sábado, 30 de outubro de 2021

Vida Sem Cor


 

 

 

Pinto a vida em tons de amor

Quero-a colorida e com cheiro a flor

Na tela em branco que me foi dada

Rabisquei, tracejei, pintei e nada

Nada de concreto saiu de mim

Minha alma em dor

Não conseguiu pintar a tela do amor

De branca neve, alvura em flor

Assim ficou a paleta, sem cor.

 

A vida sem cor!

A alma sem amor!

 

Maria Antonieta Oliveira

30-10-2021

 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Demoraste Tanto


 

 

Demoraste tempo de mais

Ontem teria sido melhor

Seria o dia certo para viver

O dia certo para te ver sorrir

Para te beijar e abraçar

Ontem, teríamos ido ver o mar

Ver o sol a se esconder

Por entre as brumas da lua nascente

E as folhas resistentes de um outono tardio.

Na areia molhada pelas marés

Deitaríamos os sonhos d’outrora

Esperando as voltas dos dias

Nos dias que passam por nós.

Demoraste tanto, amor!

 

Maria Antonieta Oliveira

26-10-2021

 

Asas Soltas


 

 

 

 

Soltei a gaiola das amarras estreitas

O pássaro de asas cortadas, voou

Tornou-se livre na crueldade retida

De asas partidas bateu paredes veladas

Vedadas ao tempo nascido

Magoou-se, magoou e, partiu

Partindo o coração, a vida, as gentes

E, perdeu-se!

 

Perdeu-se na vida!

Perdeu-se da vida!

 

Maria Antonieta Oliveira

26-10-2021

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Vamos Brincar




 

Vamos brincar ao carnaval, prima?

Eu sei, que é quase Natal

Mas, para nós, pode ser carnaval

E de novo unidas, vamos brincar.

Dá-me a mão e vamos passear

Contar os nossos segredos

Que só nós duas sabemos

O miúdo do castelo

E o teu outro, bem mais belo.

Vem prima, vamos brincar

Sempre unidas, seja ou não carnaval.

 

Maria Antonieta Oliveira

22-10-2021


terça-feira, 19 de outubro de 2021

O Calor do Teu Olhar


 

 

Há muito que a luz dos teus olhos

Não aquece o meu coração

Nem o brilho do teu sorriso

Ilumina o meu rosto sombrio

Sinto falta desse abraço ao acordar

Sinto falta do teu beijo ao te sonhar

Também o sol não me beija como outrora

Nem sequer o vejo, agora

A noite escureceu o meu sorriso

A tua ausência, é céu nublado

Preciso de ti, amor, aqui, ao meu lado

Quero sentir o teu calor

Num olhar cheio de amor.

 

Maria Antonieta Oliveira

19-10-2021

 

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Teus Olhos Verdes


 

 

 

Menina dos olhos verdes

Tão verdes de olhar o mar

Teu rosto risonho de sonho

De um dia nele pousar

Em bicos de pés, criança

Descalça e despida da vida

Perdida a fé e a esperança

Teus olhos verdes, menina

São bolas vermelhas

Raiados de sangue, dor

De lágrimas pisadas de sal

O verde da tua esperança

Desfez-se em solidão

E a desilusão fez casa

Em teus olhos verdes, criança.

 

Maria Antonieta Oliveira

12-10-2021

Escrevo


 

 

Escrevo estas linhas em branco

Sem palavras, virgulas ou pontos finais

Afirmo aqui o que sinto, ou não,

Soluços saídos do coração

Lágrimas ditadas da saudade

Passos, espaços em ruas

Pedras soltas, retiradas, atiradas

Deixo sonhos sem noites dormidas

Vestidos, chapéus, desditas

Removo montanhas de areia

Trazida pelo vento suão

Renovo votos de solidão

E escrevo em desabafos

Os bafos deixados em mim.

 

Maria Antonieta Oliveira

12-10-2021

 

 

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Luzes de Natal


 

 

O coração da cidade pulava de alegria

As luzes cintilantes encandeavam-se

Cruzando-se nos ventos do inverno

Estrelas, flores, laçadas coloridas

Naquela noite de solidão

Ficaram penduradas, esquecidas

Nos lares as famílias sorriam

Num manjar de belas iguarias

Brindavam à saúde e à felicidade

Entre o sonho e a realidade

E, a noite acontecia animada

Colorida pelas luzes cintilantes

Da árvore de Natal.

 

Maria Antonieta Oliveira

06-10-2021

Outro Natal


 

 

 

 

Chovia a noite

Fria, branca e solitária

As luzes caídas

Nas árvores despidas

Choravam lágrimas de sol

Escondido no dia passado

A rua deserta de gente

As casas replectas

Recheadas, vazias

De tudo e de nada

Com gente, sem gente

E, a noite gelada e fria

Acontecia

Num outro Natal.

 

Maria Antonieta Oliveira

06-10-2021

Vida Perdida


 

 

Um espaço, um caminho, uma rua.

