O sonho é livre... é deixar voar o pensamento... é acreditar no inacreditável... é atingir o inatingível... Amar... Sofrer... Beijar... Doer...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Avô Vitó
Senti-te ausente
Senti-me perdida
Senti-te partir
Senti-me confiante
Pedi, orei, gritei
Amei-te como pude
Cuide de ti com carinho
Sem esforço
Dei-te o mimo que precisavas
Sem mentir
Com a verdade de mim
Na minha entrega
Na esperança e confiança
E hoje,
Graças a Deus e aos nossos protectores
Estás aqui comigo
Em mais um aniversário
Hoje, são setenta e um
Amanhã, serão muitos mais
Com saúde, amor e Fé.
Sempre!
Maria Antonieta Oliveira
22-02-2019
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
Nunca é Tarde
Nunca é tarde
Sim, nunca é tarde para amar
E eu, que quase não vos conhecia
Hoje, amo-vos
Foi como se o tempo parasse
Naquele outro tempo
Onde os sorrisos se uniram
Num momento de felicidade.
Sinto-vos um pouco meus
Como se sempre o tivessem sido
O sangue, o meu e o vosso
É como se fosse apenas um
Correndo nas veias a caminho do coração
Bombeando felicidade
Num sentir que só eu sinto
Real, verdadeiro e meu.
O destino levou-me alguém
O destino trouxe-me alguém
Vocês meus queridos sobrinhos.
Maria Antonieta Oliveira
21-02-2019
22 h 51 m
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
Lisboa
Conheço os teus recantos
E encantos
Travessas e ruas estreitinhas
Ruelas, escadinhas
Becos e vielas
Conheço os teus santos e altares
Bairros e manjericos
Conheço o pisar da tua calçada
Pedras brancas e pretas
Galãs e donzelas escorreitas
Conheço o som da chinela
E o assobiar do amolador
Conheço o teu cheiro
Em dias de primavera
Conheço tudo de ti
Desde o dia em que cheguei
Que por ti me encantei.
Adoro-te Lisboa!
Maria Antonieta Oliveira
14-02-2019
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Memórias
À janela empoleirada, olho para a direita
E ligeira, escorreita de canastra à cabeça
Vem a varina subindo cantando a sua canção:
“Ó fregueses, peixinho fresquinho, quem me acaba o resto”
“Aproveite freguesa”
Chega ao largo já cansada
Pousa a canastra no chão
Tira a rodilha e com a ponta do xaile alivia o suor do rosto
Escorrido, sofrido, de uma vida de escravidão.
Num gesto já rotineiro
Olha a Igreja de Sto. António, faz o sinal da cruz
E só ela sabe a conversa que têm.
Sorri, e de novo entoa a sua canção:
“Ó fregueses, peixinho fresquinho”
“Aproveite freguesa”
Olho a canastra no chão pousada o peixe brilha,
Como brilha a calçada quando pela chuva é regada
Sardinha, carapau e outros que não sei o nome
Ao longe, entoa a mesma cantiga
São as amigas da lide que sobem a rua
Que por ironia do destino, se chama de Padaria
E no largo, no chão pousadas já são três as canastras
As varinas descansam o cansaço
Desancando na vida das outras.
Regalo o meu olhar nas saias coloridas, rodadas,
Semi- tapadas por um vistoso avental debruado.
O xaile volta a cobrir os ombros
A rodilha volta à cabeça onde a canastra se irá apoiar
E, em amena cavaqueira, as varinas unidas
Continuam subindo
Agora,
A Calçada do Correio Velho.
Saio de cima da cadeira
Amanhã será outro dia
E de novo ouvirei o cantar da varina.
Maria Antonieta Oliveira
13-02-2019
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
Talvez...Maria
Caminhavas na rua, descalça
Despida de sentimentos
Olhos no chão
Cabelo solto ao vento
Pés cansados
Rosto crispado
Mãos enrugadas
Corpo cambaleante, sem destino
Chamei-te: - Maria
Talvez, quem sabe, acertasse
Paraste mas, não olhaste
Chamei-te de novo – Maria
Estremeceste e seguiste
De passo apressado, trocado
Como quem foge do passado
Talvez fugisses da, Maria
Pés cansados
Cabelo ao vento
Rosto crispado
Quem foste?
Quem és?
Talvez... Maria…
Maria Antonieta Oliveira
08-02-2019
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
Gosto de Energia
Gosto da energia do mar
E do brilho do teu olhar
Gosto da energia do sol
Aquecendo o meu coração
Gosto da energia da lua
Iluminando a minha alma
Gosto da energia da chuva
Que rega os campos de trigo
Gosto da energia das pedras que piso
E sorriem ao meu passar
Gosto da energia do teu abraço
Que me acalma e harmoniza.
