domingo, 21 de julho de 2024

O Meu Karma



Fui bebé

Fui menina criança

Moldada, submissa

Criada no espaço que o espaço tinha

 

Levei tareias por tudo e por nada

Em casa, na rua, sozinha ou acompanhada

Isso era o de menos, era assim

 

Fui amada, muito amada

Fui beijada, muito beijada

Era a menina de “pata d’ouro"

A menina de prata e a menina de ouro

Como sua mãe lhe chamava

Era a sua menina que tinha de ser protegida

Exageradamente protegida,,,

 

Fui adolescente e nada mudou

 Apenas o espaço que melhorou

Fui vigiada e perseguida

Nunca tive  o meu lugar

O meu espaço, a minha privacidade

Tive colegas que ainda recordo

Que me avisavam da presença escondida

Enfim, era assim,,,

 

Casei, sou mãe e sou avó de dois lindos príncipes, um homem e uma adolescente, maravilhosos os dois, mas… ausentes…

 

Vim ao mundo, tal como todos nós, com um destino, o meu foi este ser submissa, passar vergonhas, ser tolerante em demasia, ser incompreendida, ser sempre a má da fita, mesmo quando na maioria das vezes não o era. 

Revoltada interiormente em vez de me revoltar para fora, gritar para que todos ouvissem: EU EXISTO E TENHO VONTADE PRÓPRIA!

O meu KARMA foi OBEDECER sem reclamar!

O sorriso disfarça as lágrimas de uma mulher sofrida!

 

Maria Antonieta B. A. Oliveira

21-07-2024

 

 

sábado, 20 de julho de 2024

Tumba


 

 

 

Amanhã fui apanhar o sol da meia noite

Fugi do cemitério sozinha

Agora estou só, ninguém sabe de mim

No caixão ficaste tu, à espera da mão

A mão que te acaricia e abraça

A mão que te ama e massaja

A mão que beijas com amor

O nosso eterno amor

Mas eu fugi, a terra estava húmida

Das lágrimas choradas pelos que ficaram

Poucos, muito poucos

Mas, ainda alguns

Já não choram, só levam flores

De ano a ano, uma vez apenas

Será que ainda vão voltar?

E eu, o que faço aqui sem ti

Espera, amor, vou já

Já estamos de novo quentinhos e de mão dada

Como sempre estivemos ao adormecer.

Maria Antonieta B A: Oliveira

19-07-2024

 

 

 

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Será o Nosso Fim



 

 

Percorri os teus sonhos poéticos

Eróticos e nauseabundos

li-os um a um

comi-os e vomitei-os

 de tão horrendos os senti

erma vulcânicos

eram saídos de um bruxa

a vassoura e a pá varreu-os

e o vento Suão levou-os

devia tê-los guardado

talvez um dia, quem sabe

os lesses

e sentistes o meu sentir

de morte

a morte

sentir que o fim está aqui

aqui mesmo ao virara a esquina´

ficarias a saber tudo

tudo de tudo

sem que eu to dissesse

tu és inteligente

sim, és

mas vais a seguir

a lista não espera 

e a espera não tem tempo

o fim é o fim

e sempre haverá um fim

para tudo

para mim e para ti

e no fim

estaremos juntos e de mão na mão

como quando adormecemos

unidos numa mala de madeira

fechados para sempre!

Maria Antonieta B. A. Oliveira

19-07-2024

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Eternamente Nós


 

 

Olho o teu rosto, bem perto do meu

E vi uma rosa vermelha, a flor do amor

Cresceu, como se fosse bem tratada

O teu olhar, eram dois sóis

Que caminhavam comigo

Como nós de mão na mão

O teu corpo esguio, como o meu

Levitava na brancura alva da nuvem

Passinhos de lã, devagarinho

Com medo de escorregarmos e nos perdermos

Com a outra mão acariciávamos o rosto um do outro

Suavemente, ternurentamente, levemente

 

A nuvem transforma-se numa pomba branca

De asas soltas ao vento, grandes com muita pena se libertando

A cada pena que voava nossa alma se libertava

Tudo em nós se transformava, menos o nosso amor

Porque esse, é indissolúvel

Eternamente NÓS!

