Morri!
Morri
sozinha
Ninguém
chorou por mim
Ninguém
rezou por mim
Ninguém
sofreu por mim
Ninguém
me levou flores
Porque
quando eu morri
Já
todos tinham morrido
Sem
família
Sem
ninguém
Morri
sozinha!
Maria
Antonieta Oliveira
19-05-2023
O sonho é livre... é deixar voar o pensamento... é acreditar no inacreditável... é atingir o inatingível... Amar... Sofrer... Beijar... Doer...
Morri!
Morri
sozinha
Ninguém
chorou por mim
Ninguém
rezou por mim
Ninguém
sofreu por mim
Ninguém
me levou flores
Porque
quando eu morri
Já
todos tinham morrido
Sem
família
Sem
ninguém
Morri
sozinha!
Maria
Antonieta Oliveira
19-05-2023
Dobei
a lã de ovelha parida
Dobrei
a linha que me foi prometida
Da
lã fiz sandálias para caminhar
Da
linha fiz lençóis para bordar
Com
pezinhos de lã
Acordei
pela manhã
Ainda
o sol dormia
Já
eu começara o dia
Bordava
… bordava… bordava…
Mas
a linha se quebrava
O
lençol se rasgava
E
eu, desesperava
Descortinei
a janela entreaberta
Encerrava
tristeza extravasava beleza
Dobei
a lã
Dobrei
a linha
Desfiz
o lençol
E
num acto de bravura
Deixei
o sol entrar
E
a minha vida mudar.
Maria
Antonieta Oliveira
05-05-2023
Perdi-me
no tempo
Do
tempo em que me amavas
Se
pudesse mandar no tempo
Ordenava-lhe
que recuasse
Queria
que ele voltasse
Ao
tempo em que te tinha
Mesmo
sem te ter
Sempre
foste meu, lembras-te?!
No
comboio do amor
No
castelo encantado
No
corredor entrelaçado
Na
rua, na praia, no baile
Na
canção de antanho
No
ontem, no hoje, no amanhã
Sempre
foste meu, lembras-te?!
Meu
amor
Se
eu pudesse mandar no tempo
Voltava
ao tempo do tempo
Em
que éramos um só
Num
amor sem tempo.
Maria
Antonieta Oliveira
24-04-2023
Vejo
ao longe
A
luz do silêncio
Acende…
apaga…
Acende…
apaga…
Intermitente
como a vida
Ondulante
num mar agitado
O
faroleiro solitário aguarda
Que
o sol amanheça
E
a luz finalmente se apague
Porque
o sol acordou e brilha
Iluminando
o caminho
Dos
mareantes, viajantes e sonhadores
Na
praia
Sentada
na areia molhada
Vejo
ao longe
A
luz do silêncio piscando
E,
aguardo…
Maria
Antonieta Oliveira
18-04-2023
Amor!
Palavra
já gasta de tanto usada
Qual
a palavra para definir o que sinto?!
É
amor!
Um
amor incondicional!
Um
amor que tudo faria para te ver feliz!
Amo-te!
Por
ti, daria a vida se necessário fosse
O
teu abraço é uma dádiva do céu!
Amo-te!
Amo-te,
meu príncipe!
Que
os 16 se multipliquem por muitos mais 16
Com
saúde, realizações e amor.
Maria
Antonieta Oliveira
17-04-2023
Venero-te
ó lua imaculada
Que
me deste o saber
O
sentir do amor
Na
minha pura inocência
Com
a tua sapiência
Aprendi
a ver a luz do sol
E
o brilho das estrelas
Venero-te
castelo de antanho
Que
fizeste de mim princesa
Rainha
do amor
Da
tua boca o sabor
Venero-te
ó chuva que lavas o chão que piso
Deixando
as marcas dos meus pecados
Venero-Te
ó Mãe Imaculada
Que
caminhas a meu lado apoiando-me sempre
Dando-me
a mão nos momentos em que preciso
Venero-Te
Senhor pela vida que me dás
Que
me deste e me darás no futuro
Venero-Te
e agradeço viver
Vivo
a vida em gratidão!
Maria
Antonieta Oliveira
24-03-2023
Enquanto
o pai teclava o piano
A
mãe, entre agudos e graves, treinava
Mais
um toque, outra tecla, outro som
A
mãe dedilhava a guitarra entre um e outro solfejo
Enquanto
o pai treinava o rendado
Mãos
ágeis e habilidosas unidas
No
alinhar e bordar da vida
A
garganta cansada e seca
Contrastava
com a lufada de ar
Fresco
e matinal
Sofrido
e maternal
Mais
um toque
Mais
um acorde
Um
pesponto caseado
Um
passeio calcetado
E
um belo vestido rendado.
Um
toque
Um
acorde
Duas
vidas
Um
fado.
Maria
Antonieta Oliveira
23-03-2023
Dia
do pai!
E
porque não, dia da neta?!
