sábado, 24 de setembro de 2022

Sentada na Cama


 Sentada na cama

De costas libertas

Sorvo o som dos canaviais

Embalados no vento

Que desliza nas águas revoltas

De um rio imaginário

Onde te banhas

E soltas os males da alma

Na imensidão dessas águas turvas

De tanta maldade e sujeira

Que a vida te trouxe

 

Acordas do embalo do sonho

Ficando liberta das trevas

Continuas

Sentada na cama.

 

Maria Antonieta Oliveira

24-09-2022

 

 

 

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Jornal Antigo


 

 

 

Enrolo-me nas palavras

De um jornal antigo

Sei que já estão gastas

Pelo tempo passado

Mas quero encontrar-te

Nesse jornal perdido

Usado na quentura de umas castanhas

No outono e inverno da vida

Rasgado, pisado, levado p’lo vento

Sem palavras para ler

Nem espaços para escrever.

 

Cansada, desisto

Mas não desisto de ti.

 

Maria Antonieta Oliveira

19-09-2022

domingo, 18 de setembro de 2022

Palavras Que Alimentam


 

 

Alimento-me de palavras

As que digo, e, as que ficam por dizer

As que escrevo com sentimento

E as que escrevo num lamento

Palavras saídas do coração

Num momento de emoção

Palavras soltas, sem sentido

Vazias, ocas, deprimentes

Felizes, tristes, momentos

Palavras que me saciam.

 

Assim vivo

Nestas palavras que me alimentam

A alma e o espírito.

 

Maria Antonieta Oliveira

18-09-2022

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Gritos de Guerra


 

 

 

Estou farta de ser ofendida

Maltratada e magoada

Injuriada e deprimida

Estou farta de ter sido parva

De pena em pena

Deixei voar o meu tempo

Esqueci-me de viver

De ser eu

De ser feliz

Sei que repito palavras

Sei que repito sentires

Mas só os repetindo me solto

Só os repetindo extravaso

São gritos de guerra

De uma guerra perdida.

 

Maria Antonieta Oliveira

16-09-2022

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Ausência


 

 

 

Caminho a teu lado

Nas palavras do passado

Junto a mim  nas sombras da lua

Existe a imagem sempre tua

Passeamos de mão na mão

Arrancamos as pedras do chão

Na passada em corrida

A vida, a vida foge-nos

A pressa aumenta

A ausência faz-me sofrer

Neste caminhar sem te ter.

 

Maria Antonieta Oliveira

15-09-2022

 

sábado, 10 de setembro de 2022

Amas-te


 

 

Plateias de golfinhos

Aplaudem de pé

Sorrisos sarcásticos invadem a sala

Também tu, sorris e aplaudes

Porque tu, estás lá

 

A vida sorri-te

No sorriso que encontraste

Quando descobriste o amor

Sim, tu amas-te

Amando-te, és feliz.

 

Maria Antonieta Oliveira

07-09-2022

Soltam-se os Beijos


 

 

 

Soltam-se os beijos

Nas ondas do mar

Recuo e avanço

Quero-te

Queres-me

O céu abriga o nosso amor

A areia protege nossos desejos

O sol aquece nossos corpos

Já quentes e arfantes

Fundimo-nos num só ser

Amamo-nos sem sofrer

Somos amantes.

 

Maria Antonieta Oliveira

07-09-2022

domingo, 4 de setembro de 2022

Solidão


 

 

 

A minha solidão

É provocada pelo teu silêncio

Estou sem ti

Mas não estou só

Apenas fugiste

Eu fiquei esperando

Partiste ao anoitecer

Sem dormir

Esperei o amanhecer

Sem regresso

Adormeci, sem ti.

 

Maria Antonieta Oliveira

04-09-2022

Unos


 

 

 

Molha-me a boca

Com teus lábios vermelhos

Deixa rolar as lágrimas

Esse sal que recebo

Nesse teu doce beijo

Aperta o meu corpo

Nesse abraço revestido

De carinho e emoção

Entrega-te

Somos unos

Em amizade e poesia.

 

Maria Antonieta Oliveira

04-09-2022

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Imaginação


 

Réplica a um poema de João Santamaria

 

 

Uma bola imaginária

Um mundo a rolar

A ignorância a aumentar

A fome e a guerra a alastrar

Egos crescem sem sintonia

Vaidades sem sabedoria.

 

Maria Antonieta Oliveira

02-09-2022

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Reflexos


 

 

 

Reflexos que dão vida

A um olhar perdido

Reflexos do sol no mar

E do céu na terra

Reflexos da tua sombra

Quando passas em intervalos

Da lua intercalada p’la nuvem

Reflexos de nós dois

Quando pisávamos a poça d’água

Chuva caída na calçada

Pisada e repisada p’la vida

Reflexos de gentes vadias

Em dias de angústia

 

Reflexos de um olhar feliz

Na inocência de um petiz!