 

Maria Antonieta B. Alentado Oliveira

12-07-2024

 

 

 

 

 

Não Sou Poeta


 

 

 

Vi o olho da poesia

Olhava-me com indiferença

Mas de soslaio, parecia recear-me

Disfarçava a diferença entre a indiferença

 

Ela olhou-me veementemente

Eu, retribuí aquele olhar estranho

Possivelmente já nos tínhamos encontrado

Quem sabe um dia, nas palavras de livro qualquer

Ou até, de um porta afamado

 

Palavras daquelas que não sei escrever

Com rima, com métrica, com regras

Tantas sílabas para aqui, mais tantas outras para ali

Não, não sei escrever poesia

Porque não sou poeta!

 

Maria Antonieta B. Alentado Oliveira

12-07-2024

 

domingo, 9 de junho de 2024

Pedras Não


 

 

Pai, traz mais pedras

Mais granizo, pedras brancas

Cubos que irás partir

E farás lindas flores

Simples quadrados pequenos

Ou até bonitos corações

 

Traz mais pedras, pai

Essas não chegam

Quero com elas matar

Todos os que me fizeram mal

Uns sem querer, outros, porque sim

Quero finalmente ser livre de tanta maldade

 

Quero dar os corações que fizeste

A quem me amou e a quem amei

Com as flores ornamentarei as nossas fotos

Fomos sempre poucos e assim continuamos

Mas sempre nos amámos e amamos

As fotos são fruto da nossa vida

A d’outrora e a de agora

As outras, apenas ficarão para acender a fogueira

Ou talvez, uma lareira

Já não terão qualquer interesse.

 

Pai, já não quero mais pedras

Se eu mandasse, queria-te a ti

Queria a mãe e o seu colo sem gritos

Queria o vosso amor por inteiro

Pedras não, pai

Flores, corações

E muito amor!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

09-06-2024

 

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Preciso de Paz


 

 

 

Enrolada na espuma de mar que não existe

Caminho à procura da profundeza das ondas

E do fundo desse mar inexistente

A força bruta das ondas leva-me

De encontro a uma rocha perdida naquele recanto

Magoada, ferida, triste e desiludida

Tento fugir dali para um além diferente

De repente, o som de uma ave suave me diz:

- vai, vai por esse areal perdido e sem fim

Aí encontrarás o que sempre procuraste

O vento era forte, tinha frio e medo

Ao longe, apenas via o horizonte

Nada mais para além do horizonte

 

Não!

Para lá do horizonte não existe a paz

Aquela que o meu eu precisa!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

30-05-2024

 

 

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Já é Tarde

 

 

 

Já é tarde

Como de costume, para mim, é sempre tarde

Queria soltar amarras

Ter coragem para dizer não

Saber que sim era a minha realidade

 

Queria ser livre

Mas, já é tarde

A tontura

A loucura

Os receios

A vergonha

Os dias passando

E a vida morrendo

Porque já é tarde.

 

Já é muito tarde!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

29-05-2024


segunda-feira, 27 de maio de 2024

Palhaço


 

 

 

 

Dlim… dlim… dlão…

Vem aí o palhaço Bonacheirão

Hum… tenho medo

Parece-me um papão…

 

Dlim… dlim.. dlão…

És um grande comilão

Dlim… dlim… dlão…

Vai-te embora não comas tudo

Eu também quero comer

Vai-te depressa, não levas mais nada

Palhaço Bonacheirão

Já estou a ficar saturada

Vai-te… vai-te depressa

Vai logo pela madrugada…

 

Palhaço bonacheirão

És um grande brincalhão…

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

27-06-2024

 

 

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Apenas Tu


 

 

Não há lágrimas que cheguem

Para matar esta dor

Que mais hei de fazer, meu Deus?!