Gosto da energia da vida
Que mesmo quase perdida
Ainda me faz sorrir.
Gosto da energia
Que me dá energia.
Maria Antonieta Oliveira
06-02-2019
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Sonhos
Num rio de água corrente
Banhei meus sonhos
O vento uivou
A chuva apareceu
O céu trovejou
A areia enlameou
Tudo à minha volta desmoronou
E o rio de água corrente
Meus sonhos levou.
À beira do rio voltei a sonhar
Com sol, chuva e noites de breu
Nada me aconteceu
Agarrei meus sonhos com todas as forças
A água do rio
Continuou correndo
E eu, continuei sonhando.
Maria Antonieta Oliveira
31-01-2019
Chove
De janela fechada
Ouço o vento lá fora
Espreito, desviando o cortinado
A rua, parece um rio
A água desliza suave
O verde do jardim mudou de cor
Está macilento, parece neve desfeita
A solidão instalou-se
No deserto da chuva caindo
Bátegas fortes, choram de um céu negro
Triste e desolado.
Cansada, repouso o dia
Num corpo gasto e dorido
Fecho o cortinado.
Maria Antonieta Oliveira
31-01-2019
Tons de Azul
(Imagem de Joaquim Sustelo - HP)
Azul céu
Azul mar
Azul no gelo branco reflectido
E os meninos de smoking alinham-se
Contrastando com seu fato branco e preto.
Será comício?
Será Natal?
É apenas a hora da refeição
A busca pelo peixe fresquinho que os alimentará
Mergulhando na água gelada até o encontrarem.
Ciclos que se repetem
Na vida dos meninos de smoking.
Imagens em azul e branco
Imagens em preto e branco
Assim é a natureza
Unida em formas de amor.
Maria Antonieta Oliveira
31-01-2019
Azul céu
Azul mar
Azul no gelo branco reflectido
E os meninos de smoking alinham-se
Contrastando com seu fato branco e preto.
Será comício?
Será Natal?
É apenas a hora da refeição
A busca pelo peixe fresquinho que os alimentará
Mergulhando na água gelada até o encontrarem.
Ciclos que se repetem
Na vida dos meninos de smoking.
Imagens em azul e branco
Imagens em preto e branco
Assim é a natureza
Unida em formas de amor.
Maria Antonieta Oliveira
31-01-2019
sábado, 26 de janeiro de 2019
Quando Amanheceste
Não sei quando acordaste ao amanhecer
Foram anos escuros num pequeno quarto
Sem janelas nem porta
Ao fundo um pesado cortinado separava
Outras vidas, várias vidas, muitas vidas
Depois, anos depois
O tijolo, a telha, as ripas de madeira
Sem janelas, nem porta
Cortinas de chita florida
Separavam esconsos sem vida
Mais tarde
Já com janelas e porta
Continuaste prisioneira
Sem cortinas, sem cortinados a separar
Sem grades, sem manhãs.
E amanhecias sem acordar
E acordavas sem amanhecer.
Quando amanheceste?
Maria Antonieta Oliveira
26-01-2019
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
Gelam-me os Pés
(imagem de Joaquim Sustelo - HP)
Gelam-me os pés
Nas cascatas do destino
Salpicos de sonhos
Espalhados nas águas correntes
Perdem-se entre ondas de branca espuma
Olho ansiosa para lá
Do semi circulo colorido
Inerte e fria
Aguardo o teu regresso
Mas,
Gelam-me os pés
Nas cascatas do destino.
Maria Antonieta Oliveira
23-01-2019
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Saí Correndo
Saí correndo
Queria encontrar-te ao fundo da rua
Saíste correndo
Querias esquecer que um dia fui tua
Corri sem parar
Num desejo infindo
Corri meio mundo
Ruas, ruelas, esquinas sem vida
Entrei em capelas despidas
Vivi no desespero
Comi do que encontrei
Dormi no chão que pisei
Sofri
Chorei
Caí
Levantei-me
E não te encontrei.
Saí correndo
Saíste correndo
Maria Antonieta Oliveira
21-01-2019
domingo, 20 de janeiro de 2019
Saí ao Anoitecer
Saí ao anoitecer
Num crepúsculo luminoso
Iluminando a esperança do meu coração escurecido
Cadentemente as estrelas fugiam
Uma a uma
E eu, entristecia
Saí ao anoitecer
Para que ninguém visse que te procurava
Queria ver-te
Beijar os teus olhos
Sorrir-te
Queria amar-te em segredo
Sem olhares escondidos nas janelas já fechadas, gradeadas
Queria sentir os teus braços
Entre o meu corpo
E os lençóis macios
Da cama que nunca foi nossa.
