segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Era


Era, conjugação verbal, difícil
Nem sempre satisfaz
Era, passado, foi ontem
E o ontem, foi feliz?
E o ontem existiu?
Foi vivido, conseguido?

Era
Foi
Já não é
Terá sido?

Maria Antonieta Oliveira
21-10-2019

sábado, 19 de outubro de 2019

Já Esqueci


Já não me lembro dos teus gritos
Nem do tom da tua voz
Já esqueci a força da tua mão
Os teus medos de mim:
Que me perdesse
Que me perdessem
Que mal me fizessem
Era a tua única menina
A filha do teu amor
Já esqueci tanta coisa, mãe.

A saudade é muita
A cada dia é maior
Olho ao céu e vejo-te
Na sombra da nuvem
Ou na lonjura do sol
Lá, onde te encontrares
Sabes o que foste e és
O quanto te amo
A falta que me fazes
Mesmo que nada disséssemos.

Maria Antonieta Oliveira
19-10-2019

Vi-te





Nem chuva, nem vento
Frio ou tempestade
Nada me demoveu
Nada me perturbou
A vontade era muita
E fui
Vi-te, meu amor
Ora na baliza
Ora a médio esquerdo
Defendeste com bravura
Na tua ainda pequena estatura
Quase sem treinos
Só agora começaste
E já és um herói
Sim, para mim, sempre o serás
És o meu eterno menino
Tive-te de pequenino
Dei-te e dou-te o meu carinho
Amo-te, meu príncipe.

Maria Antonieta Oliveira
19-10-2019




quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Valei-me















Faz anos, muitos anos
Mais de cinco décadas
Pedi-te ajuda, Mãe
Atendeste-me
Muitos anos depois
Voltei a pedir-te ajuda
E tu, Mãe
Atendeste-me
Hoje, volto a pedir-te
Ouve-me de novo
Que a minha Rosinha
Volte a ter vida
Mãe, ouve-me por favor.
Só tu, Mãe, me podes valer
E outro milagre
Fazer acontecer.

Sempre grata, Mãe!

Maria Antonieta Oliveira
17-10-2019






















quarta-feira, 16 de outubro de 2019

A Luz do Caminho




Surgiu uma luz no fim do caminho

O escuro da noite
O sol do dia
Os corpos, aquecia
O gelo, o frio
O terror, o tremor
O menino, a menina
O idoso, a criança
O céu, a terra
O mar, o rio
Água, frio
O sol, a luz
O calor, o amor
A praia, o campo

O menino caindo
O idoso sorrindo
E a luz
A luz surgiu
No fim do caminho.

Maria Antonieta Oliveira
16-10-2019





terça-feira, 15 de outubro de 2019

Rainha da Podridão




Como esquecer um passado de podridão?!

Se um dia, todos falassem
Numa reunião de doidos
Em que se encontrassem
Aqueles com quem andaste
Que loucura seria
Quanta nojice contariam
Imundície em que viveste
E quantos, quantos seriam?
A sala bem atulhada
Novos, velhos, meia idade
Louros, morenos, gordos ou magros
Tudo te serviu
Com todos tu reinaste
Rainha da podridão!

Maria Antonieta Oliveira
15-10-2019

Naquela Noite





Naquela noite
As estrelas não se iluminaram
A lua escondeu-se por detrás da nuvem
A noite foi longa
A manhã tardava
E eu, não adormecia

Aquela noite
Teve muitas horas
Queria ir correndo à rua
Trazê-lo para comigo passar o dia
Talvez fosse o último
Só Deus o saberia

A noite estava fria
E ele coitado, sem agasalho
Batia o dente, estremecia
E sonhava com o amanhã
A mesa estaria recheada e ela
Viria busca-lo

Mas aquela noite
A noite daquele Natal
Foi para ele fatal
Enquanto Jesus, sem nada, nascia
Ele, naquela noite,
Sem nada, morria.