 

Um homem solitário

Uma areia molhada

Uma pedra pisada

Uma folha caída

Uma árvore despida

Uma mulher traída

Uma noite escura

Uma lua escondida

Um som estridente

Um tiro perdido

Um corpo já morto

Uma vida sem vida.

 

Um espaço, um caminho, uma rua.

 

Maria Antonieta Oliveira

06-10-2021

 

 

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Morar na Praia


 

 

 

Quero morar na praia

De uma jangada esquecida

Faço a minha guarida

De um mastro naufragado

Faço a pesca para meu agrado

Um buzio adormecido

Será o meu som preferido

O mar e o seu sal

Curará todo o meu mal

A lua anoitecida

Tapará a minha ferida

E o sol ao acordar

Te trará para me amar.

 

E na praia esperando

Ficarei sentada cantando.

 

Maria Antonieta Oliveira

29-09-2021

 

O Mundo Acontece


 

 

Quando a manhã acontece

E acorda os passarinhos

Lá longe, a noite acontece

E eles, recolhem aos ninhos.

 

A terra gira, rodopia

O mundo acorda e anoitece

A vida nasce, renasce e fenece.

 

O princípio tem fim

Num ciclo continuado

 

E a terra gira

E o mundo acontece.

 

Maria Antonieta Oliveira

29-09-2021

Mulher Cansada


 

Mulher cansada da peleja

Mulher saudosa de nada

Mulher vivida sem vida

Mulher da terra sem raiz

 

Trilhos pelejados

Carinhos partilhados

Vivências abençoadas

Flores nascidas em amor

Gritos, beijos e ais

Tormentos, felizes, desiguais

Dias, noites em vão

Sofrimento, desilusão

Raízes que renascem

O sol amanhece o dia

Aquece o gélido coração

E renova a paz e a alegria.

 

Mulher!

 

Maria Antonieta Oliveira

28-09-2021

  


terça-feira, 28 de setembro de 2021

Nos Braços do Mar


 

 

Abri os braços do mar

Na esperança de te encontrar

O mar enlouqueceu

Entre vagas altaneiras

E espumas ondulantes

Meu pensamento levou.

Na areia deserta e quente

Meus pés cansados ficaram

Esperançosos de novas marés

E nelas, em meus braços atracares

Unidos num só velejo

Abraçados num só beijo.

 

Maria Antonieta Oliveira

28-09-2021

 

Escrito na Lua


 

 

Escrevo na lua

A mensagem tua

A palavra solta

Da boca calada

Ela se escondeu

O sol apareceu

A palavra voou

A boca calada ficou

 

Eu, nada soube

Nada sei

Nem o sol

Nem a lua

Nem o caminho encontrei

As palavras perdidas

No sonho, ficaram retidas

Nem o que escrevi decifrei.

 

Maria Antonieta Oliveira

28-09-2021

 

domingo, 19 de setembro de 2021

Nunca Desistas


 

 

 

Nunca desistas de um sonho

Já dizia o poeta, que “o sonho comanda a vida”

Tu, vive a vida rumo ao teu sonho

Ele mais tarde ou mais cedo se realizará

E, se não for como o sonhaste

Aceita o sonho que a vida te der

E sê feliz nesse sonho não sonhado.

Mas, se o sonho for o que sonhaste

Cumpre-o, respeita-o e realiza-o

Pois um sonho realizado

É uma vida de felicidade.

 

Maria Antonieta Oliveira

19-09-2021

O Sol Brilhará


 

 

 

Mesmo quando o sol não brilhar

Eu quero ver o sol brilhar no teu olhar

Se a chuva teimar em cair

Vamos de mão na mão, caminhar e sorrir

E se o caminho for longo e tenebroso

Rezaremos unidos, para que não seja muito penoso

Unidos num amor incontrolável

Tornaremos a vida muito melhor, mais sociável.

E então, unidos

O sol brilhará sempre

Mesmo quando o céu chorar

O teu, o meu, o nosso olhar

Sempre irá brilhar.

 

Maria Antonieta Oliveira

19-09-2021

 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Conversa Com o Espelho


 

 

Quando o espelho me mira

E tenta dialogar

Sinto-me pequenina e frágil

Sem palavras para replicar

Sinto no rosto um frio

Como se o vento me encontrasse

E com a sua aragem

Me equilibrasse

Tornando-me mulher crescida

E as palavras dando-me vida

Soltassem a amargura

Desta minha estadia dura

No mundo onde insisto em estar

De pequenina cresceria

Então, com o espelho falaria

Olhos nos olhos

Sorriria com carinho

Abençoando cada dia.

 

Maria Antonieta Oliveira

16-09-2021

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Estou Velha


 

 

 

A vida é uma ilusão

E eu, estou cansada de viver

Estou velha, gorda e barriguda

Sem paciência, disfarçando

Continuo vivendo mentindo

Disfarçando os dias

Passando na vida

Deixando que o mundo gire

Que a terra mude

Que o sol vire lua

E a lua vire sol

Que a chuva caia enlameando o caminho

E eu, continuo caminhando

Esgotada, cansada, exausta.

 

Estou velha!

Muito velha!

