaixo…
Rio acima…

O castelo altaneiro convida-me
Fico, ou parto?
Ao longe o farol alumia
O remoinho do vento na praia
Levanta suspeitas
Toalhas espalhadas
Roupas distraídas
De banhistas altruístas
Num reboliço
Qual feitiço de feiticeira

Amainou o temporal
Rio abaixo…
Rio acima…
Vagueio o pensamento.

Maria Antonieta Oliveira
06-11-2019

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Onde Mora a Felicidade


Sei que a felicidade está ali
Ali mesmo ao virar da esquina
Eu sei, sei que está naquele lugar
Na casa onde morei
Ou na esquina onde te encontrei
Sei, sei aonde a encontrar
Tirando o gelo do caminho
As ervas daninhas
que ornamentam a calçada
Desviando o alcatrão derretido da estrada
E as bermas poluídas de inveja
A maldade disfarçada
E as beatas espalhadas pelo chão

Sei, sim eu sei
Que está mesmo ali
Onde mora a amizade
O amor e a bondade
Aí, mora também a felicidade.

Maria Antonieta Oliveira
04-11-2019

Quanta Mágoa

(Ao olhar uma foto de Alice Vieira)
No lançamento do meu mais recente livro "Os Sons do silêncio"

Quanta mágoa existe por detrás de um sorriso
Quantas lágrimas disfarçadas
Quantas bocas caladas
E olhares por transmitir

Ah…. Quanta mágoa!

Desilusões e rasteiras da vida
Mágoas sem tempo
Vidas desfeitas, por fazer
Silêncios por calar

Tanta mágoa
Em sorrisos escondidos.

Maria Antonieta Oliveira
04-11-2019

domingo, 3 de novembro de 2019

Chuva Caindo


A chuva continua a cair
Nos lençóis molhados
Da cama desfeita
Onde cruzámos amores
Derramamos sorrisos
Trocámos orgasmos
Fomos um só ser.

Lá fora, esperas por mim
Na alameda fronteira à praia
Onde a chuva calca a areia
Apagando os nossos passos
O rasto que deixámos
Nos encontros que tivemos
E nos beijos que não demos.

Os lençóis da nossa noite de amor
Estão guardados no sótão do meu ser
Molhados, suados, amados
Tal como nós nos amámos
E suámos nos orgasmos repetidos
Nos abraços envolventes
Quando eramos inocentes.

A chuva continua caindo.

Maria Antonieta Oliveira
03-11-2019



Aquele Chá


Abri a janela, naquele dia cinzento
O vento esvoaçava nas folhas caídas
Pétalas de rosas adormecidas
Era um dia triste de outono
O sol esgueirava-se na nuvem
O tempo esfriou na madrugada

O chá fervente, arrefeceu
No escaldar da chávena partida
Adocicado com o sal da vida
Derramado na terra batida
Sem odor ou sabor
Sofregamente absorvido por mim

Naquele dia
Naquela janela
Aquele chá
Morreu
Na solidão
De mim.

Maria Antonieta Oliveira
03-11-2019

Amar


Carrego em mim o peso dos livros
Onde li e aprendi o que é o amor
Mas, não senti essa aprendizagem
Porque o amor não se aprende
O amor sente-se dentro de nós
No coração, no peito, até num simples olhar
O amor nasce em mim, em ti, em nós
Em cada um de nós habitará
Nasce quando nascemos
Mas não morre quando morremos
O amor, esse amor será eterno
De nós ficará
De nós partirá

Ai que peso carrego
E não sei o que é amar.

Maria Antonieta Oliveira
03-11-2019

sábado, 2 de novembro de 2019

Nas Asas de Um Anjo


Nas asas de um anjo, encontrei o caminho
Amplo, entre veredas bairristas
Escadarias empedradas
Janelas envidraçadas
E paredes engalanadas
A luz brilhante, no brilho do sol
Iluminava o espaço dos passos a dar
À noite, a lua cheia brilhava
Entrando de mansinho nas trevas do caminho
Até o céu se deixou estrelar
Para naquela noite poder brilhar
Pousando, voando
Caindo, levantado
Vou caminhando
No caminho encontrado
Quando nas asas de um anjo voava.

Maria Antonieta Oliveira
02-11-2019