Que mais hei de dizer, meu Deus?!

Tanto que eu vos amo, tanto!

Tanto que eu vos quero, tanto!

Que mal fiz eu? Que mal?

Morrerei com este grande desgosto

De ter sem ter os maiores amores

Sonho perdido

Vida sem sentido

Quero morrer JÁ!

 

Ninguém dará pela minha falta

Apenas tu, meu amor, que também sofres

Embora consigas disfarçar

Mas no fundo o teu coração

Também sangra como o meu.

Vamos partir juntos

Talvez encontremos quem nos ame.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

17-05-2024

 

sábado, 11 de maio de 2024

Para Sempre


 

 

 

Soletrar palavras sem vida

Amar com amor perdido

Sentir uma abraço apertado

E acordar de um sonho matreiro

Quero ser feliz e fugir

Contigo, de mão na mão

Olhando de frente o caminho que nos resta

Com esperança de um amanhã diferente

 

Seremos um raio de sol num dia de verão

Numa praia deserta unidos com paixão

A felicidade eterna chegará finalmente

Nem vento, nem chuva, nem o demónio

Nos destruirá, somos um só

Unidos em anos de vida

Com tudo o que ela nos quis dar

Pouco de bom, algum assim assim e…

Hoje, depois do sofrimento acordámos

Para vivermos felizes até que Deus nos levar.       

Assim será, porque o amor vence sempre!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

11-05-2024

domingo, 5 de maio de 2024

Trocada


 

 

 

Passaste agora à minha porta

Engalado, de fato e gravata

Ias-te casar no registo

A noiva aguardava ansiosa

E tu, traiçoeiro e matreiro

Lá foste todo galã

Enfeitiçado pelo amor

Que afinal não sentias

Seguiste o rumo que traçaste

E o verdadeiro amor para trás deixaste

Quando voltaste à minha porta passar

Já o meu coração batia num outro lugar

Junto a ele, num banco de jardim

Uma lágrima deslizando, caía

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

05~05~2024


Enganada


 

Recebi o beijo que me deste

Vinha bem embrulhado

Num papel quase dourado

Sorri feliz e com alegria

Desembrulhei, devagar

Não que o beijo sem eu querer, fosse voar

O dourado do papel foi ficando amarfanhado

E o beijo nele enrolado

Encolhido e envergonhado

Escondeu-se do meu olhar

Por mais voltas que desse

Naquele papel dourado

Jamais encontrei o beijo

Que me tinhas enviado.

Triste e chorando baixinho

Descobri que afinal

Aquele beijo embrulhado

Não passava de sonho imaginado.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

05-05-2024

  

 

 



sábado, 4 de maio de 2024

Dia da Mãe

Para quê inventarem algo sem lógica?

Dia disto e daquilo… como…

Dia da mãe

Todos os dias são dias da mãe

Desde que me considero gente

Sempre foi para mim, a 8 de Dezembro

Pois é o dia de Nossa Senhora da Conceição

Padroeira de Portugal

Agora é um dia qualquer

Sem santo algum, ou até com algum

Basta que seja o primeiro domingo do mês de Maio

Porquê?

Qual a lógica?

Já sou velha para entender estas mudanças parvas

Enfim, dia disto  e daquilo…

 

Parabéns a todas as mães!

Felicidades a todas as mulheres sejam mães ou não!

 

A ti, MÃE, dou-te os parabéns no dia 8 de Dezembro!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

05-05-2024

Ser Mãe


 

 

Ser mãe, é ser tudo e ser nada

É dar tudo e por vezes nada dar

É sentir emoções incompreensíveis

Por incapacidade de agir e ser

É ser doce e meiga

Mesmo quando não querem que o seja

É sentir necessidade de um abraço

De um beijo carinhoso

De um colo invertido.