Maria Antonieta Oliveira
15-10-2019

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

As Portas Eram de Chita




As portas eram de chita
Floridas, lisas ou riscadas
Franzidas, por vezes garridas
Guarnecidas ou não
Mas todas sem excepção
Eram firmes e seguras
Ninguém por elas ousava
Entrar sem autorização
Fossem do quarto ou da cozinha
Pois quem salão já tinha
Outras portas as guardavam.

Eram de chita as portas
Respeitadas, nada ousadas
Recatavam os olhares
Por vezes, desejosos de entrar
Mas as portas, que eram de chita
Protegiam quem lá morava
Pois na casa só entrava
Quem fosse de confiança
Agora, as portas são outras
Meu Deus, quanta mudança
Na chita das minhas portas.

Maria Antonieta Oliveira--


domingo, 6 de outubro de 2019

Fui Timoneira





Fui timoneira
Timoneira do meu barco
Encalhado no cais da vida
Perdido no caminho da memória
Fui timoneira

Tentei salvar a vida
Da vida que outrora foi
Remei, remei, tentei
Vagueei sem rumo
Na crista das ondas rasantes
Imponentes e arrepiantes
Batalhei com o mar
Esse mar que assusta gigantes
Fui navegante
E
Naveguei.

Fui timoneira
E continuei perdida.

Falhei!

Maria Antonieta Oliveira
06-10-2019

sábado, 5 de outubro de 2019

Sé





Na minha Sé
A Sé da minha infância
Cujos sinos tocaram para mim
Na inocência de uma criança
Fui um dia crismada

Na minha Sé
Nos sinos que tocavam para mim
Noutros tempos, noutros sonhos
Na Sé da minha infância
Segui outros caminhos

E os sinos
Que tocavam para mim
Na Sé da minha infância
Tocam agora para ti
Que tens a minha inocência.

Na minha Sé
Os sinos deixaram de tocar.

Maria Antonieta Oliveira
05-10-2019

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A Esplanada





Na esplanada, sobre a mesa
Pousava a caneta de tinta permanente
Tinta azul, como o céu
Esquecida estarrecia
A tinta secou com o tempo
O tempo que tudo seca e destrói
O bloco de notas jazia
Sem linhas, sem palavras
Sem o azul da tinta e do céu
Tudo vazio, esquecido.

Na esplanada, sobre a mesa
Onde outrora bebíamos o nosso café
O tempo não parou, passou
A minha mão deslizou sobre a caneta
De tinta permanente, azul
Sem querer, deixei-a cair
O bloco seboso por escrever
Voou com o vento vadio
Desolada, parti sem olhar
Tudo ficou para trás.

O céu azul, da cor da tinta
Escureceu
Também o meu coração
Entristeceu.
A chuva caindo
Atropelou os meus pensamentos
Com a face molhada
Voltei à esplanada
Na esperança de encontrar a caneta
E voltar a escrever a nossa história.

Maria Antonieta Oliveira
03-10-2019


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Ser Diferente




Ser diferente
É ser igual a toda a gente

É ter sonhos e sonhar
Querer viver e viver
Querer brincar e brincar
Querer estudar e estudar
Querer trabalhar e trabalhar
Querer namorar e namorar
Querer ser mãe e ser mãe
ou
Querer ser pai e ser pai
Querer ser e ser.

Ser diferente
Não é ser diferente
Porque ser diferente
É ser igual a toda a gente.

Maria Antonieta Oliveira
01-10-2019


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Lembranças




Hoje senti saudades de nós
De ti, minha amiga de outros tempos
Em que as palavras nos uniam
E os sábados eram a nossa casa
De ti, meu amigo de outrora
Que sempre me chamaste de avozita
Que já partiste, mas ficaste
Nas belas palavras que em livros nos deixaste
Também de ti, meu amigo
Poeta de guerras e vitórias
E de muitas outras histórias
Que me deste a honra
De num teu livro entrar
Também tu, partiste ficando.

Senti saudades de nós
Dos nossos encontros amigáveis
Das palavras que trocávamos
Dos sonhos que sonhávamos
Até das nossas risadas sem jeito
Mas que vinham tão a preceito
Que até a vida também nos sorria.