Queria tanto, tudo
Sem nada
Cheguei ao amanhecer.
Maria Antonieta Oliveira
20-01-2019
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
Violeta
(foto de Joaquim Sustelo - HP)
Num tapete violeta
Com cheirinho a alfazema
Passeei meu sonho naquele jardim
A tarde ia alta, o sol abrasava
E eu, passeava
Envolta em brancura
Como alva é a neve
Pisava o macio e sedoso caminho
Na cesta levava
Sonhos e quimeras
Levava também
Saudades d’outras eras
Plantei com carinho
Perfumei o caminho.
Maria Antonieta Oliveira
16-01-2019
Num tapete violeta
Com cheirinho a alfazema
Passeei meu sonho naquele jardim
A tarde ia alta, o sol abrasava
E eu, passeava
Envolta em brancura
Como alva é a neve
Pisava o macio e sedoso caminho
Na cesta levava
Sonhos e quimeras
Levava também
Saudades d’outras eras
Plantei com carinho
Perfumei o caminho.
Maria Antonieta Oliveira
16-01-2019
domingo, 13 de janeiro de 2019
Tempo Sem Tempo
Canecas de barro vazias
O vinho, ficou esquecido perdido no tempo
Asa sem mão num jarro sem tempo
E o tempo, desse tempo regressa
E a mão sem jarro nem asa, permanece viva
Mas ausente, ausente de nós
Porque nós, também nós
Ficámos perdidos no tempo.
Maria Antonieta Oliveira
13-01-2019
sábado, 12 de janeiro de 2019
Nada de Nada
O que somos?
O que levamos?
Nada somos
Nada levamos.
Também nada trouxemos,
Trouxemos uma alma vazia
Cheia de nada
Tudo criámos
Tudo vivemos
Tudo desejamos
E o que fizemos?
Somos matéria, pó, cinza e nada
E como pó, somos levados pelo vento
Como cinza, somos o resto de um calor ausente
E somos nada, nada mesmo
Porque somos matéria, sem matéria.
Pó, cinza e nada.
Maria Antonieta Oliveira
12-01-2019
sábado, 29 de dezembro de 2018
Cheiro a Morte
A semente na terra depravada
Cheira a morte
Morte perpetuada na semente renegada à terra
Cheira a frio
Ao frio do calor de um estio tardio
Cheira a rosas
Com espinhos cravados na inocência de quem sofre
Cheira a lírios
Espezinhados na estrada pardacenta
Cheira a fumo
Do fogo ardente da virgem que parte
Cheira a sol
Ao calor que cai a pique na alma sofrida
Cheira a vida
Do choro nascido num parir de amor
Mas
A semente na terra depravada
Cheira a morte.
Maria Antonieta Oliveira
29-12-2018
sábado, 22 de dezembro de 2018
O Peso dos Dias
Sinto o peso dos dias
Nos meus ombros cansados
Gastos e doridos
Sinto o frio das noites
Em que os ossos não dormem
E as dores são companheiras
Nos sonhos que não nascem
Sinto a solidão
Transposta nos momentos
Em que vocês não estão
Estando
Sinto a tristeza
Por não vos ter comigo
Não vos poder abraçar
E os beijos ficarem nos lábios sedentos
Sinto falta
De abraços apertados
Sentidos
Dados com carinho e verdade
Sinto!
Sinto o peso dos dias
Que voam sem esperança.
Maria Antonieta Oliveira
22-12-2018
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Chove lá Fora
(foto de Joaquim Sustelo - Horizontes da Poesia)
Chove lá fora, amor
Fica comigo no calor da lareira
Deixa que os pingos caiam
No caminho que não seguimos
Deixa que o brilho do sol
Faça renascer a lua estrelada
E o amor seque a calçada.
Mas,
Chove lá fora, amor
Não partas assim de mim
O caminho está molhado, escorregadio
Cada pingo gelado e frio
Arrefece teu corpo, tua alma
Aqui, tens o calor do meu abraço
Onde o sonho penetra o espaço.
Chove lá fora, amor.
Maria Antonieta Oliveira
19-12-2018
Chove lá fora, amor
Fica comigo no calor da lareira
Deixa que os pingos caiam
No caminho que não seguimos
Deixa que o brilho do sol
Faça renascer a lua estrelada
E o amor seque a calçada.