Sim,
dizem ser o dia do pai
Mas,
todos os dias são dias do pai
Dias
da mãe ou da filha
Mas
hoje, para mim
É
o dia da neta, da minha Ica
A
minha princesa que amo
A
menina mais linda do mundo
Eu
sei, minha querida
Sou
a tua avó chata
A
beijoqueira que não te larga
Mas,
a minha chatice é amar-te
E
amo-te muito!
Parabéns
minha princesa adorada!
Maria
Antonieta Oliveira
19-03-2023
Sinto
o mar salgado batendo
Nos
meus lábios outrora doces
Pétalas
de rosa murchas
Invadem
os meus cabelos
Grisalhos
e desgrenhados
Algas
silenciosas ondulam
Ao
meu redor
Ouço-as
sussurrando
As
estrelas do mar gravitam
Numa
conversa só delas
Sóis
e luas acontecem
Dias
e noites sucedem
No
cimo dos cimos deste mar
Onde
me afundei e vivo
Onde
a minha boca perdeu
O
doce sabor dos teus beijos
Já
não sinto os meus lábios.
Maria
Antonieta Oliveira
16-03-2023
Não
sei escrever sem escrever amor
A
poesia é escrita pela alma
Ditada
pelo sentir do coração
O
sangue fervilha nas veias
Quando
o amor surge num olhar
E
quando o som do mar bate suave
Espraiando-se
na areia escaldante
É
o amor é o marulhar é o cantar
Das
ondas nos ouvidos dos amantes
E
quando o sol nasce
Ou
quando o sol se põe
É
a vida renascendo num outro dia
É
o amor dando vida a nova vida
A
calçada que pisamos
É
o amor de um calceteiro
A
lua que nasce num céu estrelado
É
o sonho do eterno namorado
O
amor dos pombinhos arrulhando
Tudo
na vida é amor
Temos
que saber vivê-la
Temos
que saber compreendê-la
Temos
que saber agradece-la
Porque
a vida e amor
E
eu só sei escrever com amor.
Maria
Antonieta Oliveira
16-03-2023
Andei
por todos os caminhos
Os
que me foram surgindo
Bem
ou mal, caminhei
Agora
olho para trás
E
vejo as pedras que pisei
E
aquelas que devia ter pisado
Os
cabelos branquearam
Os
dentes foram caindo
As
rugas marcam o tempo
As
dores e pernas cansadas
São
o resultado de muitas escadas
Subidas
e descidas até esgotar
O
tempo cansado
Leva-me
num tempo passado
E
as pedras que não pisei
Caminham
a meu lado.
Maria
Antonieta Oliveira
16-03-2023
De
onde vieste, mãe?
E
eu de onde vim, mãe?
Sim,
eu sei, vieste do ventre da minha avó
E
eu, mãe, nasci de ti
Também
a minha filha fui eu que a pari
E
ela, deu-me netos, filhos dela, mulher
E
o pai de onde veio?
E
os homens, todos eles, de onde vieram?
Quem
pariu?
Quem
alimentou?
Quem
ensinou e aturou?
Quem
deu o afago e a mão?
Quem,
mulher?
Quem
dá vida ao mundo?
Tu,
mulher!
Tu,
sempre e só, tu!
Maria
Antonieta Oliveira
04-03-2023
Subi a colina do sol nascente
O vento soprava a poente
Inércia, sofrimento, dor
Lágrimas, choro. Desamor
Estrelas cadentes, ausentes
Sóis e luas incandescentes
Chuvas soltas nas árvores
Das florestas perdidas no deserto
Inocentes rios deslizam
Nas águas paradas, secas
Ultrajadas mentes, dementes
Caminhos vividos, gentes
Reflecti, ponderei, e,
Desci a colina sozinha.
Maria Antonieta Oliveira
25-02-2023
Tantas
lágrimas choradas, derramadas
Sofridas
anos e anos de desenganos
Voltavas
sempre com teu sorriso sacana
E
a miúda solitária perdida, perdoava e sorria
Sorria
inconsciente, inocente, acreditando
Caminhando,
sorrindo, chorando, prosseguia
Semana
a semana, dia a dia
Tudo
se repetia, a vida e tu me traiam
Até
as lágrimas salgadas caiam de novo
Caladas
no sofrimento do momento
Hoje,
continuo esperando
Sabendo
que jamais voltarás.
Maria
Antonieta Oliveira
14-02-2023
És
grão de areia que esvoaça
Numa
praia deserta
Sem
luz que te alumie
Ou
sol que te aqueça o rosto
Já
não luto contra a maré
Ela
é mais forte do que eu
Aguardo
sentada na areia
Que
o vento passe e o sol volte
Quero
ser luz e brilhar
Ser
farol em mar turbulento
Quero
iluminar os teus dias
E
dar-te felicidade.
Serei
teu farol, tua luz
Porque,
tu és,
O
meu farol. a minha luz.
