quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Um Só




A alça descaiu
O decote ficou vazio
A pele rosada fez-se ver
Senti o teu olhar penetrar-me
Lisonjeada temperei o momento
Lambi o lábio superior, de seguida o inferior
Massajei o colo viçoso
Desci até sentir a perna aveludada
E tu, olhavas-me babando
Levantaste-te
Receei a tua aproximação
Mas, ao sentir a tua mão sedosa
Passeando pela minha pele sedenta
Deixei-me levar pela emoção
Há quanto tempo, tanto
Embrenhados na escuridão
E no silêncio do quarto só nosso
Unimos os corpos, num só
Entre orgasmos partilhados
Sentimos o prazer infindo
De sermos, tu e eu
Um só amor.

Maria Antonieta Oliveira
26-02-2020

Parabéns Meu Amor


Apetece-me gritar ao mundo
Que sou tua avó
Apetece-me dar-te um abraço
E dizer que te amo
Que tenho orgulho no menino que és
Apetece-me, porque sim
Porque és um ser especial
Um menino-homem, pré-adolescente
Que sabe o que quer e como quer
Apetece-me, amor
Apetece-me gritar bem alto
Para que todos saibam
Que sou tua avó
E tu,
És o meu neto amado
O meu Rafael.

Maria Antonieta Oliveira
26-02-2020

Navio da Paz


Desliguei o telefone
As luzes apagaram-se
Recolhi-me ao recanto do sofá
Sofá encantado que me levou
Levou num sonho jamais imaginado:

Partimos num navio adornado de paz
À procura do mundo
Demos as mãos às crianças sofridas
Sarámos-lhes as feridas
Abraçámos idosos esquecidos
Cuidámos doentes em fim de tempo
Plantámos e semeámos aromas de vida
Dançámos a dança da felicidade
Convencidos que era esta a realidade

O sofá trepidou
O meu sonho acordou
Fiquei triste
Afinal,
O navio da paz não existe.

Maria Antonieta Oliveira
23-02-2020

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Máscaras



Mascarei-me de princesa
Queria um dia ser rainha
Depois,
Mascarei-me de varina
Queria vender para não ter que o comer
Então,
Mascarei-me de patrão
Queria ser dona de um palácio
E ter muitos empregados
Todos eles mascarados
De reis ou de rainhas
De pescadores ou varinas.

Usei todas as máscaras
Das mais simples às poderosas
Senti-me enganada
Por tanta máscara usada
E nenhuma me fazer feliz
Afinal,
Apenas com a minha pele
Sem máscara sou mais fiel
A mim mesma, à minha pessoa.

Maria Antonieta Oliveira
21-02-2020


Foi Deus


Cruzo-me contigo nos degraus
E espaços por onde caminhamos
Cruzo-me contigo
Nas esquinas das ruas
Que calcamos todos os dias
Cruzo-me contigo
Nos cafés e bares
Que um dia partilhámos
Cruzo-me contigo
Nos parques e nas flores
Que outrora colhemos
Cruzo-me contigo
Desde o tempo em que nascemos
Pois foi nesse tempo
Que Deus nos pôs de frente
Para que um dia
Me cruzasse contigo.

Maria Antonieta Oliveira
21-02-2020

Parabéns Avô Vitó


Já são muitos os anos
Algumas décadas de vida
Alegrias, tristezas
Enganos e desenganos
Amores e desamores
Dores passadas, sofridas
Mas sempre comigo
Tu, menina do laço
Amor eterno da minha vida.

Nossa filha amor de nosso amor
Nossos netos amores de nosso amor
E os anos foram passando
Eu e tu, cansados fomos ficando
Arrelias e desavenças
Tudo foi superado
E assim vamos seguindo.
Já são muitos os anos
Algumas décadas de vida

Maria Antonieta Oliveira
21-02-2020


terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O Xaile


De xaile dobrado
E chinelo calçado
Saí pela rua
O sol queimava
O piso escorregava
Com cautela continuei
Desci a escada
O chinelo cantava
Na pedra do degrau
Era a tua voz que ecoava
Era o teu fado que o chinelo cantava
E eu escutava
Encantada parei
E a tua voz também parou
Deixei de ouvir o fado cantado
Nem voz nem fado
O chinelo calado
E o xaile dobrado
Era um sonho mal acordado.

Maria Antonieta Oliveira
18-02-2020

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Encontrei o Amor



Solto beijos ao vento
Solto abraços às nuvens
E sorrisos ao sol
Tento acariciar a lua
E voar com os pássaros
Mas, o vento, não quer os meus beijos
Nem as nuvens, os meus abraços
O sol até se escondeu
E a lua desapareceu
Nem os pássaros me ligaram
E voar sem asas não consigo

O vento voltou
Trouxe os meus beijos
No bico da pomba
O sol brilhou sorridente
E a lua soltou-se das nuvens
Iluminando o meu coração
Já não preciso de asas
Num voo rasteiro
Encontrei o amor.

