domingo, 25 de abril de 2021

Cravo


 

 

Gosto de teu cheiro colorido

Da tua cor com odor

De te olhar no jardim

De te regar com amor

Quando te sobra calor

Gosto do picotar das tuas folhas

Risonhas, diferentes, belas

Gosto de ti, cravo

Como gosto da rosa ou do jasmim

Gosto das flores que embelezam

O meu pequeno jardim.

 

Maria Antonieta Oliveira

25-04-2021

 

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Fotografaste o Meu Poema


 (Desafio do grupo "Poesia ao Domicílio)


 

De vestes despida

Rosto escondido, envergonhado

Peito hirto, excitado

Olho-te de soslaio

Nem me vês

O teu olhar penetra-me sem me ver

Despes-me e vestes-me

Disparas sem arma de guerra

Uma, duas, outra vez

Rodeias-me girando o olhar

E, a fotografia surge

Apenas num clique desnudaste

O poema que escrevi para ti.

 

Maria Antonieta Oliveira

21-04-2021

 


terça-feira, 13 de abril de 2021

Beijo-te


  

Beijo-te, num sopro de solidão

Num amanhecer esquecido

Num tempo há muito perdido

Beijo-te, com o coração

Com um amor sofrido

Com um sonho antigo.

 

Beijo-te, beijo-te muito, amor

Com todo o meu fulgor

Com alegria e paixão

Com beijos e mais beijos

Beijo-te, beijo-te muito, amor.

 

Maria Antonieta Oliveira

13-04-2021

 


Vesti-me de Preto


 

 

 

Vesti-me de preto

Não que o luto faça parte do meu sentimento

Mas, o meu coração está negro

Tão negro como a noite em que nasci

Amada, adorada, super dotada, invejada

Vivida, sofrida, mal amada

Amou e ama… é amada

Mas, está só, sem ninguém

A família que ama, não tem

Só há amor quando convém.

 

Sim, estou só sem ninguém

Vesti-me de preto

Na busca de alguém.

 

Maria Antonieta Oliveira

13-04-2021

 

domingo, 11 de abril de 2021

O Meu Achado


 Desafio do grupo "Poesia ao domicílio"

 

 

Sem saber o que fazer,

Pois não queria que parecesse assédio

Pesquisei o meu poder

Queria ter-te só para mim

Solto e livre, sem amarras ou grilhões

Mas, como te encontrar

Sem as barreiras do decente saltar

De repente, caído no chão

Encontrei a solução

Baixei-me e, para que ninguém visse

E achasse uma tolice

Segurei-o e escondi-o no bolso

Era a peça que faltava para te ter comigo

Corri, louca de paixão até ti

Entreguei-te com carinho o meu achado

Com ele na mão, bem colocado

Precisão certeira e, aí vem ele

O meu peixe preferido

Fresquinho e apetitoso

 

Graças ao anzol por mim achado

Fizeste um precioso pescado.

 

Maria Antonieta Oliveira

11-04-2021

 

Para Mário Pereira


 

Desafio do grupo “poesia ao domicílio”

 

 

Pedi-te, Maria

Que me escrevesses uma tua poesia

Sei que não me conheces

Mas, vê lá se enalteces este meu ser

Boémio, bairrista, poeta, cantor

Sofrido, vivido, sempre lutador.

Sei que não sabes nada de mim

Ai, se soubesses…

O teu poema não mais teria fim

Pronto, fica o pedido

Vê lá Maria, não o deixes esquecido.

 

Maria Antonieta Oliveira

11-04-2021

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Fé (Zada)


 Desafio do grupo "Poesia ao domicílio"


 

Fezada

Feijoada de dobrada

Com um tinto da Bairrada

Para a festa ser porreira

Vai um branco da Vidigueira

Que é um vinho de primeira

 

Mas ca ganda bebedeira…

 

Com fezada

Ou sem fezada

Foi uma noite bem passada.

 

Maria Antonieta Oliveira

07-04-2021


Acreditar Versus Fé


 

 

Acredito que o sol brilhará

Quando acordar da noite

Acredito que serei feliz

Quando encontrar o dia

Acredito na criança ingénua e pura

Até o dia em que o dia a mudar

 

Acreditar é ter fé

Ter fé em algo ou em alguém

Mesmo que esse alguém sejas tu

Acredita em ti!

Tem fé em ti!

E alcançarás!

 

A esperança, a fé, o acreditar

Faz a vida na vida, continuar.

 

Maria Antonieta Oliveira

07-04-2021

segunda-feira, 5 de abril de 2021

A Carteira


 

 

 

A carteira de madeira foi nossa cúmplice

Lia e relia os nossos recados mascarados

Nada dizia, a ninguém os contava

- Amo-te, escrevias tu

- Também te amo, respondia eu

Trocávamos em confissão

O que nos ia no coração

E ela, lia e relia em cumplicidade

Os amores da nossa mocidade.

Tempos idos de ingénua felicidade.