Eram tardes de sábados
Muitas tardes de muitos sábados
Em que as palavras nos uniram
E a amizade fecundou
Uns partiram, outros ficaram
E eu, hoje, senti saudades de nós.

Maria Antonieta Oliveira
30-09-2019
No lançamento do livro de António MR Martins, recordámos poetas já falecidos, que tal como nós, eram presença assídua no auditório do Campo Grande em tertúlias, saraus ou lançamentos de livros.
Exemplo – Vitor Cintra, António Boavida Pinheiro, José Manuel Brazão



quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O Teu Espaço





Passei à tua rua
Procurei o teu lugar
O teu espaço
Tinha esquecido há muito
Onde moravas
Nem da porta me lembrava
Ou da janela onde me esperavas

Mas,
Procurei o teu espaço
No lugar onde te perdi
A janela entreaberta
Deixava ver o cadeirão onde nos amámos
O cortinado oscilava
Ao som do vento cantante
Meu corpo estremecia
No teu regaço de amante
Um corpo num só corpo
Ao redor nada existia
Apenas o marulhar do mar ao longe

A janela fechou-se
O lugar que era teu
No espaço daquela rua
Esqueci-o para sempre
Não voltei atrás no caminho
Segui outro rumo, outra vida
Mas jamais me esqueci de ti.

Maria Antonieta Oliveira
26-09-2019

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Quero Ver-te Feliz





Quero sair deste limbo que me consome
Quero olhar-te e sorrir feliz
Quero voltar a ver os teus olhos brilhando
Quero ver os teus cabelos aos caracóis
Quero, sim quero muito, minha querida
Voltar a ver-te com vida

De mão na minha mão segura
Quero dar-te a saúde que te foge
Dar-te os beijos que precisas
Num amor que tanto querias
E não tiveste… e sofreste
Mas a vida vai dar-te outra vida

Sim, Deus é teu amigo
Deus está e estará sempre contigo.

Maria Antonieta Oliveira
24-09-2019

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Rosinha




A morte espreita
A noite fenece
O dia esfria
Nada te aquece

Olho-te e não te vejo
Não, não és aquela linda flor
Que no mês de Maria nasceu
Não, não és a Rosa florida e airosa
Que me habituaste a ver
Onde estás, flor do meu jardim?
Porque queres partir?
Não deixes de existir, querida
Fica, fica connosco
Ainda temos muito para viver
Ainda temos muito para repartir
Falar, confidenciar e sorrir
.
Fica, fica mais um tempo
Aquele que não tivemos
Aquele que o tempo nos tirou
Mas que agora
Vamos ter esse tempo só para nós
Eu, tu e quem amamos
Todos juntos caminhamos
Até que o tempo nos leve
Muito longe será esse dia
Dia esse, maldito, que não seja breve.

Minha querida Rosinha
Porque sofres assim?
Não partas, por favor
Fica, fica comigo aqui.

Maria Antonieta Oliveira
18-09-2019

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Amigos VS Família





Há amigos que são família
Há família que nem amigos são

E tu que és família, és amigo
Ou serás apenas sangue do mesmo sangue?!

Amiga do teu amigo
Ou amigo da tua amiga
Contrassensos da vida
E família, onde fica a família?

Sangue putrefacto
Vida de artefacto
Caminhos desavindos
Sonhos destruídos

E onde estão os amigos?
E onde fica a família?

Há um coração que bate convencido
Adormecido, mas, quando acorda
Vê que se engana e se dá por vencido
Onde está afinal aquele outro amigo?!

E a família onde está a família?

Maria Antonieta Oliveira
16-09-2019




Queria Estar Contigo







Queria tanto estar contigo, meu amor
Aninhar-me no teu colo
Sentir teus dedos afagando o meu cabelo
E o pulsar do teu coração
Batendo forte de emoção

Queria tanto estar contigo, meu amor
Sentir as tuas mãos macias
Percorrendo o meu corpo carente
E num abraço apertado
Sentir que te tinha a meu lado.

Queria tanto estar contigo, meu amor
Olhar fundo os teus lindos olhos
E ler neles o que sempre disseram
Sentir que hoje como ontem
O amor, o nosso amor existe.

