quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A Esplanada





Na esplanada, sobre a mesa
Pousava a caneta de tinta permanente
Tinta azul, como o céu
Esquecida estarrecia
A tinta secou com o tempo
O tempo que tudo seca e destrói
O bloco de notas jazia
Sem linhas, sem palavras
Sem o azul da tinta e do céu
Tudo vazio, esquecido.

Na esplanada, sobre a mesa
Onde outrora bebíamos o nosso café
O tempo não parou, passou
A minha mão deslizou sobre a caneta
De tinta permanente, azul
Sem querer, deixei-a cair
O bloco seboso por escrever
Voou com o vento vadio
Desolada, parti sem olhar
Tudo ficou para trás.

O céu azul, da cor da tinta
Escureceu
Também o meu coração
Entristeceu.
A chuva caindo
Atropelou os meus pensamentos
Com a face molhada
Voltei à esplanada
Na esperança de encontrar a caneta
E voltar a escrever a nossa história.

Maria Antonieta Oliveira
03-10-2019


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Ser Diferente




Ser diferente
É ser igual a toda a gente

É ter sonhos e sonhar
Querer viver e viver
Querer brincar e brincar
Querer estudar e estudar
Querer trabalhar e trabalhar
Querer namorar e namorar
Querer ser mãe e ser mãe
ou
Querer ser pai e ser pai
Querer ser e ser.

Ser diferente
Não é ser diferente
Porque ser diferente
É ser igual a toda a gente.

Maria Antonieta Oliveira
01-10-2019


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Lembranças




Hoje senti saudades de nós
De ti, minha amiga de outros tempos
Em que as palavras nos uniam
E os sábados eram a nossa casa
De ti, meu amigo de outrora
Que sempre me chamaste de avozita
Que já partiste, mas ficaste
Nas belas palavras que em livros nos deixaste
Também de ti, meu amigo
Poeta de guerras e vitórias
E de muitas outras histórias
Que me deste a honra
De num teu livro entrar
Também tu, partiste ficando.

Senti saudades de nós
Dos nossos encontros amigáveis
Das palavras que trocávamos
Dos sonhos que sonhávamos
Até das nossas risadas sem jeito
Mas que vinham tão a preceito
Que até a vida também nos sorria.

Eram tardes de sábados
Muitas tardes de muitos sábados
Em que as palavras nos uniram
E a amizade fecundou
Uns partiram, outros ficaram
E eu, hoje, senti saudades de nós.

Maria Antonieta Oliveira
30-09-2019
No lançamento do livro de António MR Martins, recordámos poetas já falecidos, que tal como nós, eram presença assídua no auditório do Campo Grande em tertúlias, saraus ou lançamentos de livros.
Exemplo – Vitor Cintra, António Boavida Pinheiro, José Manuel Brazão



quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O Teu Espaço





Passei à tua rua
Procurei o teu lugar
O teu espaço
Tinha esquecido há muito
Onde moravas
Nem da porta me lembrava
Ou da janela onde me esperavas

Mas,
Procurei o teu espaço
No lugar onde te perdi
A janela entreaberta
Deixava ver o cadeirão onde nos amámos
O cortinado oscilava
Ao som do vento cantante
Meu corpo estremecia
No teu regaço de amante
Um corpo num só corpo
Ao redor nada existia
Apenas o marulhar do mar ao longe

A janela fechou-se
O lugar que era teu
No espaço daquela rua
Esqueci-o para sempre
Não voltei atrás no caminho
Segui outro rumo, outra vida
Mas jamais me esqueci de ti.

Maria Antonieta Oliveira
26-09-2019

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Quero Ver-te Feliz





Quero sair deste limbo que me consome
Quero olhar-te e sorrir feliz
Quero voltar a ver os teus olhos brilhando
Quero ver os teus cabelos aos caracóis
Quero, sim quero muito, minha querida
Voltar a ver-te com vida

De mão na minha mão segura
Quero dar-te a saúde que te foge
Dar-te os beijos que precisas
Num amor que tanto querias
E não tiveste… e sofreste
Mas a vida vai dar-te outra vida

Sim, Deus é teu amigo
Deus está e estará sempre contigo.