 

Maria Antonieta Oliveira

08-09-2021

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Leão Enjaulado


 

 

Com as garras afiadas

Qual leão enjaulado

Seguro nas rédeas que galopam sem par

As redes molhadas, salgadas, vazias

Deixo-as soltas para que voltem ao mar

Nele à deriva, encontrem o jejum

E me tragam a força e a coragem

Que um naufrago precisa para voltar

Ao areal seco e quente

De uma qualquer praia deserta

De garras afiadas

Agarrarei o destino

Com a força de um leão aprisionado

Que luta pela liberdade merecida.

 

Maria Antonieta Oliveira

06-09-2021

Sonhos Ocultos


 

 

 

Oculto os cadáveres dos sonhos já mortos

No baú de um passado sem princípio

Onde fui a vítima de mim própria

Matei-me quando matei o caminho a percorrer

Matei os meus e os teus sonhos

Matei o meu futuro quando parei no tempo

Deixei que o tempo fosse rei e senhor de mim

E passou rápido, matando dia a dia

O que poderia ter sido felicidade

Matou a minha mocidade

Matei-a eu, quando me deixei vencer

Pela solidão, pela nostalgia, pela vida sem vida

Fingindo ser o que não era

Vivendo para o olhar dos outros

Matando o meu próprio viver.

 

Agora, oculto os cadáveres dos meus sonhos

No baú escondido no sótão do meu corpo

Para que ninguém os encontre e descubra

Que sou eu, a mestra dos palhaços.

 

Maria Antonieta Oliveira

06-09-2021

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Mãos de Fada


 

 

 

Costuraste braços, abraços

Casacos, calças, sem mangas

Coletes e colarinhos

Bordaste lençóis e fronhas

Fizeste bainhas, saias, vestidos

Arroz doce, bolos, pasteis

E saborosos cozidos

Essas mãos habilidosas

Fizeram o que era preciso

E na tua face, sempre um meigo sorriso.

 

Mãos de fada

Mãos de mãe

As tuas, minha mãe querida

Que me afagavam enquanto criança

Mãos de fada

Mãos de mãe!

 

Maria Antonieta Oliveira

30-08-2021

 

domingo, 29 de agosto de 2021

Castelo Em Ruínas


 

 

 

O meu castelo desmorona-se a cada dia que passa

Em ruínas, quase sem paredes que me acolham

Sem tecto que me abrigue das intempéries

As pedras caem sem que as possa guardar

No meu baú secreto onde guardei o destino

Castelo sem guardião que me guarde

Sem alcaide ou mordomias, sem sol ou alegrias

Arcadas abertas, ameias desertas

O meu castelo em ruínas desmorona-se

E eu, qual moura encantada, não sei o que fazer

Não sei como o reconstruir, pedra sobre pedra

Como dar a magia de um outro tempo

Como reviver aquele nosso momento

E voltar a sorrir no meu castelo em ruínas.

 

Maria Antonieta Oliveira

29-08-2021

 

sábado, 28 de agosto de 2021

Perdi-me


 

 

Perdi o norte quando partiste

Perdi-te e perdi-me

Não encontrei o que me deste

Jamais encontrei esse,

Sorriso gaiato e traquina

Olhos suplicando amor

Boca sequiosa de beijos

Tudo levaste de mim

E eu, perdi-me

Perdi-me no dia em que te perdi.

Sem norte, nem sorte

Perdi-me.

 

Maria Antonieta Oliveira

28-08-2021

O Sopro da Vela


 

 

 

No sopro de uma vela

Reluziu o teu rosto

De sorriso magoado

E olhar embevecido

Transmitias a luz da paz

Na divindade de uma vida perdida

Uma vida não construída

Incompleta, incompreendida

Teu olhar perdido

Num destino por viver

Deixou-te sem terra, na terra

E a vela, soprada

Apagou-se.

 

Maria Antonieta Oliveira

28-08-2021

 

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Sou Pura


 

 

Sou pura

Na impureza das minhas lágrimas

Que caem desamparadas

E rolam destroçadas

Pelas margens do meu rio

Sou pura

Nos sonhos de menina ingénua

Que ficaram perdidos na ingenuidade

Da vida que passou

Sem abrir o livro dos sonhos perfeitos

Sou pura

Sim, sou pura

Na impureza de tudo o que fiz

De tudo o que vivi

De todos os momentos sem retorno

 

Mas, sim,

Sou pura.

 

Maria Antonieta Oliveira

24-08-2021

 

 

Ilusão


 

 

 

Ah quanta ilusão existe

Nesta noite de verão, tão triste

Em que estou só neste barco sem rumo

Sem destino ou caminho

Ao sabor das marés vivas

E das areias movediças onde pouso

E te aguardo cansada de esperar

Quanta ilusão nesta depravação

Em que vivemos

Sem norte, nem sorte

Neste deserto infindo

Onde tu e eu navegamos

Entre arribas e fadigas

Esperando um amanhã com sol

Para abrigarmos este amor.

 

Quanta ilusão existe!

 

Maria Antonieta Oliveira

24-08-2021