Mas,
Chove lá fora, amor
Não partas assim de mim
O caminho está molhado, escorregadio
Cada pingo gelado e frio
Arrefece teu corpo, tua alma
Aqui, tens o calor do meu abraço
Onde o sonho penetra o espaço.
Chove lá fora, amor.
Maria Antonieta Oliveira
19-12-2018
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Pudesse Eu
(foto Joaquim Sustelo - Horizontes da Poesia)
Pudesse eu encontrar-te
Para lá desse céu em combustão
Pudesse eu sonhar-te
Para lá desse mar em calmaria
Pudesse eu aquecer-te
Para lá desse sol que parte
Pudesse eu ver-te
Para lá dessa lua enamorada
Que me confunde e ofusca
Tornando-me um felino
Divagando em sonhos humanos
Na esperança de ao longe
Ouvir o teu doce chamado
E, num afago carinhoso
Me aninhar no teu colo
Até o sono nos separar
E eu, sozinho no meu canto
Adormecer e ronronar.
Pudesse eu!
Maria Antonieta Oliveira
12-12-2018
Pudesse eu encontrar-te
Para lá desse céu em combustão
Pudesse eu sonhar-te
Para lá desse mar em calmaria
Pudesse eu aquecer-te
Para lá desse sol que parte
Pudesse eu ver-te
Para lá dessa lua enamorada
Que me confunde e ofusca
Tornando-me um felino
Divagando em sonhos humanos
Na esperança de ao longe
Ouvir o teu doce chamado
E, num afago carinhoso
Me aninhar no teu colo
Até o sono nos separar
E eu, sozinho no meu canto
Adormecer e ronronar.
Pudesse eu!
Maria Antonieta Oliveira
12-12-2018
sábado, 8 de dezembro de 2018
Os Homens Também Choram
Os homens também choram
Sim, os homens também choram
E porque não haviam de chorar?!
Se os homens também têm coração
Também sofrem
Também amam
E, choram.
E porque não haviam de chorar?!
Só porque são homens?!
São seres humanos.
São gente!
E como gente, que são
Sentem
E, choram.
Maria Antonieta Oliveira
08-12-2018
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
Sinto-me Só
(foto de um desafio no Horizontes da Poesia)
Sinto-me só!
Tão só!
Todos partiram, sem mim
Até o sol e a lua me deixaram
Apenas uma neblina ficou
Rosada, brilhante, cadente.
Desventrada, roída
Nem portas ou janelas
Se abrem para o dia que nasce
Ou para a noite que se avizinha
Apenas tu, velha árvore carcomida
Já sem vida
Desfolhada, perdida
Ficaste comigo
Ficaste
Porque também a ti deixaram esquecida.
Ao longe, imagino a esperança
Talvez, quem sabe,
Um dia alguém virá
E de novo a vida acontecerá
Eu e tu,
Fazendo parte de um jardim
Onde as flores se amem
E os homens se respeitem
Onde as crianças sejam felizes
E os pássaros se beijem.
Ao longe!
Apenas ao longe!
Sinto-me só!
Tão só!
Maria Antonieta Oliveira
07-12-2018
Sinto-me só!
Tão só!
Todos partiram, sem mim
Até o sol e a lua me deixaram
Apenas uma neblina ficou
Rosada, brilhante, cadente.
Desventrada, roída
Nem portas ou janelas
Se abrem para o dia que nasce
Ou para a noite que se avizinha
Apenas tu, velha árvore carcomida
Já sem vida
Desfolhada, perdida
Ficaste comigo
Ficaste
Porque também a ti deixaram esquecida.
Ao longe, imagino a esperança
Talvez, quem sabe,
Um dia alguém virá
E de novo a vida acontecerá
Eu e tu,
Fazendo parte de um jardim
Onde as flores se amem
E os homens se respeitem
Onde as crianças sejam felizes
E os pássaros se beijem.
Ao longe!
Apenas ao longe!
Sinto-me só!
Tão só!
Maria Antonieta Oliveira
07-12-2018
sábado, 1 de dezembro de 2018
No Outro Lado
(foto Joaquim Sustelo - Horizontes da Poesia)
Anoiteceu
num céu sem estrelas
e onde as nuvens pernoitam
Caminho, vagueio, tropeço
Mas prossigo
e chego ao fim
Desse lado de lá
onde nossos corpos se unem
Existe luz
a luz do nosso amor
transposto na longitude
daquela ponte.