Maria Antonieta Oliveira
24-09-2019

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Rosinha




A morte espreita
A noite fenece
O dia esfria
Nada te aquece

Olho-te e não te vejo
Não, não és aquela linda flor
Que no mês de Maria nasceu
Não, não és a Rosa florida e airosa
Que me habituaste a ver
Onde estás, flor do meu jardim?
Porque queres partir?
Não deixes de existir, querida
Fica, fica connosco
Ainda temos muito para viver
Ainda temos muito para repartir
Falar, confidenciar e sorrir
.
Fica, fica mais um tempo
Aquele que não tivemos
Aquele que o tempo nos tirou
Mas que agora
Vamos ter esse tempo só para nós
Eu, tu e quem amamos
Todos juntos caminhamos
Até que o tempo nos leve
Muito longe será esse dia
Dia esse, maldito, que não seja breve.

Minha querida Rosinha
Porque sofres assim?
Não partas, por favor
Fica, fica comigo aqui.

Maria Antonieta Oliveira
18-09-2019

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Amigos VS Família





Há amigos que são família
Há família que nem amigos são

E tu que és família, és amigo
Ou serás apenas sangue do mesmo sangue?!

Amiga do teu amigo
Ou amigo da tua amiga
Contrassensos da vida
E família, onde fica a família?

Sangue putrefacto
Vida de artefacto
Caminhos desavindos
Sonhos destruídos

E onde estão os amigos?
E onde fica a família?

Há um coração que bate convencido
Adormecido, mas, quando acorda
Vê que se engana e se dá por vencido
Onde está afinal aquele outro amigo?!

E a família onde está a família?

Maria Antonieta Oliveira
16-09-2019




Queria Estar Contigo







Queria tanto estar contigo, meu amor
Aninhar-me no teu colo
Sentir teus dedos afagando o meu cabelo
E o pulsar do teu coração
Batendo forte de emoção

Queria tanto estar contigo, meu amor
Sentir as tuas mãos macias
Percorrendo o meu corpo carente
E num abraço apertado
Sentir que te tinha a meu lado.

Queria tanto estar contigo, meu amor
Olhar fundo os teus lindos olhos
E ler neles o que sempre disseram
Sentir que hoje como ontem
O amor, o nosso amor existe.

Queria tanto estar contigo, meu amor.

Maria Antonieta Oliveira
16-09-2019

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

E Sou





Não sei o que teria sido
Se fosse
Mas sei o que foi
Não sendo
Não sei
Mas sei o que sou
Não sou o que queria ser
Sou aquela que vive
Continua vivendo
Segue em frente
E é!

Maria Antonieta Oliveira
13-09-2019

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Mentira





Detesto a mentira
Detesto gente que mente
E porque minto eu?!
Porque me obrigam a mentir?!
Sim, desde menina que minto.
Aprendi a mentir, para viver
Viver a vida que devia viver
A que nem sequer me deixavam ver

Menti, mentia e minto
E será que vivo?
Será que vivo a vida que ambicionei
Sem mentira, com a verdade da realidade
Mas, menti e continuo a ter que mentir
Mesmo assim, continuo a não viver.
Não vou mais mentir
Talvez consiga um dia eu SER.

Maria Antonieta Oliveira
10-09-2019

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Estou Cansada





Estou cansada,
Tão cansada, meu Deus
Nunca me deixaram ser
Nunca fui
Como eu queria ser
Nem que fosse um dia apenas
Mas ser
Eu

Foste tu
Minha primeira opressão
Depois, foste tu
Sem opressão, me oprimiste
Fui eu cobarde
Que me deixei ir
Indo.

Agora, és tu
Tu que oprimes por quem passas
Tu que és gelo em dia de inverno
Tu que foste e és amada
Tu que destróis o caminho
Por onde passas
Não me destruas mais, por favor.

Porque eu
Estou cansada,
Tão cansada, meu Deus.

Maria Antonieta Oliveira
09-09-2019

domingo, 8 de setembro de 2019

Flores





Alecrim,
Teu cheiro de menino
Alfazema,
Lembra-me o teu perfume
Rosa,
Linda mesmo ferida
Cravo
Lembra a liberdade
Orquídea,
Sinto saudade

Dálias, jarros, jasmins
Gladíolos, hortênsias
Perpétuas, estrelícias
Tantas mais
Flores de todas as cores
Sentimentos enraizados
Nas raízes por mim plantadas.