 

Maria Antonieta Oliveira

04-04-2021

 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Ovo Estrelado


 (Imagem da net)

 

Brilhas como um raio de sol

Aflorando a minha janela

Olho-te feliz

Tua áurea branca como a neve

Adorna-te e aconchega-te

Para que não percas a beleza

Nem soltes o que de bom há em ti

Lágrimas de felicidade

Derramadas com amor

Mitigam o teu sabor

Apimento o momento

E sorriu maliciosamente

Hum… inalo o teu odor

Desejo-te ansiosamente

Tenho fome de ti

Estás pronto para mim

Degusto-te com prazer

Ah que saudades eu tinha

De saborear um bom ovo estrelado.

 

Maria Antonieta Oliveira

01-04-2021


quarta-feira, 31 de março de 2021

Sou


 

 

Sou paz

Sou luz

Sou sonho

Tenho sono…

 

Sou flor

Sou amor

Sou terra

Sem guerra!

 

Sou humana

Sou gente

Sou mulher

Carente vivida!

 

Sou paz!

Sou luz!

 

Maria Antonieta Oliveira

31-03-2021

 

 

 

Nascida no Vento


 

 

 

Nascida na rua do vento

Soprada à lua cheia

Parida no quente da noite

Violeta esquecida

Flor renascida

Tombada no chão, caída

Salva pela emoção

Ao som daquela canção

Cantada pelo mar além

Na fraga da sereia sorrindo

E ela de novo surgindo

Na bênção do sol nascente.

 

Maria Antonieta Oliveira

31-03-2021

terça-feira, 30 de março de 2021

Ovo Partido


 

(Desafio do grupo Poesia ao domicílio) 

 

Escorrem-me nos dedos

Fluxos de lasciva

Sentimento agridoce

Momento de perda

Ou, talvez não

Nada caído no chão

Tudo retido no devido lugar

É a minha salvação

Clara e gema separadas

As mãos já lavadas

Resta-me esperar

Para um belo bolo saborear.

 

Maria Antonieta Oliveira

30-03-2021

 

 

domingo, 28 de março de 2021

Fado À Capela


 

 

Cantei-te um fado à capela

A guitarra chorava baixinho:

Destino… destino… destino…

O fado por mim cantado

Não era fado corrido

Era fado sofrido, magoado

Era o fado da nossa vida

 

À capela cantei-te um fado

Baixinho a guitarra chorava:

Destino…destino…destino…

 

Maria Antonieta Oliveira

28-03-2021

sexta-feira, 26 de março de 2021

Livro


 

 

Um livro é um objecto sagrado

Tem que ser cuidado, estimado, preservado

Nem riscado nem maltratado

Um livro esquecido abandonado

Pode ser lido e usado com amor

Por alguém que o saiba amar

Que lhe saiba dar valor

 

Que gosto dá o desfolhar de um livro

O cheiro a tinta e a papel

O virar uma a uma as páginas de uma vida

Seja ela real ou imaginada

Seja humana ou inventada.

 

Ler deverá ser um prazer

Porque,

O livro é um objecto sagrado.

 

A Bíblia é um livro

E, é sagrado.

 

Maria Antonieta Oliveira

26-03-2021

 

Sou Humana


 

 

Não sou santa, sou humana

Sou mulher impaciente

Desejo-te na minha cama

Hoje, amanhã e sempre

 

Quero sentir o teu corpo no meu

Despidos de pudores deslizando

Dedos de mãos transpiradas, ansiosas

Imaculadamente molhadas

Na mistura de orgasmos partilhados

Desejados, consentidos, almejados

Na volúpia de sentir.

 

Não sou santa, sou humana

Quero o teu corpo nu

Relaxado, deitado, saciado

Na minha cama.

 

Maria Antonieta Oliveira

26-03-2021

Travessa do Cupido


 

 

Na travessa do cupido

Encontrei uma flor

Sentada na berma do caminho

Olhei-a, olhou-me e sorriu

Presa de emoção

Sentei-me com ela no chão

Inalei o seu perfume, intensamente

Com medo que o vento o levasse

Para perto de outra gente

 

Conversámos, caladas

Caminhámos, paradas

Sonhámos, acordadas

E o tempo passou

Na travessa do cupido

A minha flor encantada

Murchou…

E o cupido sem amor

Findou!

 

Maria Antonieta Oliveira

26-03-2021

domingo, 21 de março de 2021

Enxugo as Lágrimas


 

 

Enxugo as lágrimas já secas pelo cansaço

A viagem foi longa, o caminho tenebroso

As roupas rasgadas num corpo franzino

Revelam a trajectória percorrida

O suor escorrido no rosto denegrido

Velho e enrugado, cansado

Na tristeza de uma vida sem lar

Demonstram a realidade vivida

De uma vida por viver

 

Enxugo-te as lágrimas

Com a macieza da minha mão

Com o amor e o carinho que te alenta

Para amanhã ao acordares

Vejas o sol brilhando no postigo do teu quarto.

 

Enxugo-te as lágrimas

Sorrio

E parto!