Maria
Antonieta Oliveira
23-01-2023
Já
nada me doi
De
tanta dor sentida
Já
não sou ninguém
De
tanto que já fui
Nem
a água me banha
Nem
o mar me acalma
Nem
o sol nem a lua me beija
Já
nem as flores se abrem quando chega a primavera
O
verão já não me aquece
Nem
o inverno me arrefece
Meu
corpo sofrido partiu
O
silêncio à minha volta é sepulcral
O
cheiro das flores já mortas
Enoja-me
entristece-me
Mataram
as flores
Para
as darem a quem já não as vê
Morta
por morta
Antes
eu que as rosas.
Maria
Antonieta Oliveira
11-01-2023
Vou
pôr uma pedra grande e pesada
No
ontem, passado
Vou
libertar uma pomba branca
No
amanhã, futuro
O
passado passou, magoou
O
futuro é incógnita, esperança
A
brancura da pomba libertará a paz
Eu,
semente do mundo serei flor
Ressequida,
regada, dando luz e fé
O
meu reflexo emanará amor
Num
brilho alvo suave e melodioso
Nascerá
outro dia, outro ano radioso.
Que
nos traga saúde, paz, esperança, fé e amor.
Maria
Antonieta Oliveira
31-12-2022
No
recôndito do baú encarquilhado
Existem
traços riscados a carvão
Negros
frios sem motivação
Traços
de caminhos proibidos
Com
regras e sons distorcidos
Baú
sem cor baú com odor
Baú
com amor e sofrimento
Baú
com sons de passos perdidos
E
fotos a preto e branco
De
amores escondidos
Baú
encarquilhado pelo tempo
Já
passado em lamento
Recôndito
de um baú inventado
No
momento de um sonho atrasado.
Maria
Antonieta Oliveira
24-12-2022
Na
inocência do meu Natal
Punha
o sapatinho na chaminé
Coitado
do Menino Jesus
Pobrezinho,
mesmo assim
Havia
sempre algo de surpresa
E
comer sempre na mesa
A
inocência já lá vai
Os
pedidos são diferentes
E
os sapatos ficaram sem jeito
Pois
nem as chaminés já são como antes
Se
eu pudesse pedir um desejo
Pediria
o teu perdão
E
com a tua na minha mão
Selaríamos
o nosso amor
Com
um doce e suave beijo.
Menino
Jesus
Acede
ao meu desejo
Traz-me
o meu amor
O
seu olhar
A
sua mão
E
o seu beijo.
Maria
Antonieta Oliveira
23-12-2022
Mais
um ano que termina e, por conseguinte, menos um ano que tenho para viver.
Não
quero deixar por dizer a todos os que amo, que os amo. Sim, amo-os com todo o
amor que um coração de mãe, de avó, de mulher, de amante, de amiga, pode amar.
Amo
tudo o que vivi, assim, como tudo o que sonhei e não realizei.
Amo
a vida e a vida que não vivi.
Amo
a calçada que pisei e os caminhos que partilhei.
Amo
os castelos que visitei e aqueles com que um dia sonhei.
Amo
a areia da praia e o sal nela impregnado, pelo mar que a banha.
Amo
o sol que me queima o rosto e me faz morena, como eu gosto.
Amo
os que já partiram e fizeram de mim a pessoa que sou, sem eles, nada seria.
Amo,
sim, amo.
E
porque este ano finda, amo muito mais ainda, a saudade que me mata de ter e ser,
de realizar e viver. De acordar os sonhos e vivê-los acordada.
Mais
um ano, ou melhor, menos um ano, e eu, continuo AMANDO!
Maria
Antonieta Oliveira
20-12-2022
Saber
que sentes como eu
Que
me amas como te amo
Saber
que não esqueceste o passado
Aquele
que vivemos lado a lado
Saber,
saber, meu amor
Que
errámos os dois
E
sofremos por esse erro
Saber,
saber, meu amor
Que
com as nossas traições
O
passado nos traiu
E
hoje, amando-nos ainda
Seguimos
outros caminhos.
Mas
sei, meu amor
O
que ambos sentimos
Amor…
amor… amor…
Maria
Antonieta
14-12-2022
Mesmo
que
Se
ao olhar os ponteiros
Não
veja capicua
Penso
em ti
Relógio
marcando o tempo
De
um tempo que já não volta
Mas,
neste tempo que ainda é nosso
Penso
em ti
Sem
capicua no olhar
A
vida prossegue
Pensando
em ti.
Sempre
contigo
Porque
tu estás
Sempre
comigo.
Maria
Antonieta Oliveira
12-12-2022
O
meu sol é escuro
Como
noite sem luar
Sem
luz nem brilho
É
frio como o meu coração
Quando
não estás comigo
Mas
aquecido pelo teu olhar
Quando
em pensamento te vejo
O
meu sol brilha e aquece
Tu
e eu num só momento
Um
carinho eterno
Um
amor jamais esquecido
Sempre,
e só,
Tu
e eu.
Maria
Antonieta Oliveira
08-12-2022