Maria Antonieta Oliveira
08-09-2019

Ousei





Ousei abraçar-te
Mesmo sabendo que já não me querias
Ousei beijar-te
Mesmo sabendo que a tua boca já não era minha
Ousei desnudar-te
Mesmo sabendo que o teu corpo já não me pertencia

Ousei…. Ousei
Ousadamente te roubei
O corpo
O sentir
Ousei… ousei
Sem ti fiquei.

Ah sonho maldito
Ousaste de mim
E logo acordei
Na tristeza de um sonho ousado.

Maria Antonieta Oliveira
08-09-2019

sábado, 7 de setembro de 2019

Teu Nome, Amor





Disseram-me que te chamavas amor
Mas eu não sei o teu nome
Amor, é o teu nome, meu amor
E tu? Tu, também te chamas amor?

Vi-te uma vez
Os teus olhos negros pestanudos
Olharam-me
Olhámo-nos e presos ficámos
No tempo dos tempos
Atraiçoados nesse tempo
Em que o tempo passou
Ficámos
Sonhos sem destino
No destino que nos traiu.

Mas, o tempo fez questão de voltar no tempo
De novo, os teus olhos negros pestanudos
Encontraram os meus
E eu, descobri o teu nome
Tu, também tu, te chamas amor.

Sim, tu és e serás sempre o meu amor!

Maria Antonieta Oliveira
07-09-2019

Amanhã Será Tarde



Amanhã, será tarde
Tarde, sim tarde, muito tarde
O caminho foi longo
A estrada calcorreada
Foi perdida, atormentada

No dia em que tu partiste
As luzes se apagaram
As estrelas adormeceram e não mais voltaram
A lua entristecida ficou eternamente adormecida
O breu passou a ser a minha companhia
Nem o sol do meio dia, voltou
Não mais vislumbrei o teu retrato
Estarrecida e apática fiquei
Naquele dia de um frio inverno
Em que partiste sem mim.

Amanhã, será tarde!

Maria Antonieta Oliveira
07-09-2019


Queria Escrever





Queria escrever palavras sentidas
Com sentido
Mas o amor não tem senso, sente-se
E eu quero escrever Amor
- Bom dia, meu amor!

Queria escrever sobre o tempo
Sem tempo
Aquele que perdi, vivendo
Aquele que não vivi, perdendo

Queria escrever palavras sensuais
Sexuais
Com corpos entrelaçados
E orgasmos sensacionais.

Queria escrever a vida
De ontem
Num amanhã feliz contigo
No nosso campo de sonhos floridos

Queria escrever, escrever sem parar
Palavras ocas, vazias
Palavras recheadas de sentimentos
Palavras de amor, sofridas
Palavras felizes, vividas
Palavras e mais palavras
Todas por mim inventadas
Para que só eu e tu
As soubéssemos entender.

Queria escrever apenas
As nossas mágicas palavras.

Maria Antonieta Oliveira
07-09-2019


segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Ama-me








Ama-me!

Porque te hei de amar?!
Diz-me, diz-me porquê!

- Porque sou o teu sol em dia de nevoeiro
A tua lua em noite de tempestade
Sou a tua âncora em mar naufragado
A tua estrela que te ilumina o caminho
Sou a tua vida na minha vida traída
Sou tudo e nada, do que posso ser
Por isto te peço:
Ama-me!

Amo-te, sim, meu amor!
Sempre foste a vida que não tive
O amor que sofri e perdi
Sempre foste aquele que…
Sim, amo-te, meu amor!

Maria Antonieta Oliveira
26-08-2019


Queria Cantar-te




Saí por aí sem rumo
Queria enaltecer-te
Cantar o teu fado
Dar a conhecer ao mundo
O mundo que foi meu
Aquele que eu não soube cantar
Não escrevi a letra
Não compus a música
A pauta, ficou em branco

Nem viola, nem guitarra
Nem preto do xaile, usei
Nada pelo teu fado mudei
E o tempo, o tempo do nosso fado
Sem compasso, nosso fado
Num ápice passou
Sem que eu o soubesse viver
Não soube cantar teu fado
Porque não mo deixaste escrever.