Maria Antonieta Oliveira

17-02-2020

Perco-me Contigo


Nas curvas do teu corpo perco o tino
E sem destino,
Percorro cada ressalto
Cada lomba, cada pedra
Que encontro
Desatinada, louca e madura
Entrego às mãos o prazer
De te sentir, de te ter em mim

Perdida e apaixonada
Guardo o teu cheiro
Naquela caixa rosada
Que um dia me ofertaste
Quando te dei o meu corpo
Ofegante, solto gemidos
De desejos proibidos
E, perco-me contigo.

Maria Antonieta Oliveira
17-02-2020


Antes de Morrer



Antes de morrer
Quero que saibas que te amo
Antes de morrer
Quero pedir perdão,
A todos os que mal tratei
A quem ofendi ou desrespeitei
Também a quem amei sem amar
E a quem não amei amando

Antes de morrer
Quero que saibas que fui feliz
Nos momentos contigo
Na amizade verdadeira
Nas ondas e na areia da praia
Nas estradas e caminhos percorridos
Também fui feliz nos abraços
E nos beijos trocados

Antes de morrer
Quero ser feliz e viver!

Maria Antonieta Oliveira
17-02-2020


Pus de Parte o Tempo


Pus de parte o tempo
Aquele em que tu não estás
Fiquei sem tempo para mim
Porque o tempo partiu atrás de ti
E eu, fiquei parada, aqui no meu canto
Sem tempo para viver
Viver sem ti, não é viver
Habituaste-me a estares comigo
Nem que seja em pensamento
Mas o tempo, esse que foi um tempo
Já não é, nem teu, nem meu
O tempo seguiu
O tempo não parou
Cansada e sem tempo
Pus de parte o tempo.

Maria Antonieta Oliveira
17-02-2020

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Quando Eu Nasci


Tenho marcada na palma da mão
A história do dia em que nasci
Era uma noite em final de primavera
Quente, fria, dorida, sofrida
E bebida na venda da vila
A mãe esperava a aparadeira
A avó pedia para chamarem o pai
E eu, teimosa logo à nascença
Empurrava a barriga da mãe
Que gritava sofrendo
Ao mesmo tempo, desejando ver
Será menina? Será menino?
O pai chegou, a aparadeira também
A água já quente e as toalhas brancas esperavam
Força e gritos, gritos e força
E eu, saí chorando
- Olha, é uma menina e tem muito cabelo
A mãe e o pai sorriram de felicidade
A avó Rosa, sorrio de alegria
A avó Maria, essa, pulou de contente
Finalmente era avó e de uma menina
Todos felizes e sorridentes
Apenas eu, chorava.

Maria Antonieta Oliveira
08-02-2020

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Bolso Usado

Guardo o teu beijo
No bolso do lado esquerdo
Daquele casaco já gasto
O bolso usado e roto
Deixou escapar o sabor
Eternizado na minha boca
Saboreio-o sempre que
A língua circunda os meus lábios
Sinto-o presente como se
Também tu o estivesses
Doce e meigo
Terno e quente
Mas,
O bolso usado e roto
Deixou escapar o sabor
Do nosso beijo de amor.

No lado esquerdo ficou
Um coração a sofrer.

Maria Antonieta Oliveira
06-02-2020

Palhaço da Vida

(foto de um desafio do Horizontes da Poesia)



Olhar risonho
Vidrado pelas lágrimas retidas
Sorriso feliz
Escondendo o sentimento
Boca de menino
Esboçando um beijo não dado
Balões e cores
Arco-íris perdido num sentir sofrido
Mãos que afagam
Meninos e crescidos sorrindo
Corações e almas
Unidos em prazenteiros momentos
Tudo nos dás
Homem vestido de palhaço da vida.

Maria Antonieta Oliveira
06-02-2020

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Jardim Imaginário


Plantei flores
Num jardim imaginário
Ofuscado pela luz da lua
Apenas entrava eu e o sol

O sol, adormecia cedo
E eu, fugia com medo
As flores cresciam desfolhadas
Sem brilho nem cor
Faltava-lhes água e amor

Não as cuidei e elas despiram-se
De tudo o que era belo
No meu jardim apenas ficou
A sombra do sol na lua ausente.