Queria tanto estar contigo, meu amor.

Maria Antonieta Oliveira
16-09-2019

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

E Sou





Não sei o que teria sido
Se fosse
Mas sei o que foi
Não sendo
Não sei
Mas sei o que sou
Não sou o que queria ser
Sou aquela que vive
Continua vivendo
Segue em frente
E é!

Maria Antonieta Oliveira
13-09-2019

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Mentira





Detesto a mentira
Detesto gente que mente
E porque minto eu?!
Porque me obrigam a mentir?!
Sim, desde menina que minto.
Aprendi a mentir, para viver
Viver a vida que devia viver
A que nem sequer me deixavam ver

Menti, mentia e minto
E será que vivo?
Será que vivo a vida que ambicionei
Sem mentira, com a verdade da realidade
Mas, menti e continuo a ter que mentir
Mesmo assim, continuo a não viver.
Não vou mais mentir
Talvez consiga um dia eu SER.

Maria Antonieta Oliveira
10-09-2019

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Estou Cansada





Estou cansada,
Tão cansada, meu Deus
Nunca me deixaram ser
Nunca fui
Como eu queria ser
Nem que fosse um dia apenas
Mas ser
Eu

Foste tu
Minha primeira opressão
Depois, foste tu
Sem opressão, me oprimiste
Fui eu cobarde
Que me deixei ir
Indo.

Agora, és tu
Tu que oprimes por quem passas
Tu que és gelo em dia de inverno
Tu que foste e és amada
Tu que destróis o caminho
Por onde passas
Não me destruas mais, por favor.

Porque eu
Estou cansada,
Tão cansada, meu Deus.

Maria Antonieta Oliveira
09-09-2019

domingo, 8 de setembro de 2019

Flores





Alecrim,
Teu cheiro de menino
Alfazema,
Lembra-me o teu perfume
Rosa,
Linda mesmo ferida
Cravo
Lembra a liberdade
Orquídea,
Sinto saudade

Dálias, jarros, jasmins
Gladíolos, hortênsias
Perpétuas, estrelícias
Tantas mais
Flores de todas as cores
Sentimentos enraizados
Nas raízes por mim plantadas.

Maria Antonieta Oliveira
08-09-2019

Ousei





Ousei abraçar-te
Mesmo sabendo que já não me querias
Ousei beijar-te
Mesmo sabendo que a tua boca já não era minha
Ousei desnudar-te
Mesmo sabendo que o teu corpo já não me pertencia

Ousei…. Ousei
Ousadamente te roubei
O corpo
O sentir
Ousei… ousei
Sem ti fiquei.

Ah sonho maldito
Ousaste de mim
E logo acordei
Na tristeza de um sonho ousado.

Maria Antonieta Oliveira
08-09-2019

sábado, 7 de setembro de 2019

Teu Nome, Amor





Disseram-me que te chamavas amor
Mas eu não sei o teu nome
Amor, é o teu nome, meu amor
E tu? Tu, também te chamas amor?

Vi-te uma vez
Os teus olhos negros pestanudos
Olharam-me
Olhámo-nos e presos ficámos
No tempo dos tempos
Atraiçoados nesse tempo
Em que o tempo passou
Ficámos
Sonhos sem destino
No destino que nos traiu.

Mas, o tempo fez questão de voltar no tempo
De novo, os teus olhos negros pestanudos
Encontraram os meus
E eu, descobri o teu nome
Tu, também tu, te chamas amor.

Sim, tu és e serás sempre o meu amor!

Maria Antonieta Oliveira
07-09-2019

Amanhã Será Tarde



Amanhã, será tarde
Tarde, sim tarde, muito tarde
O caminho foi longo
A estrada calcorreada
Foi perdida, atormentada

No dia em que tu partiste
As luzes se apagaram
As estrelas adormeceram e não mais voltaram
A lua entristecida ficou eternamente adormecida
O breu passou a ser a minha companhia
Nem o sol do meio dia, voltou
Não mais vislumbrei o teu retrato
Estarrecida e apática fiquei
Naquele dia de um frio inverno
Em que partiste sem mim.