Maria Antonieta Oliveira
26-08-2019



segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Olhos Meus





Estes olhos estão cansados
Muitos anos já passados
E cristais de puro sal esvaziados
Olhos lindos de outrora
Verdes, castanhos, ao teu olhar
Viram muros
Viram estradas
Viram caminhos partilhados
E muitos outros já usados
Olhos grandes de outrora
Bem mais pequenos agora
Tristes, magoados
Sem os teus para beijar.
Estão felizes quando vos olham
Sorriem de gratidão
Olhos estes tão sofridos
Já pequenos de vencidos
São verdes da cor do mar
Ou castanhos para sonhar.

Maria Antonieta Oliveira
19-08-2019

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Parabéns Carochinha

18 de Agosto de 1973



Foi ontem,
Sim, foi ontem que não me deixaste dormir
O raça das costeletas de porco, comidas ao jantar
Não me deixaram descansar
Dores de barriga, toca a levantar
Depois de abrandarem, de novo para a cama
Mas, ai mãe, aí estão elas de novo
Casa de banho, seria a solução
Mas não, nada demovia estas dores
Nunca mais como costeletas ao jantar.

Amanheceu dolorido, sofrido
E as dores não desistiam, será que
Pois…. Se calhar…. É mesmo isso…
A doutora competente, assustou-me e de repente
Aí vamos nós para o local indicado
São Loureço e São Nicolau ajudaram-nos
E tudo se desvaneceu
A carocha escondida à luz apareceu.
Eu sabia, eu sabia que eras linda, uma linda menina
A filha desejada, em Agosto saudada.

Desculpem costeletas, estava mesmo enganada
Verdade, acreditem, estava mesmo equivocada.
Afinal, era a minha filha amada.

Maria Antonieta Oliveira
15-08-2019





terça-feira, 13 de agosto de 2019

O Sonho Comanda a Vida





“O sonho comanda a vida” - Disse o poeta.
(Manuel Freire - António Gedeão – Pedra Filosofal)

A minha vida é um sonho
Um sonho inconstante
Irrequieto e sofrido
Quando chego, já partiste
Quando sonho, já acordei
Quando acordo, não vivo
Porque viver já passou.

Vivo, neste sonhar constante
Neste acordar pertinente
Neste rebuliço da alma
Que acorda e adormece
Vivendo num sonho
E, sonha vivendo.
Nesta vida inconstante.

Mas,
“O sonho comanda a vida”

Maria Antonieta Oliveira
13-08-2019

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Sol de Abril





Ontem, quando abri a janela do teu quarto
Olhei o céu desvanecida
O sol brilhava, o azul era mais azul
Ao redor, tudo estava florido
Sentia-se no ar a primavera a chegar
O cheiro florido imanava nos sentidos
Deambulei o sorriso pelo jardim
Num simples malmequer vi o teu olhar
Sorrias de felicidade
Finalmente vias a janela do teu quarto
Aberta à luz daquele dia majestoso
Pelas mãos, as mãos que tu sempre amaste
As tuas mãos guilhotinadas
Pelo caminho escolhido ontem
Naquele dia em que o sol se escondeu
E a chuva atormentou o caminho
Então,
Caminhámos, caminhando sempre
Por retiros e atalhos desprovidos
Sem sol ou luz que nos guiasse
E assim perdidos
Esperámos pelo odor primaveril
Para abrir a nossa janela
Naquele outro dia solarengo de Abril.

Maria Antonieta Oliveira
01-08-2019

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

O Livro





Abri o livro
Aquele que outro dia me ofertaste
Folheei… folheei… abri… fechei…
Sem encontrar o que procurava
Pousei-o de novo
Na prateleira bolorenta e fria
Onde há muitos anos permanecia

Já na cama deitada, sem dormir
Recordei cada palavra nele escrita
Amor, desamor
Sorrisos, lágrimas
Corredor, castelo
Janela, prisão
Sonhos, ilusões
E tantas outras saudosas
Em cada uma, tu estavas
Em cada uma, recordei e senti
O que foi e ficou para trás
Em cada uma eu vivi
Contigo e sem ti num abraço.