 

Maria Antonieta Oliveira

31-08-2022

Fim


 

 

 

Mais um mês a terminar

Mais um dia a acabar

Menos um dia para viver.

 

O tempo voa rápido

Qual vento Suão

A saúde se desgasta

A solidão é nefasta

O amor insiste e resiste

E o fim se aproxima

 

Um dia a mais no calendário

Um dia a menos no meu diário.

 

Maria Antonieta Oliveira

31-08-2022

 

sábado, 27 de agosto de 2022

É Tão Bom Ser Feliz


  PROSA

É tão bom ser feliz!

Pequenas coisas tornam-se enormes quando feitas com amor e, quando as recebemos também com amor. Um simples gesto e muda o momento!

Dia 26 de Agosto de 2022 ficará para sempre na minha memória pelos bons momentos que passei na 92ª Feira do Livro de Lisboa. Ao chegar, acompanhada pelo marido e pelos meus netos, os melhores e mais bonitos do mundo, tive a agradável surpresa de ver o meu fotógrafo preferido, Vítor Costeira, estava dialogando com a minha editora de eleição, Adriana Mayrinck, introduzida na conversa, olho ao lado e vejo, o meu primo mais que querido, o José Alentado, e, aos poucos surgiram as pessoas mais queridas que eu poderia ter comigo naquela sessão de autógrafos dos meus mais recentes livros – “Os Sons do Silêncio” e “Grinalda de Emoções”. A Maria Cabana, a minha filha preferida (só tenho uma) Carla Oliveira acompanhada por dois colegas, sendo uma a Susana Cabral, filha de uma outra amiga de há muitos anos Cristina Cabral; a tia dos meus netos Ermelinda Cabral e uma das suas filhas, a Ana Clara, enfim, foi uma tarde replecta de amizade, entre palavras, letras, beijos e abraços.

É tão bom ser feliz!

 

Maria Antonieta Oliveira

27-08-2022

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Ser Pássaro

 

 

Árvores entrelaçam folhagem

Janela com manjerico

Gaiola com grilo

E moinho de papel

Embalado plo vento

Anoitece no firmamento

E a menina espera ansiosa

O regresso dos pássaros

À folha que os acolhe

Para mais uma noite de sono

O chilreio intensivo

É música celestial

Aos ouvidos da criança

E eles chegam em catadupa

Atropelam-se na ânsia de dormir

As pernadas tornam-se pesadas

E descaem

Adormecidos repousam

Para no amanhecer

Voltarem a nova caminhada

Em busca de alimento

E de nova bicharada.

 

A menina também adormece

E sonha ser pássaro e voar!

 

Maria Antonieta Oliveira

25-08-2022



 

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Inerte


 

 

 

Estagnei naquela rua onde um dia passavas

A paragem de autocarro desapareceu

Talvez tenhas partido com ela

Para onde, não sei, nem importa

Fechei o meu mundo quando me fechaste a porta

Perdida e sem teto cansei de viver

O destino traiçoeiro ria-se de mim

- Quando acabas? Quando tens o teu fim?

Sonâmbula de sofrimento, gelada

Da noite dormida ao relento

Pousei meu coração no chão

Elevei a voz numa canção de amor

E encantada comigo, dancei contigo

Enamorada da lua, fui tua

E o autocarro passou

Noutra rua, noutro lugar

O sonho acordou na paragem

E eu, estagnei no momento

Deixei voar o pensamento

E encontrei-te na passagem de mais outro dia.

 

Maria Antonieta Oliveira

24-08-2022

 

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Bandeira da Paz


 

 

Icei a bandeira da paz

Branca e alva

Como o véu da noiva pura

De sorriso sarcasmo

Olhar de rufia

Chamaste o vento suão

E a minha bandeira

Ficou perdida no chão

Derrotada, mas não vencida

A outra bandeira eu dei vida

Amarela e luminosa

Qual sol em dia de verão

Derrubaste-a com um safanão

Juntei a verde esperança

Com a vermelha paixão

Olhaste-me nos olhos bem fundo

E num abraço profundo

Unidos até ao fim do mundo

Içámos a bandeira do amor.

 

Maria Antonieta Oliveira

18-08-2022

Esperança


 

 

 

Vivi aqui. ali e além

Amei-te a ti e a ti, também

Sonhei sonhos felizes

E outros, até, infelizes

Morri e renasci sem vida

Amada com amor

E com amor, traída

Venci e fui vencida

Mas,

Aqui onde estou agora

Na luz e na paz do Senhor

Espero por um amanhã florido.

 

Maria Antonieta Oliveira

18-08-2022

 

Para Lá do Muro


 

 

Para lá do muro

De escamas escarlate

Existe a fome e a guerra

Na lua que esconde o sol

E, no sol que esconde a lua

Existe o amor na praia

Na areia do vento que passa

Existe a inocência de uma criança

Pedra a pedra solta-se a vida

E no tempo que passa

Existe impaciência pelo amanhecer

Nesse acordar sonambolesco

Existe a esperança da sorte renascida

 

E,

Abre-se a janela do muro escarlate.