Maria Antonieta Oliveira
01-12-2018
Anoiteceu
num céu sem estrelas
e onde as nuvens pernoitam
Caminho, vagueio, tropeço
Mas prossigo
e chego ao fim
Desse lado de lá
onde nossos corpos se unem
Existe luz
a luz do nosso amor
transposto na longitude
daquela ponte.
Maria Antonieta Oliveira
01-12-2018
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Voei Contigo
Olha ali o passarinho, como voa baixinho
Parece trazer no bico uma prenda
Talvez, um recado do meu namorado
Ou uma flor do meu amor
Pousou no jardim sem olhar para mim
Cantarolou, saltitou e voou
Tão alto, tão alto, que deixei de o ver
Fiquei convencida
Que a sua partida não era real
Que um dia, ele voltaria
E então me traria, no bico a tal prenda
Aquele recado do meu namorado.
Então,
O passarinho voando baixinho
Me levaria em suas asas
E os dois iriamos voando, num sonho irreal
Depois,
Pousaria no chão
E eu com a mão o afagaria
Lhe agradeceria tão bela viagem
Quanta ilusão!
Aquele passarinho jamais apareceu
Porque o meu namorado, de mim se esqueceu.
Maria Antonieta Oliveira
28-11-2018
Reencontro
Olhei-te de lado
E tu assustado
Fugiste de mim
Oh Deus, por favor
Dizei-lhe assim:
Não vás apressado
Quem está a teu lado
É o teu grande amor.
Olhaste-me sorrindo
E quase caindo
Correste embaraçado
Olhei-te de novo
E ambos sentimos
Nosso corpo abraçado.
E num reencontro
Felizes sorrimos.
Maria Antonieta Oliveira
28-11-2018
Caminho ou Destino
Saíste correndo, nem para trás olhaste
Apenas levaste, do pouco que tinhas
Um coração sangrando num peito apertado
Um olhar sombrio, num rosto pequeno
E num passo apressado, sem ninguém a teu lado
Caminhaste segura.
Ergueste o olhar
E de sorriso no rosto
Apagaste o desgosto
O sol de novo brilhou
E o teu rosto franzino
Caminhando de mansinho
O destino encontrou.
Maria Antonieta Oliveira
28-11-2018
A Poesia É
A poesia é a alma que grita
E o coração que chora
Um choro calado
Sem lágrima caindo
Um coração magoado
Num rosto sorrindo
E a poesia grita e clama
E voa correndo
Pelos mares do mundo
Pelos céus sem fim.
E a poesia solta-se
E as palavras nascem
E o poema é parido
Porque a alma gritou
O que o coração chorou.
Maria Antonieta Oliveira
28-11-2018
domingo, 18 de novembro de 2018
Sem Luz
Acendi o candeeiro da sala
Abri a janela do dia
Olhei o céu já estrelado
Sem perceber a escuridão imposta no meu coração
Aquela luz perdida
Desviada, escondida
Ausentou-se, partiu
Partiu no mesmo dia em tu partiste
Mas eu fiquei
Fiquei colada ao sofá
Grudada à vida
Àquela que eu queria contigo ter vivido
A luz esvai-se
Na escuridão permaneci
Mas não me perdi
Porque perdida já eu estava por ti.
Sem luz
Sem amor
Sem ti
O que faço eu aqui nesta sala onde o candeeiro se apagou?
Acendi o candeeiro da sala
Abri a janela do dia
E pela nesga da lua
Entraste de novo no caminho do meu viver.
Maria Antonieta Oliveira
18-11-2018
domingo, 4 de novembro de 2018
Quero-te
Quero ouvir a tua voz ao acordar
Quero poder no tempo recuar
Quero fluir, sentir, viver
Viver intensamente cada momento
Quero as lágrimas dos teus lábios
Caídas de um triste olhar
Beber em sofreguidão
Quero ver um semblante feliz
Na tua face nascida de um poema
Quero ser a poeta, a escritora
Aquela que te olha em poesia
E te vê estrofe por escrever
Quero-te escrever em palavras
Quero-te escrever em poesia.
Quero-te escrever um poema.
Maria Antonieta Oliveira
04-11-2018
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
Não é Natal
Olhei o chão em sombreado
Nele havia um vazio assinalado
Um rosto tristonho, escorrido
De lágrimas soltas caindo
As mãos sujas e trémulas
Afagavam a perna dormente.
Em surdina, cantarolava
“É Natal… É Natal… Ouvem-se os sinos…”
E os sinos faziam-se ouvir
Uma… duas…
Doze badaladas são tocadas
No chão em sombreado
Caia inanimado
Aquele que nunca soube o que era
Natal.
Maria Antonieta Oliveira
02-11-2018
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