 

Maria Antonieta Oliveira

21-03-2021

 

Parte inferior do formulário

 

Quando a Primavera Chegar


 

 

Quando a primavera chegar

Vou à praia passear

Descalça pelo rio, caminharei

Irei sem rumo em busca de mim

Perdi-me ontem, no inverno tempestuoso

Em que o frio enregelou as pedras soltas

Presas nos fios brancos dos meus cabelos

Soltos ao vento como as pedras do meu caminho

Mas, quando a primavera chegar

E o sol aquecer o meu triste coração

Saltarei descalça e nua

De pedra em pedra

Até te encontrar no mar calmo e sereno

Onde um dia nos perdemos de felicidade.

 

Vem primavera, quero ser feliz!

 

Maria Antonieta Oliveira

21-03-2021

 

Se Eu Fosse Uma Flor


 

 

 

Se eu fosse uma flor

Soltaria uma pétala

Pediria ao vento que a levasse

Ou pediria a uma abelha

Para nela pousar

E o meu pólen levar até ti.

 

Se eu fosse uma flor

Adornaria o teu jardim

Com as cores belas do amor

Mas eu sei, sei que sim

Que para ti, eu sou essa flor

A tua flor, o teu eterno amor.

 

Maria Antonieta Oliveira

21-03-2021

sexta-feira, 19 de março de 2021

11 Aninhos



 

 

Boneca bonita

Menina ladina

Gaiata pequena

Loura, morena

Princesa, rainha

Mulher pequenina

Olhar vivo e brilhante

Amor constante.

 

És a minha princesinha

A minha querida Iquinha!

 

Adoro-te!

 

Avó Tieta

Maria Antonieta Oliveira

19-03-2021

 

quinta-feira, 18 de março de 2021

Momentos


 

 

 

Há tanto escondido por detrás das minhas palavras

Apenas eu e tu as sabemos interpretar

São sonhos que sonhámos

São momentos que passámos

Somos nós em versos perdidos

Palavras que dizem muito de nós

Que ficarão para sempre gravadas

Nos poemas que vou escrevendo

Neles, ficará retido o nosso amor

Eternamente gravado em linhas rectas

Escritas em momentos de saudade.

 

Só tu e eu, só nós!

 

Maria Antonieta Oliveira

18-03-2021

quinta-feira, 11 de março de 2021

Cantar à Lua


 

 

De garganta afinada saí para a rua cantando

O xaile traçado encobria os meus ombros desnudos

De coração partido o fado era o meu abrigo

De copo na mão, rasgada de sofrimento

Deixei-me ficar caída no chão, ao relento

Os versos que outrora escreveras para mim

Já não faziam sentido no meu cantar

Falavam de amor, alegria e paixão

Agora atraiçoada, vivia uma triste desilusão

Sozinha, sem carinho, sem ti, sem o calor do teu amor

Restava-me chorar um fado cantando à lua.

 

Maria Antonieta Oliveira

11-03-2021

 

Ântanho


 

 

Olhei a mesa desarrumada

Onde pousara a caneca de barro vidrado

Que outrora servira ao amor

No lume a sopa fervilhava na panela de alumínio

Que um dia por ti, me fora dada

Vesti as calças pretas, que me ofertaste

Revirei as pestanas

Segurei a mala preta

Aquela comprada na baixa

Na loja que me indicaste

Olhei o espelho de soslaio

Estava perfeita para ir

À procura do ontem passado

Onde tu e eu ficámos parados

Num dia perdido, por viver.

 

Arrumada e aprumada

Pronta para ir, saí

Para ir ao encontro do amor.

 

Maria Antonieta Oliveira

11-03-2021

Vem Amor


 

 

 

Apetecia-me dormir contigo, meu amor

Apenas dormir

Abraçada no teu abraço

Enroscada em ti e tu em mim

Sonhando juntos o mesmo sonho

Com a lua brilhando num céu estrelado

Eu e tu, no mesmo lado

Aqui ou aí, tanto fazia

Dormir contigo, amor

É tudo o que eu queria.

 

Vem, vem de mansinho

Aguardo-te no meu cantinho.

 

Maria Antonieta Oliveira

11-03-2021

 

quarta-feira, 10 de março de 2021

Saí Por Aí


 

 

 

Saí por aí em busca do sonho

Caminhei sem tempo

O tempo imaculado passou

Sem me ajudar neste caminhar

Trepei montes, desci vales

Derrubei muros, desviei pedras

Bebi água dos riachos esquecidos

Os frutos caídos, foram por mim comidos

E o tempo incomensurável, passou

Eu, fiz-me velha sem jeito

Meu coração continua batendo

No meu peito já cansado.

 

O sonho, esse continua sendo

Apenas um sonho.

 

Maria Antonieta Oliveira

10-03-2021

terça-feira, 2 de março de 2021

Voltará


 

 

 

Voltarei a ser quem era?

Voltarei a ser o que fui?

Voltará o tempo a ser o que foi?

Voltará o mundo a fluir como antes?

Voltarei a sentir a tua boca na minha?

Voltarei a ter os teus beijos nos meus lábios?

Voltarei a sentir a tua língua dançando na minha boca ávida?

Voltaremos a estar unidos num abraço?

Voltaremos a ser um só, como antes?

 

Será que o amanhã voltará?

 

Maria Antonieta Oliveira

02-03-2021