 

Maria Antonieta Oliveira

18-08-2022

 

 

 

18 de Agosto de 2022

Acróstico

 

 

C oração pulsante

A mante da beleza

R igorosa no viver

L inda de morrer

A minha filha amada.

 

Parabéns! Que sejas sempre feliz!

 

quinta-feira, 28 de julho de 2022

A Vida é Efémera

 

 

Porque choro?

Porque sofro?

A vida é efémera

São instantes

E já tivemos os nossos

Agora vive deles

Recorda-os com paixão

Mas não faças sofrer o teu coração

Já foi o tempo

Desse sofrimento

Vive o momento

O hoje

O agora

Amanhã pode não existir

Deixa de sofrer

Passa a sorrir

Não te esqueças

A vida é efémera!

 

Maria Antonieta Oliveira

28-07-2022

 

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Vazante


 

 

Nas areias movediças

Saltei à fogueira

No calor das ondas bravias

Bracejei, esbracejei

Lutei pela vida

Esbaforida saltei o rochedo

Tensa e com medo

Estarrecida e perdida

Nele fiquei esperando

Adormeci ao relento

Acordada com a brisa do vento

Olhei ao redor

A maré vazou

E aquela noite passada no mar

Com a lua a me acompanhar

Minha vida salvou

Já em terra firme agradeci

Por poder de novo

Voltar para ti.

 

Maria Antonieta Oliveira

25-07-2022

 

 

É A Vida


 

 

 

Fria por fora

Chorando por dentro

Sorriso forçado

Abraço não dado

Sofrimento…

 

Um olá

Um beijo

Um abraço

E o coração volta a sorrir

Esquecido o passado

Caminhamos lado a lado

Sorrindo, brincando

De novo felizes

Eu e os meus petizes.

 

Maria Antonieta Oliveira

25-07-2022

 

sábado, 23 de julho de 2022

Não Estás


 

 

 

Sento-me na cama

Descalça e nua

Quero ser tua!

Olho em redor

Estás a meu lado

Na cama deitado

Olhar desafiante

Sorriso de amante

Boca entreaberta

Suplica um beijo

Quero tanto

Realizar esse desejo

Meu corpo estremece

Seguro tua mão carente

E sufoco num beijo ardente

Sem respiração

Em sofreguidão

Acordo

Sozinha numa cama vazia.

 

Maria Antonieta Oliveira

23-07-2022

Trovoada


 

 

 

Sonho acordada com a trovoada

Brisa suave

Sol a escaldar

Búzios e conchas

Rochas, penedos e ervas

Cântico de pássaros esvoaçando

Som do mar ondulando

Odor a maresia

Praia de areia fina

Descalça caminho

Sigo o clarão, a luz

O túnel estreito ilumina-se

A erva daninha afasta-se

Em glória

Atravesso esse túnel

Que me leva à felicidade

Da liberdade desejada.

 

Acordada, sonhando

A trovoada passando…

 

Maria Antonieta Oliveira

23-07-2022

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Cem Anos


 

 

 

Cem anos já passaram

Desde que viste a luz do dia

Parido pela Maria de Jesus

Maria, mãe de outro menino

Jesus que lhe deu a luz

A vida também ela sofrida.

 

Cem anos seriam hoje

Aqui neste mundo de guerra

Mas, partiste, deixaste a terra

Seguiste o caminho da paz

A saudade essa é eterna

Por mais anos que passem

 

Lá onde estás em paz

Recebe o meu beijo de sempre

E o abraço sentido, da saudade.

 

Maria Antonieta Alentado

22-07-2022

Nuvem Branca


 

 

És nuvem branca

Como brancos eram teus cabelos

Brancura da paz

Da paz que reinava em ti

No teu sorriso silencioso

No teu amor disfarçado

Nos nossos olhares trocados.

 

És nuvem branca

Na brancura alva da paz.

 

Maria Antonieta Oliveira

22-07-2022

Saudade eterna, meu querido pai, hoje farias 100 anos.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Árvore


 

Não me matam

Nem que insistam

A vida em mim se renova

Vou e volto

Nas voltas da vida.

Minha seiva vem à luz

Minha sombra acalma

Dá paz e harmonia

Meus braços abraçam

Os enamorados perdidos

Que se deleitam e enroscam

Na sombra do sol que queima

Minhas folhas, caem no outono

Embelezando o chão carente

O vento bate na copa

E elas voam como penas ondulantes

Mas voltam

A primavera volta com elas

Ou talvez sejam elas

Que voltam na primavera.

 

Eu, resisto

Não me matam

Nem que insistam!

 

Maria Antonieta Oliveira

21-07-2022