 

 

Ser mãe

É ter-te e amar-te

Ser mãe

É sonhar com a tua eterna felicidade

E sentir, que o és na realidade!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

05-05-2024

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Loucura


 

 

A loucura

É uma pasta vazia

É uma pauta sem clave de sol

Uma praia sem areia

E um mar sem água

A loucura

É uma cabeça oca

Um pensamento sem nexo

Um som agudo

Ou grave tanto faz

A loucura

É louca

Inventa e cria ilusões

Acredita em mentiras e desilusões

É louca

A loucura

Porque é abstrata e pura.

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

29-04-2024

 

 

terça-feira, 23 de abril de 2024

Queria... Quero


 

 

Queria voltar a sorrir, a rir

Queria sentir-me feliz, saudável

Voltar a poder fazer sem ter que pedir

Pensar no amanhã sem medo

De cair de vez e perder-me

Queria tanta coisa que não fiz

Ai se fosse hoje, tudo mudava

Jamais me deixaria manipular

Seria eu, somente eu e as minhas ambições

Nada nem ninguém mandaria em mim

 

Quero a minha cabeça

Tal como antes

Quero voltar a seu eu

Mesmo não sendo feliz

Era eu e sabia tudo

Hoje, nada sou e nada sei.

 

Amanhã vou fugir

Vou tentar viver os últimos dias

Como quero e gosto

Quero apanhar o ar livre

Sentir os cabelos ao vento

Soltar os gritos internos

Proibidos e abafados durante uma vida

Quero fugir deste mundo imundo

E desta gente sem coração nem amor.

 

Preferia ter dor

Do que sentir esta dor!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

23-04-2024

domingo, 14 de abril de 2024

17º Aniversário


 

17º  ANIVERSÁRIO

 

 

 

É na surdez de um momento

Que os sonhos são realidade

Mas, também é na surdez de um momento

Que acordamos para a vida

E a vida diz-nos tanta verdade e tanta mentira

 

Sonha, meu amor

Mas acredita em ti e só em ti

Tu sabes!

Tu podes!

Tu queres!

Tu és capaz!

Já és um homem, por isso mesmo

Tu consegues!

Consegues realizar os teus sonhos

Sem os sonhos que te prometem

Apenas aqueles em que acreditas

Porque os vês como possíveis

E não porque te disseram que talvez o conseguissem por ti

Não acredites!

Só tu farás a tua própria vida!

Tem coragem!

Tem Fé!

 

Vive, ama, acredita, realiza, perdoa, sê um ser de bem!

Jamais te esqueças de quem te ama verdadeiramente, sem pedir nada em troca!

 

Segue o caminho que achares ser o melhor para ti, mas pensa sempre nos conselhos que já ouviste! Segue-os, mas, segue-te!

 

PARABÉNS, MEU GRANDE AMOR!

SÊ  SEMPRE  FELIZ!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado Oliveira

17-04-2024

 

 

 

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Carnificina Total

 

Mateio-os a todos

Matei os mortos que já estavam mortos

Matei-os a todos

Matei os outros

Os que não vivem para mim

Os que morrem todos os dias

E eu, matei-os de vez

Acabaram

Estão mortos e enterrados

Agora

Apenas resto eu

Já morta

Bem morta por dentro

Nada já faz sentido

Ninguém existe

Eu matei-os

Todos, um a um

Não quero ficar aqui sem eles

Vou também matar-me

Assim

Ficaremos todos juntos

Juntos na morte.

 

Sem beijos pagos

Sim, sem beijos ou abraços

A troco de cinco euros

Não, jamaias acontecerá

Porque eu já morri.

Sem beijos

Sem abraços

E também  não quero flores

Nem lágrimas de ocasião.

Morri!

 

Maria Antonieta Bastos Alentado

12-04-2024