Amanhã, será tarde!

Maria Antonieta Oliveira
07-09-2019


Queria Escrever





Queria escrever palavras sentidas
Com sentido
Mas o amor não tem senso, sente-se
E eu quero escrever Amor
- Bom dia, meu amor!

Queria escrever sobre o tempo
Sem tempo
Aquele que perdi, vivendo
Aquele que não vivi, perdendo

Queria escrever palavras sensuais
Sexuais
Com corpos entrelaçados
E orgasmos sensacionais.

Queria escrever a vida
De ontem
Num amanhã feliz contigo
No nosso campo de sonhos floridos

Queria escrever, escrever sem parar
Palavras ocas, vazias
Palavras recheadas de sentimentos
Palavras de amor, sofridas
Palavras felizes, vividas
Palavras e mais palavras
Todas por mim inventadas
Para que só eu e tu
As soubéssemos entender.

Queria escrever apenas
As nossas mágicas palavras.

Maria Antonieta Oliveira
07-09-2019


segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Ama-me








Ama-me!

Porque te hei de amar?!
Diz-me, diz-me porquê!

- Porque sou o teu sol em dia de nevoeiro
A tua lua em noite de tempestade
Sou a tua âncora em mar naufragado
A tua estrela que te ilumina o caminho
Sou a tua vida na minha vida traída
Sou tudo e nada, do que posso ser
Por isto te peço:
Ama-me!

Amo-te, sim, meu amor!
Sempre foste a vida que não tive
O amor que sofri e perdi
Sempre foste aquele que…
Sim, amo-te, meu amor!

Maria Antonieta Oliveira
26-08-2019


Queria Cantar-te




Saí por aí sem rumo
Queria enaltecer-te
Cantar o teu fado
Dar a conhecer ao mundo
O mundo que foi meu
Aquele que eu não soube cantar
Não escrevi a letra
Não compus a música
A pauta, ficou em branco

Nem viola, nem guitarra
Nem preto do xaile, usei
Nada pelo teu fado mudei
E o tempo, o tempo do nosso fado
Sem compasso, nosso fado
Num ápice passou
Sem que eu o soubesse viver
Não soube cantar teu fado
Porque não mo deixaste escrever.

Maria Antonieta Oliveira
26-08-2019



segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Olhos Meus





Estes olhos estão cansados
Muitos anos já passados
E cristais de puro sal esvaziados
Olhos lindos de outrora
Verdes, castanhos, ao teu olhar
Viram muros
Viram estradas
Viram caminhos partilhados
E muitos outros já usados
Olhos grandes de outrora
Bem mais pequenos agora
Tristes, magoados
Sem os teus para beijar.
Estão felizes quando vos olham
Sorriem de gratidão
Olhos estes tão sofridos
Já pequenos de vencidos
São verdes da cor do mar
Ou castanhos para sonhar.

Maria Antonieta Oliveira
19-08-2019

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Parabéns Carochinha

18 de Agosto de 1973



Foi ontem,
Sim, foi ontem que não me deixaste dormir
O raça das costeletas de porco, comidas ao jantar
Não me deixaram descansar
Dores de barriga, toca a levantar
Depois de abrandarem, de novo para a cama
Mas, ai mãe, aí estão elas de novo
Casa de banho, seria a solução
Mas não, nada demovia estas dores
Nunca mais como costeletas ao jantar.

Amanheceu dolorido, sofrido
E as dores não desistiam, será que
Pois…. Se calhar…. É mesmo isso…
A doutora competente, assustou-me e de repente
Aí vamos nós para o local indicado
São Loureço e São Nicolau ajudaram-nos
E tudo se desvaneceu
A carocha escondida à luz apareceu.
Eu sabia, eu sabia que eras linda, uma linda menina
A filha desejada, em Agosto saudada.

Desculpem costeletas, estava mesmo enganada
Verdade, acreditem, estava mesmo equivocada.
Afinal, era a minha filha amada.

Maria Antonieta Oliveira
15-08-2019