Maria Antonieta Oliveira
05-02-2020

Ser Adolescente


Cantei primavera
Quando o outono chegou

Adolescente!
Fui adolescente?
Já não me lembro, foi há tanto tempo
Não, se não me lembro, é porque não fui.
E
O que é ser adolescente?
Bailar ao som do poeta
E cantar na orvalhada do dia?
Sair ao luar da noite
E no bar beber sangria?
Fumar até cair
E da droga não sair?
Então, não fui adolescente!
Ou será
Sonhar, namorar e divagar?
Se ser adolescente é isso,
Eu fui adolescente!

Cantei primavera
Quando o outono chegou.

Maria Antonieta Oliveira
05-02-2020

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Baú Encantado







Fui ao baú
Onde as estrelas fazem caminhos
E os ninhos guardam lembranças
De tempos e vidas passadas
Nos postais e cartas seladas
Encontrei amores embargados de saudade
Outros, suados de tanto amar
Suados do suor dos campos e das searas
Algumas cartas já rasgadas
Segredavam em surdina
Para que ninguém soubesse o que continham
Talvez, guardassem tabus
Virgens mal sucedidas
Ou casadas que foram traídas
Só elas o sabiam

Nos caminhos estrelados
No baú, encontrados
Reluzia o teu olhar
Fixavas-me com ternura
Quanta e quanta doçura
Nesse baú encantado.

Maria Antonieta Oliveira
04-02-2020

sábado, 1 de fevereiro de 2020

A Casa da Outra



Já estive em tua casa, lembras-te?
Aquela que poderia ser minha
Vi o quarto, a cama, vi tudo
Bebi do teu café, do teu beijo
Senti-te, sentiste-me
Mas, nada de nada era meu
Tudo era passado de outra
Tudo era nada de mim
Senti-me de fora
Como outrora
Mas estava contigo, ali
Naquela que não foi minha
Na casa que foi da outra
Estava contigo, ali
Respirando, sorvendo
Estava vivendo a felicidade
De um simples momento.

Maria Antonieta Oliveira
01-02-2020

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Não Sei Nadar


Vi-te chegar
De garras afiadas e olhar soturno
Metias medo
O susto apoderou-se de mim
Tremi, sim, tremi, fugi
Já cansada e sem pensar
Voltei atrás
Desafiei-me, desafiando-te
Sem medo, tremendo
Com uma coragem desconhecida
Enfrentei-te
Tinha que me superar
Abraçar-te
Sentir-te na minha pele
Mas
E depois?
Tu e eu nunca nos unimos
Porque eu nunca soube
O que era entrar no mar
E ir mais além
Eu, nunca soube nadar.

Maria Antonieta Oliveira
29-01-2020


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Queria Ser Borboleta



Entrei nas águas cálidas do teu corpo
Banhei-me no suor quente do teu rosto
Enrosquei-me em ti, aqueci
Tu, dormias tranquilamente
Um sono profundo
Qual bebé embalado no colo de sua mãe
Sorriste
E eu, olhava-te
Queria adormecer contigo
Sonhar connosco
Sentir o teu coração colado no meu
Mas, olhava-te adorando-te
Não eras um qualquer amor
Eras aquele por quem sofregamente ansiava
Aquele cujo olhar me encantava.

Ah como eu queria ser borboleta colorida
Ou simplesmente mosca com vida
Para voar e em teu corpo pousar
Beber do teu carinho
Beijar teu corpo de menino
E contigo, eternamente ficar.

Maria Antonieta Oliveira
28-01-2020


domingo, 26 de janeiro de 2020

Verbo Amar


Não me esqueci
Não, amor, não me esqueci
Nunca me esqueço de ti, de nós
E nos sonhos que sonho
Tu estás, estás sempre lá
Sonho a dormir
Sonho acordada
Vejo-te sorrindo de covinhas na face
Vejo-te saindo sem mim
Vejo-te voltando
E corro para ti sem pensar
Porque tu e eu
Conjugamos na perfeição
O verbo AMAR.

Maria Antonieta Oliveira
26-01-2020

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Confissão


Se um dia encontrasse alguém
Alguém que me ouvisse sem julgamento
Que compreendesse este meu sofrimento
O que fui, o que fiz, o que traí
As vidas que vivi, sem viver
As pessoas que conheci, sem conhecer
Com quem falei
Com quem andei
Quem vi e quem me viu.

E o meu corpo?
Quem o conhece?
A quem o mostrei?
E quem eu vi desnudo?
Quem me acariciou?
Quem me beijou?
Quem me amou, sem amar?
A quem eu amei, sem amor?
Quantas perguntas
Tantas respostas.

Se encontrasse alguém que me ouvisse
Desabafaria este meu tormento.

Maria Antonieta Oliveira
24-01-2020


quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Fel ou Mel


Pus açúcar no sal que me deste
Busquei nas flores o néctar
Levado pelas abelhas
Queria fazer o meu próprio mel
Queria vencer, ser heroína
Mudar o rumo da minha sina
Pus toda a doçura que tinha em mim
Nem açúcar nem mel
Sobrou só o teu amargo fel
Levado no sal que me deste.