O livro, esse, rasguei-o ontem
Para de novo o colar e abrir
E ler e viver todos esses momentos
E chorar e sorrir
E num todo, ser feliz.

Maria Antonieta Oliveira
01-08-2019


quarta-feira, 24 de julho de 2019

O Meu Fado






Se o mar falasse o que dita o coração
Ai mar, não fales, fica calado
Deixa em ti os meus segredos
Não os contes a ninguém
São sonhos, são enredos
São virtudes e desenganos
São passados e presentes
São vivências por viver.

Retém em ti meus sentires
Sê sempre meu confidente
Não fales, fica calado
Fica em segredo este meu fado
Fado triste e malfadado
Como o fado de outro alguém
É só nosso este segredo
Não fales, fica calado, ó mar.

Maria Antonieta Oliveira
24-07-2019



Ver o Mar




Se voltasses e visses o mar
Sorririas de prazer
Se voltasses e sentisses o mar
Serias feliz só de o ver

Ai mar que me encantas
E me deixas solta e livre
Livre de te olhar
E solta para meditar

Sem peias, areias
Sem limos, caminhos
Com sol ou luar
Segues teus rumos, destinos

Sempre, num ir e voltar.
Trazes e levas sonhos e esperanças
Conchas, búzios e outras lembranças
Espuma ondulante num viver inconstante.

Se voltasses e visses o mar
Serias feliz só de o ver!



Maria Antonieta Oliveira
24-07-2019


Não Sou.... Mas Grito





Quem me dera ser Pessoa ou Espanca
Ter os versos soltos na garganta
E gritá-los bem alto ao luar
Talvez, quem sabe, os ouvisses
E de repente em sonhos me surgisses
Quem me dera!

Apenas em sonhos te tenho
Apenas sonhando te beijo
Porque só nos meus sonhos existes.
Tu, eu, a lua, o sonho
E assim o poema surge
E o grito retido sai em palavras.

Não sou Pessoa nem Espanca
Mas grito vivendo em esperança.

Maria Antonieta Oliveira
24-07-2019

Sacias-me




Sacia-me a fome olhar-te assim
Espumando a brancura do teu viver
Ondulando nas margens daquele outro ser
Nesse constante movimento
Me embrenho sonhando
E vou contigo…
E volto contigo…
E vou contigo…
E volto contigo…
Assim mergulhando, vivo
Vivo contigo em mim
E eu contigo, vivo.

Sacias-me a fome!
Sacias-me a vida!

Maria Antonieta Oliveira
24-07-2019


sexta-feira, 19 de julho de 2019

Aquele Mar





Tu e eu aquele barco perdido
Nós e nosso sonho esquecido
No azul do mar límpido
Vejo a ternura do teu olhar

Na imensidão me enlevo e vou
Naquele abraço sem abraço
Sonho e vou
Caminho sem rumo ou destino
Numa falta constante
Numa solidão errante
Na nostalgia de uma noite fria
Sem ti, sempre comigo
Desespero e espero pelo amanhã
Na distância de um beijo
Sem que o sol nasça e fique
Para sempre no lugar da praia
.
Me enlevo e vou…
Na imensidão….

Maria Antonieta Oliveira
19-07-2019

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Olhares






Quando as palavras não chegam
E as letras se cruzam sem nexo
Quando os olhares se entrelaçam
E falam o que o coração sente
Nele, retidas, estão as palavras.

Maria Antonieta Oliveira
10-07-2019

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Amor Ausente





Adormeço contigo a meu lado
Sinto-te, beijo-te, sonho-te
Seguro a mão que me deste
Acaricio o teu rosto rosado
Beijo essa boca ardente
Sinto-te. Sinto-te em mim
E sou feliz.

Tento adormecer e não consigo
Estendo os braços ao teu encontro
Procuro entre os lençóis, o teu cheiro
O perfume que sempre usaste
A tua boca não está lá à minha espera
Apenas no meu coração, tu estás
E sou feliz.

Maria Antonieta Oliveira
01-07-2019
(Baseado numa frase que em tempos ouvi –
“Quando não se tem quem se ama, ama-se quem se tem”)