Derrotada fiquei
Mas não desisti
Olhei-te de frente
Sorri-te, beijei-te
E tu não resististe
Nem disfarçaste
Também a ti enganaste
Porque no fundo
O teu fel disfarçava todo o teu mel
E o amor venceu!

Maria Antonieta Oliveira
23-01-2020



O Rio da Vida


Corre ao contrário a água do rio
Não leva pedras nem restolho
Nem areias ou conchas partidas
Não desagua no mar
Nas ondas majestosas
Batidas e levadas pelo vento

Águas frias e perfumadas
Trazidas e levadas
Em barcos de espuma branca
Velas içadas ao largo
Farol aceso ao tempo
E tudo segue ao contrário

A vida, o rio
O rio da vida.

Maria Antonieta Oliveira
23-01-2020

Saco Vazio


Enchi o saco
Pesado e firme
Foi o meu passo apressado
Pesado e firme
Era o saco cheio de nada
As pedras soltei-as
Para embelezarem os passeios
As flores plantei-as
Para embelezarem os canteiros
Os pássaros soltei-os
Para serem livres e voarem
Os sonhos
Esses, voaram sozinhos
Sem que lhes desse permissão

No saco
Outrora cheio de amor
Apenas ficou
O espaço do tempo
Em que eu e tu fomos felizes.

Maria Antonieta Oliveira
23-01-2020

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Castelo dos Sonhos




Sinto saudades do nosso castelo
E do tempo em que de mãos dadas
Nas ameias espreitávamos
As ruas da nossa cidade
Ai que saudades
Dessa louca mocidade.

Hoje, quando ao longe o olho
Lá no cimo, altaneiro
Olhando Lisboa por inteiro
Sinto-me de novo menina
E na minha mão pequenina
O calor da nossa sina.

Maria Antonieta Oliveira
21-01-2020


Sinto Frio



Sinto frio
Um frio que me arrefece a mente
E congela o coração
Treme-me o corpo
As pernas enregeladas
Negam-se a caminhar
De braços caídos
Sem saber o que fazer
Olho no horizonte
Aquele ponto sombrio
Nem sol, nem chuva
Apenas frio

Um frio imenso
Um gelo intenso
Meu corpo fenece
Meu espírito padece
E este frio
Entra em meu peito vazio
Tornando meu ser inerte.

Sinto frio.
Muito frio.

Maria Antonieta Oliveira
21-01-2020

sábado, 18 de janeiro de 2020

Encontros



Abracei-te
E naquele instante senti que eras minha
Não corria o mesmo sangue nas veias
Mas, eras minha
Afaguei o teu rosto pálido
Senti nas minhas mãos o teu sofrimento
Olhei fundo os teus olhos
Queria ler neles o teu passado
Sentir o que tinhas sentido
Perceber o teu viver, para te poder ajudar
Da tua boca outrora rosada, nada saia
Nem uma palavra ou um sorriso
Mesmo que fosse um sorriso triste
Teu corpo frio, pedia conforto
Abracei-te, abracei-te de novo
Mais forte e profundo
Senti então, os teus braços envoltos em mim
E, naquele instante senti que eras minha.

Maria Antonieta Oliveira
18-01-2020




Sair à Noite



Não quero mais sair à noite
A lua ofusca o dia
E o céu empardecido
Parece um caminho desviado
Sem rumo ou intervalo
As estrelas perdidas
Espalhadas em desalinho
Sem destino definido
São lampiões tresmalhados
Sem jeito ou nexo
Os rostos perdidos
Procuram o sexo
O medo e a vergonha
O escuro e a solidão
Entristece a podridão

Vejo-me perdida
Esta não é a minha vida
Não quero mais sair à noite.

Maria Antonieta Oliveira
18-01-2020

Embalei o Sonho



Embalei o sonho
Em papel de rebuçado
Colorido e perfumado
Era doce e apetitoso
O sonho por mim sonhado
Depois de embalado
Muito bem acondicionado
Enrosquei-me à lareira
Aqueci o coração
Partido de solidão
E esperei adormecer
Mal sabia eu
Que o sonho adocicado
Era um sono mal tratado
Embriagado no viver
E de doce só o papel.

Acordei em sobressalto
A boca sabia-me a ti
À doçura da tua boca
Ah loucura, louca
Que não em deixa esquecer-te
Nem eu quero, sabes bem
Nem vou dizer a ninguém
Que és tu o meu amor
E de loucura só mesmo
O amar-te loucamente.

Maria Antonieta Oliveira
18-01-2020